CHAPITRE 3 – PRAXIS ET RICOCHETS
3. ITINÉRAIRE VERS L’ŒUVRE
3.2 DIALECTIQUE DES COMPOSANTES
3.2.6 PEUPLER L’ESPACE
Em 1963, Guido chega ao Brasil, um ano antes do golpe militar, e em pleno acontecimento do Concílio Ecumênico Vaticano II. A viagem de navio durou treze dias e custava mais barata, a primeira impressão foi a do porto de Olinda e Recife, donde pode notar a realidade social em descaso. Logo, os Irmãos o esperavam no porto de Santos, e partiram em direção à Fraternidade de Santo André. De imediato estava previsto um curso de aculturação e aprendizagem do idioma para religiosos, com o período de seis meses em Petrópolis-RJ.
Foto 14 – Aos trinta e quatro anos quando chega ao
Brasil.
Fonte: GUIDO (2009).
Ali recebeu notícias do Concílio e também de como o fundador da Fraternidade, René Voillaume, contribuía para o desenvolvimento daquele acontecimento episcopal, acompanhando de perto um grupo de bispos de todos os continentes que aderiram, durante as reuniões conciliares, à espiritualidade de Charles de Foucauld. Ajudavam-se mutuamente na reflexão, diante dos novos desafios da Igreja no mundo. Autodenominavam-se “Pequenos Bispos”.
Decidiram não aumentar o número de participantes da Fraternidade, permanecendo os que fizeram parte do Concílio, e durante os mais de quarenta anos, os “Pequenos Bispos” têm sido fieis à amizade e à oração, alguns, infelizmente, já falecidos. No Brasil, dois deles foram muito conhecidos pelo compromisso social de suas dioceses: dom Fragoso de Crateús-CE, natural de João Pessoa-PB e dom Valdir, bispo emérito de Volta Redonda.
De novo em Santo André, na Vila Palmares, no coração do ABC paulista, estava a Fraternidade inserida num bairro pobre de tradição operária. Guido trabalhou em sete fábricas, variando de três a cinco anos entre elas. Achava interessante esta mobilidade com a finalidade de aperfeiçoar-se tecnologicamente à medida que lhe exigiam conhecimentos nas várias áreas da metalurgia, sobretudo na linha de traçagem de chapas de aço inoxidável para montagem de grandes tanques de aço para as fábricas de leite, café, etc. Ao todo foram vinte cinco anos como operário nas fábricas Beprace, Feisa, APV do Brasil, etc.
Foto 15 - Operário aos trinta e oito anos. Fonte: GUIDO (2009)
Todavia, o período que antecede o golpe militar de 1964 foi marcado por greves no fortalecimento dos sindicatos e da união da classe operária. Com o golpe, todas as instituições populares foram silenciadas e reprimidas duramente. Somente no período da abertura política
voltaram a se expressar e organizar-se legitimamente. Ver-se-á as difíceis situações de risco em que se encontrava o Irmãozinho de Jesus, Guido, durante esse período.
• Em 1963, foi levado à delegacia por questionar um delegado, durante greve e piquete, sobre a condição da rua ser ou não uma via pública. Foi preso com mais três militantes do Partido Comunista, levados todos num camburão. Recebida a ordem de liberação pelo fato de ser religioso, recusou sair da cela se não fosse juntamente com os demais; surpreendeu as autoridades policiais. Foram libertados os quatro no fim do dia.
• Acompanhou o caso de um vizinho que disparou uma arma de fogo contra dois colegas de trabalho na fábrica, possivelmente por ser alvo de chacotas, e que por isto esteve preso por oito dias, mas o julgamento e a pena de três anos de manicômio por “medida de segurança” vieram só sete anos depois, durante esse período viveu naturalmente com sua família. Logo, foi levado à prisão no Carandiru e depois ao Manicômio. Para Guido parecia-lhe absurda a situação sete anos depois; pois, então, interveio com a ajuda do Comitê dos Direitos Humanos da Arquidiocese, e junto com um de seus membros, Hélio Bicudo, acompanhou o caso através de visitas.
