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incompatibles avec l’analyse réseau

1.4.1 La pertinence des indicateurs de centralité les plus usitésusités

Rui Freire de Andrade teve novamente de colocar de lado qualquer intuito de reafirmação política portuguesa no Estreito de Ormuz ou no Golfo Pérsico, em 1626, devido à possibilidade de um ataque europeu sobre Mascate. Face a esta eventualidade o vice-rei enviou sucessivos reforços para o Estreito aumentando o contingente militar português naquelas partes. António de Sousa Coutinho mais o seu irmão, João de Sousa Coutinho, foram para lá enviados com uma armada de remo, depois de terem falhado a passagem para Malaca devido às más condições meteorológicas320, sendo João enviado a Baçorá como já anteriormente mencionei321. Foi também dada ordem a João Calheiros Barbosa, que partira para Diu ao comando de quatro navios para obrigar os mercadores a irem ali pagar os devidos direitos, para se dirigir ao estreito se soubesse no Norte de alguma notícia que indicasse a ida dos ingleses ou holandeses sobre Mascate322. Por fim foi enviada uma armada de sete navios, sob o comando de Francisco Moniz da Silva323, dos quais três arribaram de volta à Índia, não seguindo para o Estreito324. Ponderou-se mesmo a possibilidade de enviar a armada de alto-bordo de volta ao estreito, em contraposição a enviá-la em acção corsária no Estreito de Meca ou a tomar Paleacate325. Entretanto, as relações entre o conde da Vidigueira e Rui Freire de Andrade iam azedando. Provavelmente acicatado pela incapacidade do capitão-geral em reconquistar Ormuz, apesar dos constantes reforços militares e monetários enviados para o Estreito, o vice-rei começou a tecer várias críticas à actuação de Rui Freire, queixando-se da actividade comercial deste326, da sua desobediência327, para além da displicência financeira, pois gastara no provimento dos seus navios todo o dinheiro que estava em depósito para pagar aos lascarins na futura empresa de Ormuz, não guardando nenhum capital para qualquer eventualidade328, e ainda enviando a Goa uma galeota com vinte

320

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.24, fl.1-2.v,

321

Cf. Cunha, 1995, vol.I, p.66; Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.24, fl.47

322

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.24, fl.57-57-v.

323

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.24, fl.57-v.-58

324

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.25, fl.442

325

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.24, fl.61

326

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.22, fl.118-v.-119

327

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.22, fl.117-v.-118-v.

328

60 soldados a pedir socorros com muitos gastos, quando o Vice-Rei se esforçava para enviar e manter um sólido contingente militar português no Estreito329.

Podemos questionar-nos até que todo não seria a displicência de Rui Freire de Andrade calculada. O capitão-geral poderia já saber que nem ingleses nem holandeses empreenderiam qualquer intento contra Mascate330, utilizando somente a ameaça destes para conseguir reforços substanciais para levar a cabo os empreendimentos militares no Estreito de Ormuz e Golfo Pérsico, já planeados e aos quais daria sequência nos anos seguintes como veremos já de seguida. De facto é o próprio Rui Freire de Andrade, já depois de bem apetrechado de reforços, a avisar o vice-rei de que não existe qualquer perigo por os persas estarem ocupados na guerra contra os otomanos, e que os navios ingleses e holandeses haviam passado demasiado tarde para qualquer intento contra Mascate331.

Apoiado pela grande quantidade de reforços enviados ao Estreito durante todo o ano de 1626, Rui Freire reiniciou as hostilidades com a Pérsia, decidindo investir contra o Barém de forma a impedir ali a pesca de aljôfar por parte dos persas. O primeiro passo do capitão-geral foi o estabelecimento de uma aliança com o Baxá de Catifa332. Apoiados por este, os portugueses investiram contra a ilha do Barém, em 1627, tendo sido derrotados, mais por “discórdia Sobre quem hauia de hir diante”333 do que pela acção inimiga. Procederam também a vários raids às costas persas atacando Congo e Queixome, onde se capturou muita gente e gado334. Em seguida a armada regressou a Mascate.

No ano seguinte, 1628, foi necessário socorrer o Baxá de Catifa ameaçado por forças safávidas335, para além de se proceder a novos raids contra as costas persas336. Manobra novamente empreendida em 1629, a qual se juntou a conquista de Guadel e o avassalamento das fortalezas de Cibo337 e Borca338, onde os portugueses já possuíam feitorias339. Para além de submeter o senhor do Comorão, já na margem persa do

329

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.22, fl.118-v.-119

330

Cf. Boxer, 1985, p.111

331

Cf. ANTT, Livro das Monções, lv.24, fl.57-v.-58

332

Cf. Cunha, 1995, vol.I, p.65; Questões, 1935, vol.III, p.353

333

Cf. Blanco, 1992, vol.II, doc.XXXVIII, p.180

334

CF. A.H.U., Conselho Ultramarino, Índia, cx.026, doc.32

335

Cf, A.H.U., Conselho Ultramarino, Índia, cx.021, doc.96

336

Cf. A.H.U., Conselho Ultramarino, Índia, cx.026, doc.32

337

Actual As Seed em Oman.

338

Actual Barka em Oman.

339

61 Estreito de Ormuz340. Novamente surgiu a ameaça de um ataque anglo-holandes, devido ao grande número de navios destes que se juntavam em Surrate341. Mas, também desta vez, não colocaram os inimigos de Europa qualquer cerco à praça portuguesa, estando mais interessados em meras acções comerciais na costa da Pérsia.

O ano de 1630 assistiu à investida final portuguesa sobre as possessões persas na margem arábica do Estreito, com Rui Freire de Andrade a tomar as fortalezas de Julfar, Rames e Cate342.

Com as campanhas levadas a cabo a partir de 1627, Rui Freire de Andrade conseguiu vários objectivos. Em primeiro lugar alcançou expulsão de todas as forças persas da Arábia. Em segundo obteve várias bases de apoio a oeste do cabo Mosandão. E em terceiro lugar adquiriu um valioso aliado no Baxá de Catifa, permitindo não só o estabelecimento de relações comerciais com essa cidade, mas também a criação ali uma base de apoio para a defesa da cáfila de Baçorá.