• Aucun résultat trouvé

Chapitre V : Etude de cas 81

V.3 Phase de conception 95

Sítio Antiga Cervejaria Brahma (RS.JA-22)

O sítio Antiga Cervejaria Brahma32 localiza-se na avenida Cristóvão

Colombo, 512, bairro Floresta. O uso do terreno por atividades vinculadas à

31 Entre outubro e dezembro de 2005 o salvamento e acompanhamento arqueológico ficou sob a responsabilidade dos arqueólogos Alberto Tavares Duarte de Oliveira e João Felipe Garcia da Costa por intermédio de uma realização conjunta do Programa Monumenta (Ministério da Cultura – Banco Inter-Americano de Desenvolvimento) com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, SMC/Museu Joaquim José Felizardo e FAPA (Faculdades Porto-Alegrenses), com apoio da UNESCO. A partir de dezembro de 2005 o trabalho de campo passou a ser coordenado exclusivamente pelo arqueólogo Alberto Tavares de Oliveira.

58 produção de cerveja remonta ao último quartel do século XIX33. Na época houve a

instalação de duas cervejarias, no local onde atualmente está situado o Shopping – Total. Inicialmente instalada na rua Voluntários da Pátria em 1881, a Cervejaria Bopp foi transferida em 1886 para o terreno da Cristóvão Colombo. Em local próximo da Cervejaria Bopp, só que na mesma área da antiga Cervejaria Brahma, já estavam em funcionamento a fábrica de Guilherme Becker, fundada em 1878.

Em 1899 a Cervejaria Becker foi adquirida pela Cervejaria Sassen. Por meio da fusão de três grandes cervejarias de Porto Alegre, a Bopp, a Sassen e a Ritter, foi constituída, em 1924, a Cervejaria Continental. A fusão decorre, em grande parte, em razão do processo de intensificação da concorrência e de concentração empresarial no setor cervejeiro da época, fomentado principalmente por companhias de outros estados como a Antártica e a Brahma. Ao que parece o processo de fusão das cervejarias conseguiu retardar o ingresso da Indústria Brahma no estado, levado a efeito com a compra da Cervejaria Continental em 1946.

Sítio Santa Casa (RS.JA-29)

O sítio Santa Casa34 tem os seus limites fixados ao norte pela avenida Independência, ao oeste pelo Hospital São Francisco, que também faz parte do sítio, e ao sul e ao leste pela continuação da Rua Coronel Vicente. O local tem a sua área ocupada, em grande parte, por oito edificações de um pavimento com porão alto.

33 O período de ocupação mais intenso indicado pelo gráfico de barras (South 1978), através da análise de Santos (2005) dos artefatos de vidro e de grés relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas, teve como data inicial 1870 e terminal 1925. O intervalo de tempo obtido pelo gráfico aponta como primeiro momento de intensificação do descarte de rejeitos o início das atividades da Cervejaria Becker e abarca também o período de funcionamento da Cervejaria Bopp. A data final corresponde praticamente ao período que antecede a fundação da Cervejaria Continental, na medida em que a ultrapassa somente em um ano.

59 Construídas entre 1906 e 1907, as edificações são remanescentes de mais de 80 prédios de aluguel que eram fonte de rendimentos para o hospital. Desde a primeira metade do século XIX a locação de casas era um recurso utilizado para incremento das finanças da instituição. Com a expansão das atividades do hospital e de seu patrimônio, entre 1894 a 1915, foram construídas 23 edificações para locação. Em 1915 chegou a 85 os prédios para aluguel.

A área do sítio que foi pesquisada corresponde ao espaço ocupado pelos terrenos das casas. Esta área, antes da construção das edificações, pertencia a Irmandade da Santa Casa e provavelmente foi utilizada para despejo do lixo do hospital.

Sítio Solar Lopo Gonçalves (RS.JA-04)

O solar Lopo Gonçalves35 está localizado na rua João Alfredo, 582, bairro Cidade Baixa. O prédio, atualmente, é a sede do Museu Joaquim José Felizardo, que faz parte da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre36. A construção do solar foi realizada entre 1845 e 1855, nos fundos de uma chácara a mando do comerciante português Lopo Gonçalves Bastos37. Durante o período de vida do comerciante a ocupação do solar esteve relacionada a atividades produtivas, e, possivelmente, voltada, também, para o lazer. Em 1872, com a morte de Lopo

35 Os dados relacionados ao Sítio Solar Lopo Gonçalves foram extraídas de Symanski (1998).

36 Depósitos formados pelo descarte de lixo oitocentista relativos aos moradores foram identificados e escavados, no fundos do solar, pelo arqueólogo Luis Cláudio Pereira Symanski em 1996. A sua pesquisa de campo e de laboratório no Solar resultou em dissertação de mestrado em História, PUCRS, e publicação do livro “Espaço privado e vida material em Porto Alegre no século XIX” (1998).

37 O gráfico de barras do material vítreo do sítio indicou um período de ocupação entre 1855 e 1892 (Tocchetto 2004).

60 Gonçalves Bastos, Joaquim Gonçalves Bastos, seu genro e sobrinho, recebe a chácara de herança. De acordo com Symanski (1998) provavelmente entre a data da morte de Lopo até a realização do inventário (1878), Joaquim e sua esposa passassem a residir no solar. O uso do solar como residência por parte do casal, possivelmente, se estendeu até o começo do século XX (idem).

