Répartition en fonction du score PMA post-opératoire
I. Anatomie de la hanche: [2, 3, 4, 5]
5. Physiologie du cartilage : [6]
Além das questões ambientais presentes em torno da relação que se estabelece com os resíduos, também pode-se citar outras formas de manifestação diante do tema. Ao refletir sobre o caráter simbólico presente no estudo dos resíduos, é importante citar alguns autores e artistas que abrem a possibilidade de abordar a questão como um aspecto fundamental para se pensar a modernidade.15
Benjamin (1985), por exemplo, relaciona diretamente a questão da modernidade à dos dejetos. Nas considerações que faz ao quadro de Paul Klee (Angelus Novus), indica explicitamente as ruínas e dejetos como contrapartida do progresso.
Mas é a partir da reflexão sobre a obra de Baudelaire que Benjamin (1985) vê explicitada a possibilidade de um olhar sobre a modernidade através de alguém cuja função está relacionada com o lixo: o “trapeiro”. Ele sinaliza que, se um pesquisador pretende tecer considerações sobre a vida moderna, não deve deixar de considerar esse decisivo personagem. Sabe-se que um maior número de trapeiros surgiu nas cidades desde que, graças aos novos métodos industriais, os rejeitos ganharam certo valor. Os trapeiros fascinavam à sua época. Encantados, os olhares dos primeiros investigadores do pauperismo nele se fixaram com a pergunta muda: “Onde seria alcançado o limite da miséria humana? Naturalmente o trapeiro não pode ser incluído na boêmia. Mas, desde o literato até o conspirador profissional, cada um que pertencesse à boêmia podia reencontrar no trapeiro um pedaço de si mesmo” (BENJAMIN, 1985, p. 16-17).
Benjamin (1985) refere-se ao que é dito por Baudelaire em toda a sua obra sobre a relação entre os poetas e os trapeiros, para refletir sobre o papel do historiador contemporâneo. Eles encontram no próprio lixo o seu assunto heroico. Com isso, no tipo ilustre do poeta (ou do historiador), aparece a cópia de um tipo vulgar. Trespassam- no os traços do trapeiro que ocupou a Baudelaire tão assiduamente:
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Nesse sentido, os artistas possuem uma percepção privilegiada; portanto, são capazes de antecipar a ciência. Eles podem inferir algo que a ciência não pode. Isso é devido à maneira como se estabelece a
Aqui temos um homem – ele tem de recolher na capital o lixo do dia que passou. Tudo o que a cidade grande jogou fora, tudo o que ela perdeu, tudo o que desprezou, tudo o que destruiu, é reunido e registrado por ele. Compila os anais da devassidão, o Cafarnaum da escória; separa as coisas, faz uma seleção inteligente; procede como um avarento com seu tesouro e se detém no entulho que, entre as maxilas da deusa indústria, vai adotar a forma de objetos úteis ou agradáveis (BENJAMIN, 1985, p. 78).
Essa descrição é apenas uma dilatada metáfora do comportamento do poeta segundo o sentimento de Baudelaire. Trapeiro ou poeta – a escória diz respeito a ambos; solitários, realizam seus negócios nas horas em que os burgueses se entregam ao sono. Ambos perambulam com um andar abrupto pela cidade; cada um a seu modo, procurando seu tesouro: “[...] o passo do poeta que erra pela cidade à cata de rimas; deve ser também o passo do trapeiro que, a todo instante, se detém no caminho para recolher o lixo em que tropeça” (BENJAMIN, 1985, p. 79).
Cabe dizer então, que, para Benjamin (1985), existem duas formas de associar o tema dos resíduos com a história. A primeira aproxima o historiador do sucateiro, ou do trapeiro, como citado anteriormente. Nessa perspectiva, o historiador é visto como aquele que, revolvendo camadas do tempo e recolhendo as sucatas do homem, faz do que é constantemente desvalorizado pela cultura, sua matéria-prima. A segunda associa lixo e memória, essa como um rastro do passado. Por rastro pode-se considerar uma sequência de impressões deixadas pela passagem de algo ou alguém; é uma lembrança de uma presença que não existe mais e que corre o risco de se apagar. O rastro aponta para a permanência de um vestígio humano.
