Une nouvelle image des régions européennes
Carte 2.1 Les régions européennes en fonction de leurs connectivités en 2009
3. Les GMA-MN des politiques de la Science
3.1 Les politiques régionales de la science en France : des politiques scientifiques « en région » ou « des régions » ?
3.1.2 Evolution du contexte scientifique en France
3.1.2.13 Plan Campus
A coleta das informações foi realizada por meio de análise documental e de entrevistas realizadas pela pesquisadora. Estas técnicas de coleta de informações são caracterizadas como observação indireta, pois proporcionam a coleta de indícios ou pistas sobre o fenômeno por meio dos quais é possível deduzir outras informações (LUNA, S.,
1997). Este tipo de coleta de informações foi escolhido devido à possibilidade de conhecer as percepções dos assediados de forma aprofundada, dando vazão aos seus relatos sobre as vivências, sentimentos, consequências da violência e pela dificuldade em acessar os fenômenos estudados por meio da observação direta. O assédio moral no trabalho apresenta a dificuldade de acesso por se caracterizar como uma conduta desaprovada socialmente, que se constitui como violência e dificilmente poderia ser observada diretamente pela pesquisadora. Já o autoconceito é constituído por percepções do indivíduo sobre si mesmo e a maneira como elas são vivenciadas, conteúdo ao qual o pesquisador não tem acesso direto, sendo o autorrelato a forma mais adequada de coleta de informações (TAMAYO, 1981).
Para a análise de todos os processos, registrados no ano de 2010 até setembro de 2011 na SRTE/SC, foi elaborado um protocolo de registro, com base em outro formulado por Invitti (2008). Este continha as informações necessárias para identificar as denúncias que atendiam aos critérios estabelecidos para a constituição da amostra de participantes da pesquisa. Neste protocolo havia principalmente dados de caracterização do denunciante e do denunciado e características da violência denunciada, como as situações vivenciadas, o motivo da violência e o encaminhamento dado ao processo. No entanto, os processos registrados na SRTE/SC apresentam poucos dados, o que dificultou o preenchimento de todo o protocolo.
Caracterizada a população de assediados, foi feito contato com cada um deles a fim de informar sobre a realização da pesquisa e identificar trabalhadores interessados em participar da coleta de informações. Neste primeiro contato foi comunicado aos trabalhadores sobre a realização da pesquisa, explicado os objetivos e os cuidados éticos, principalmente em relação ao sigilo da identidade dos participantes (ANEXO A - Certificado de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos). Com aqueles que aceitaram participar da pesquisa, foi agendado um horário para a realização da entrevista, que teve como tempo de duração entre uma hora e duas horas e meia. No encontro presencial foi apresentado e explicado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C), com ênfase no sigilo da identidade do participante, e solicitada autorização para a gravação de voz durante a entrevista. Para a realização da entrevista foi utilizado um roteiro com questões abertas referentes às categorias de análise dos fenômenos estudados. A entrevista foi parcialmente estruturada, este tipo de entrevista apresenta questões
abertas preparadas antecipadamente em relação às quais o entrevistador possui liberdade para retirá-las, alterar a ordem em que são apresentadas ou acrescentar novas perguntas. A flexibilidade que este tipo de entrevista fornece possibilita maior interação entre entrevistador e entrevistado, o que favorece a exploração em profundidade das representações, crenças e valores dos participantes (LAVILLE; DIONE, 1999).
A primeira parte do questionário abordou o fenômeno assédio moral no trabalho. Foram elaboradas perguntas com o objetivo de caracterizar o trabalhador e o fenômeno assédio moral, com base nas categorias apresentadas por Hirigoyen (2006). Além da caracterização, foram apresentadas questões sobre os sentimentos do trabalhador em relação à violência, as consequências desta e sobre o suporte dos colegas. Posteriormente foram introduzidas as questões sobre autoconceito.
Em relação ao autoconceito, por meio do teste do instrumento, foi identificada a necessidade de apresentar a definição de cada categoria constituinte do fenômeno aos participantes antes de questioná-los sobre tais. Assim, foram utilizados nove cartões, em cada um destes foi apresentada a definição de uma categoria do autoconceito (roteiro de entrevista e cartões no APÊNDICE B). Foram apresentados todos os cartões conjuntamente aos participantes, que puderam escolher a ordem em que gostariam de falar. Após a escolha de cada cartão foi realizada a pergunta referente à respectiva categoria.