• O ano de 1970 foi um período “quente” da ditadura. Guido fez greve sozinho numa fábrica durante quarenta dias, pois os demais operários não aderiram ao movimento sindical da categoria. Seu trabalho especializado o impediu de ser demitido posteriormente, mas acreditava que este ato de solidariedade para com a categoria era importante.
• Neste mesmo período, havia um grupo de operários cristãos que se denominava Círculo Operário. Em 1964 esse grupo tomou conta do sindicato de São Bernardo. Num 1º de maio de 1968, na Praça da Sé, o governador de São Paulo daquele período foi apedrejado na cabeça pelo líder desse movimento. Horas mais tarde, inesperadamente, o grupo se encontrava na Fraternidade para traçar uma estratégia de esconder o seu líder. No dia seguinte, sob pressão persecutória do ambiente da ditadura, Guido o conduziu a um eremitério da Fraternidade, num lugar afastado usado pelos Irmãos para fazer retiro.
• Este mesmo líder viajou o mundo, chegou a estar com Mao Tse Tung na China e foi preso na Guiana Francesa. Nisso o movimento da Ação Popular (AP) clandestino - veio à Fraternidade, avisar que o Departamento de Ordem Política e
Social (DOPS) naquela época era um órgão repressor, uma espécie de polícia política, com a força do Ato Institucional n. 5 (AI-5) foi interrogá-lo na Guiana e queria então extraditá-lo para o Brasil. Graças à Fraternidade na Europa que tinha amizade com o embaixador da França no Brasil, este líder foi solto e enviado para a Suíça onde permaneceu com Paulo Freire, num centro ecumênico. Guido e a Fraternidade de Santo André articularam todas essas posturas políticas de libertação que resultaram num sucesso debaixo de uma grande pressão psico-sócio-ditatorial. • A Fraternidade correspondia a um lugar seguro e fraterno, onde pessoas e amigos
que estavam na clandestinidade podiam se encontrar e rever suas famílias ou mesmo usava-se o endereço da Fraternidade para o correio.
• O bispo de Santo André, na época, de certo modo, não estava de acordo com a postura da Fraternidade, e inventou a fim de amedrontá-lo que o DOPS iria interrogar o Irmão Guido sobre ações e ou ideias suspeitas. Isto provocou uma situação de terror, pois o Irmãozinho de Jesus a cada dia ia ao trabalho com a perspectiva de que poderia ser interrogado e torturado. Por isso, agasalhava-se bem caso viesse a ser preso, a cela era fria. Foi um ato irresponsável.
No ano de 1972, Guido, partiu para o Ano de Deserto ou Ano Sabático, geralmente era realizado em lugares aonde o Irmão Carlos viveu no deserto do Saara, em companhia de outros Irmãos, reservando tempo para a oração, estudo e convivência fraterna. Essa atividade, para Guido, veio em boa hora, como oportunidade para arejar-se de todas aquelas tensões do regime da ditadura no Brasil, e também para rever os Irmãos com quem havia vivido no início de sua vocação.
Foto 16 - Tuaregues da região do Hoggar, no centro do Saara argelino.
Fonte: GUIDO (2009)
Ao regressar do Ano Sabático, Guido partilhou pelo período de seis meses a vida em convivência com os Irmãozinhos do Paraguai, numa Fraternidade do campo, que sobrevivia da pesca. Logo voltou a Santo André e foi trabalhar na Fundação do Bem-Estar do Menor (FEBEM), com uma ocupação de confiança, na qualidade de inspetor de aluno, no período de dois anos. Estarrecia-se com o índice de violência na instituição em relação aos jovens. Uma vez denunciou a tortura com choque elétrico recebida por um aluno, ao ser interrogado numa delegacia. A partir de então, a polícia não tinha acesso aos jovens, a não ser quando acompanhados de um advogado da FEBEM.
Depois, interessou-se por um novo método de traçagem de calderaria através do cálculo trigonométrico e organizou um curso financiado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) da cidade de São Bernardo. Em seguida voltou a trabalhar em fábricas, com especialização no curso que havia oferecido.
