4.2 Les points forts de l’étude
4.4.3 Quelle est la place de l’échographie dans le suivi du SGSp et SGSs ?
O primeiro jornal a advogar a política progressista foi O Atlântico. Este semanário, “velho soldado” da imprensa militante faialense, usando a terminologia de
Ernesto Rebelo120, foi fundado a 1 de janeiro de 1862 e findou a 9 de janeiro de 1910.
Depois de ter advogado a separação dos Açores em relação a Portugal, em 1872, e de inicialmente se assumir como apartidário, viria tornar-se em finais da mesma década no
porta-voz do Partido Progressista121, sob a designação de “folha progressista” ou “folha do
Partido Progressista”. Neste contexto, destacaram-se como redatores Dr. Manuel Francisco
de Medeiros, José Maria da Rosa122, Dr. Urbano Prudêncio da Silva123 e Manuel Greaves124.
Além d’O Atlântico destacaram-se, ainda, na defesa da política progressista os
semanários A União (1878)125, A Luta (1882)126eO Açoriano (1883)127.
118 “Surgimos, Correio da Semana, 1897, março 14 (1), pp.1-2. 119 “Apresentação”, O Globo, 1896, outubro 3 (1), p.1.
120 Ernesto Rebelo, “Notas […]”, já cit., AA, vol. IX, pp.45-46. 121 A Sentinela, 1879, julho 6 (1), p.1.
122 José Maria da Rosa (Horta, 1846; Idem, 1907). Professor e reitor do Liceu da Horta (1893-1894; 1900-1904; 1906-1907). Jornalista (O Atlântico, A União, A Luta, O Debate, O Globo, O Açoriano). Político, em que se destacou como membro do Partido Progressista, vindo depois a aderir ao Partido Regenerador (1897). Presidente da Câmara da Horta (1890-1893), procurador à Junta Geral e administrador do concelho da Horta (1904). Regente da Capela Matriz da Horta. Fundador do Colégio Pedro V (1884?).
123 Foi-lhe entregue a chefia da redação a 25 de maio de 1884.
124 Manuel da Silva Greaves (Horta, 1878; Idem, 1956). Jornalista (redator dos seguintes periódicos A Horta, A Aurora, O Ocidente dos Açores, O Atlântico, O Telégrafo e Jornal Açoriano. Prestou a sua colaboração a
outros jornais dos Açores, Continente, Brasil, e comunidades portuguesas na América do Norte. Autor de
Notas de Arte, Vigílias, De Bond, O Meu Tempo, Histórias que me contaram e Aventuras de Baleeiros.
Postumamente, Outras História que Ouvi. Fundador do Colégio Silva Greaves. Militante dos partidos Progressista e Regionalista.
125 Cf. Ernesto Rebelo, “Notas [...]”, já cit., AA, vol. IX, pp.38-41.
126 Jornal fundado, a 20 de outubro de 1882, por Alexandre Clímaco dos Reis. 127 Jornal fundado, a 9 de setembro de 1883, por Manuel Garcia Monteiro.
25 3.1.3. Imprensa Republicana
Paralelamente, à imprensa ideológica regeneradora e progressista, verifica-se, a partir de década de 1880, o aparecimento de jornais republicanos, com orientação editorial estritamente política ou político-noticiosa.
No percurso da imprensa republicana faialense podemos falar de dois momentos: O primeiro compreende os anos de 1880 a 1910, e cujo contributo residiu acima de tudo na divulgação da causa republicana: o segundo, entre 1911 e 1928, sendo notórios a defesa e divulgação dos novos valores, do novo regime e o alerta contra a política decorrente do golpe militar de 28 de maio de 1926.
À exceção d’ A Democracia (1911-1927), o percurso destes jornais foi de curta duração, mas, mesmo assim, foram “um consistente meio de promoção do ideário republicano”128.
No primeiro caso, verificamos que surgem na cidade da Horta jornais de
tendência ou assumidamente republicanos. O primeiro jornal “republicano”, O Raio129,
surgiu a 3 de dezembro de 1882, seguindo-se 4 de Janeiro de 1885, o semanário político e noticioso O Democrata, que depois se assumiria como semanário do Partido Republicano Federal da Horta a partir do número 53, de 3 de janeiro de 1886, sendo seus fundadores o fotógrafo João Augusto Laranjo e o comerciante e proprietário José Augusto de Sequeira.
No artigo de apresentação, O QUE SOMOS, da responsabilidade de “R.” (certamente Redação), numa linguagem “sem papas na pena” clarificava-se claramente os objetivos do jornal ao defender abertamente o movimento republicano e o jornal como meio seguro de “desenvolver e vulgarizar na Horta os princípios da sã democracia que são
na prática as legítimas aspirações dos homens honestos e esclarecidos do século XX”130.
Por isso, advogava-se que em pequenas localidades como a Horta, era necessário que existissem meios de propaganda que suportassem as ideias republicanas, pelejando pelo
povo e pela República131.
128Fernando Faria Ribeiro “’O Democrata’ [...]”, já cit., Boletim do Núcleo [...], 2010 (19), p.81.
129 O Raio (1882-1883) apresentou-se como um semanário político, crítico e noticioso que começou a ser publicado na cidade da Horta a 3 de dezembro de 1882, passando de seguida a republicano, depois a progressista e finalmente a regenerador, cf., Marcelino de Lima, Anais do [...], p.533. Veja-se Luís Sá & Manuela Rêgo [coord.], Jornais Republicanos (1848-1926), Lisboa, Biblioteca Nacional/Assembleia da República, 2011, p.177.
130“O QUE SOMOS”, O Democrata, 1885, janeiro 4 (1), p.1.
