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Perante as novas realidades do mundo em que hoje vivemos, dominado pela mudança e pela inovação, onde os professores são confrontados com novos desafios que exigem uma nova maneira de estar na profissão, destaca-

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se a importância do trabalho em equipa como forma de dar resposta a esses desafios.

São vários os autores que têm definido a colaboração/trabalho em equipa como fator preponderante na promoção de um ensino de qualidade, bem como no desenvolvimento profissional. Neste sentido, Perrenoud (2000) elege o trabalho em equipa como uma das dez competências profissionais para ensinar, pelo que através do trabalho colaborativo os profissionais de educação multiplicam as suas capacidades de ação e de enfrentar desafios.

O mesmo autor acrescenta, a propósito da importância do trabalho em equipa que “a profissionalização não é uma aventura solidária. Passa por uma cooperação mais intensa, livremente assumida” (Perrenoud, 1993, p. 184). Esta perspetiva vai ao encontro dos normativos legais, pois do ponto de vista normativo o trabalho em equipa é encarado como um “…factor de enriquecimento da sua formação e da actividade profissional, privilegiando a partilha de saberes e de experiências” (DL n.º 240/2001, anexo V, ponto 2, alínea c).

Hargreaves (1998) sublinha esta ideia referindo que a colaboração proporciona aos professores a partilha de ideias, opiniões, experiências e conhecimentos, tornando-se, deste modo, na melhor resposta à resolução de problemas que muitas vezes surgem de forma imprevisível.

Do mesmo modo, Estanqueiro (2010) enfatiza a importância da cooperação efetiva entre os professores no processo de ensino e aprendizagem, por considerar significativo o contributo do outro no aperfeiçoamento e desenvolvimento de competências profissionais em ordem à melhoria da qualidade do ensino. Para este autor a colaboração constitui-se como um fator de êxito escolar, na medida em que através de um trabalho colaborativo/cooperativo será mais fácil arranjar estratégias inovadoras, desafiantes, que melhor se adequem aos alunos e à prossecução da intenção do professor.

Ainda a este prepósito, Day (2001) sublinha que um bom profissional de educação é aquele que partilha o seu trabalho e compara-o com o dos outros professores, avaliando-o de forma contínua, assim como intervém em parcerias colaborando com outros docentes.

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Assim, e tendo em conta aquilo que tem sido reforçado pelos diversos autores, pode aferir-se que os professores não devem encarar o seu trabalho numa perspetiva individualista, mas ver no trabalho colaborativo/em equipa, uma oportunidade de partilhar diferentes perspetivas e vivências que lhes permitirão aprender e desenvolver-se enquanto profissionais. Além do mais importa referir que o desenvolvimento de boas práticas educativas pressupõe a consciencialização de que “«ninguém ensina sozinho» porque se ensina em equipe, numa inteligência coletiva (…) [e porque se assim não fosse] cada um de nós reduziria a sua ação apenas ao que é capaz de fazer sozinho” (Platone, Hardy & Cols, 2004 p. 16).

É neste contexto que Nóvoa (2009) realça o papel da formação de professores na consciencialização da necessidade de integrar na cultura docente atividades baseadas na colaboração/cooperação profissional, de formarem equipas pedagógicas, isto é, espaços constituídos por profissionais de educação onde partilham ideias acerca do ensino e da aprendizagem, discutem acerca das melhores formas de enfrentar dilemas e realizam projetos comuns. Estas culturas colaborativas, defendidas também por outros autores, contribuem para o desenvolvimento constante dos professores, dos alunos e também das escolas (Castro, 2005). Neste âmbito, Nóvoa (2009, p. 7) sublinha a relevância de a formação de professores valorizar o trabalho em equipa, tendo em vista o desenvolvimento de um perfil profissional do professor cada vez mais colaborador/coletivo, como salientam as suas palavras:

“Hoje, a complexidade do trabalho escolar reclama um aprofundamento das equipas pedagógicas. A competência colectiva é mais do que o somatório das competências individuais. Estamos a falar da necessidade de um tecido profissional enriquecido, da necessidade de integrar na cultura docente um conjunto de modos colectivos de produção e de regulação do trabalho”.