Foto 17 - Aos cinquenta e sete anos com os colegas operários. Fonte: GUIDO (2009)
Ao lado dos demais Irmãos da Fraternidade de Santo André, Guido participou ativamente da construção do sindicalismo crescente no ABC paulista. Estiveram presentes nas grandes assembleias e manifestações em que se destacava o poder de persuasão de Lula como presidente do sindicato dos metalúrgicos. Segundo Guido, era incrível a liderança que ele tinha. Entusiasticamente, uma vez dentro do ônibus, Guido convocava a todos em voz alta a participar da grande assembleia que encheria um estádio.
Os Irmãos acompanharam, igualmente, o processo de redemocratização do país a partir da base das organizações dos trabalhadores nos sindicatos, associações e movimentos, mas nunca participaram ativamente de partido político, nem mesmo do Partido dos Trabalhadores (PT), pois isto envolve outro tipo de relação de poder, acreditavam que seriam mais úteis na base.
Cientes da importância do partido político para encabeçar a luta dos trabalhadores pela via política, acompanhavam suas lideranças, mas não compunham o quadro de filiados ou se o fizeram não aceitavam cargos de destaque em seu interior. Assim como também no sindicato, geralmente não compunham chapa de eleição, importava o trabalho e a presença na base, pois eram trabalhadores também, segundo Guido, e isso é ser solidário.
Guido (2009) define bem o que é a solidariedade:
“Solidariedade não é só compartilhar, o compartilhar é o ter, o que você tem para receber (oferecer); agora a solidariedade é mais profundo, atinge o ser,
que compromete até no agir, que (é) no ser mesmo. O compromisso não é o ter, só o ter de dar para, eu acho que é mais profundo nesse sentido a solidariedade.”
Para o Irmãozinho de Jesus, a solidariedade é uma condição de vida.
Na paróquia de Vila Palmares os Irmãozinhos mantinham boas relações com o padre, devido sua extrema simplicidade e compromisso com os trabalhadores, era um homem solidário. Certa vez o Guido e o padre da paróquia acompanharam o caso de um francês, jornalista, que se hospedou na Fraternidade em visita a sua irmã no Brasil, uma Irmãzinha de Jesus. Em São Paulo este jornalista foi atropelado pelo carro da polícia e levado para o hospital. Porém, com ele foi encontrado uma relação de nomes de brasileiros exilados na França naquele período da ditadura militar, onde ele iria visitar as famílias para dar notícias. De vítima passou a réu. Guido, com o padre da paróquia, acionou um deputado conhecido do pároco, para avisar à embaixada francesa.
Logo o visitaram no hospital. O jornalista foi expulso do Brasil. No entanto, isto ainda rendeu a Guido um interrogatório na polícia a mando do DOPS, enquanto as rádios acreditavam que o Irmãozinho de Jesus havia sido preso, e exerciam pressão no sentido de questionar indiretamente e em público o paradeiro do Irmãozinho.
Durante a entrevista para esta pesquisa Guido foi questionado sobre a Teologia da Libertação. Ele respondeu que sua primeira reação foi descobrir que o seu método era o mesmo da Ação Católica Operária da França: VER, JULGAR e AGIR. O método lhe marcou muito, mas que a diferença consiste em sua aplicação e adaptação à realidade brasileira. Perguntou-se a Guido, então, o que é o método?
Segundo Guido, o VER corresponde a uma análise de conjuntura da realidade; o JULGAR corresponde ao critério de confrontar essa realidade à luz do Evangelho, para saber se está em consonância com o que Jesus pregou; confrontar, igualmente, com os princípios dos direitos humanos, da ética, numa análise coerente; e o AGIR corresponde a um compromisso transformador da realidade.
Em 1990, Guido passa a morar em João Pessoa-PB, numa Fraternidade, na periferia da cidade, no bairro de Mandacaru. Foi convidado a ser voluntário na Pastoral Carcerária. Buscou uma prisão ainda não visitada, a de segurança máxima em Mangabeira. Segundo Guido, o primeiro dia de visita aconteceu da seguinte maneira:
“Deixaram-me entrar, entrei sozinho. Fui falar que eu vim pela Pastoral Carcerária. Todos os presos estavam no banho de sol, e eu atrás da grade,
me apresentei: ‘Sou da Pastoral Carcerária, aqui tinha antes um capelão da Pastoral Carcerária, era um Monsenhor, era muito conhecido, porque era muito político, acho que foi deputado até’. Então - eu falei com os presos: ‘Eu não sou Monsenhor, viu! Eu não tenho o poder que ele tinha, eu não vou poder ajudar vocês como ele podia ajudar, eu não vim rezar missa aqui também. Então, o que eu vim fazer aqui?’ Eu falei: ‘Vim só para escutar vocês’. Depois que eu soube que o líder deles fez um sinal de positivo.”
