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Permutations séparables et excursion brownienne [13]

A nível dos investigadores, vários são os que ao longo do tempo têm vindo a reconhecer que o manual escolar desempenha diversas funções no processo de ensino e aprendizagem (Morgado, 2004; Magalhães, 2006; Santo, 2006). Por um lado serve de estruturação do ensino, sendo utilizado como referência para os professores elaborarem as suas planificações e conduzirem as suas aulas (Richaudeau, 1979; Chopin, 1992; Zabalza, 1994; Parcerisa, 1999). Por outro lado, os manuais escolares são um guia de estudo para os alunos, permitindo a organização da aprendizagem, através das várias tarefas que oferece ao serviço da transmissão de conhecimentos, desenvolvimento de capacidades e competências e consolidação de aquisição de conhecimentos (Richaudeau, 1979; Chopin, 1982).

Ao apoiarem-se intensamente nos manuais escolares, os professores deparam-se com uma seleção de conteúdos e de exercícios, sentindo-se, portanto, seguros (Alves & Carvalho, 2007) para desenvolverem os tópicos programáticos.

Assim, e segundo Duarte (1999), a utilização acentuada do manual escolar na sala de aula leva a que este seja uma fonte de referência importante para o ensino, pelo que os

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professores devem ser mediadores atentos quanto à utilização do manual escolar como fonte de ensino e de aprendizagem.

No ensino das ciências, o manual escolar continua, também, a ser muito utilizado, segundo Carneiro et al (2005) é com base neste recurso pedagógico que parte dos professores desenvolvem o seu trabalho na sala de aula.

Vários são os estudos, realizados em Portugal, que confirmam as funções que vêm sendo atribuídas aos manuais escolares de ciências.

Cachapuz et al (1989) efetuou um estudo envolvendo 521 professores de todo o continente, onde pretendeu averiguar os recursos utilizados no ensino de ciências físico- químicas. De entre todos os recursos disponíveis, grande parte dos professores respondentes mencionaram que utilizam os manuais com maior frequência no ensino aprendizagem e que também recorrem a eles para a preparação das aulas.

Num estudo semelhante, Brigas (1997), recorrendo a 82 professores de física e química, chegou a resultados semelhantes aos obtidos por Cachapuz et al (1989), pois, o estudo permitiu concluir que a maioria dos professores utiliza o manual escolar na sala de aula e que este recurso é frequentemente utilizado na preparação das atividades letivas.

No sentido de analisar os manuais escolares de ciências da natureza disponíveis no mercado nacional, Duarte (1999) realizou um estudo envolvendo oito manuais, sendo quatro do 5º ano e quatro do 6º ano de escolaridade. Concluiu que os diferentes manuais apresentam uma grande diversidade metodológica e que constituem uma fonte muito importante para o ensino, o que pressupõe um acréscimo de responsabilidades aos professores no momento da sua escolha. Segundo esta autora, os professores deveriam ser detentores de formação que lhes permitisse usar critérios mais rigorosos na seleção dos manuais e na forma de utilização desse recurso com os alunos.

Afonso (2000) desenvolveu um estudo envolvendo sessenta e sete professores de física e química de todo o país, com experiência na lecionação das disciplinas de ciências físico- químicas e técnicas laboratoriais de química, em que um dos objetivos era indagar a origem dos protocolos utilizados pelos professores nas aulas. Os resultados mostraram que, quase metade dos professores em estudo utiliza os protocolos das AL retirados do manual escolar.

Leite & Dourado (2005), baseados em estudos no 2º ciclo do ensino básico, envolvendo oitenta professores de ciências da natureza, referem que a maior parte das AL que os

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professores utilizam nas suas aulas são retiradas do manual escolar, normalmente, sem introduzir alterações. Esta ideia está também patente em estudos realizados no 3º ciclo por Dourado & Leite (2006).

Assim, e uma vez que os professores utilizam maioritariamente os manuais escolares para os apoiar no desenvolvimento do currículo, estabelece-se uma relação estreita entre o manual escolar de ciências e o processo de ensino e aprendizagem (Figueiroa, 2001).

