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E. Perspectives de recherche
Os participantes no estudo que aqui se apresenta são professores do 1.º CEB, inscritos em pelo menos um dos três ciclos de TDR que decorreram durante três anos letivos completos. Para preservar o anonimato dos professores, todos os nomes aqui expostos são fictícios. Numa primeira fase, consideraram-se os dados de vários professores que participaram no programa de formação para realizar a pré-análise prevista nas três fases da análise de conteúdo (Bardin, 1997, p. 95), de forma a organizar os dados para sistematizar as ideias iniciais. Numa segunda fase foram selecionados alguns destes professores para ilustrar as suas perceções sobre o contexto formativo e a forma como estes desenvolveram as atividades práticas relacionadas com as STEM, em aula, com os respetivos alunos.
No ano letivo 2015/2016 (1.º ciclo de TDR) participaram no programa de formação 14 professores do sexo feminino, de cinco escolas do 1.º CEB, com idades compreendidas entre 42 e 58 anos e mais de 20 anos de experiência de ensino. No ano letivo 2016/2017 participaram 37 professores do sexo feminino e um do sexo masculino, de catorze escolas do 1.º CEB, com idades compreendidas entre 35 e 61 anos e mais de 10 anos de experiência. No ano letivo 2017/2018 inscreveram-se 20 professores do 1.º CEB e 18 professores do 2.º e 3.º CEB.
Neste estudo, foram selecionados apenas professores do 1.º CEB, uma vez que os professores do 2.º e do 3.º CEB só participaram no último ano letivo da experiência. Em particular, destacam-se estudos de caso de alguns professores que criaram e implementaram atividades práticas interdisciplinares hands-on, em aula, com os respetivos alunos.
3.6.1 Estudos de caso
Dos vários professores que participaram no PDP, selecionaram-se alguns para mostrar como estes desenvolveram as suas práticas, no âmbito da sua participação no programa de desenvolvimento profissional (Tabela 3.1). A escolha destes professores foi feita com base numa amostra por conveniência, procurando-se que os temas apresentados fossem diversificados, de forma a ilustrar como trabalhar diferentes tópicos dos conteúdos curriculares do 1.º CEB. A matemática está presente em praticamente todas as tarefas trabalhadas pelos professores. Quanto aos tópicos de ciências, destaca-se a astronomia, o som e a eletricidade. As tecnologias também são ferramentas que contribuem para desenvolver tarefas em aula e para promover a aprendizagem dos alunos.
Tabela 3.1: Caracterização dos professores participantes nos estudos de caso.
Professores Idade Anos de Serviço Turma* Ciclo de TDR
Luisa 56 37 3.º ano (25 alunos) 2015/2016
Mariana 52 30 3.º + 4.º ano (16 alunos) 2015/2016 e 2016/2017 Manuela 50 28 3.º ano (20 alunos) 2016/2017 e 2017/2018 Marina 48 27 2.º ano (16 alunos) 2016/2017 e 2017/2018 Josefina 42 18 3.º + 4.º ano (12 alunos) 2016/2017
* A turma e o número de alunos indicados, dizem respeito ao 1.º ciclo em que as professoras participaram.
Nos workshops, relativos às sessões presenciais com os professores, foram trabalhados tópicos relacionados com Matemática, Ciências e Tecnologia. Nestes workshops, para além da introdução da teoria sobre cada um dos temas apresentados, os professores tiveram oportunidade de realizar diversas atividades práticas hands-on, relacionadas com os tópicos abordados, com o apoio dos formadores.
De seguida, passa-se à apresentação dos professores cujos estudos de caso vão ser introduzidos. Os professores, abaixo caracterizados, foram selecionados de forma a exemplificar as diferentes formas como desenvolveram o trabalho em aula com os seus alunos. As entrevistas aos professores decorreram nas visitas às suas aulas e também nos workshops das sessões presenciais com os outros professores. Todos têm em comum o facto de terem apresentado os respetivos trabalhos aos colegas no workshop destinado à partilha de boas práticas. Nesta investigação, entende-se por partilha de boas práticas, a apresentação aos colegas, dos trabalhos que os formandos desenvolveram com os respetivos alunos, no âmbito do PDP e que correspondem aos objetivos do mesmo.
