Para estimar as saídas para o ar, água e solo resultantes das aplicações de insumos, bem como da queima de combustíveis fósseis, diferentes modelos e fatores de emissão foram utilizados pelos estudos da literatura, como pode ser observado de forma resumida no Quadro 4.
O quadro mostra que, quanto às emissões dos fertilizantes, Berg e Lindholm (2005) calcularam a infiltração de nitrogênio para a água subterrânea após a aplicação do fertilizante com base em um documento em sueco referente à ciclagem dos nutrientes em uma floresta.
Quanto à modelagem das emissões pela queima dos combustíveis nas operações, esses autores se basearam em um documento também em sueco que trata das emissões de motores de tratores agrícolas e equipamentos florestais, publicado pela Universidade Sueca de Ciências Agrícolas. Outro documento mais recente, de 2001, foi também utilizado nesta etapa do cálculo, contudo também se depara com a barreira linguística. Para as emissões pelo óleo lubrificante utilizado no equipamento de corte, os autores se basearam na tese de Athanassiadis (2000),
que trata do consumo de recursos e emissões causadas pelo equipamento de corte em uma perspectiva de ciclo de vida.
Fertilizante Pesticida Combustão do equipamento florestal Berg e Lindholm (2005) Referência em sueco Desconsiderada a entrada e saída por
falta de dados de produção e transporte Duas referências em sueco Dias e Arroja (2012) Fatores de emissão de Audsley et al. (1997) para P e de IPCC (2006) para N Entrada e saída de pesticidas não mencionadas Poucas emissões estimadas a partir de EEA (2009) González-García et al. (2012a) Fatores de emissões nitrogenadas de Audsley et al. (1997), Brentrup et al. (2000) e EMEP/CORINAIR (2006) Desconsideram as emissões por desconhecimento das
frações que atingem os diferentes compartimentos Nemecek e Kagi (2007) González-García et al. (2012b) Fatores de emissões nitrogenadas de Audsley et al. (1997), Brentrup et al. (2000) e EMEP/CORINAIR (2006)
Estimou emissão para ar, água e solo com
base em Hauschild (2000) Nemecek e Kagi (2007) England et al. (2013) Fatores de emissão de IPCC (2006) para emissões nitrogenadas
Emissões para a água negligenciáveis devido ao alto controle Poucas emissões estimadas a partir de DCC (2009) González-García et al. (2013)
Considerado que não há mudanças na disponibilidade de nutrientes Entrada e saída de pesticidas não mencionadas Nemecek e Kagi (2007) Silva et al. (2013)
Fatores para emissões nitrogenadas de OSB/WSTB (2000) e fosfatadas de Shigaki
(2006)
Emissões para água, ar e solo calculadas por meio de PestLCI 1.1.15 (software)
Aproveitadas dos processos da base de
dados do software GaBi
Quadro 4 – Referências utilizadas pelos estudos analisadas para o cálculo das emissões. Fonte: Autor (2016).
Berg e Lindholm (2005) desconsideram a entrada e saída de pesticidas por falta de dados da produção e transporte.
Dias e Arroja (2012), com relação às emissões resultantes da adição de fertilizantes, se basearam no fator de emissão de 0,024 kg de fosfato para a água
por kg de fósforo adicionado (AUDSLEY et al., 1997). Esta publicação consiste em um guia criado para a harmonização da prática da ACV no contexto da agricultura europeia. Para as emissões nitrogenadas como N2O e NH3 para a atmosfera e NO3 para a água, os autores utilizaram os fatores de emissão de IPCC (2006), sendo de 0,01 para N2O, 0,1 para NH3 e 0,3 para NO3.
Quanto às emissões da combustão dos combustíveis de CO2, CH4, N2O, SO2, CO, NH3, NOx, foram calculadas pelos fatores de emissão de EEA (2009), que consiste em um guia para inventários de emissão de poluentes atmosféricos da Agência Ambiental Europeia, publicado em Copenhagen, em 2009.
Não foi citada em Dias e Arroja (2012) a entrada de pesticidas no sistema de produção de eucalipto em Portugal e consequentemente também não foram estimadas as suas emissões.
González-García et al. (2012a) calcularam as emissões nitrogenadas difusas resultantes da adição dos fertilizantes com base nos fatores de emissão de Audsley et al. (1997), Brentrup et al. (2000) e Emep/Corinair (2006). Brentrup et al. (2000) descrevem métodos selecionados em uma revisão de literatura para estimar emissões de nitrogênio no campo a partir da produção de culturas agrícolas para estudos de ACV. A referência Emep/Corinair (2006), que consiste em um guia para preparação de inventários nacionais de emissões atmosféricas na Europa, foi também usada no cálculo envolvido das emissões nitrogenadas.
As emissões causadas pela queima do diesel usado no equipamento florestal se basearam em Nemecek e Kagi (2007), que documenta a construção de Inventários do Ciclo de Vida de sistemas de produção agrícola na Suíça e em outros países europeus.
Gonzalez-García et al. (2012a), ainda, desconsideraram as emissões de pesticidas para os compartimentos ambientais em função do desconhecimento das frações que atingem esses compartimentos.
