• Aucun résultat trouvé

Les petits souliers rouges

Dans le document CONTES DITS DEUX FOIS (Page 96-103)

O lugar é uma configuração instantânea de posições que implica uma indicação de estabilidade (...). E, espaço é um cruzamento de móveis, de certo modo animado pelo conjunto de movimentos que aí se desdobram.

CERTEAU

[...] onde, por outro lado, são gerados “os produtos políticos, problemas, programas, análises, comentários, conceitos, acontecimentos”

BOURDIEU

A pesquisa citada focou a escola Municipal Marilia de Dirceu3

Na sua estrutura física a Escola Marilia de Dirceu é um casarão antigo com grandes janelas de madeiras e vidros voltadas para a rua. Funcionam 9 salas de aula que comportam entre 20 a 30 crianças, nas salas os quadros negros são antigos e tem um designer abaulado para favorecer a leitura devido aos reflexos de luz. Os banheiros femininos e masculinos são cabines pequenas uns do lado dos outros a seguir pelo banheiro das professoras, que por não ter professor do sexo masculino é um banheiro único. A diretoria fica junto à sala de computação na entrada da escola. A sala de computação tem muitos computadores novos e é também utilizada pela comunidade que algumas vezes por semana serve-se da estrutura escolar pública para cursos de aprendizagem. A cozinha é muito clara e muito limpa, as panelas e os pratos depois de lavados e areados ficam ao sol para secar, dando ao lugar um aspecto de fazenda. Ela não tem refeitório. A refeição das crianças e professoras é levada pela que está localizada na praça do museu de Padre Toledo, no centro de Tiradentes. A escolha foi feita devido ao seu nome e correspondência com a história da cidade e também seguindo sugestão da secretária de Educação do município, pois segundo ela era uma escola que tinha muitos problemas de disciplina e de repetência e a pesquisa poderia colaborar na compreensão do problema.

3

A autorização para a realização da pesquisa na escola foi concedida pela Secretária de Educação do município de Tiradentes (APÊNDICE).

servente diariamente até a sala de aula onde se alimentam. Os bebedouros ficam ao lado da cozinha. O pátio é constituído de um parque de diversão rústico e uma quadra esportiva, onde as crianças fazem aulas de Educação Física e acontecem os recreios diários das turmas. Como esse pátio não é coberto, quando chove as crianças ficam dentro de sala de aula. As salas se encontram fechando um lugar, onde no centro está um outro pátio menor. Nesse pátio acontecem as festas e apresentações. A vista de dentro da escola é magnífica, voltada para a Serra de São José, como a escola se encontra num lugar mais elevado também de dentro dela dá para ver uma boa parte da cidade. Ao redor desse casarão em que se encontra a escola, estão outros casarões antigos, o museu Padre Toledo e a igreja Nossa Senhora do Rosário.

Na sua estrutura de funcionamento a Escola acolhe crianças do centro e da redondeza (alguns bairros como o Cascalho) com idade entre 4 a 12 anos. Essas crianças, na sua maioria, são crianças como outras quaisquer, brincam muito, falam muito e brigam muito também. Têm muita vivacidade, mas não pude deixar de notar que já trazem histórias de vidas complexas com muitas vivências emocionais e financeiras. Esses desafios estão retratadas nas notas de campo nos capítulos que seguem

Seu quadro técnico, na sua maioria, é de profissionais tiradentinos, com algumas exceções, profissionais são-joanenses. A maioria das professoras tem curso superior.

A escola funciona em dois turnos, manhã e tarde. Segundo seu Projeto Político Pedagógico (PPP), quanto ao aspecto sócio-econômico da comunidade escolar, traz a descrição de que é composto da classe média baixa, sendo que a renda gira em torno de um a dois salários mínimos. Na maioria, as famílias possuem casa própria e o grau de escolaridade é Fundamental incompleto. Também rege em seu PPP que uma das principais metas da escola é “formar indivíduos, preparando-os para o exercício da cidadania”.

A definição de sua metodologia é:

Conforme já delineado no item referente a concepção de Aluno, Escola, Conhecimento e Sociedade, a Escola Municipal Marilia de Dirceu situam-se numa linha contrutivista. A partir das influencias da Psicologia Genética e da Teoria Sociointeracionista,o processo educativo ganhou um marco explicativo.Nessa perspectiva o “erro”é visto como uma etapa da aprendizagem para a intervenção do professor.

A aprendizagem ocorre na medida em que o professor faz as intervenções corretas e os alunos vêem o conhecimento como algo significativo para eles. Se a aprendizagem for uma experiência de sucesso para eles, o aluno passará a se enxergar como alguém de sucesso.

A linha metodológica adotada é a Resolução de Problemas em que o professor planeja situações de ensino aprendizagem ao mesmo tempo difíceis e possíveis, na qual ele faz intervenções pedagógicas

adequadas ás necessidades e possibilidades dos alunos.(PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, 2007)

A escola recebeu este nome “Marilia de Dirceu”, para homenagear o poeta e inconfidente Tomás Antonio Gonzaga que em 1787 apaixonou-se por Maria Dorotéa Joaquina de Seixas Brandão, imortalizada como "Marília de Dirceu". O poeta envolvendo-se na Conjuração Mineira, foi preso a 21-5-1787, sendo removido para a prisão da ilha das Cobras, tendo seus bens confiscados. Escrevia seus versos na parede com o carvão da candeia, depois os transportava para o papel. Veio enfim a sentença. Marília não o seguiu no exílio. Despede- se dela, pois, neste protesto.

Na desgraça a lei fatal Pode de ti separar-me Mas nunca d'alma tirar-me

A glória de te querer. (Tomaz A. Gonzaga, 1787)

O nome da escola traduz toda história e também a arte contida nessa cidade. Cecilia Meireles tambem em seu livro “Romanceiro da Inconfidencia” poetiza a respeito desse amor entre Gonzaga e Marília.

A sala de aula na qual permaneci foi a sala da segunda série do Ensino Fundamental. Seu espaço físico era de mais ou menos 40m² com uma porta e duas janelas voltadas para o pátio central onde aconteciam as apresentações. A luminosidade era boa, mas quando o tempo estava nublado havia necessidade de se acenderem as luzes. Contava com um número de 25 alunos, sendo que suas idades variavam entre 8 a 9 anos. A movimentação dos alunos dentro da sala de aula era constante, as idas ao banheiro uma rotina quase que normal, tinham a liberdade de expressão e muitas das vezes exageravam nessa liberdade tornando a sala ruidosa.

A professora desta série tem graduação em Normal Superior e é concursada pela prefeitura de Tiradentes. Relatou-me que pela primeira vez estava lecionando em uma escola pública, como ela mesma relatou tinha ainda dificuldades de fazer com que as crianças se atentassem para os conteúdos explicativos o que lhe causava grande desconforto.

Apesar de estar dentro de uma sala de aula da segunda série do ensino fundamental observei a escola como um todo, tentando ter visibilidade nas ações que pudessem me mostrar os objetivos e as pretensões da Escola Municipal Marilia de Dirceu. Atentei-me para os detalhes onde pudesse ouvir a fala da escola no dialogo com seu lugar e espaço.

Dans le document CONTES DITS DEUX FOIS (Page 96-103)