A professora Luisa
A professora Luísa participou no primeiro ciclo de TDR que decorreu no ano letivo 2015/2016. Esta professora tinha 56 anos, 37 anos de serviço e era titular de uma turma do 3.º ano do 1.º CEB, com 25 alunos e com idades compreendidas entre os 8 e 9 anos. Desde o início que esta professora mostrou muito empenho na formação, mas ao mesmo tempo também manifestou insegurança no que diz respeito à realização de atividades práticas hands-on de ciências. Foi por este motivo que foi uma das primeiras professoras a receber a visita dos formadores na sua sala de aulas, para realizar atividades relacionadas com a eletricidade com os seus alunos. Neste estudo evidencia-se o trabalho desenvolvido no ano letivo 2015/2016 e no início do ano letivo seguinte (2016/2017). Em ambos os casos, a professora desenhou e implementou tarefas essencialmente de matemática centradas no trabalho dos alunos.
A professora Mariana
A professora Mariana tinha 52 anos de idade, 30 anos de serviço e uma turma com 16 alunos do 3.º e 4.º anos do 1.º CEB. Esta professora participou na formação que decorreu no 1.º e no 2.º ciclo de TDR. A turma da Mariana recebeu os formandos para realizar atividades práticas relacionadas com o Som. No seu trabalho final desenvolveu tarefas relacionadas com o som e com a eletricidade.
A professora Manuela
A professora Manuela participou no programa de desenvolvimento profissional nos anos letivos 2016/2017 (50 anos de idade, 28 anos de serviço, titular de uma turma com 20 alunos do 3.º ano de escolaridade) e 2017/2018 (titular da mesma turma com 20 alunos do 4.º ano de escolaridade). Logo no segundo relatório, apresentado no final de janeiro de 2017, as suas propostas de atividades práticas hands-on foram das que mais se destacaram, facto que levou a investigadora a pedir para acompanhar o seu trabalho, em aula, quer fazendo observações presenciais quer colaborando com o planeamento das aulas. A professora desenvolveu um total de 5 sessões, sendo as 3 primeiras mais centradas na astronomia e as 2 últimas dedicadas à matemática a partir da astronomia. Os dados recolhidos, relativos a estas sessões, decorreram da observação participante com notas de campo, fotografias das atividades e do portefólio apresentado pela professora. No final de cada uma das sessões, que decorreram até maio de 2017, foram realizadas entrevistas semiestruturadas a fim de aprofundar a recolha de dados.
A professora Marina
A professora Marina participou no programa de desenvolvimento profissional nos anos letivos 2016/2017 (48 anos de idade, 27 anos de serviço, turma do 2.º ano do 1.º CEB, com 16 alunos) e 2017/2018 (com a mesma turma, agora no 3.º ano do 1.º CEB, com 18 alunos, uma vez que entraram dois alunos novos). A professora implementou tarefas relacionadas com o som, enquadradas no domínio “Conhecimento do Meio Natural e Social”, constante da área curricular de Estudo do Meio.
Em conjunto com os restantes professores, Marina frequentou o workshop dedicado ao som a 15/02/2017, onde teve oportunidade de trabalhar conteúdos relacionados com esta temática e praticar diversas experiências hands-on. A condução deste workshop esteve a cargo de professores especializados na área da engenharia eletrotécnica que criaram protótipos para reproduzir o som, bem como para medir a intensidade e frequência do mesmo. Também foram usados recursos tecnológicos como por exemplo vídeos, ou software gratuito como é o caso do
Sound Meter que permite medir a intensidade do som em decibéis. Esta aplicação encontra-se na Play Store que pode ser acedida a partir de telemóveis ou tablets.
A professora Marina apreciou muito o trabalho experimental desenvolvido em aula e continua a pedir a colaboração dos formadores para inovar as suas práticas. Por exemplo, no ano letivo 2018/2019 escolheu trabalhar a astronomia e a eletricidade.
A professora Josefina
A professora Josefina (42 anos de idade, 18 anos de serviço, turma com 12 alunos do 3.º e 4.º ano) participou no programa de desenvolvimento profissional no ano letivo 2016/2017 e escolheu implementar tarefas relacionadas com a eletricidade, com o acompanhamento e apoio dos formadores. Das várias sessões realizadas pela professora são evidenciadas aquelas em que a professora dinamizou tarefas interdisciplinares. Apesar de não se inscrever no programa no ano letivo seguinte a professora continuou a solicitar a colaboração dos formadores para a ajudar a desenvolver atividades com os seus alunos. Por exemplo no ano letivo 2018/2019 a professora pediu ajuda para implementar atividades relacionadas com a astronomia e com o som, pretendendo desenvolver o trabalho que viu as outras colegas realizar na formação que frequentou.