CHAPITRE 3 CADRE D'ÉVALUATION DE LA MOBILITÉ DURABLE
3.5 Contributions et perspectives du cadre d'évaluation
3.5.2 Perspectives
Entrevistado 1 - E1
Constata-se que o entrevistado buscava uma carreira cientista, mas que fosse
ao mesmo tempo muito ligada à praticidade, sem tarefas rotineiras. Pode-se
estabelecer um paralelo entre o que ele busca profissionalmente como cientista e
com o que ele provavelmente lia e assistia das aventuras de Jaques Cousteau na
infância. Outro ponto importante para ele é o lado comercial e aplicável das
pesquisas. No entanto, o que ele encontra na realidade da faculdade e do ambiente
de trabalho é completamente diverso, causando-lhe frustração e a necessidade de
direcionar a sua grande carga de energia para uma outra direção:
“... mas eu gostava de ler sobre essas coisas, sobre ciências e eu já imaginava que queria ser cientista. E quero ser cientista na área de Biologia, e quero ser cientista na área de biologia dentro da floresta, não quero ficar em laboratório”.
e
“Mas aí eu vi que pesquisa não era pra mim e daí desisti. Eu fui um cara que sempre gostei da área de pesquisa, mas sempre que quisesse ser prática, muitas vezes não dava tempo de fazer pesquisa pura... bem, até dava, mas não era assim a minha vocação. Então na área de Oceanografia Biológica, na área de crustáceos, eu achei que podia fazer fazendas e tal... […] daí fui entendendo que a formação acadêmica no Brasil está muito ligada na ideologia e muito menos que prática em relação ao um plano sustentável. Então tive um choque ideológico”.
e
“Sempre tive este espírito do novo, que pra mim era a pesquisa, que era a fronteira do conhecimento. Eu queria estar nesta fronteira. Como não deu certo, este caminho eu passei pro outro lado”
.
A carreira notável do pai, junto ao bom conforto financeiro que ele pôde
oferecer a família, serviu de inspiração para o entrevistado que desde então não se
contenta com o retorno financeiro oferecido pela sua carreira técnica escolhida.
E1 relata que era uma pessoa tímida e de muita introspecção. Mesmo sendo
uma pessoa muito crítica, de conhecimentos adquiridos através de muita leitura, ele
não externaliza suas opiniões tanto quanto gostaria. No seu desenvolvimento
escolar/profissional, tanto na faculdade quanto no trabalho, não se observa um
melhoramento desta característica. A auto-afirmação que tanto necessita apenas è
encontrada com a abertura e conseqüente relativo sucesso de seu negócio próprio,
quando as pessoas ao seu redor podem observar o que e como ele trabalha e quais
são os resultados concretos obtidos por ele. Desta vez finalmente se trata de um
ambiente em que ele pode dar toda a opinião que pensa necessária, a qual será
sempre altamente considerada por se tratar do proprietário:
“Então quando você começa a vender o seu produto, você começa a expor com muita facilidade. Isso estava em mim já, mas você rompe e pega o telefone e começa a ligar para as pessoas, isso você vai adquirindo confiança. [...] Comecei a realmente a ter mais valor quando o negócio começou a dar mais certo, comecei a sentir mais confiante, mais a vontade de dar minha opinião. Um ponto importante pelo qual se entra nesse negócio é por reconhecimento... o trabalho melhorou muito minha auto-estima”.
Com seu pragmatismo em pesquisa ele busca não apenas dinheiro, mas
também respeito e segurança:
“Eu fui um cara que sempre gostei da área de pesquisa, mas sempre que quisesse ser prática [...] Porque dinheiro entrou sim, vou ganhar dinheiro, mais segurança, respeitabilidade, essas coisas que te dá. Eu não ganhei dinheiro para ter isso, mas é algo que você conseguiu”.
Estes aspectos que não são encontrados na carreira atual de pesquisador
acabam por incentivar a busca de E1 por oportunidades de negócio ao seu redor
que possam trazer-lhe tais características. É importante lembrar que em seu
histórico já havia pensado anteriormente em uma iniciativa empreendedora, a
abertura de uma fazenda de crustáceos. Há, portanto, uma motivação advinda do
desencaixe entre sua realidade de carreira e seus interesses, que acaba
incentivando-o a reconsiderar antigas idéias e modos de mudar de “rumo”.
Fruto da educação dos pais e de suas leituras, ele apresenta uma
consolidada ética e valor para o que ele chama de “contrato social”, das regras não
tácitas que regem as relações interpessoais. Esta característica o motiva ao
empreendedorismo quando ele se dá conta que estes valores são constantemente
ignorados em um ambiente tradicional de trabalho, pois as pessoas colocam a
progressão de careira acima de tudo. Esta percepção do entrevistado nasce tanto de
sua própria experiência de trabalho no Instituto, quanto da observação da carreira do
pai, que sofreu de muito estresse no final de sua carreira.
