• Aucun résultat trouvé

Perte de charge relative du ressaut hydraulique

(1.30) : Ecoulement franchissant un seuil épais continu de hauteur s et de longueur

III.2. Caractéristiques du ressaut hydraulique dans un canal trapézoïdal

III.2.3. Perte de charge relative du ressaut hydraulique

Os padrões de consumo nos centros das cidades variam conforme o local, mas existem semelhanças na escala e capacidade, isto é, geralmente, os utilizadores são levados ao centro por diferentes atrações e existe um maior número de visitantes ao fim de semana, como já foi referido (Chatterton and Hollands, 2002; Hollands, 2002; Jones et al., 2003). Um padrão comum corresponde também à dominância do papel dos jovens no consumo na economia noturna (Chatterton and Hollands, 2002).

Com o forte crescimento de bares e discotecas, que atraem mais o “mercado jovem”, os centros das cidades britânicas são vistos por outros utilizadores, como possuidores de um ambiente ameaçador (Thomas and Bromley, 2000; Roberts, 2006). Isto deve-se ao crescimento da “cultura jovem”, com tendência para o domínio masculino e da associação dos centros urbanos a zonas de excessivo consumo de álcool e drogas, onde

22

regularmente acontecem incidentes violentos (Thomas and Bromley, 2000; Hollands, 2002; Williams, 2008). Roberts (2004) também demonstra preocupação com este aspeto, quando refere que os centros das cidades britânicas estão a ser colonizados por jovens, frequentemente presentes em casos de desordem, onde a polícia é obrigada a intervir. Este fenómeno acontece principalmente onde existem grandes concentrações de jovens, em zonas específicas ou “hotspots”, e geralmente, os problemas que ocorrem estão associados à embriaguez, comportamentos antissociais, crime e desordem, o que impede que outros grupos sociais utilizem os centros urbanos inteiramente (Roberts, 2004; Tiesdell and Slater, 2006). No Reino Unido estima-se que 47% dos crimes violentos são cometidos por utilizadores noturnos dos centros embriagados (Budd, 2003 in Roberts, 2006). Estes problemas associados à grande concentração jovens, muitos deles embriagados, começaram a ser reconhecidos por autoridades públicas e residentes apenas no início do milénio, quando os impactos provocados pela elevada concentração no espaço público à noite se tornaram mais visíveis (Roberts, 2004; Roberts, 2006; Hadfield, 2009).

É importante perceber como se caracterizam os jovens atraídos para os centros das cidades britânicas à noite. Na literatura foi encontrado que a fase jovem se tem estendido por um maior período (Tiesdell and Slater, 2006), que os jovens são maioritariamente possuidores de poucas ou nenhumas responsabilidades familiares e de um elevado montante de rendimento para despender em lazer (Thomas and Bromley, 2000). O consumo de álcool corresponde a parte do que despendem na noite em lazer. O que se tem verificado é que o consumo de álcool entre os jovens aumentou, principalmente no género feminino (Hollands, 2002; Roberts, 2006). Um estudo realizado por Richardson et al. (2003 in Roberts, 2006), entre o ano de 1998 e o ano de 1999, no Reino Unido, aponta que dentro dos jovens dos 16 aos 24 anos, 39% são consumidores de álcool de forma excessiva. Complementando, Stewart (1990 in Chatterton and Hollands, 2002) demonstra a importância da despesa na noite ou em bebidas, sendo que a mesma ocupa a terceira posição para os jovens dos 16 aos 24 anos.

23

Para além disso, o consumo de drogas aumentou drasticamente nos últimos vinte anos3 (Hollands, 2002; Roberts, 2004).

Para contrariar estas características do consumo na economia noturna é necessária a alteração das mentalidades de consumo, principalmente no Reino Unido (Roberts, 2006; Tiesdell and Slater, 2006; Hadfield, 2009). Na Europa continental a cultura de café é mais típica, comparativamente ao Reino Unido, o que proporciona um ambiente repleto de interação urbana, onde a criatividade pode florescer e os problemas de segurança, ansiedade e medo são minimizados (Thomas and Bromley, 2000; Roberts, 2004; Roberts, 2006). Contudo, como uma mudança cultural é difícil de se alcançar no curto prazo, medidas situacionais como as utilizadas pela polícia continuam muito relevantes (Tiesdell and Slater, 2006).

Relativamente aos bares e discotecas frequentados pelos utilizadores da economia noturna dos centros das cidades britânicas, apesar da dominância dos bares da corrente principal, estes não captam todos os utilizadores, pois são considerados por muitos “locais de muito estilo e pouca substância”, “locais de reprodução em série, sem sabor distinto” e locais onde os consumidores e produtores interagem pouco, ao contrário dos locais alternativos ou residuais, onde a interação é significativamente elevada, onde os consumidores podem alterar e influenciar o que estão a consumir ou a ouvir (Chatterton and Hollands, 2002).

No caso da Baixa do Porto e ainda relativamente aos utilizadores noturnos da mesma, foi possível perceber, através da entrevista com Manuel Correia Fernandes, que podem ser distinguidos dois tipos de consumos. Antes das duas horas da manhã, aproximadamente, encontram-se utilizadores do centro da cidade que apenas jantam e

3Em Portugal, segundo dados recolhidos para a reportagem Bar Aberto da Sic, junto do Instituto da Droga

e Toxicodependência (2011) de 2003 para 2011 houve uma diminuição do número de jovens que aos 13 e aos 18 anos já tinham experimentado álcool. A percentagem de jovens que em 2003, aos 13 anos já tinham experimentado álcool correspondia a 47% e em 2011 correspondia a 37%. Relativamente à percentagem de jovens com 18 anos que em 2003 já tinham experimentado álcool esta correspondia a 93% e em 2011 a percentagem correspondia a 91%. O decréscimo do número de consumidores é acompanhado por um padrão de consumo mais intenso: relativamente à experiência de embriaguez aos 15 anos de idade, considerando os últimos 12 meses, para o sexo masculino a percentagem era de 16% em 2007 e 21% em 2011, para o sexo feminino a percentagem era 13% em 2007 e 22% em 2011. Contudo, Portugal encontra-se entre os países europeus com menores taxas de consumo de álcool e embriaguez, os jovens tendem a antecipar as consequências negativas ou menos positivas do seu consumo de álcool (Hibell et al., 2004 in Measham, 2008).

24

bebem um copo na mesma zona e depois das duas da manhã, na generalidade, apenas permanecem grandes grupos de jovens, cuja maioria se encontra embriagada.

É bastante importante reter desta secção que os jovens, bastante presentes no consumo, são recipientes das atividades da economia noturna, economicamente regulada e produzida, mas são também participantes ativos deste domínio cultural (Chatterton and Hollands, 2002; Hollands, 2002). No caso dos utilizadores noturnos dos centros das cidades serem ouvidos, os gaps existentes entre estes últimos e os reguladores são, no mínimo, em parte eliminados (Chatterton and Hollands, 2002).

Resumindo

Verifica-se a dominância dos jovens enquanto principais utilizadores dos centros das cidades em período noturno e, ao nível dos padrões de consumo, a dominância do consumo de álcool. Este último facto leva, por vezes, à ocorrência de incidentes e de casos de desordem, implicando que alguns autores refiram a alteração de mentalidades de consumo para um ambiente noturno melhorado, rico em interação e criatividade. Verificou-se ainda que conforme os seus gostos e influências, os utilizadores frequentam locais mainstream, alternativos ou residuais.

Documents relatifs