Using OpenOffice Applications
4.3 Using OpenOffice.org Calc
4.3.2 Performing Basic Spreadsheet Tasks
As prisões constituem lugares de excelência para as populações excluídas
serem alvo de intervenções de modelagem estruturantes, que permitam aos indivíduos a reinserção na sociedade. Nesta lógica, o Ministério da Justiça através da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais,
Na vertente da empregabilidade e capacitação de competências profissionais, o Apoio à Reintegração Social dos Reclusos consubstancia-se através da colaboração na preparação da liberdade condicional, da interação com redes de apoio social e associações que prosseguem objetivos de reinserção social e da implementação de programas de apoio a reclusos com necessidades específicas para preparação da saída (…) (Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, 2016).
Os obstáculos que impedem claramente um efetivo processo de reinserção social prendem-se com os obstáculos impostos pela própria sociedade quando mantém sentimentos de desconfiança face aos ex-reclusos e as atitudes negativas e de segregação destes indivíduos, pois continuam a ser vistos como um grupo social à margem (Silva, 2012). Apesar da aquisição de novas práticas e conhecimentos no contexto prisional, os indivíduos que passam por ele reestruturam a sua identidade pessoal mas não na totalidade, uma vez que a sua trajetória fica marcada e registada no cadastro criminal. Tal como refere Silva (2012:99), “os condenados cumprem a sua pena e depois saem sem grandes perspetivas. Saem com cadastro criminal, sem um currículo apresentável, sem qualificações pessoais e profissionais”. Sem dúvida que o referido trará repercussões na procura e obtenção de um emprego que permita suprir as necessidades que o exterior impõe (Silva, 2012).
Na linha do referido, a reinserção de um recluso vai sendo preparada dentro da prisão e, neste sentido, aquando da sua liberdade o recluso deve estar ciente que não pode regressar ao mundo criminoso. Assim, esta categoria pretende analisar as
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expetativas futuras de reinserção na sociedade dos reclusos adultos e reclusos idosos, os sonhos e objetivos e a idade cronológica como condicionante da reinserção social desta população.
Para os reclusos adultos, a reinserção na sociedade será difícil, uma vez que existem rótulos perante a situação de ex-reclusos. A obtenção de um emprego é referenciada como um dos aspetos mais importantes no processo de reinserção, mas será normalmente um processo moroso.
“(…) acho que nunca me vou reintegrar na sociedade” (R.A.).
“Mais uma vez, a recomeçar do zero, ou do zero nunca recomeço, porque tenho alguma coisa para recomeçar, não é? Mas, mais uma vez, é recomeçar e deitar tudo para trás das costas e esquecer o mau bocado que passei” (R.A.).
“ (…) a adaptação até pode ser complicada, mas complicado … ah, estranho … rua … posso estar deslumbrado … hey muita coisa mudou. São três anos. Pah, muita coisa mudou. Faziam obras, abriam um café novo, loja … isto acredito que esteja muito diferente” (R.A.).
“O recluso J referiu que “no exterior fecham-se muitas portas” e que sofrem exclusão por parte da sociedade por serem ex-reclusos (nota de terreno)” (NT).
“Ao longo do diálogo estabelecido em torno da temática da contingência, um dos reclusos comentou o facto da reinserção social, da reincidência e da estigmatização. “Quando sairmos daqui somos esquecidos na sociedade. Temos de voltar para o crime. Lá fora somos rotulados”. No decurso do cumprimento de pena de prisão, os reclusos são acompanhados por um técnico da D.G.R.S.P. e após a sua liberdade são encaminhados para uma técnica do Instituto de Segurança Social da sua área de residência. Este recluso considera que este acompanhamento não é eficaz, pois quando saem não têm um trabalho e uma casa. Por vezes, os reclusos interpretam erradamente o acompanhamento que lhes é ativado pois, não é somente da responsabilidade desse técnico encontrar um emprego e proporcionar melhores condições de vida após o retorno à sociedade. Quando o recluso partilhou este pensamento, outro recluso ripostou, “nós estamos mal habituados, não temos que pedir esmolas! Quem nos rotula somos nós!” (NT).
“Durante a realização da dinâmica foi visível o descontentamento dos participantes em relação à questão da reinserção social. Para uns “a reinserção é uma fachada, muitos saem daqui e não têm apoio”, para outros “o mal é que vamos pelo caminho mais fácil e às vezes não é o trabalho, o que não falta é trabalho, as pessoas querem é emprego”, “eu quando saí em 2009 passado uma semana estava a trabalhar”. Além disso foi comentado por um recluso que “toda
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a gente vive direta ou indiretamente do crime” e por essa razão a reinserção é difícil por não escolherem o melhor caminho a seguir” (NT).