Contudo, nem sempre o manual escolar veicula uma liberdade de interpretação, pois segundo Torres (1998) os manuais escolares apresentam as Ciências como um processo acabado, raramente refletem a construção e a evolução do conhecimento científico. Este facto, não permite que os alunos desenvolvam atitudes críticas face às Ciências, aceitando, assim, os conteúdos como verdades absolutas.

Neste contexto, e pela importância que os manuais escolares assumem no ensino e na aprendizagem, os investigadores em educação em ciências alertam para a necessidade de os manuais escolares serem elaborados cuidadosamente, de forma a contemplarem as exigências do processo educativo e a promoverem a evolução concetual dos alunos, (Figueiroa, 2001).

Em Portugal, a elaboração de manuais escolares, por parte das editoras, resulta das interpretações que os autores fazem dos programas, definidos a nível do poder político, pelo que surgem por vezes desfasamentos entre as orientações curriculares e as abordagens apresentadas pelos manuais escolares (Parcerisa,1999)

Alguns estudos realizados com manuais escolares de ciências evidenciam a existência de abordagens menos bem conseguidas.

Numa investigação efetuada por Leite & Afonso (2000), com o propósito de analisar ilustrações referentes ao som e audição, incluídas em manuais escolares de física do 8º ano de escolaridade, verificou-se que nem todas as ilustrações facilitam a aprendizagem; algumas imagens aparecem incompletas e até erradas; e outras contribuem para o reforço de conceções alternativas dos alunos.

A propósito de conceções alternativas, Osório (2007) efetuou uma investigação onde analisou manuais escolares de ciências naturais do 9º ano de escolaridade no tema fertilidade humana e seu controlo. Os resultados mostraram que nos diferentes manuais analisados surgem possibilidades do reforço de conceções alternativas, nomeadamente em ilustrações. A

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título de exemplo refira-se que algumas ilustrações reforçam ideias como: o 1º dia do mês coincide com o início do ciclo sexual feminino; a ovulação ocorre durante a menstruação; a menstruação coincide com o período fértil.

Semper, F. (2011) efetuou um estudo com o objetivo de analisar conteúdos, imagens e atividades no âmbito do tema sexualidade humana e crescimento que pudessem ser indutoras de conceções alternativas nos alunos, tendo recorrido a três manuais escolares de 6º ano de escolaridade. Os resultados evidenciaram a existência de erros científicos nos manuais escolares analisados, tanto a nível de imagens como a nível dos conteúdos. Ora, neste tema em estudo, ideias cientificamente erradas associadas por exemplo ao ciclo menstrual ou ao período fértil podem ter graves consequências em termos de vida pessoal dos alunos.

Num estudo semelhante, realizado por Fontes (2011) com a finalidade de averiguar a qualidade pedagógica das ilustrações inseridas nos manuais escolares de 12º ano de escolaridade, no subtema morfofisiologia dos sistemas reprodutores masculino e feminino. Os resultados deste estudo permitiram concluir que apesar de os manuais escolares incluírem ilustrações que parecem facilitar a aprendizagem, também inserem outras que podem induzir ou reforçar conceções alternativas, constituindo, assim, obstáculos à aprendizagem.

No entanto, e apesar de os manuais poderem não ser obras perfeitas (Leite,2006), as abordagens menos conseguidas podem constituir um ótimo ponto de partida para as atividades da sala de aula, desde que o professor assuma uma postura crítica e responsável, de forma a tirar partido dessas anomalias através da discussão promovida com os alunos (Carneiro et al, 2005).

Em suma, apesar de alguns constrangimentos veiculados por alguns autores, parece que todos reconhecem a importância do manual escolar no processo de ensino e aprendizagem, funcionando como um regulador do ensino e do trabalho do professor (Morgado, 2004). Campanario (2003) afirma mesmo que a eliminação dos manuais escolares seria mais prejudicial do que benéfica, pois os professores, sobretudo os menos experientes, teriam dificuldade em organizar o ensino, e os alunos teriam menos facilidade em organizar a aprendizagem.

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