Foto 18 - Visita aos presos na cadeia de Sapé. Fonte: GUIDO (2009)
O Irmãozinho de Jesus, Guido, foi testemunha em cinco processos em João Pessoa, impelido à verdade, sendo preciso algumas vezes desafiar as circunstâncias e negligências do sistema prisional ou judiciário.
Em 1997, aconteceu a chacina do presídio do Roger e ele foi chamado para facilitar as negociações com os rebelados. Vivenciou cenas de tensão, mas buscava atender às
necessidades dos aprisionados. Durante anos em João Pessoa e nas várias cidades do interior visitou as cadeias e as famílias dos presos, buscando informações sobre seus processos. Atualmente Guido continua visitando o presídio Silvio Porto, mas já não consegue andar como antes na visita às famílias.
Foto 19 - Guido testemunha contra a chacina do Presídio do Roger em 1998. Fonte: GUIDO (2009)
Interrogado mais uma vez sobre o que o leva a ser solidário como voluntário da Pastoral Carcerária, responde:
“Eu para mim, no início, é o chamado de Jesus, que pediu de visitar os presos, não me pediu para ir rezar, pediu para ir visitar. É gozado, porque a gente se sente às vezes solidário de todo mundo, [...] uma vez, houve uma rebelião no Silvio Porto, fomos lá todos na porta, sabe, me sentia solidário de todo mundo, dos presos, dos agentes penitenciários e das mulheres, familiares que estavam lá gritando na porta. Não sei como dizer, é o
sofrimento de todos. Eu me senti solidário a assumir um pouco o sofrimento de todos.”
Foto 20 - Visita os presos no presídio do Roger. Fonte: GUIDO (2009)
De acordo com Guido, Jesus o impele a ser solidário com todos os que estão envolvidos com o sistema prisional por algum motivo. Sentindo a dor de todo mundo. Para ele, segundo o Evangelho, o primeiro que Jesus salvou foi um crucificado, um ladrão. E quando novamente interrogado na entrevista sobre o que ele leva na visita, diz:
“A amizade, a presença, você não pode imaginar, quando eu vou lá, às vezes, o pessoal me chama de todo lugar, na cadeia, “Padre Guido, Padre Guido”; todos me chamam das portas dos pavilhões que por serem superlotados não tem mais celas, os presos estão soltos nos pavilhões. [...] Antes eu ia à cela, então o pessoal falava mais diretamente e pessoalmente comigo.”
Além da Pastoral Carcerária há também a presença de outras Igrejas, como a Assembleia de Deus, que faz visitas aos presos, cultos e assistência ao acompanhamento dos processos, indo ao tribunal, onde são fornecidos os dados sobre cada um.
Existem muitas outras organizações religiosas que atuam no presídio, no entanto, a forma de abordagem é diferente. A Pastoral Carcerária atua escutando, anotando os processos, visitando as famílias.
A dinâmica é a seguinte: um dia na semana vão de três a quatro membros da Pastoral Carcerária ao presídio, visitam os pavilhões, escutam suas histórias e pedidos, anotam o nome e o número dos processos num papel. Ao encerrar o grupo repassa para Guido todos os nomes para averiguação dos processos no tribunal, onde este vai uma vez por semana ao fórum, bem cedo, e os digitadores imprimem cerca de cem processos, quando poderiam bem menos, segundo as normas da casa, mas como ainda é cedo para o atendimento e há pouco movimento no tribunal; a gentileza dos funcionários facilita a sua averiguação.
Na Fraternidade, Guido anota os processos em seu caderno, sendo dois presos por página (é o seu “computador”), acrescentando a cada tópico as novidades do processo.
Na próxima visita semanal, Guido redistribui os processos impressos com o grupo da Pastoral Carcerária para que entreguem aos presos. Tudo é muito simples, mas a qualidade da atenção e do engajamento é o que conta.