Entre os reclusos idosos existe o sentimento de que a reinserção social não existe: “ (…) a perceção que eu tenho disto é que não há reinserção social, nenhuma e como não há reinserção as pessoas são postas em liberdade. São atiradas às feras e pá, portaste-te mal, vens cá para dentro”. É importante referir que apenas um recluso idoso partilhou a sua opinião quanto às expetativas futuras de reinserção social.
Relativamente aos objetivos e sonhos dos reclusos adultos, eles prendem-se com a obtenção de emprego para garantir a sua sustentabilidade económica, construir uma família e viajar.
“Sim, principalmente constituir família. Constituir uma família, que é o meu maior sonho. Só que antes não pensei nisso porque não tinha possibilidades para ter uma namorada, casar e ter um … filhos, para depois tar a dar trabalho”.
“ Gostava de ter um bar mesmo meu, só meu. (…) É. Eu tenho, mas está fechado, e tenciono reabri-lo e pôr aquilo a trabalhar”.
“Tenho sonhos, senhora doutora … é ter um filho com a minha mulher. (…) Arranjar um trabalho em condições para sustentar a minha casa, senhora doutora, e não faltar nada no dia-a-dia, mais nada”.
“Quero viajar para alguns países. Conhecer alguns países como a Holanda, Austrália, China, Ásia, Brasil (...). O que eu quero? Quero levar a minha irmã mais nova à Disneyland. Vou levar para o ano, 2017 a Paris. Quero-me formar. Tenho alguns sobrinhos … tenho alguns sonos. Não digo que cumpra todos mas …”.
“Olhe, digo-lhe com toda a sinceridade: apesar de ser quem sou, tenho a idade que tenho, o
meu objetivo é chegar lá fora e trabalhar outra vez, arranjar trabalho”.
Para os reclusos idosos, os principais objetivos e sonhos a concretizar após a reclusão estão relacionados com a criação do próprio emprego, ser feliz, estar bem em termos de saúde, cumprir as promessas religiosas e garantir a estabilidade profissional dos filhos.
“ (…) quero montar um centro de exames de condução e, depois, vou fazer um edifício. Vou fazer um hotel com restaurante, dancetaria, armazenzinhos e … e … que mais? Esquece-me uma
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quê? Como se chama aquilo? Aquilo que fica muito grande, com mil e quinhentos metros, seis pisos. Estou a pensar fazer seis pisos com mil e quinhentos metros cada um … para um lar de idosos também”.
“ Tenho. Tenho sonhos por cumprir e julgo eu os vou realizar. Um deles, pronto … a minha atividade … atividade que eu vou sempre manter e há dois sonhos que eu sempre desejei e que já há muito eu não fazia e eu quero abrir um restaurante (…) na zona da Foz. Tinha outra ideia, também, porque eu tenho um contacto de um amigo meu que está em Itália (…) ele é diretor de uma empresa de café (…) e ele tinha-me falado que essa marca não está em Portugal e, então, falou que, quando eu quisesse para ir lá e tal … para trocarmos impressões para lançar essa marca de café em Portugal”.
“Neste momento é ser feliz … é ser feliz e viver o dia-a-dia com saúde e à beira dos meus familiares”.
“ (…) tenho um sonho por cumprir que ainda não cumpri ainda. (…) Tenho que ir a Fátima a pé que não fui. É uma promessa que eu tenho”.
“Ainda tenho. Ainda tenho este, que nunca pensei que chegava a esta altura e ia para a prisão, para não poder cumprir o sonho de pôr as minhas filhas, os meus filhos, digamos com estabilidade de trabalho. Não quero mais nada”.
“ (…) é a questão da quinta, porque essa, também, é uma quinta boa que tem duas casas, tem uma área muito boa. Tem uma cultura de vinho e azeite muito, muito boa e vou ver se é possível fazer lá alguma coisa”.
Apesar dos esforços em aumentarem as competências escolares e profissionais no contexto prisional, a idade cronológica é uma condicionante da reinserção, na medida em que a idade avançada dificulta a obtenção de emprego. Assim, se um dos objetivos após a reclusão é obter um emprego, isso pode no entanto ser inalcançável.
“Já é um bocado tarde. Nunca é tarde, não é? Quarenta e três já é uma idade avançada para recomeçar alguma coisa, mas nunca é tarde.
E – imagine que não tinha emprego neste momento, já tem trinta e sete anos. Acha que a sua
reinserção ia ser mais difícil?
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