Sítio Chácara da Figueira (RS.JA-12)

Localizado na divisa entre os municípios de Porto Alegre e Viamão, no sopé do Morro Santana, o sítio Chácara da Figueira38 tem como endereço atual o Residencial Três Figueiras. Vestígios de uma casa de pequenas dimensões e material arqueológico do século XIX foram encontrados na superfície do terreno no decorrer dos trabalhos de prospecção39. A partir das coletas superficiais, das

tradagens e da escavação foi possível identificar dois tipos de refugos, um encontrado na parte interna da casa e o outro no entorno da estrutura40.

Indícios materiais relativos a artefatos domésticos de uso cotidiano e atividades no campo, identificados no decorrer da pesquisa, apontam para uma ocupação do local voltada para produção e residência. O que vai de encontro com as informações de que até os anos 40 do século XX, nos arredores do Morro Santana predominava a produção agropecuária em pequenas propriedades campestres.

38 Os dados relativos ao sítio Chácara da Figueira foram extraídos de Tocchetto (2004).

39 A prospecção no local foi realizada pelos arqueólogos José Alberione dos Reis e Cláudio B. Carle. A pesquisa arqueológica estava inserida no projeto de localização da sede da primeira sesmaria de Porto Alegre promovido pela Secretaria Municipal da Cultura/PMPA.

40 Os gráficos de barras (South 1978), relativos às informações obtidas na análise dos fragmentos de louça e vidro, apontam para um período de ocupação mais intensa do sítio entre 1828 e 1899 Tocchetto (2004).

61 Sítio Quilombo do Areal (RS.JA-27)

O sítio Quilombo do Areal está localizado na Vila Luis Guaranha, em um beco chamado Av. Luiz Guranha, com entrada pela Rua Baronesa do Gravataí, bairro Cidade Baixa, área que foi reconhecida pela Fundação Palmares como um quilombo urbano41. O local pesquisado inclui 77 lotes com casas, na sua quase totalidade geminadas, sem corredores laterais ou pátios42. Foram selecionados dois lotes para o trabalho com sondagens e um lote para sondagens e abertura de quadrículas43.

Segundo informações históricas, a construção das primeiras casas no local, possivelmente tenha ocorrido no período entre 1895 e 191044. Conhecido no final do século XIX como Areal da Baronesa, a área em que a Vila se encontra tinha dimensões maiores e compreendia grande parte da zona periférica da cidade.

Sítio Praça Rui Barbosa (RS.JA-06)

Localizada no centro de Porto Alegre, a praça Rui Barbosa fica entre a avenida Júlio de Castilhos e a rua Voluntários da Pátria, tendo como limite a

41 As informações sobre o sítio Quilombo do Areal foram extraídas de Tocchetto (2005).

42 A investigação arqueológica estava inserida nos quadros do projeto “Quilombo do Areal” desenvolvido pelo Museu Joaquim José Felizardo.

43 Os gráficos de barras (South 1978), relacionados aos dados obtidos na análise dos fragmentos de louça e vidro, apontam para um período de ocupação mais intenso do sítio entre 1883 e 1907 (Tocchetto 2005).

62 sudoeste a rua Dr. Flores45. Em razão das obras de instalação de esgoto pluvial e de

implantação de fundações para novos terminais de ônibus, na praça, foi efetuado, em junho de 1995, o trabalho de salvamento arqueológico pela equipe do Museu Joaquim José Felizardo46.

Em 1806, com a abertura do Caminho Novo, o local passou a fazer parte da ligação entre as quintas situadas à margem do lago e o centro urbano. A utilização mais duradoura da área, onde hoje é a Praça Rui Barbosa, foi por atividades vinculadas a construções e reparo de embarcações. De tal maneira que o local, em 1839, já era chamado de Praça ou Praia do Estaleiro. Em 1879, com o aterramento do local, com porções de terra retiradas de áreas próximas, a nova área transformou-se em praça pública, denominada Praça das Carretas em virtude do parqueamento de carretas dos abastecedores do Mercado Público47.

Sítio Paço Municipal (RS.JA-20)

O Paço Municipal está situado entre a avenida Borges de Medeiros e a rua Uruguai, e as ruas Siqueira Campos e Sete de Setembro, em área central da cidade. A equipe de Arqueologia do Museu Joaquim José Felizardo48, no período entre setembro de 2001 e julho de 2002, efetuou o acompanhamento arqueológico das

45 Os dados relativos ao sítio Praça Rui Barbosa foram retirados de Tocchetto (1995).

46 O acompanhamento e salvamento arqueológico foi realizado pelos arqueólogos Fernanda Tocchetto, Luis Cláudio Symanski e Cláudio de Carle, pelos bolsistas da FAPERGS Ângela Maria Cappelletti, Alberto T. Duarte de Oliveira, Sérgio Rovan Ozório e pela estagiária do Museu Ana Letícia de A .Vignol.

47 O gráfico de barras (South 1978) correspondente às informações obtidas da análise dos fragmentos de vidro e grés relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas indica um período entre 1848 e 1870.

48 Equipe formada pela arqueóloga coordenadora do Programa de Arqueologia Urbana de Porto Alegre, Fernanda Toccetto, e pelo autor, na época bolsista de Iniciação Científica da FAPERGS.

63 obras de restauro do Paço Municipal, que interferiram no subsolo das áreas que compreendem o interior e faixas laterais externas do prédio.

Informações arqueológicas e históricas apontam para a formação de um sítio multicomponencial, com três ocupações diferenciadas no mesmo espaço. A utilização das margens do lago para descarte de lixo urbano por parte da população diz respeito à primeira ocupação, a segunda corresponde à construção da doca do carvão em meados da década de 1860 e a última está relacionada à construção do Paço Municipal entre 1898 e 1901. A construção do prédio da prefeitura utilizou parte da doca como alicerce49.