Em González-García et al. (2012b), as fontes utilizadas para os cálculos de emissão foram semelhantes às de González-García et al. (2012a), com exceção das emissões de herbicidas, que foram calculadas de maneira diferente, considerando a emissão pelo vento, evaporação, escoamento para água superficial e lixiviação para a água subterrânea, com base no livro de Hauschild (2000), que trata especificamente das emissões de pesticidas para produtos agrícolas em ACV.
González-García et al. (2013), assim como González-García et al. (2012a,b) estimaram as emissões da combustão em equipamentos florestais com base em Nemecek e Kagi (2007). E quanto às outras emissões, os autores consideraram que não ocorre mudança na disponibilidade de nutriente no solo e na água. Os autores não mencionaram entradas e saídas de pesticidas na produção de Abeto de Douglas na Alemanha.
England et al. (2013) se basearam em DDC (2009) para a realização do cálculo das emissões da queima dos combustíveis fósseis durante o manejo da floresta plantada. Este documento consiste em um Guia Técnico para a Estimativa da Emissão de GEE pelas Instalações da Austrália e apresenta fatores de emissão desenvolvidos para o país, para diferentes combustíveis e diferentes atividades.
Os autores citam uma pequena emissão e absorção de metano que ocorre no solo florestal considerando este balanço neutro. As emissões de N2O resultantes do processo natural que ocorre nos solos são denominadas nitrificação e desnitrificação, as quais também foram desconsideradas. Outra emissão considerada negligenciável e, portanto, desconsiderada foi a deriva para a atmosfera resultante da aplicação dos pesticidas.
Para as emissões resultantes da adição dos fertilizantes, os autores se basearam em estudos específicos da Austrália e de outros países e assumiram que: 13% do fertilizante nitrogenado aplicado nas florestas e remanescente da volatilização lixiviam para a água subterrânea como nitrato e 2% como amônio; 30% do potássio aplicado é emitido para a água subterrânea e 40% do enxofre também. A emissão resultante da aplicação de potássio foi desconsiderada.
England et al. (2013) ainda afirmaram em seu estudo que as emissões resultantes dos pesticidas para a água são mínimas e por isso assumidas como sendo negligenciáveis. De acordo com os autores, os mecanismos de controle são rigorosos e por isso essas emissões são baixas.
Silva et al. (2013) basearam os cálculos das emissões para o ar e a água por fertilizantes à base de ureia e sulfato de amônio em um documento que descreve a problemática da poluição por fertilizantes nas regiões costeiras dos Estados Unidos (OSB/WSTB, 2000). Este documento determina que 15% do nitrogênio adicionado volatilizam como amônia, 2% do nitrogênio são emitidos para a atmosfera como N2O e 20% do nitrogênio adicionado escoam superficialmente e lixiviam para a água subterrânea.
Para as emissões a partir do superfosfato simples (SSP), os autores utilizaram a tese de Shigaki (2006), que estudou o transporte de fósforo na enxurrada em função do tipo de fonte de fósforo e intensidade das chuvas em bacias hidrográficas dos Estados Unidos. Esta referência sugere que 10% do SSP são emitidos para a água superficial.
Para as emissões resultantes da aplicação do herbicida Glifosato no solo, o mesmo autor utilizou o software PestLCI versão 1.1.15. Sabe-se que o ecoinvent considera que 100% dos pesticidas aplicados vão para o solo, com isso, os efeitos causados sobre este compartimento ambiental são superestimados, já que se ignora, por exemplo, a parte das substâncias depositada na planta (Birkved, 2006). Logo, o Pest LCI minimiza esses problemas, já que considera o fracionamento das emissões para diferentes compartimentos ambientais.
Com relação às emissões de GEE, os autores utilizaram processos disponíveis na base de dados PE Internacional, utilizada no software de ACV Gabi.
Assim, foi observado que diferentes formas de estimar as emissões resultantes da adição de fertilizantes são utilizadas, contudo, todas elas são feitas com base em fatores de emissão, os quais determinam uma porcentagem do fertilizante de entrada que é emitida para os diferentes compartimentos ambientais que são determinados para o contexto europeu não se adequando necessariamente às condições brasileiras, bastante diferenciadas, com exceção de Silva et al. (2013), que utilizam referências para os EUA e England et al. (2013) para a Austrália. Alguns dos autores, ainda, não contabilizam essas emissões alegando que são neutras, não apresentam, contudo, argumentos para o uso desta abordagem.
Da mesma forma, as saídas resultantes da aplicação de pesticidas foram desconsideradas na maioria dos estudos. As duas únicas referências possíveis de serem utilizadas para o presente trabalho (PestLCI e Hauschild (2000)) serão mais bem analisadas mais adiante.
Por fim, quanto às emissões dos gases da combustão, a maioria dos estudos utiliza a referência de Nemecek e Kagi (2007).
É possível notar que em nenhum dos estudos é citada a estimativa das emissões de metais pesados decorrentes da entrada desses componentes com os fertilizantes, pesticidas e calcário.