• Aucun résultat trouvé

4.5 Strat´egie de fusion

4.5.3 Planifications des fusions

Segundo o Novo Dicionário de Língua Portuguesa Houaiss (2009), a palavra tutor tem sua origem no Século XIII e possui diferentes significados de acordo com a área em que foi sendo empregada. Em Direito, tutor significa indivíduo que exerce uma tutela, na Administração tutor é quem ou o que supervisiona, dirige, governa. Também é possível encontrarmos, na agricultura, o significado de tutor como estaca ou vara que se enterra no solo para amparar uma planta de caule frágil, flexível ou volúvel. Etimologicamente, as palavras tutoria e tutela têm uma raiz latina comum oriunda do verbo tueri que significa guardar, defender, proteger, cuidar, governar e supervisionar.

Porém, enquanto a palavra tutoria está ligada diretamente a uma ação de amparo, de proteção, de defesa, de guarda, a palavra tutela está ligada ao sistema jurídico e implica segundo autoridade conferida pela lei, o ato de governar e de supervisionar uma pessoa interdita ou de menor idade.

Mas, no campo educacional, como o significado do termo tutor se constituiu? Foi uma mera transposição didático-pedagógica de um termo jurídico e/ou administrativo? Ou o significado do termo tutor foi sendo ressignificado ao longo da sua construção histórico social? É a partir desses questionamentos que contínuo minhas reflexões sobre as significações da tutoria em EaD, caracterizando-as no interior da realidade humana que historicamente as constituíram, elemento chave para o desvelar significados sociais e as produções de sentidos de tutoria ao longo da história, permeados por rupturas e contradições.

Piletti; Piletti (2002) fazem referência à família como a primeira forma de tutoria instituída, conforme constatado nas civilizações pré-clássicas, nas quais não existiam escolas e a instrução era garantida pelos pais, sacerdotes ou homens sábios. Segundo os autores, na Antigüidade, a transmissão da herança cultural se realizava pelos xamãs, curandeiros ou feiticeiros, considerados professores primitivos, ao mesmo tempo em que esses auxiliavam o

aprendiz na interpretação da vida. Para Monroe (1983) a educação primitiva era prática e não organizada, tendo como traço característico um caráter “estacionário e imitativo” com vistas à adaptação ao meio ambiente, servindo à obtenção do necessário para a subsistência, tais como alimentação, abrigo e vestuário. Efetivamente, um sistema tutorial era exercido nas comunidades tribais pela imitação direta do adulto pela criança tendo como metodologia a transmissão oral, com a finalidade de ensinar as estratégias de sobrevivência e as práticas culturais e religiosas.

A transição da sociedade tribal primitiva para os estágios da civilização explicita Monroe (1983), ocorreu com a formação das linguagens escritas, o que possibilitou às pessoas o registro de tudo aquilo que até então só se podia falar. Dessa forma, a tradição oral, típica das sociedades agrárias, deu lugar ao aparecimento da escrita iniciando-se, deste modo, um processo de elitização da comunicação, destinada apenas àqueles que sabiam ler e escrever. Frente às exigências sociais por competências mais especializadas, a família delegou às figuras tutelares parte de suas funções educativas, a partir das quais se estabeleceu o ensino formal, ministrado pelos sacerdotes que constituíam uma classe especial de professores, considerados profissionais, diferenciando-se dos xamãs, curandeiros ou feiticeiros. Mas, foi na Antiguidade Clássica que a tutoria assumiu relevo, destacadamente nas civilizações grega e romana.

Aranha (1989) afirma que a constituição das polis, na civilização grega, caracterizada por espaços onde se debatiam os problemas de interesse comum, deu forma a uma concepção de cultura e de lugar do indivíduo na sociedade, oportunizando o desenvolvimento individual do aprendiz. A educação que até então era dirigida para o desenvolvimento físico, estendeu-se também para o campo da poesia, música, dança e canto. Os sofistas, filósofos gregos que privilegiavam a retórica, foram sendo contratados como tutores de jovens que pretendiam seguir a carreira política e iniciaram a organização de um currículo de estudos, privilegiando os conhecimentos técnicos para o desempenho de funções públicas, conforme esclarece Pereira (1975).

