• Aucun résultat trouvé

Os projetos de extensão, de pesquisa e monitoria foram divisores de águas, significativos, uma vez que oportunizaram a apropriação de novos conhecimentos e a articulação com a comunidade local, além de oferecerem uma bolsa de estudo. A

respeito dessas atividades desenvolvidas por meio de projetos de extensão, nossos entrevistados apontam indicadores importantes para a análise de suas permanências, conforme depoimentos e análises apresentadas a seguir:

[...] Começou com os alunos [do bairro] da Poeira, pra ensinar como manipular os alimentos, ter uma boa higiene [...] no final tive que dar aula [para os colegas] aprendi a falar melhor [...] até pra uma entrevista de trabalho, a professora diz que está preparando vocês aqui dentro pro mercado aí fora! (MARGARIDA, 31 anos).

[...] Tava no tempo de inscrever [o projeto de extensão]. [...] Eu disse professora! [se reportando a proposta que havia comentado na aula] E ela disse: Escreva numa folha de caderno a ideia. No outro dia foi tanta da gente me dando os parabéns. Eu disse: rapaz! [...] [o projeto]foi aprovado, a gente[ele e os colegas] na comunidade, o pessoal apresentou, o pessoal gostou. (ALOÍSIO, 23 anos).

A [nutricionista] me chamou para o SANE.[...].É porque eu fui fazer uma dieta. Ela tava olhando as cargas horárias [de Prática Profissional]e falou que eu tava devendo e teria que pagar. Aí eu passei dois meses só fazendo estágio.Depois ela me chamou para ficar como bolsista. Já vai fazer dois anos.É, mudou tudo pra mim. Assim, compro minhas coisas, ajudo minha mãe também. (CARLOS, 27 anos).

No depoimento de Margarida, que ocorreu de forma emocionada, ela nos diz que teve segurança no domínio de conhecimentos técnicos da área, quando foi desafiada a ministrar aula para os membros da comunidade, como parte do projeto de extensão de que participava, ministrando orientações de manipulação dos alimentos para as merendeiras da escola pública do município de Marechal Deodoro.

Na fala, a estudante afirma que“[...] houve evolução na minha aprendizagem”. Isso mostra que as situações vividas, boas ou não, contribuíram para sua aprendizagem e formação, uma vez que permitiram superar suas dificuldades de comunicação e o medo para falar em público, a timidez, e que desenvolveu segurança na demonstração dos conhecimentos já apreendidos. Fica explícita a importância das intervenções/orientações docentes, durante a realização de ações.

Margarida, ainda, evidenciou a ampliação dos seus conhecimentos:

[...] Nos projetos de extensão e pesquisa eu usei muito matemática. [...] não sabia nem pegar no computador [no início do curso] e aprendi digitar [...] mandar e-mail, fazer e-mail, a pesquisar [...] pra mim hoje o computador é fundamental, [...] aí eu vou escrevendo e quando vejo que está errado já vem mostrando aquele vermelhinho, que eu errei, eu já vou e conserto.

Essa narrativa demonstra como os processos de ensino e aprendizagem extrapolaram o espaço da sala de aula, a exemplo das atividades que foram desenvolvidas nos projetos de pesquisa e extensão. Foram permeadas das dimensões simbólica e material que envolveram sua permanência na escola. A material, por meio de uma bolsa de estudo, conseguida no início do curso. E a simbólica, por meio do desenvolvimento de novos conhecimentos e superação da “vergonha de falar”, percebendo-se capaz de novas aprendizagens, como revela em seus depoimentos, contando com a orientação e o incentivo de professores que proporcionaram atividades teóricas ou práticas, desafiando essa estudante e os colegas desta turma do Curso Técnico em Cozinha.

Portanto, os estudos de Santos e Noro (2015) sobre o PROEJA no IFRS, Campus Sapucaia do Sul, ressaltam que essas políticas estudantis são fundamentais para a permanência desses estudantes que enfrentam dificuldades de sobrevivência. Situação, também, de Aloísio, conforme observamos em seu relato, sobre ter que trabalhar para ajudar no sustento da família.

Aloísio destacou a atitude desafiadora da professora que lhe propôs a escrita de suas ideias que se tornou, posteriormente, um projeto de extensão. Em primeiro lugar, causou-lhe um impacto por serem reconhecidas suas propostas apresentadas durante os debates em sala de aula, conforme relato de sua entrevista. Em segundo lugar, ao ver seu trabalho valorizado, transformado em projeto de extensão e aprovado pela instituição. E, por fim, na possibilidade de contribuir com a comunidade onde morava, uma vez que o projeto foi realizado nesta localidade, atendendo sua expectativa de contribuir com aquela população pobre, que aprendeu a fazer a reutilização de alimentos.

Inferimos que a credibilidade da docente, a aprovação e o desenvolvimento do projeto podem ter contribuído para Aloísio sentir-se, também, com condições de aprender novos conhecimentos, fortalecendo-o a enfrentar outros desafios, e a oportunidade de sentir-se reconhecido.

Tomamos como base os estudos de Carmo (2010) sobre a teoria de Reconhecimento Social (HONNETH, 2003), que aponta a relação de situações que expressaram reconhecimento entre os sujeitos com a permanência dos estudantes, o que pesquisou em seu doutorado.

Essas experiências com projetos de extensão, conforme depoimento dos entrevistados, puderam ser vivenciadas pela turma do Curso Técnico em Cozinha

(2011), como aulas de campo articuladas pela coordenação e professores da área técnica. Como fora relatado por Carlos, referindo-se ao projeto de extensão sobre manipulação de alimentos, desenvolvido em uma das escolas do município de Marechal Deodoro, ao afirmar que havia participado “[...] era uma aula prática que a gente foi com a professora [da área técnica]”.

A experiência de Carlos no projeto de monitoria que participa no Setor de Nutrição apontou a importância desse conhecimento para sua formação, que iniciou por meio do cumprimento de carga horária da Prática Profissional, dando continuidade como bolsista. Destacou que realiza conferência sobre alimentos e cardápios além de acompanhar a distribuição, tendo que fazer: “[...] uma lista dos alunos para os dias da semana para controlar quem está fazendo as refeições”.

No entanto, essa experiência com a participação dos estudantes do PROEJA em projetos de extensão, pesquisa, monitoria, revelou-secomo prática pedagógica que proporcionou avanços na aprendizagem dos jovens e adultos, no Campus Marechal Deodoro, mas não podemos afirmar que seja unanimidade nos cursos do PROEJA no IFAL. Na continuidade, comentamos sobre as tentativas de conciliação de trabalho e estudo.