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2. Scientific discussion

2.3. Non-clinical aspects

2.3.1. Pharmacodynamics

Esta etapa se configura como umas das mais importantes, uma vez que visa confirmar as características de validade e confiabilidade. Normalmente, são apresentadas as validades convergente e discriminante. No que se refere à validade convergente, que aponta a adequação do conjunto de itens em termos de medidas repetidas do construto, Netemeyer, Bearden e Sharma (2003) esclarecem que a evidência de validade convergente é obtida por correlações significativas e fortes entre diferentes medidas da mesma construção. Neste sentido, foram adotadas como referencial as medidas verificadas de escore fatorial de cada dimensão e das respectivas medidas de critical ratio (CR), conforme os valores já expostos nas tabelas 12, 14, 15 e 16 e que indicaram evidência de validade convergente.

Com relação à validade discriminante, que sinaliza o grau em que duas medidas são diferentes, um dos métodos mais comuns utilizados para se confirmar esse tipo de validade é verificar se a variância compartilhada é pequena (COSTA, 2011). Assim, seguindo o procedimento proposto por Fornell e Larcker (1981), a partir da matriz de correlação das quatro dimensões foi extraída a variância compartilhada (elevando-se as correlações ao quadrado). Para a constatação de que se obteve validade discriminante da escala normalmente se verifica se a variância compartilhada é menor que a variância extraída. Dessa forma. ainda de acordo com Costa (2011), é desejável que o valor da variância compartilhada seja menor que 0,5. A seguir, são apresentados na Tabela 17 os valores das variâncias extraídas das dimensões (diagonal principal) e das variâncias compartilhadas:

Tabela 17 – Variâncias extraídas e compartilhadas das dimensões

Dificuldade Perda Realização Bem-Estar Dificuldade 0,601

Perda 0,454 0,588

Realização 0,065 0,062 0,632

Bem-Estar 0,105 0,024 0,267 0,533

Fonte: Dados da pesquisa.

Considerando os critérios adotados na literatura e observando os resultados expostos na Tabela 17, entende-se que foram alcançadas evidências de validade discriminante entre as quatro dimensões da escala.

No que se refere à verificação de confiabilidade, Netemeyer, Bearden e Sharma (2003) apontam que o coeficiente de confiabilidade de consistência interna mais utilizado é o alfa de Cronbach. Os resultados da análise deste coeficiente (Tabela 18) demonstram que a dimensão Perda apresentou o valor de 0,645, o que o caracteriza como abaixo da referência ideal de 0,7, no entanto, de acordo Hair et al. (2009), o valor do alfa de

Cronbach na dimensão Perda está acima do valor aceitável para as pesquisas exploratórias que é 0,6.

Diante de tal resultado e visando demonstrar maiores evidências de confiabilidade da escala gerou-se, por meio de planilha excel, a partir dos dados da AFC, a medida de confiabilidade composta. De acordo com Henseler, Ringle e Sinkovics (2009), como o alfa de Cronbach tende a fornecer uma subestimação da confiabilidade de consistência interna de variáveis latentes, torna-se mais apropriado utilizar o coeficiente de confiabilidade composta por apresentar resultados mais fidedignos para modelos de medidas diferentes, como no caso desta pesquisa. A Tabela 18 apresenta as duas medidas de confiabilidade da escala:

Tabela 18 (4) – Medidas de confiabilidade da escala

Medida Dimensão

Dificuldade Perda Realização Bem-estar

alfa de Cronbach 0,779 0,645 0,709 0,706

Confiabilidade composta 0,857 0,809 0,837 0,820

Fonte: dados da pesquisa

Conforme exposto na Tabela 18, os resultados da medida de confiabilidade composta apresentaram, para todas as dimensões da escala, valores acima 0,8, fato que consolida o entendimento de que a consistência interna dos itens da escala mostrou-se satisfatória.

Assim, após os procedimentos de verificação das características psicométricas da escala, o resultado final desta etapa contemplou quatro dimensões, sendo duas ligadas à perspectiva negativa do sacrifício e duas associadas à concepção positiva conforme apresentado no Quadro 21:

Quadro 21 (4) - Dimensões e itens da escala

Perspectiva do

sacrifício Dimensão Item

Instrumentalidade

Dificuldade.

A compra do _____________ lhe impedirá de comprar outros itens que deseja.

Para comprar o _____________ você terá que renunciar a outros itens que valoriza

Para comprar o _____________ você terá que reduzir outros gastos.

Para comprar o _____________ você terá que renunciar a certos confortos.

Perda

A compra do _____________ lhe trará dificuldade financeira. A compra do _____________ lhe fará atrasar o pagamento de outras contas.

Para comprar o _____________, você terá que realizar atividades que não gosta.

Valência

Realização

Comprar o _____________ é um sinal de que você é uma pessoa de sucesso.

Comprar o _____________ lhe proporcionará destaque junto aos seus amigos e familiares.

A compra do _____________ lhe fará sentir orgulho de fazer parte do grupo de proprietários desse produto.

