• Aucun résultat trouvé

Pig.III. 28

Dans le document Disponible à / Available at permalink : (Page 111-118)

Neste capítulo, os quilombos Kalunga e Sacutiaba e a comunidad negra Colombiana Mulaló são analisados para o sistema de AIM SNPs SNP for ID 34plex. O trabalho foi redigido na forma de um artigo a ser submetido para publicação no periódico American Journal of Human Biology com o título “Genetic Ancestry and Structure in African-derived populations from South America”. Apresentamos dados novos para o sistema nas populações brasileiras e compilamos dados previamente publicados da população colombiana (SNP for ID Browser).

Brasil e Colômbia compartilham uma história de colonização e escravização de populações indígenas americanas e africanas (essas, trazidas para as Américas com esse fim). Em ambos, apesar da introgressão de variabilidade genética proveniente de outras regiões do mundo, a mistura é majoritariamente tri-híbrida entre populações indígenas americanas, européias (especialmente ibéricas) e africanas subsaarianas (Da Silva, 2012). Há que se ressaltar que os africanos levados para a Colômbia não pertenciam necessariamente aos mesmos grupos étnicos que foram levados para o Brasil (Landers et al., 2015). Isso se deveu tanto a mudanças nas relações políticas entre países colonizadores no continente africano, quanto à licença para importar escravos pelo porto de Cartagena de Índias, que se

alternou ao longo do tempo entre portugueses, espanhóis, holandeses, genoveses, franceses e ingleses (Arocha, 1998; Azopardo, 1987).

No Brasil, o movimento quilombista alcançou as primeiras leis de reconhecimento e reparação na década de 80 do século XX. Os entendimentos jurídico e antropológico hoje consideram quilombos como comunidades derivadas diretamente ou não dos quilombos pré-abolição da escravatura (por isso também definidos como históricos). Na Colômbia, os movimentos Afrocolombianos ou de

Negritud alcançaram leis de reconhecimento e reparação na década de 90, com o

Ato Transitorio 55 de 1991 , incorporado à Ley 70 de 1993 :

“ La presente ley tiene por objeto reconocer a las comunidades negras que han venido ocupando tierras baldías en la zonas rurales ribereñas de los ríos de la Cuenca del Pacífico, de acuerdo con sus prácticas tradicionales de producción, el derecho a la propiedad colectiva, de conformidad con lo dispuesto en los artículos siguientes. Así mismo tiene como propósito establecer mecanismos para la protección de la identidad cultural y de los derechos de las comunidades negras de Colombia como grupo étnico, y el fomento de su desarrollo económico y social, con el fin de garantizar que estas comunidades obtengan condiciones reales de igualdad de oportunidades frente al resto de la sociedad colombiana. (art. Transitorio 55 de la Constitución Política – Ley 70 de 1993). ”

que por sua vez, define como comunidad negra :

“… un conjunto de familias de ascendencia afrocolombiana que posee una cultura propia, comparte una historia, y [que] tiene sus propias tradiciones y costumbres dentro de la relación campo-poblado, que revela y conserva conciencia de identidad que la distingue de otros grupos étnicos… (Art.2. de la Ley 70 de 1993).”

155 comunidades negras . O Valle del Cauca, departamento onde se localiza Mulaló, tem 29 comunidades reconhecidas e habitadas por mais de 6 mil famílias (www.etnoterritorios.org, acessado em junho de 2019). Há que se ressaltar a diferença estabelecida na própria Ley 70 de 1993 entre palenque e comunidad

negra : uma comunidade palenquera deve ter continuidade material com palenques

pré-abolição e seriam, portanto, análogos aos quilombos históricos. Hoje, apenas a comunidade de Palenque de San Basílio é assim reconhecida, enquanto as demais comunidades (análogas a quilombos pós-abolição), incluindo Mulaló, são chamadas

comunidades negras .

Brasil e Colômbia compartilham dois fatores que justificam a análise paralela de quilombos e comunidades negras . Primeiramente, uma história colonial que gerou miscigenação entre povos indígenas colonizados, europeus colonizadores e africanos escravizados. Em seguida, a própria existência dos quilombos e

comunidades negras : populações de ancestralidade africana predominante,

relacionadas aos movimentos campesinos, e relacionadas à resistência histórica ao sistema escravista e à estrutura social derivada desse sistema (Da Silva, 2012). Além disso, nos dois países a ambiguidade das relações raciais gerou mitos de igualdade - a chamada “democracia racial” no Brasil e o “ café con leche ” na Colômbia (Da Silva, 2012). Esses mitos, assim como a analogia falaciosa do “ melting pot ” utilizada para descrever populações Latino Americanas, sugerem homogeneidade e mascaram relações sociais desiguais e conflitos fundiários. Assim, o objetivo geral do capítulo é descrever estrutura e ancestralidade genéticas e avaliar semelhanças e diferenças entre os quilombos Kalunga e Sacutiaba e a

comunidad negra Mulaló para, desta forma, somar ao conhecimento da diversidade

RESUMO

A América Latina tem uma história intrincada que se reflete em sua composição genética. Comunidades com ancestralidade africana prevalente, originadas como forma de resistência à escravidão ou como consequência do colapso das estruturas sociais derivadas desse sistema, existem ainda hoje em vários países. Exemplos são os quilombos no Brasil e as comunidades negras na Colômbia. Apesar da crescente literatura descrevendo populações miscigenadas da América do Sul, populações não urbanas e não indígenas ainda são sub-representadas em bancos de dados públicos adequados para a análise de ancestralidade. Neste capítulo, buscamos adicionar dados e conhecimento sobre populações afro-derivadas da América do Sul. Focamos nossas análises na descrição de ancestralidade e estrutura, além de contrastar nossas populações de estudo uma à outra, a suas parentais presumidas e a populações de outros continentes. Analisamos o sistema SNP for ID 34plex, capaz de diferenciar africanos, leste-asiáticos/indígenas americanos e europeus - as populações que contribuiram majoritariamente para a formação do continente. Geramos dados para os quilombos Kalunga e Sacutiaba e compilamos dados da comunidade negra Mulaló do SNP for ID browser . Nossos dados mostraram que as três populações tem como principal componente de ancestralidade a parental africana, seguida pela européia e pela indígena americana em proporções compatíveis com suas histórias, localizações geográficas e dinâmica demográfica atual. A análise não revelaou diferenças marcantes entre nossas populações de estudo e as populações africanas que compuseram a amostra de referência, apesar da composição miscigenada das três. Em conclusão, as populações em estudo não são idênticas em ancestralidade africana e diferem substancialmente nas proporções das outras parentais e na distribuição da ancestralidade individual. Nossos resultados reiteram a diversidade do continente, que se revela mesmo dentro de um grupo com paralelos fortes em história de formação e origem.

Genetic Ancestry and Structure in African-derived

Dans le document Disponible à / Available at permalink : (Page 111-118)

Documents relatifs