Um exemplo, nunca se pergunta ao preso o motivo de estar ali, geralmente se sabe, porque se lê no processo, mas não se comenta por parte da Pastoral. Quando se é um crime contra o costume, atentado ao pudor, no caso, um estupro, violência contra a mulher, há de ser mais atento e discreto, de forma que outros presos não saibam, para se evitar riscos dentro da cela.
Ao ser indagado sobre a assistência espiritual que a Pastoral Carcerária dispõe aos presos, diz claramente que é uma pastoral social, porque o homem não é só espiritual. Alguns membros, carismáticos, levam uma Bíblia durante a visita, ou outro padre celebra a missa nos tempos forte da liturgia na Igreja, que são Páscoa e Natal.
Atualmente, Guido, tem oitenta anos de idade, decidiu mudar-se de endereço, e construíram uma casa pequena no fundo do quintal da Comunidade Papa João XXIII, no bairro do Valentina, nesta cidade. Uma comunidade que tem como característica viver como família com crianças, jovens e adultos sem lar. Para o Irmãozinho de Jesus, a grande missão dessa comunidade é a solidariedade com os mais sofridos da sociedade. Viver com eles,
cuidar deles humanamente. Isso é a compaixão, ou seja, a compaixão está muito próxima do que é a solidariedade.
Disse o sujeito da pesquisa que a compaixão e solidariedade caminham juntas. Só que a solidariedade tem mais do agir, isto é, fazer alguma coisa para resolver o sofrimento. Enquanto, no caso dele, sua vocação corresponde à presença e à amizade, ou seja, a compaixão, sofrer avec: “No Evangelho, o texto hebraico sobre a compaixão é um negócio que te pega nas vísceras. Muito forte!”. Este é o sentido da compaixão e da solidariedade.
A história de vida de Guido está profundamente arraigada à noção do sagrado. Perguntou-se de que modo essa noção do sagrado é real para o Irmãozinho de Jesus. Segundo ele, têm-se animais sagrados, pedra sagrada, pessoas sagradas, consagradas, prostitutas sagradas, tudo isso é uma ligação com o sagrado. Guido recebe a revista “O mundo das religiões” em francês do jornal Le Monde, mas ao referir-se ao curso de Ciências das Religiões tem dificuldade de compreendê-lo pois, para ele, trata-se de algo mais intelectual, onde as pessoas vão em busca apenas de um diploma.
Foto 21 - Capela da Fraternidade de João Pessoa. Fonte: FERREIRA NETO (2009)
Em resposta, foi-lhe dito pelo pesquisador que o intelectual não deve ser representativo de um diploma simplesmente, a dimensão intelectual do curso deve se concretizar num sentimento e numa ação de vida. Guido faz referências às novidades das ciências, assim como o desenvolvimento das religiões através das descobertas das funções do cérebro e do universo, por exemplo. Mas, segundo ele, todo esse conhecimento deve ser objeto de estudo, acompanhado de uma aplicação prática relacionado à vida.
Neste sentido, aponta à sociedade e ao mundo atual que não sabe mais maravilhar-se. A produção é o fim e não o meio, a sociedade tem que produzir agora para maravilhar-se, não saber.
Para Guido, é muito forte a seguinte afirmação: “Deus não tem passado e nem futuro, tem só o presente, então, é só no momento presente que você encontra Deus, está em sintonia com Deus”. Como na sintonia do rádio, “viver o momento presente é lá que Deus se encontra”. E de fato essa constitui para Guido a dimensão do sagrado, isto é, essa sintonia com Deus no momento presente.
Argumenta o Irmãozinho, “o presente é a vida, é o amor [...] por isso o sagrado é vital e essencial”. Contudo, o estudo do sagrado, segundo Guido, deve ser questionado e não somente permanecer no âmbito do teórico; ao contrário, não deve imiscuir-se de uma aplicação prática de vida.
Acredita-se que todos os elementos constituintes do relato em sua narrativa, carregada de simplicidade, familiaridade, fé, solidariedade, sentido para si e para os outros, reflexão e sentimentos, elevam o propósito da análise na percepção do vínculo tecido pelas opções