Esta análise feita por Nóvoa (2009), para dar conta da relevância de na formação de professores se introduzir dinâmicas colaborativas, com vista a potenciar o desenvolvimento profissional dos docentes, vai ao encontro da ideia defendida por Sanmamed e Abeledo (citados por Castro & Cachapuz, 2005, p. 270), que enfatizam a influência da qualidade da formação que as instituições oferecem aos professores no trabalho que estes depois vêm a

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desenvolver. Neste sentido, aponta-se para a necessidade de os professores em formação terem oportunidades de partilha de saberes e experiências, que permitirão uma aprendizagem mútua, nas quais os professores refletem, colaborativamente, sobre os problemas/dilemas da prática e sobre as próprias práticas, contribuindo para melhorar a sua intervenção pedagógica.

Reportando, mais especificamente, ao caso do EE, este refere que foi efetivamente significativo para o seu desenvolvimento profissional e pessoal o facto de, no EP, ter havido interação/colaboração (partilha/reflexão) entre professores, concretamente entre estagiário/professor orientador, estagiário/professora cooperante e estagiário/outros colegas estagiários.

Para o EE esta colaboração efetiva trouxe, muitas vezes, contribuições positivas para o seu desempenho pedagógico, na medida em que a partilha de experiências e saberes, bem como a troca de opiniões e crenças acerca do ensino e da aprendizagem lhe permitiu ampliar a sua capacidade de analisar e responder a determinadas situações/problemas.

Importa salientar que para além da troca de experiências/vivências e partilha de saberes, existiram também momentos em que, especificamente os estagiários trabalharam juntos em torno de um projeto comum, que exigiam, portanto, diferentes formas de negociação e cooperação. Aqui realça-se a abordagem ao Voleibol, através do MED, na medida em que os estagiários que se encontravam a realizar o EP na Escola Básica Dr. Costa Matos, por considerarem que o trabalho em equipa poderia trazer efeitos benéficos para os alunos, decidiram reunir-se para levar adiante um projeto comum. Deste modo, foram realizadas reuniões onde, entre outras coisas, se debatiam opiniões para chegar às estratégias que melhor se adequavam a todo o público-alvo, definiam objetivos, princípios e metas a atingir, discutiam ideias e rumos a seguir e, além disso, também se dividiam tarefas e responsabilidades. Tal como referido por Gonçalves & Sá, (2005, p. 131), este trabalho colaborativo e, consequente, corresponsabilização, tiveram, efetivamente, “…repercussões visíveis nas convicções, atitudes, motivações (…) d[os] participantes”, contribuindo para o sucesso das práticas desenvolvidas.

De resto o EE, ao longo do EP, foi vivendo frequentemente experiências verdadeiramente enriquecedoras ligadas ao trabalho colaborativo. Neste contexto, o professor orientador e a professora cooperante assumiram especial

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relevo, dado o suporte que estes proporcionaram ao EE a vários níveis (apoio, encorajamento, cooperação…), que contribuiu para o seu desenvolvimento como profissional crítico e reflexivo, capaz de adequar as práticas educativas às especificidades dos alunos e do contexto.

Em suma, podemos concluir, secundando Perrenoud (2000, p. 81), que “trabalhar em equipe é, portanto, uma questão de competências e pressupõe igualmente a convicção de que a cooperação é um valor profissional”.

Trabalhar em colaboração é oferecer um pouco de cada um, é aprender com os outros e, assim, desenvolver-se profissionalmente (Castro, 2005). Com a partilha de saberes e experiências, o profissional de educação pode, efetivamente, aprender a desempenhar com maior rigor e eficácia as suas funções docentes. Contudo, importa estar consciente de que aprender a exercer o papel de professor é uma aprendizagem que ocorre ao longo de toda a vida do profissional, aspeto sobre o qual nos debruçamos no ponto seguinte.

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