Bem-estar -

Comprar o _____________ é importante para seu conforto. A compra do _____________ aumentará o seu bem-estar. A compra do _____________ lhe trará vantagens

O esforço para comprar o _____________ será compensado pelo ganho que você obterá com o produto

Fonte - Elaborado pelo pesquisador (2018)

Como forma de complementação da análise de validade e confiabilidade verificou-se o ajustamento das dimensões teóricas de segunda ordem (Instrumentalidade e Valência) por meio de modelos de componentes hierárquicos (hierarchical component

models - HCM). Este tipo de análise também permite resumir os elementos da ordem

inferior em um único construto multidimensional de ordem superior, reduzindo assim, a complexidade do modelo (HAIR et al., 2016). Os detalhes desta análise estão expostos no Apêndice G.

4.2.8 Desenvolvimento de normas e recomendações

Esta última etapa consistiu no desenvolvimento de recomendações para a aplicação da escala. Considera-se que apesar de a escala ter sido inicialmente testada na compra de um bem específico (smartphone), verificou-se, com as pesquisas subsequentes, a sua adequação para a verificação do sacrifício para a (não) compra de diferentes produtos, os quais podem ser bens, serviços, experiências e ideias.

Dentro do instrumento, a recomendação é a de que os itens sejam distribuídos de maneira aleatória, tendo o cuidado de separar os pertencentes a uma mesma dimensão, visando evitar vieses nas respostas. No que se refere ao número de pontos da escala de verificação, sugere-se que se utilize uma escala de 7 pontos (variando de discordo totalmente a concordo totalmente). Apesar dessa orientação, a escala também foi testada com 10 pontos e apresentou bons resultados. Nesse sentido, considera-se que esta decisão poderá ficar a critério do pesquisador, levando sempre em consideração a capacidade dos respondentes.

Como indicação da forma de consolidação dos itens para se encontrar o indicador de realização do sacrifício, deve-se somar os escores da perspectiva positiva do sacrifício (Valência) e subtrair da soma dos escores da concepção negativa (Instrumentalidade) dividindo o resultado pelo número de itens da escala de verificação, ou seja, deve-se somar os valores dos itens das dimensões Realização e Bem-estar e subtrair da soma dos escores dos itens das dimensões Dificuldade e Perda. O resultado deverá ser dividido pelo número de itens da escala de verificação, conforme demonstrado abaixo:

Indicador de Sacrifício = ∑ (𝑅𝑖

𝑛

𝑖=1 + 𝐵𝑖) − ∑𝑛𝑖=1 (𝐷𝑖+ 𝑃𝑖) 𝐿

Onde:

Ri = Escore do item i da dimensão Realização

Bi = Escore do item i da dimensão Bem-estar

Di = Escore do item i da dimensão Dificuldade

Pi = Escore do item i da dimensão Perda

L = Número de itens da escala de verificação

O valor do indicador de sacrifício deverá variar de acordo com o número de pontos da escala de verificação, ou seja, no caso de haver a utilização de uma escala de verificação de 7 pontos, o indicador de sacrifício irá variar de -6 a 6. A interpretação do resultado do indicador de sacrifício ocorrerá conforme o resultado apresentado na Figura 9:

Tendência a não realizar o sacrifício Em dúvida se realiza o sacrifício Tendência a realizar o sacrifício -6,0 -2,0 2,0 6,0

Figura 9 (4) – Indicador de sacrifício para (não) compra de produtos

Fonte - Elaborado pelo pesquisador (2018)

Assim, de acordo com o exposto, valores menores que -2,0 indicam a tendência de não realização do sacrifício para a compra do produto. Para valores entre -2,0 e 2,0 entende-se que existe um equilíbrio de forças fazendo com o comprador fique em dúvida acerca da realização do sacrifício. Por fim, valores acima de 2,0 apontam para a tendência de realização do sacrifício à compra do produto.

5 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Este capítulo tem por finalidade apresentar e discutir os resultados da pesquisa, conforme os procedimentos descritos no capítulo anterior. A partir das análises dos dados, com base no referencial teórico, buscou-se responder ao problema central de pesquisa e às hipóteses formuladas e, para tal, foram considerados os aspectos positivos (Valência) e negativos (Instrumentalidade) do ato de sacrifício para a (não) compra de bens e serviços.

Como procedimento inicial desta etapa, realizou-se a exploração preliminar dos dados, seguida da extração de estatísticas descritivas para cada um dos experimentos. De acordo com Hair et al. (2009), o exame de dados é uma etapa importante que, às vezes, é ignorado por pesquisadores. Assim, após estes procedimentos, realizou-se a exclusão dos questionários que apresentaram dados omissos, discrepantes ou padrão único de resposta. Os questionários identificados com erro de digitação (dois casos) foram corrigidos com base nos instrumentos de coleta originais e logo após os procedimentos iniciais realizou- se a verificação das escalas utilizadas, conforme apresentado a seguir.

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