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PERSPECTIVES DE RECHERCHE

Dans le document Extraction d’Aspects à partir des Modèles (Page 145-173)

Como acontece com a palavra “informação”, o conceito de “rede” tornou-se tão popular e utilizado em vários níveis, que é difícil construir uma definição que consiga abarcar todos os seus usos.

Para se ter uma idéia, podemos falar da rede ferroviária de um estado, da rede de lojas de uma empresa comercial, da rede de distribuição de uma indústria, da rede elétrica de um bairro, da rede de telefonia de uma companhia, de computadores de uma empresa, da Internet, da rede de contatos entre funcionários de uma empresa, entre outras.

Como a Ciência da Informação, os estudos com foco em estruturas em forma de rede perpassam várias ciências, dentre elas a Física, a Matemática, a Biologia, a Sociologia, a Administração, a Comunicação, a Computação, a Antropologia, a Psicologia, a Ciência da Informação etc.

Na Física, as redes são estudadas sob a denominação de “redes complexas” e caracterizadas pelo manuseio de grandes volumes de dados (via recursos computacionais); de pesquisas longitudinais que visualizam a observação da evolução das redes no tempo com relação a uma variável e da identificação de leis que justifiquem padrões relacionados à forma das redes, (MATHEUS; SILVA, 2006). A maior parte das pesquisas realizadas por Capra (2002) e Mendes (2004) está dentro deste escopo.

A WWF-Brasil (2003, p. 20, 23, 29), uma ONG que atua em defesa do meio ambiente e enfatiza a circulação da informação, conceitua rede da seguinte forma:

[...] uma organização, porém não como uma entidade ou instituição, como o termo organização pode vir a conotar, e sim como um padrão organizativo [...] Rede é um agrupamento de pontos (ou nós), que se ligam a outros por meio de linhas [...] A rede se exerce por meio da realização contínua das conexões: ela só pode existir na medida em que houver ligações [...]

Dentro do campo da Administração, pesquisadores como Lipnack; Stamps (1994, p. 50), descrevem a rede como uma organização voltada para a obtenção de informação e geração de conhecimento associada à inteligência competitiva nas organizações. Segundo eles, a estrutura mínima de uma rede requer pelos menos três elementos: propósito, participantes e interligações, conforme figura abaixo:

FIGURA 2 - Estrutura mínima das redes Fonte: LIPNACK, STAMPS, 1994, p. 51.

Propósito Participantes

Interligações ou elos

Para esses autores, a rede humana de informação, deve conter: • Propósito comum: evitar e defender-se da ação de criminosos;

• Diversidade dos participantes (variedade de conhecimento): especialistas da instituição, da concorrência e agentes de segurança públicos;

• Conectividade: sustentada por equipamentos modernos e poderosos de tecnologias da informação.

Algumas concepções situam-se no nível mais macro, como é o caso de Castells (2005, p. 108). Em seu livro “Sociedade em Rede”, o autor não chega a conceituar o objeto, mas discorre sobre o tema de uma forma ampla, buscando focar a interferência da tecnologia na sociedade pós-moderna e mostrar as conexões realizadas pelas organizações na busca de adaptarem-se ao meio ambiente e ganhar competitividade. Segundo este autor, as principais características do que ele denominou de “Sociedade Informacional” são:

• A informação como matéria prima;

• a penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias; • a necessidade de flexibilidade das organizações;

• as convergências das tecnologias para sistemas altamente integrados de comunicação; e

• a lógica da rede em qualquer sistema ou conjunto de relações.

Castells (2005) entra na discussão sobre a lógica das redes focando as conexões realizadas pelas organizações, via uso de tecnologia ou de prerrogativas comerciais. A ênfase de sua obra repousa sobre questões administrativas, como formação de alianças, parcerias e fusões para o aumento da competitividade, visualizando a otimização da troca de informação, da distribuição de produtos, de serviços, ampliação de canais de venda e ocupação de novos mercados.

Todos estes pesquisadores parecem utilizar superficialmente os fundamentos teóricos da Análise de Redes Sociais, dando uma ênfase maior ao fenômeno da conectividade numa comunidade. Pois, a análise de Redes Sociais centra-se na busca do entendimento dos fatores que regem os relacionamentos numa sociedade, conforme afirma Barnes (2002, p. 315):

Na sociedade, as redes sociais no passado tinham malhas menores do que as atuais, pois as relações entre as pessoas eram mais próximas, diferente da sociedade de massa ou urbana de hoje. Atualmente, as pessoas já não possuem mais tantos amigos em comuns como ocorre numa sociedade de pequena escala. Em sociedades menores ou mais simples a malha da rede tende a ser menor, ou seja, há mais interações entre as pessoas, sendo que é possível que haja muitos conhecidos/amigos em comum. Numa sociedade urbana ou mais complexa os amigos comuns são raros e a redundância da rede é menor.

Na época em que Barnes fez esta afirmação ele nem imaginava um advento tecnológico como a internet. As evoluções da sociedade de massa convergiram para atender uma das necessidades básicas do ser humano que é se comunicar. Criando um espaço virtual a internet propicia a comunicação de pessoas situadas no mais diversos locais do mundo. As barreiras do tempo e do espaço para a comunicação foram ultrapassadas. Na vida social e nas organizações estar conectado numa rede de computadores é o mínimo que se espera do cidadão moderno e atualizado.

Neste estudo, as redes serão abordadas num nível mais micro sob o aspecto social. Em função disso, a análise estrutural enfatiza questões de conectividade, densidade, distâncias médias e alcançabilidade da rede total e dos atores, considerando inclusive a interferência dos

indivíduos na estrutura social e vice-versa. Por isso, optamos por adotar os estudos empreendidos nas áreas de sociologia, antropologia e psicologia como direcionadores.

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