Entrevistado 2 - E2
O fato de provir de uma família muito pobre leva E2 à busca constante de
emprego para que possa prover a sua subsistência. Deste modo, aliado a muita
energia e disposição de realizar seus objetivos, ele se encontra em uma vida
profissional muito ativa e diante de uma carreira promissora no centro de pesquisa
de uma grande Multinacional:
“Eu sempre busquei trabalhar. Eu tocava em um clube, estudava, eu fui pra São Paulo, eu queria fazer um estágio - fui pra Petrobras, antes de ir pra São Paulo. Então você vai mudando por causa da necessidade financeira. Essa é a pura verdade. Você tem aquela necessidade de ter dinheiro pra poder fazer as coisas que precisa...”
Nesta empresa Multinacional ele encontra um ambiente de trabalho muito
compatível com seus interesses e características:
“Era isso o que me segurou lá 13 anos, não ser rotina. Era cada dia, assim, nós tínhamos fábrica do Rio Grande do Sul até Recife, passando pela Bahia. Então eram coisas completamente diferentes. Era o que me apaixonava, projetos diferentes, idéias novas. […] Tinha desafios homéricos que a gente queria resolver. Então era o que me segurou lá.”
Paralelamente ele também trabalha como professor, o que lhe serve como
uma válvula de escape, dissipando estresse e satisfazendo outros interesses de E2,
como por debates e criação do novo. Ele está tão satisfeito com a sua carreira de
professor e de pesquisador na Multinacional que nunca cogita a idéia de
empreender. Esta situação perdura até quando na Rhodia começam a ocorrer
grandes mudanças organizacionais: o centro de pesquisa já não é o mesmo e
aquelas características que ele tanto prezava, como novos projetos, trabalhos
desafiadores, autonomia e leque de aplicabilidade, já não existem. Já com 40 anos,
ele começa a olhar seu passado e verifica que se futuro já não é mais ali. Ele já não
se identifica com o trabalho, pesam também questões éticas como o ambiente
agressivo de trabalho e de seus colegas, competições internas. Com sua
transferência para a área específica de produtos de Silicone, ele já não trabalha
mais com a parte analítica que tanto gostava. Fica claro que ele deve procurar outro
caminho profissional, mas apenas irá entender qual quando observa diante de si a
oportunidade de criar um laboratório em outra empresa:
“O estopim foi que diminuiu muito a parte analítica, que era o meu conhecimento, minha paixão, e fui para uma parte gerencial, que é um outro ritmo de trabalho, é um negócio muito lento... Tem uma inércia muito grande da sua decisão até a modificação para aquilo começar a acontecer. Então para uma pessoa que está apta, que tem mil idéias, você não consegue tocar em uma produção porque... Não adianta você ter mil idéias, é um reator, é aquilo lá, é aquele produto, é aquilo lá e acabou; no máximo cinco, seis produtos você consegue fazer. Toda a expansão leva cinco anos para você convencer, era francesa (a empresa), tinha que convencer a França, tinha que convencer não sei quem; e passa por um, passa por outro, e lá é um negócio tão... o desgaste de gestão é mais político, para convencer as pessoas a investirem, do que para fazer o investimento acontecer rapidamente.”
A sua transição de carreira não é, portanto, baseada no retorno financeiro,
mas sim na sua própria satisfação profissional, na necessidade de novamente
encontrar um trabalho que cumpra com os seus interesses, valores e expectativas. É
uma questão de realização e desmotivação com a carreira anterior:
“Aí veio a evolução. Todo dinheiro que entrava eu investia dentro, investia dentro aumentando a capacidade para poder pegar mais. […] Nunca foi pensando em dinheiro. Primeiro porque eu ganhava muito bem na Rhodia, não precisava ter saído. Poderia estar lá até hoje, estar me aposentando, tinha seguridade, tinha tudo.”
Entrevistado 3 - E3
A principal motivação do entrevistado para optar por uma carreira
empreendedora é a identificação de seus valores e interesses com a carreira. Não
se trata de uma pressão externa que o compele a esta opção, como uma mudança
drástica do ambiente (E2) ou a frustração com algum outro caminho profissional
escolhido anteriormente (E1); mas sim de uma lenta e gradual identificação, que
começa com o seu primeiro trabalho em uma pequena empresa:
“Eu gostava muito de ver o Samuel (empreendedor, dono da empresa), o jeito com que ele lidava com as coisas e o jeito em que eu poderia ajudar a empresa a crescer. Eu comecei a ver a oportunidade: aqui eu posso criar. É diferente de você entrar num local e ser mero coadjuvante. E pra mim isso é muito claro. Quando me dão á oportunidade de criar é o que eu preciso”.
