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Villa-García (2012) observa que, apesar de não exibirem efeitos de reconstrução, os constituintes entre complementadores estão sujeitos a efeitos ilha, o que é contraditório se se tiver em conta que a ausência de efeitos de reconstrução é evidência de que os constituintes em causa não são alvo de movimento e que, por outro lado, a existência de efeitos ilha indica que há, de facto, movimento. Neste sentido, atente-se nos seguintes exemplos, nos quais se nota a sensibilidade dos constituintes em recomplementação em relação a uma ilha do DP complexo (cf. (91a)) e a uma ilha de adjunto (cf. (91b)):

(91) a. *Dijo que con el curai, que no entendían el hecho de que no se puede contar ti.

‘Ele/a disse que não percebiam o facto de que não se pode contar com o padre.’ b. *Me han dicho que con el curai, que van a sufrir porque no se puede contar ti.

‘Disseram-me que eles vão sofrer porque não se pode contar com o padre.’

[Villa-García, 2012: 169] No entanto, o autor também nota que esta sensibilidade dos constituintes em recomplementação não se resume a contextos de ilha, visto que os argumentos em DEC movidos a longa distância têm um resultado igualmente agramatical quando em recomplementação, mesmo na ausência de uma ilha:

(92) a. *Dijo que sobre el artículoi, que escuchó que habían hecho comentarios muy positivos ti.

‘Ele/a disse que ouviu que eles tinham feito comentários muito positivos sobre o artigo.’ a’. Dijo que sobre el artículoi, escuchó que habían hecho comentários muy positivos ti.

b. *Dicen que encima de la mesai, que le había contado que ponían de todo ti.

‘Dizem que ele/a lhe contou que põem de tudo em cima da mesa.’ b’. Dicen que encima de la mesai, le había contado que ponían de todo ti.

32 Não foi feita uma análise semelhante para o PE nesta dissertação pois esta centra-se na análise de dados de

corpora, dados esses que não demonstram o tipo de efeitos apresentados nesta secção (i.e. movimento de constituintes através do que de recomplementação). É, contudo, uma análise a ter em conta para trabalhos futuros que utilizem testes de aceitabilidade de frases realizados por falantes do PE.

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c. *Dijo que a Mari, que no le gustaba que le dieran carne ti.

‘Ele/a disse que não gostava que dessem carne a Mar.’ c’. Dijo que a Mari, no le gustaba que le dieran carne ti.

[Villa-García, 2012: 170-171] Este último facto impede, por isso, que o argumento da sensibilidade a ilhas seja válido contra a hipótese de que os constituintes em recomplementação são gerados na periferia esquerda. A favor desta hipótese, o autor sugere que os constituintes devem ser gerados no domínio CP da oração em que são interpretados e que o próprio que de recomplementação serve de obstáculo, na medida em que movimento através do mesmo produz resultados agramaticais, o mesmo não acontecendo quando há ausência do mesmo que. Em (92a), por exemplo, sobre el artículo move-se da sua posição de base na oração mais encaixada para o domínio CP de uma oração mais alta, tentando passar pelo que de recomplementação sem sucesso. No entanto, em (92a’), não há que de recomplementação para bloquear esse movimento e a frase é gramatical. Assim, se os constituintes em recomplementação são gerados no domínio CP, não há uma posição mais baixa que propicie efeitos de reconstrução.

Em relação aos contituintes em DETP, ao contrário dos constituintes em DEC, podem surgir a longa distância quando em recomplementação:

(93) Dijo que, yoi, que escuchó que habían hecho comentarios buenos *(sobre míi).

‘Ele/a disse que eu, que ouviu que tinham feito bons comentários sobre mim.’

[Villa-García, 2012: 179] As estruturas em DETP estão obrigatoriamente associadas a um pronome resuntivo (ou, em casos de PPs como o acima, a um PP que inclui um pronome coindexado) ou a um epíteto no interior do comentário. O que de recomplementação, nestes casos, não age como obstáculo, e, como tem sido observado, os constituintes em DETP não obedecem a ilhas (cf. (94a), com uma ilha do DP complexo, e (94b), com uma ilha de adjunto). Tais factos contribuem para a hipótese de que os constituintes em DETP não são alvo de movimento33, estando em recomplementação ou não. Para além disso, é importante notar que, como reportado por Rodríguez-Ramalle (2003), a maioria dos falantes considera o que de recomplementação como sendo obrigatório em casos de DETP em frases subordinadas.34

(94) a. Dijo que, el curai, que no entendían el hecho de que no se puede contar *(com éli).

