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Pest risk management 17. Phytosanitary measures to prevent entry

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No Brasil, entre os anos sessenta e o início dos anos oitenta, como já disse em parágrafos anteriores, o movimento renovador do ensino, ou seja, o escolanovismo, ganhou uma vertente especial que acabou até se desgarrando dele e se tornando um ideário educacional próprio: a

pedagogia de Paulo Freire.

Enquanto esta pedagogia era exportada para o mundo todo, aqui em nosso país ela foi se casando com literaturas mais ou menos afins. Esse amálgama, não raro, foi chamado por alguns  dentre estes eu mesmo  de “pedagogias libertadoras”. O caso do encontro de certos leitores de Paulo Freire com a pedagogia de Celestin Freinet (1896-1966) foi uma dessas situações. Em várias situações, Paulo Freire e Freinet tiveram boa penetração juntos, em especial no âmbito da educação pré- escolar na década de 1970. Os livros de Paulo Freire penetraram mais nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e entre outros grupos ligados à questão teórica e prática da educação de adultos e educação popular. A pedagogia Freinet, por sua vez, ganhou especificamente um grupo que passou a divulgá-la como um caminho, que seria explicitamente próximo ao de Paulo Freire, entre os educadores de escolas para meninos e meninas antes da escolarização oficial que adotava a idade de mais ou menos 7 anos para a entrada na escola.

Célestin Freinet (1896-1966) foi professor da escola primária francesa na qual desenvolveu uma luta contra o tradicionalismo pedagógico e a favor dos métodos ativos, introduzindo técnicas pedagógicas originais (dentro do espírito escolanovista dos anos vinte, trinta e quarenta na Europa) como o texto livre e a imprensa escolar (cf. Freinet, 1973). Seus escritos foram traduzidos para o português, e a partir dos anos setenta os livros A Educação para o trabalho e Para uma escola do povo começaram a ter grande aceitação entre educadores inovadores no Brasil.

Podemos aproximar a pedagogia Freinet do ideário de Freire, como fizeram muitos, pois ambas foram uma espécie de teoria para uma “escola nova popular” (expressão que ouvi pela primeira vez vinda de Dermeval Saviani, e que durante um certo tempo incorporei), ou seja, ambas deixaram claro que suas intenções eram a de verter as teorias escolanovistas em benefício da construção de uma educação para os setores mais amplos da população, o que na época se denominava “as classes populares”. Apesar do idéario de Freire ser  e sempre ter sido , antes de tudo, uma “pedagogia da conscientização”, enquanto a pedagogia Freinet se inseria no âmbito das teorias educacionais que adotavam o trabalho como princípio educativo fundamental — daí a imprensa escolar como elo entre a atividade da criança e a possibilidade de aquisição de conteúdos do saber universal —, a ligação entre ambas não foi arbitrária. Tal ligação se efetivou na prática, pois foi justamente

através de experiências pioneiras de Madalena Freire, que trabalhou com os ensinamentos de seu pai com pré-escolares e alunos pré- adolescentes, que a utilização das técnicas Freinet puderam ser mais bem apreciadas. E foi a partir daí que elas ganharam terreno junto ao movimento de proliferação de pré-escolas nos anos setenta (cf. Ghiraldelli Jr., 1990, 200).

Todavia, diferentemente do ideário de Paulo Freire, que após 1964 sempre foi visto pelas autoridades federais e estaduais, mesmo as não muito conservadoras, como um “ensino subversivo” que deveria ser combatido a qualquer preço, a pedagogia Freinet ganhou nos anos setenta um certo incentivo oficial, governamental. O próprio MEC, durante alguns momentos, produziu alguns trabalhos elogiando as vantagens das técnicas Freinet.

Na medida em que o clima político do país foi se encaminhando para o período de “abertura”, após meados dos anos setenta, então o ideário de Paulo Freire e os estudos dos intelectuais ligados aos “movimentos de educação popular” foram sendo divulgados de maneira mais abrangente. Nessa fase destacaram-se alguns bons divulgadores das conclusões pedagógicas tiradas a partir da perspectiva dos “movimentos de educação popular”, como o caso de Carlos Rodrigues Brandão. Seu livro O que é Educação, publicado no início dos anos oitenta pela Coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense, vendeu mais de 80 mil exemplares em cinco anos. Os livros de Paulo Freire, então mundialmente traduzidos e conhecidos, também começaram a ser difundidos no país com rapidez incrível. Pedagogia do oprimido foi publi- cado em 1970 e chegou à décima quinta edição em 1985. Outros textos, como Ação cultural para a liberdade teve sua quarta edição em 1983, e marcou a aproximação do pensamento freireano de certas teses do marxismo. Esses livros foram consumidos pelas universidades e pelas redes de ensino em níveis de Primeiro e Segundo Graus (cf. Freire, 1985; 1982).

Além de Paulo Freire e Freinet, mas praticamente numa linha que se utilizou de princípios destes dois teóricos, no final dos anos setenta apareceram no Brasil os escritos da argentina Maria Tereza Nidelcoff (que trabalhou na Argentina e na Espanha, com vários níveis de ensino, que endossava os métodos ativos, leitora de Lourenço Filho e de Freinet). Nunca é demais lembrar o sucesso de seu livro, Uma escola

para o povo, que foi publicado em 1978 e chegou à vigésima quarta

edição em 1985 (em 1987 esse livro tinha cem mil exemplares vendidos). A idéia de contrastar o professor-policial com o professor- povo, contida nesse livro, era atrativa para quem, tendo lido Paulo Freire e Freinet, estava ávido, naqueles anos, de fazer o contraste entre a educação autoritária e elitista e a educação companheira e popular (cf. Ghiraldelli Jr. 1990, p. 201)

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