Mas, segundo Aranha (1989), foram Sócrates e Platão que demarcaram a tutoria como processo de construção do conhecimento e aprendizagem, utilizando a Maiêutica como método que, através do diálogo, centraram no indivíduo a construção de seu próprio conhecimento, induzindo-o ao raciocínio e à descoberta daquilo que pensavam não saber. Platão, discípulo de Sócrates, na Academia de Atenas, utilizou o mesmo método articulando-o à proposição de problemas que seus seguidores teriam que resolver criticamente. Aristóteles,

por sua vez, foi o exemplo de sucesso do sistema tutorial vivenciado: foi tutoriado por Proxênio, após ficar órfão; contratou tutores para estudar; freqüentou as escolas de Platão; foi tutor de Alexandre, o Grande, da Macedônia e fundou sua própria escola, o Liceu.

Manacorda (2000) adverte que na educação romana, a preocupação com a formação do caráter moral era de responsabilidade da família e, secundariamente, da escola que funcionava em casas particulares, ruas, praças ou edificações públicas, por meio de um ensino considerado lúdico, quando comparado à educação recebida no lar. O mesmo autor (2000, p. 78), ao discorrer sobre as origens do educador romano, diz que “provavelmente a evolução histórica foi do escravo pedagogo e mestre na própria família ao escravo mestre das crianças de várias famílias (preceptor/tutor), ao escravo libertus que ensina na sua própria escola”, tomando essas funções várias direções e designações. Geralmente, esses “tutores” provinham da Grécia, transmitindo sua cultura aos romanos de forma servil.

Quintiliano, conforme Luzuriaga (1983) identificou três tipos de tutores domésticos na Roma Antiga: uma ama que acompanhava a criança até os três anos de idade; posteriormente um pedagogue (escravo grego) que deveria ser um modelo intelectual e moral para ensinar as primeiras letras e a iniciação nas virtudes romanas; aos 7 anos o mesmo pedagogue supervisionava a competência do professor nas ditas escolas, como também garantia a segurança e moralidade. Tecendo críticas à prática excessiva da tutoria, Quintiliano preconizava a criação de um método romano que privilegiasse a oratória e discussão como forma coletiva de construção do conhecimento, ao contrário do método grego que se centrava no Mestre que dirigia o pensamento do tutorado.

Neste sentido, conforme Luzuriaga (1983), Quintiliano defendia que a concepção de que a criança aprendesse no contato coletivo com um mestre sábio e com outras crianças, por conceber que na medida em que a criança relacionava-se com seus pares, a partir da transmissão de conhecimento e da socialização adquiria conhecimentos variados por haver uma maior oferta de ensino e aprendizagem.

Aranha (1989), se referindo ao contexto do ocidente medieval, explicita que na Idade Média, numa visão pedagógica fundamentada no teocentrismo, a educação era concebida como instrumento para a salvação da alma e obtenção da vida eterna. Assim, surgiram as escolas monacais (escolas estabelecidas junto aos mosteiros) destinadas a ensinar o clero e a nobreza, para interpretação dos textos sagrados, preservando-se os princípios religiosos, e assim combatendo a heresia para a conversão dos infiéis. Notadamente, a Igreja utilizou os clérigos como tutores de senhores e imperadores para divulgar e defender a literatura clássica.

Conforme exposto até aqui, percebem-se singulares e diferenciadas significações no exercício da tutoria que foi sendo constituídas, todas relacionadas diretamente às demandas do contexto sócio histórico cultural em que os sujeitos que atuavam nessa área estavam inseridos. Com a institucionalização da escola na Idade Média, em que a atividade de ensinar passou a ser desenvolvida especificamente em um espaço físico definido, novas ressignificações da ação tutorial se configuraram, mais especificamente nas universidades onde nela se expande o papel do tutor.