‘Ele/a disse que, o padre, que não percebiam o facto de que não se pode contar com ele.’ b. Me han dicho que, el curai, que van a sufrir porque no se puede contar *(com éli).

‘Disseram-me que, o padre, que eles vão sofrer porque não se pode contar com ele.’

[Villa-García, 2012: 179]

33 Uma hipótese defendida por López (2009).

34 (i) a. *Me dijo que el baloncesto, esse deporte le encanta.

b. Me dijo que el baloncesto, que esse deporte le encanta.

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Para complementar a ideia de que o que de recomplementação cria uma barreira para o movimento, Villa-García testa o movimento de sintagmas-wh, constituintes focalizados, estruturas de DEC e material do interior do constituinte entre complementadores, como se verá de seguida.

Sintagmas-wh e constituintes focalizados

Como o demonstram os exemplos em (95), o movimento a longa distância de sintagmas- wh, sejam eles sujeito ou objeto, D-linked ou não D-linked, só é aceitável quando não há que de recomplementação na frase (cf. (95b, d)).

(95) a. *¿Cuál de estos collares me dijiste que al perro que le habías comprado? ‘Qual destas coleiras me disseste que tinhas comprado para o cão?’ b. ¿Cuál de estos collares me dijiste que al perro le habías comprado? c. *¿Quién me dijiste que a tu perro que lo vacunó?

‘Quem é que me disseste que vacinou o teu cão?’

d. ¿Quién me dijiste que a tu perro lo vacunó? [Villa-García, 2012: 183-184]

O mesmo se verifica quando o constituinte movido é focalizado: (96) a. *SÓLO A TU PADRE me dijeron que el perro que podía tolerar. ‘Só o teu pai é que me disseram que o cão conseguia tolerar.’ b. SÓLO A TU PADRE me dijeron que el perro podía tolerar.

[Villa-García, 2012: 183-184]

Tópicos/estruturas de DEC

De acordo com López (2009), enquanto as estruturas de DEC estão associadas a movimento, obedecendo a ilhas, os constituintes em DETP são gerados diretamente na periferia esquerda. Como já demonstrado, em contextos de recomplementação, um constituinte em DEC não se move de uma posição do interior do comentário, mas, tal como os casos de DETP, é gerado na periferia esquerda (mais precisamente na posição pré-que de recomplementação). Os exemplos que se seguem comprovam, assim, que que bloqueia o movimento e que, consequentemente, os constituintes em DEC que não estão entre complementadores são alvo de movimento. Note-se que as contrapartidas gramaticais são casos de DETP (cf. (97b)) ou casos em que não há que de recomplementação (cf. (97d)).

(97) a. *Com tu hermanai, me dijeron que tu madre, que no podía contar ti.

‘Com a tua irmã, disseram-me que a tua mãe não podia contar.’

b. Tu hermanai, me dijeron que tu madre que no podía contar com ellai.

‘A tua irmã, disseram-me que a tua mãe que não podia contar com ela.’ c. *Encima de la mesai, me dijeron que tu madre, que había puesto los libros ti.

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d. Encima de la mesai, me dijeron que tu madre había puesto los libros ti.

[Villa-García, 2012: 187-188]

Subextração

Por fim, a extração a partir do interior de um constituinte em DEC entre complementadores é possível (cf. (98)), o que mostra que não há problema de localidade quando um constituinte tenta sair da projeção encabeçada pelo que de recomplementação (TopP, como defende Villa-García). Se, por outro lado, a subextração se der a partir de um constituinte em DEC imediatamente abaixo do que de recomplementação, os resultados são agramaticais (cf. (99)), sendo que o constituinte extraído tenta atravessar o complementador em questão.

(98) a. En su abueloi, dicen que [la confianza ti], que no la perdió.

‘No seu avô, dizem que a confiança, que não a perdeu.’ b. PPi [que [CLLD - PPi [que …]]]

[Villa-García, 2012: 189]

(99) *En su abueloi, dicen que María, que [la confianza ti] no la perdió.

‘No seu avô, dizem que a Maria, a confiança, não a perdeu.

[Villa-García, 2012: 193]

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