LA CATÉGORIE DE LA PERSOOOE EO FRAOÇAIS ET EO EWOODO : EOTRE GRAMMAIRE ET LEXIQUE 1
3. La personne : un système à trois variables
3.3. La personne phorique
Finalmente, após o questionário aplicado e a apresentação do vídeo, ocorreram os grupos de discussão, ora na universidade ora na comunidade. Foram quatro grupos organizados, levando em consideração as informações colhidas do questionário e do texto mostrado no vídeo. As atividades do grupo focal valorizaram a expressão livre da palavra, constituindo-se, desse modo, em espaço plural da pesquisa.
Os procedimentos adotados para o desenvolvimento do grupo focal, em todas as suas edições, foram: uma explicação aos jovens voluntários sobre o sentido de uma pesquisa qualitativa e a importância da participação sincera dos presentes no grupo, a apresentação do texto-vídeo e início do grupo de discussão propriamente dito.
Entende-se aqui como grupo focal o que foi definido por Macedo (2000) como
um recurso de coleta de informação organizado a partir de uma discussão coletiva, realizado sobre um tema preciso e mediado por um animador-entrevistador ou mesmo mais de um. Em realidade, configura- se numa entrevista coletiva aberta e centrada. Alguns elementos, entretanto, devem ser levados em conta: os membros do grupo; sua preparação para entrevista; as condições de tempo; o lugar do encontro; a qualidade da mediação ou do entrevistador em termos de domínio da temática a ser trabalhada e da dinâmica grupal.(p. 178)
Assim procedeu-se ao longo do desenvolvimento dessa técnica na pesquisa. Em Portugal, esse processo envolveu quatro agrupamentos: o grupo cultural Batoto Yetu, o grupo de capoeira Alto Astral, a Escola Filipa Lencaster e a Escola Secundária Cidade Universitária. As atividades foram realizadas com dois grupos focais.
O primeiro na Universidade de Lisboa com representantes de dois grupos de jovens: Batoto Yetu e da Escola Secundária Cidade Universitária e o segundo, na comunidade com o grupo de Capoeira Alto Astral.
No Brasil, as atividades de discussão foram desenvolvidas com grupos ligados ao Movimento de Intercâmbio Artístico e Cultural pela Cidadania - MIAC. Inicialmente, ocorreu na Universidade Federal da Bahia, envolvendo dez jovens, e posteriormente na comunidade, com um grupo de doze jovens. Em Salvador, foram formados dois agrupamentos do MIAC para os grupos focais da pesquisa que se reuniram, inicialmente, na Faculdade de Educação da UFBA e, posteriormente, na Escola Estadual Renan Baleeiro.
Portanto, as técnicas vivenciadas em Portugal foram desenvolvidas no Brasil com jovens soteropolitanos e tomou como base empírica o MIAC. A opção pelo MIAC se consolida após um caldeirão33
pelo subúrbio ferroviário de Salvador. Foi uma viagem singular de encontro com um movimento, em movimento. A cada estação, quando as cortinas, ou melhor, as portas do trem se abriam para comunidade, entrava em cena um ato político, uma sensibilização artística por cidadania emancipatória34.
33 O Caldeirão é uma modalidade de evento coordenado pelo Miac com autonomia organizativa dos coletivos juvenis dos bairros de cada espaço territorial da região metropolitana de Salvador. O postal – convite em tela é do I Caldeirão do Miac.
34 Pedro Demo considera a Cidadania Emancipatória “um fenômeno profundo e complexo, de teor tipicamente político, e que supõe, concretamente, a formação de um tipo de competência, ou seja, de saber fazer-se sujeito histórico capaz de pensar e conduzir seu destino [...] Coragem de dizer não a pobreza política e material e competência humana de fazer-se sujeito, negando aceitar-se objeto. (Demo, 1995, p.133).
Os procedimentos contaram, portanto, com aplicação do questionário, identificação de voluntários para o grupo de discussão, apresentação do texto- vídeo editado com o objetivo de aproximar os jovens da temática e aquecer o grupo focal e, por fim, a discussão com captação dos depoimentos, forma dinâmica e formalmente autorizada.
