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Phase Ampasindava

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Ao falar do seio familiar, é de especial importância abordar a diversidade de relações que se estabelecem. Abaixo são apresentadas as conceções dos/as jovens acerca destas questões comunicacionais e a visão deles/as sobre o seu próprio núcleo familiar e a socialização existente.

Na verdade, a comunicação que se estabelece entre pais e filhos/as torna-se uma peça fundamental para potencializar e auxiliar o estabelecimento de relações mais satisfatórias e saudáveis (Wagner, et al., 2002). Isso é percetível no bem-estar realçado nas palavras dos/as participantes.

“Lembro-me que sempre tive muitas conversas sobre as notícias e não sei quê, e acho que os meus pais tinham a noção que eu era uma pessoa responsável e que tinha bom senso e que sabia distinguir o certo do errado, que normalmente quando somos crianças é difícil. A partir do momento em que eu consegui mostrar-lhes isso, eles souberam não havia problema nenhum”. (Participante 2, rapariga, 18 anos) “Os meus pais foram-me sempre acompanhando no meu crescimento e alertavam- me para certos perigos, problemas ou situações com que me poderia deparar. Deixaram-me sempre muito à vontade para falar com eles sobre tudo e, assim, mesmo nas alturas que cometi alguma asneira (toda a gente as comete), eu era capaz de lhes dizer porque sabia que a reação deles não seria só chatearem-se comigo e “fecharem-me numa torre para sempre”. Chamavam-me à razão e tentaram sempre que eu aprendesse com essas situações para que de futuro não se repetissem”. (Participante 6, rapariga, 20 anos)

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Como se verifica foi o diálogo familiar criado ao longo deste tempo que permitiu uma maior autonomia das participantes citadas e confiança para falarem tanto dos problemas da sociedade como dos seus próprios erros.

Continuando a detetar esta importância do diálogo, acresce referenciar que, mediante as situações da vida, este pode ocorrer “além fronteiras”. Os meios de comunicação, especialmente a internet, potenciam a aproximação e a diminuição da “distância” entre a família. Não é este distanciamento físico que causa problemas nas relações criadas entre os elementos familiares, bem pelo contrário. É através da internet que o jovem tem a possibilidade de manter um contacto permanente com a sua família, como se pode ver pelas suas palavras.

“Há, muito mesmo [diálogo familiar]. (…). Eu acho que este processo de confiança e de diálogo entre mim e os meus pais, acho que se estreitou e fortaleceu com o facto de eu morar sozinho porque acho que a preocupação deles uma vez que não estão presentes comigo aumentou e acho que é normal porque nunca se sabe o que pode acontecer do outro lado da Europa (…). Nós neste momento estamos muito mais comunicativos, os mass media, neste caso, ajudam (…) nunca houve qualquer problema de os informar do que ia fazer ou como ia fazer e, portanto, consequentemente, eles (…) não me tiveram que negar nada até agora”. (Participante 1, rapaz, 20 anos)

Portanto, percebe-se que o diálogo está bastante patente nestes/as participantes e que o facto de os pais serem compreensivos, permite-lhes terem uma abertura diferente e uma partilha da vida e dos problemas que vão surgindo ao longo dos tempos, “associados a uma comunicação clara e direta”. Posto isto, por parte dos pais também existe uma necessidade de “reorganização nos padrões de funcionamento familiar”, porque esta maior independência permite simultaneamente o favorecimento “da confiança, aceitação e afeto entre pais e filhos. Nesta forma de comunicarem-se, os limites se apresentam nítidos e permeáveis para cada um dos membros do sistema familiar” (Wagner et al., 2002, p. 77).

“Há coisas em que eu lhes digo que quero fazer e efetivamente só as faço, se puder, este se puder depende da autorização deles porque eu não vou fazer uma coisa que vai contra a vontade deles mas, muitas vezes, são coisas que eles não concordam mas que, no entanto, eles apesar de não concordarem, eles sabem que era uma coisa que eu até gostava muito de fazer e portanto ponderam sobre isso e no fim acabam por deixar. Portanto, eu nunca vou… e nunca faço nada que vai contra a vontade deles mas ao fim e ao cabo sempre pude fazer tudo aquilo que sempre quis, nunca violando os limites, se é que assim posso dizer”. (Participante 1, rapaz, 20

anos)

“Sempre que há uma coisa que eu quero fazer eu tento discutir com eles e se eles acharem que não está bem tentam-me explicar o porquê e eu tento explicar o meu ponto de vista e normalmente tentamos chegar a um acordo, claro que há sempre aquelas fases da adolescência em que "fogo, o meu pai não me deixa fazer isto, mas qual é o mal?", há sempre algumas situações dessas mas agora, há medida que vou

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crescendo e olho para trás, vejo que realmente os meus pais tinham razão ou também digo ao meu pai, "oh pai aqui exageraste, não havia necessidade, eu acho que era perfeitamente capaz". Mas normalmente estamos em sintonia, tentamos”. (Participante 6, rapariga, 20 anos)

Aliado a estas expressões, propõe-se refletir sobre a citação apresentada abaixo, que salienta que,

“o processo de crescimento do jovem implica em contrariar, às vezes de forma intensa, a autoridade paterna, para, a partir daí, reconhecer-se a si mesmo como um indivíduo único e diferenciado. Graduar este processo implica em reorganizar o espaço familiar de forma a aumentar a flexibilidade das fronteiras sem que seja comprometida a autoridade dos pais” (Wagner et al., 2002, p. 80).

Para a existência de um crescimento mútuo nas relações estabelecidas entre pais e filhos/as, estabelecendo os comportamentos a ter em cada um destes papéis sociais, por vezes são necessários estes confrontos de opiniões e perspetivas. Não que seja inexistente um conhecimento de causa dos pressupostos a cumprir em cada um, mas porque o anseio em alcançar determinados objetivos torna-se maior. Aliás, estes pressupostos são conhecidos, porque curiosamente, há ainda quem encare isto como um “dar e receber” em que para se ter o que se deseja, necessita de se dar aquilo que, à partida, os pais anseiam. Isto exemplifica-se pelas palavras do participante abaixo:

“Para poder sair tenho de ter boleia dos meus pais portanto tenho que me dar bem com eles e acho que ter um bom grupo de amigos também ajuda”. (Participante 9,

rapaz, 18 anos)

Estas relações necessitam ser bem mediadas para que o bem-estar esteja assegurado tanto por parte das juventudes, como por parte do seio familiar.

1.9.

A autonomia como construto relevante na convivência com o grupo de

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