Na década seguinte, surgem os semanários de tendência republicana A
Discussão132 e A Estudantina133. Antes da proclamação da República, o diário O Fayal, a 16
de julho de 1908, fundado por J. Mendes de Araújo134.
Após a proclamação de República, verificamos que, até 1928, surgiram as
seguintes folhas republicanas135: o diário político Justiça, fundado a 12 de outubro de 1910,
por António Batista136, a que se seguiu o semanário, depois diário e trissemanário, A
Democracia, a 7 de maio de 1911, por Vicente Ferrer Arouca, que era o seu proprietário,
diretor e editor137. No editorial do primeiro número, intitulado Ao que vimos, apontavam-se
os objetivos a que se propunha: a defesa “sem tibiezas a causa do regime infante”, a defesa dos interesses do distrito da Horta e das “justas aspirações dos açorianos do ocidente e pelos benefícios e bom nome da nossa terra, digna, em verdade, de melhor futuro”.
Na década seguinte, surgiram até 1928 seis periódicos republicanos. Mas à semelhança de outros pretéritos também se caraterizavam pela curta duração: República, fundado, em 1920, título que viria a ser substituído pelo d’ O Campeão; mas no ano seguinte, a 22 de março, voltaria a reaparecer como semanário e com a denominação
inicial: República138. No ano seguinte, a 1 de março de 1922, o quinzenário A Crítica139.
132 Jornal fundado, a 15 de abril de 1894, por João Augusto Laranjo. Veja-se Marcelino Lima, Anais do [...],
já cit., p.531. Este autor considera-o um periódico republicano.
133 Fundado a 27 de maio de 1895. Esta a folha começou por ser redigida pelos estudantes do Liceu Nacional
da Horta com o objetivo de “advogar os interesses do Liceu da Horta a cujos alunos é dedicada”. Entre os números 25 e 29 surge como semanário independente. Do número 30 (20 de abril de 1895) ao 34 (3 de julho do mesmo ano) apresenta-se como “Folha Republicana da Horta”, com uma tiragem de 400 exemplares. O seu último número data de 3 de julho de 1895, cf. Carlos Lobão, Liceu da Horta [...], já cit., p.143; “Ocorrências”, O Telégrafo, 1895, janeiro 4 (392), p.1, onde se pode ler: “Consta que suspendeu a publicação o nosso colega ‘Estudantina’”.
134 Cf. Luís Sá & Manuela Rêgo [coord.], Jornais Republicanos [...], já cit., p.99. Terminou em 1909. 135 Luís Sá & Manuela Rêgo [coord.], op. cit., p.125. Estes autores consideram o diário político A Justiça,
fundado a 12 de outubro de 1910, como um jornal de cariz republicano. De acordo com o seu redator e proprietário, António Batista, nos considerandos que faz no editorial de apresentação do jornal – Justiça,
República -, verificamos que não “nos confessamos republicano, como jamais nos declarámos monárquico.
Somos e seremos, unicamente, pela Pátria. E pelo bem da Pátria, requeremos Justiça. [...]. Por atropelar a Justiça, morreu a Monarquia em Portugal. Por amor da Justiça, viva a República portuguesa. Todos os regimes são bons quando os intuitos são nobres”. Depois, alertava contra o adesivismo dos ”avejões monárquicos que ficavam esvoaçando em volta da República como já sofregamente o faziam em volta da Monarquia. Ao terminar escrevia: “Justiça, República... Que a República garanta a Paz por meio da Justiça; porque aliás, não temos nada feito. Liberdade ampla, Justiça segura, Limpeza perfeita. Assim, viva a República. Se não – não!”. Terminou a 31 de outubro de 1911, após a publicação de 306 números.
136 Cf. Ibid.
137 No número de abertura pode ler-se: ”Foi A Democracia o segundo jornal do distrito da Horta nascido com
a República, tendo merecido até hoje o apoio dos dirigentes políticos da Horta, sem distinção de grupos, nem de opiniões”, A Democracia, 1912, maio 5 (53), p.1. A 3 de dezembro de 1927, a propriedade do jornal foi transferida para a Diocese de Angra. Viria a interromper a edição a 30 de outubro de 1930, sendo, depois, por aquela, vendido ao Dr. Manuel Francisco Neves Jr., com o objetivo de se tornar o órgão do Partido Regionalista, o que não viria a acontecer, uma vez que o mesmo o cedeu à Empresa do Correio da Horta.
138 “Nova Fase”, A República, 1921, março 22 (1), p.1.
27 Dois anos depois, a 9 de março de 1924, a quinta série d’ O Faialense que se apresentou, primeiro, como semanário independente até ao n.º 30 (28 de setembro de 1924) e depois como semanário republicano, a partir de 5 de outubro (n.º 31); em 1926, O Fayal.
No período que se seguiu ao 28 de maio de 1926, a fundação dos jornais A
Resistência, a 1 de janeiro de 1927, número único, e A Luta, semanário, a 16 de dezembro
de 1928.
Na sequência da edição do número único d’ A Resistência, que a censura não conseguiu evitar que circulasse apesar da vigilância apertada por parte da Ditadura Militar a que estava sujeito o seu proprietário e diretor, Manuel José da Silva, este seria interrogado, preso e deportado, a 3 de março, para Angra do Heroísmo, como à frente se referirá, conjuntamente com outros republicanos da Horta que também tinham sido detidos, sem qualquer culpa formada, a 2 de março, ou como se refere no jornal A
Democracia: “Ignora-se o motivo destas prisões”140.
Quanto ao semanário republicano A Luta, registamos que a redação tinha como propósito, numa altura em que não existia nenhum jornal republicano na cidade da Horta,
“a defesa e propaganda da República”141.