3.2.1 O texto-vídeo como estratégia de aproximação temática
Especialmente editado no Centro de Recursos Áudio Visual do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE)35, o texto-vídeo foi
montado a partir da chamada de uma apresentadora de televisão36 e foi escolhido
por apresentar, como características básicas da comunicação audiovisual, o que Silva (1998) chamou de texto-vídeo. No dizer de Beltrão (2004), no jogo semântico dado a sua significação, o texto precede o vídeo. Texto como campo de “materialização de idéias e espaço de sentido” e vídeo como suporte “que acolhe e sustenta o texto.”37
A rigor, já havíamos optado por lançar mão do vídeo como estratégia metodológica da pesquisa e quando acessamos as qualificadas razões da escolha desse suporte no rigoroso estudo português realizado por Silva (1998), confirmamos a nossa opção. Para o referido autor, o uso do vídeo como texto combina a
[...] simultaneamente imagem e som [...] porque é o que mais se aproxima da televisão, utiliza inclusive o mesmo ecrã [...] permite uma
35 O vídeo contou com uma re-edição em Salvador.
36 O texto-vídeo veiculado em Portugal contou com a apresentação da mais importante Jornalista Esportiva da Rede de Televisão Portuguesa – RTP, Cecília Carmo.
flexibilidade de utilização, a adopção de metodologias diversificadas e um feed-back imediato com a utilização das funções de paragem, pausa, voltar atrás e avançar [...] acresce ainda que a grande maioria das escolas do ensino secundário estão equipadas com vídeo-gravador, o que vai ao encontro do cenário previsto para a experiência, ou seja, este equipamento já faz parte do contexto natural da escola, não é introduzido artificialmente pelo investigador. (SILVA . 1998, p. 262).
Para a presente pesquisa, as imagens e sons foram editados levando em consideração o esporte, veiculado principalmente na mídia televisiva aberta. Não chegou a ser considerado um procedimento, e, sim, uma condição para provocar os grupos focais.
O debate foi captado por uma câmera de filmar, estratégia devidamente acordada com os participantes. O vídeo tomou a publicidade, informação e o entretenimento como palavras-chave e foi mediado por três perguntas básicas: O que você acha da programação esportiva da televisão?; A televisão influencia no seu interesse esportivo?; A juventude prefere assistir ao esporte, praticar ou estudar o esporte? Seguiu-se às questões levantadas um intenso debate, envolvendo o esporte e a violência, as drogas, o tempo e conteúdo das propagandas, o consumismo, a competição, as técnicas corporais, a religião, a ética, dentre outros temas.
A partir da experiência brevemente relatada, ao lado dos festivais realizados pelo MIAC38 e do reconhecimento de diferentes segmentos sociais acerca da atuação do MIAC como fórum crítico de formação humana, de exercício dinâmico de protagonismo juvenil, particularmente de formação de jovens e
38 Os quatro festivais do Miac foram:
1- O Adolescente e a arte pelos direitos humanos em 1998
2- O Adolescentes e a arte pelos direitos humanos: este é o palco da cidadania em 1999 3- O Adolescente e a arte pelos direitos humanos: 10 anos ECA nosso direito é de lei! em 2000 4- O adolescente e a arte pelos direitos humanos: Vamos contar outra história! em 2001. Eles antecederam os três Caldeirões Culturais em 2002:
Liberdade tecendo a cidade-cidade baixa; Seu terno meu peixe a isca... nossa rede- Boca do rio; Educando o meio por inteiro- Região metropolitana.
educadores, na qual os sujeitos envolvidos, no conjunto das suas ações, expressam opiniões e demonstram compromissos com o movimento, a pesquisa, em Salvador, tomou como referência grupos culturais de jovens ou de educadores que mantêm vínculos com o MIAC. As relações oficiais entre o Programa de Pós- Graduação em Educação da UFBA e o MIAC foram viabilizados a partir da troca protocolar de solicitação/autorização formal para a pesquisa39.
3.3 ESPAÇO-TEMPO DA MÍDIA ESPORTIVA: O QUE PASSA NA TELINHA