No seu trabalho ele encontra um ambiente de características muito
empreendedoras. Por se tratar exatamente de uma empresa pequena, ele tem muito
contato com os sócios, o que lhe permite a possibilidade de aprender através do
exemplo de Samuel (um dos donos da empresa) como é um “verdadeiro
empreendedor”. Os donos da empresa, em contrapartida, lhe oferecem muita
autonomia, espaço para sua criatividade e vontade de criar, muita atenção para E3:
“Talvez lá (em uma empresa grande) as oportunidades sejam poucas e você vai ter gente boa pra pegar essas oportunidades. Aqui (empresa pequena) você tem mais oportunidades, porque sempre tem coisa nova, sempre. Todo dia tem coisa nova. A gente testa aqui tudo, desde absorvente higiênico à cerveja, por exemplo.”
Neste ambiente, ele não é apenas um coadjuvante como poderia ser em uma
grande empresa, mas alguém que pode mostrar que é capaz. Provar sua
capacidade e a constante busca por desafios que o mantenham motivado são uma
das suas principais motivações com a carreira; características que encontra como
empreendedor:
“Eu poderia ficar um ano parado e ía ficar pensando, planejando um negócio novo. Porque aí iria correr atrás de desafios, correr atrás de crédito... E também o desafio de reinventar, de buscar gente boa pra nossa idéia, convencer as pessoas.. […] Um objetivo de você alcançar uma lucratividade maior é você conquistar um novo cliente grande. É como marcar um gol, enfim, a sensação de vitória é grande. […] Então tem a recompra. Você sabe que ano que vem esse cara pode voltar pra comprar com você. […] Você tem que identificar novos desafios.”
e
“A cabeça de funcionário e a cabeça de dono são diferentes. A realidade é a seguinte: o funcionário está trabalhando pra realizar o sonho da pessoa que construiu e não você construir seu próprio sonho. Na minha cabeça é isso.”
Vale lembrar que ele tem uma origem muito humilde. No entanto, dinheiro não
é seu objetivo final com o trabalho, mas sim sua satisfação. Não se fala de dinheiro
por ganância ou luxo, mas suficiente para criar em um futuro uma “liberdade
financeira” e poder empenhar-se em outras atividades na vida, além do trabalho:
“Eu sempre tive o sonho de ser livre, independente financeiramente em termos de fazer o que... De ter o dinheiro trabalhando pra mim e não vice versa. Esse é um ponto de se identificar e talvez possa ser identificado melhor depois que eu virei empreendedor, porque aí muda o foco, você muda o foco de empregado que é o lance do cara que trabalha como escravo do dinheiro para valer outro que é o dinheiro trabalhar pra você, de alguma forma. Tanto que eu tenho até um plano de saída aqui na minha cabeça, que está claro assim num modo geral, que aos 35 anos eu quero ter a opção de dizer assim ‘hoje eu paro ou não?’ ”.
“Não é o dinheiro que me move. Eu não sou hipócrita: o dinheiro, ele paga as minhas contas, mas não é o que me move. Porque você precisa ter, criar, uma coisa nova que alguém não pensou em fazer.”
Considerando-se as experiências relevantes às Motivações dos três
entrevistados, o quadro a seguir resume a análise da categoria:
Quadro 21- Resumo das Experiências Relevantes às Motivações de Empreender.
Experiências Descrição E?
Pressão Externa do
Ambiente
Frustração com a carreira inicial escolhida e empreendedorismo como
alternativa aceitável
Carreira diferente daquilo que ele esperava inicialmente e pré-existência de idéia empreendedora como algo viável (fazenda
de crustáceos)
E1
Mudança do ambiente profissional
O seu ambiente de trabalho muda drasticamente, perdendo as características
anteriores que lhe agradavam E2
Satisfação gradual com carreira inicial e acidental Encontro de Interesses e valores em um ambiente empreendedor
Acidentalmente começa trabalho em uma pequena empresa de ambiente muito empreendedor. Identifica-se gradualmente
com a carreira, desenvolvendo planos futuros na área.
E3
Não se identifica com carreira tradicional
Através do exemplo de amigos, percebe que em uma empresa grande não terá as
características que lhe agradam. E3
Padrão Financeiro
Busca manter o bom padrão anterior
Observa na criação de um negócio a oportunidade de ter um padrão financeiro a
altura de suas expectativas, além do reconhecimento.
E1
Busca compensar a falta
de dinheiro anteriormente Busca o dinheiro como forma principalmente de reconhecimento. E2 E3
Pesos emotivos e de
valores
Forte valor para ética e honestidade
Não encontra tais valores em uma carreira tradicional. Acredita que sendo o chefe não
haverá tais problemas.
E1 E2 Melhorar auto-estima, auto-
afirmação
Necessidade de mostrar que é capaz de realizar o que se predispõem a fazer, de dar
sua opinião e se sentir importante.
E1 E3 Busca satisfação
profissional
Não é uma motivação financeira, mas busca um rumo compatível com seus interesses e