As categorias do autoconceito utilizadas nesta pesquisa foram elaboradas a partir da análise do que é apresentado por Tamayo (1981); Tamayo et al. (2001); The Morris Rosenberg Foundation [ca. 1960] e Dutton e Brow (1997). O autoconceito foi dividido em três componentes principais, conforme apresentado por Tamayo et al. (2001), quais sejam: afetivo, cognitivo e comportamental. Estes componentes foram decompostos em nove variáveis: autoaceitação, autoconfiança e autovalor referente à categoria afetivo; autoconceito social, autoconceito físico, autoconceito moral, autocontrole e autoconceito intelectual referente ao cognitivo; e autoafirmação referente ao comportamental, conforme apresentado na figura 3.
Figura 3 – Decomposição de variáveis do autoconceito. Fonte: Adaptado pela autora.
O componente afetivo representa a autoestima, ou seja, a manifestação da aceitação de si mesmo como pessoa e sentimentos de valor pessoal e de autoconfiança (TAMAYO et al., 2001). A partir da definição apresentada foram decompostas três categorias que correspondem ao componente afetivo: autoaceitação, autoconfiança e autovalor. O fenômeno da autoaceitação refere-se ao sentimento de tolerância dos defeitos e reconhecimento das qualidades que o indivíduo possui. A autoconfiança representa o sentimento de segurança que o indivíduo tem em relação a si mesmo. Refere-se ao grau de confiança que o indivíduo sente em relação a ele de maneira geral, sem pensar em alguma situação específica. E o autovalor é
definido como a importância que o indivíduo atribui a si mesmo. Está relacionado ao valor que o indivíduo acreditar ter.
A autoestima está associada à possibilidade da pessoa sentir-se livre, de sentir-se amada, de tomar iniciativas e de apresentar comportamentos criativos (GUILHARDI, 2002). Segundo Tamayo (2001), a autoestima tem outra função importante, uma vez que seleciona as informações que serão consideradas para a avaliação do autoconceito. A pessoa que possui alta autoestima aceita as informações que são coerentes com seu autoconceito e apresenta maior resistência em aceitar aquelas que o ameaçam. O que não ocorre com as pessoas com baixa autoestima, que aceitam a maioria das informações, mesmo que sejam incoerentes. Estas pessoas são mais vulneráveis a sofrerem a diminuição do autoconceito diante de situações ou informações que a avaliem negativamente.
O componente cognitivo representa as percepções que o indivíduo tem em relação aos traços, características e habilidades que possui ou que pretende possuir (TAMAYO et al., 2001). De acordo com esta definição e a análise das categorias apresentadas na Escala Fatorial de Autoconceito (TAMAYO, 1981), o componente cognitivo foi decomposto em cinco categorias, quais sejam: autoconceito social, autoconceito físico, autoconceito moral, autocontrole e autoconceito intelectual. O autoconceito social é a avaliação que o indivíduo faz sobre sua disponibilidade para com os outros, sobre o desejo de buscar a interação com as pessoas, e sua capacidade comunicativa. O autoconceito físico refere-se à avaliação feita sobre a própria aparência física. O autoconceito moral constitui-se na avaliação que o indivíduo faz dos seus comportamentos, de acordo com suas crenças sobre o que considera certo ou errado. O autocontrole refere-se à avaliação que o indivíduo faz da sua maneira de organizar as atividades, relações e interações com o mundo, e suas reações emocionais. E o autoconceito intelectual é definido como a avaliação do indivíduo sobre a sua capacidade cognitiva, sua capacidade de resolver problemas, de aprender e ter boas ideias.
O componente comportamental é constituído pelo fenômeno autoafirmação. Este é definido como as estratégias de autoapresentação que o indivíduo utiliza, a fim de garantir que a imagem formada pelos outros sobre ele seja mais positiva do que o seu autoconceito. Os indivíduos têm necessidade de garantir uma percepção positiva de si para os outros. Assim, uma pessoa que se percebe como tendo características indesejáveis, muito provavelmente se avalia de forma desfavorável, porém se comporta de maneira distinta ao que pensa sobre
si mesmo na tentativa de se apresentar de forma positiva aos outros (TAMAYO et al., 2001). Quanto maior a diferença entre a autoafirmação e o autoconceito do indivíduo, maior a ansiedade gerada neste, por se comportar de maneira distinta aos seus sentimentos (SCHLENDER; DLUGOLECKI; DOERTY, 1994).