Sendo assim, a tarefa do historiador/lixeiro seria a de procurar manter juntas a presença do ausente e a ausência da presença. Isso também concerne à lógica psicanalítica. Sabe- se, seja pela via da psicanálise, seja pela da história, que a memória vive dessa tensão entre presença e ausência. Essa pode ser considerada a riqueza, mas também a fragilidade essencial da ligação entre rastro e memória, sendo o estudo dos resíduos a possibilidade de tecer o campo metafórico dessa ligação.
Berman (2010) é outro exemplo a ser citado como um autor a pensar a modernidade a partir do viés do descartável. Ele afirma que a modernidade é caracterizada por um tempo pretérito, esvaziado de sentido, ao contrário das culturas tradicionais, nas quais o passado era honrado e seu símbolo valorizado por conter a experiência de gerações. O
mundo atual vive sob o predomínio do tempo sobre o espaço; da noção do privado sobre o coletivo; do que seria mundial sobre o que é de âmbito local; e, paradigmaticamente, da dimensão do artificial sobre a esfera do natural. Esse autor faz uma análise do mundo contemporâneo a partir de vários pensadores da modernidade. Dentre eles, cita Marx numa afirmativa que dá origem ao título da obra. “Tudo está impregnado do seu conteúdo. Tudo que é sólido desmancha no ar” (BERMAN, 2010, p. 31).
Berman (2010) também se refere a Nietzsche (influente filósofo alemão do século XIX), ao descrever sobre o dilema do homem moderno: Nietzsche assevera que o homem moderno “[...] jamais se mostrará bem trajado [...]”, porque “[...] nenhum papel social nos tempos modernos é para ele um figurino perfeito. Todos os indivíduos, grupos e comunidades enfrentam uma terrível e constante pressão no sentido de se reconstruírem interminavelmente; se pararem para descansar, para ser o que são, serão descartados” (BERMAN, 2010, p. 33).
Também pode-se citar vários artistas plásticos que criaram uma narrativa estética mobilizando o lixo para refletir sobre a cultura contemporânea.
Andrés (1998) afirma que não foram poucos os que através do lixo empunharam várias bandeiras com causas políticas e se envolveram diretamente na proposta de luta armada difundida pela nova esquerda brasileira, por exemplo. Na Aliança Libertadora Nacional (ALN), havia um grupo de arquitetos-artistas: Sérgio Ferro, Rodrigo Lefévre, Carlos Heck, Júlio Barone e Sergio de Souza Lima; na Ala Vermelha: Alípio Freire e Carlos Takaoka; no Movimento de Libertação Popular (MOLIPO): Antonio Benetazzo; no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR): Sérgio Sister; no Movimento Revolucionário 8 de Outubro ( MR-8): Carlos Zílio e Renato da Silveira.
Os que foram presos continuaram a pintar e desenhar e a criar uma narrativa política, de resistência e denúncia a partir do lixo. Segundo Andrés, (1998), eles fizeram uma reflexão sobre a cultura e a sociedade de seu tempo através da arte e do lixo.
Em 1970, afirma Bittencourt (1986), esses artistas criaram um ateliê no presídio Tiradentes, nesse ateliê muitos, como Carlos Zílio e Rodrigo Lefévre, utilizaram para criar lascas de madeira, pedaços de lençol, pedaços de papel, papelão ou até pratos de
comida. O resultado transformou-se em documento de época – o registro estético de uma experiência política.
Em 1970 também aconteceu o evento “Do corpo a terra” promovido pela Hidrominas (empresa de turismo de Minas Gerais) e por Maristela Tristão, diretora do setor de artes visuais do recém inaugurado Palácio das Artes. Andrés (1998) afirma que esse evento estabeleceu um marco criativo de extrema violência e radicalidade para a produção experimental brasileira. O evento apresentou uma arte intensa diversa, corajosa, escandalosa, desesperada, transgressiva, comprometida, vanguardista e que incluiu o lixo, segundo essa autora. A simples participação dos trabalhos feitos com lixo nos circuitos fechados de arte provoca a contestação desse sistema em função de sua realidade estética, afirma Bittencourt (1986).