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PERFORMANCE Karen Spackman

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PASCAL 2.00 PERFORMANCE Karen Spackman

No mundo virtual, as ferramentas colaborativas são atualizadas todos os dias devido

ao avanço exponencial da tecnologia. Estas são criadas com a finalidade de atender as

necessidades dos internautas, de forma a oportunizar o “trabalho” em equipe na construção

coletiva do conhecimento, facilitando a comunicação e a cooperação entre as pessoas. Essas

ferramentas colaborativas permitem agregar todos os conhecimentos possíveis para poder

gerar inovação, favorecendo a troca de informações, conhecimentos e experiências entre

usuários de diferentes locais.

Segundo define Nunes (2012), as “ferramentas colaborativas são sites disponibilizados

na Internet que são fáceis e rápidos de serem construídos”, as quais permitem que usuários

interajam com outros internautas conectados de forma síncrona, possibilitando comunicações

em tempo real, informal e de forma instantânea, de maneira textual ou verbal.

Brito e Pereira (2004) salientam que essa conexão entre as pessoas por meio da Web é

uma necessidade exigida pela sociedade atual, pois a criação desses ambientes facilita a

execução de tarefas e soluções de problemas de modo colaborativo, visto que as habilidades

individuais devem ser combinadas com as de outras pessoas para propiciar a produção de um

trabalho de qualidade. Por este motivo, estão sendo criadas diversas ferramentas de

colaboração na Internet com o intuito de facilitar a comunicação entre as pessoas,

favorecendo a construção de um espaço democrático. Muitas destas têm como foco a

aprendizagem do usuário, pois a base colaborativa promovida pelo uso das Tecnologias de

Informação e Comunicação (TIC), de acordo com Torre (2010), é uma vertente social da

aprendizagem que privilegia a colaboração entre as pessoas, ao invés da competição.

São inúmeras as ferramentas colaborativas que podem ser utilizadas de diversas

formas para atender as expectativas de uma pessoa, organização ou instituição. Contudo, o

importante é compreender os objetivos que se pretende alcançar e escolher estrategicamente o

uso das ferramentas que irão auxiliar a atingir estas metas.

As principais ferramentas e plataformas de crowdsourcing foram apresentadas nas

seções anteriores. Entretanto, apesar de no âmbito das Bibliotecas Universitárias ainda não

haver muitos exemplos, o ideal é desenvolver uma plataforma própria para auxiliar no alcance

de seus objetivos e concentrar a sua comunidade em um único local para interação e

realização de iniciativas de colaboração coletiva. Um exemplo famoso na área da biblioteca é

a LibraryThing, uma plataforma norte americana de catalogação social criada por Tim

Spalding em 2005, que permite armazenar e compartilhar catálogos de livros. Essa ferramenta

permite que milhares de usuários cataloguem seus livros (desde metadados essenciais, até

anotações e percepções pessoais sobre uma determinada obra), assim como, possibilita a

criação de tags, a visualização e recomendação de livros a partir das coleções catalogadas, a

aproximação entre usuários com interesses em comum e a criação de blogs e discussões sobre

os livros pelos próprios usuários (MANESS, 2007). Quando não haver uma plataforma

específica para promover a colaboração em bibliotecas, é possível aproveitar os recursos

disponíveis pela Web e adaptá-los para os seus objetivos.

A seguir são listadas brevemente algumas ferramentas gratuitas encontradas na Web

para propiciar o processo de colaboração, as quais podem ser adaptadas para a criação de

conteúdos ou resolução de problemas:

Wikis – ferramenta de código aberto que permite a escrita colaborativa sobre

um assunto específico. Os conteúdos podem ser criados, modificados e editados por qualquer

usuário ao redor do mundo.

Weblog ou blog – uma página web desenvolvida para ser utilizada como diário

pessoal ou de grupos, com a finalidade de abordar diversas temáticas e compartilhá-las com

todas as pessoas interessadas, “fazendo com que aconteça a liberdade de expressão na web”

(CONTI; PINTO, 2010, p. 13). Nos blogs é possível promover a interação entre usuários por

meio dos comentários que podem ser postados e/ou das discussões que podem ser realizadas.

Correio eletrônico – uma das ferramentas mais tradicionais utilizadas até os

dias de hoje. Os e-mails são utilizados para comunicação a partir do envio de mensagens,

imagens e links por meio de um endereço eletrônico para a outro (ou vários outros endereços).

O Gmail da Google, por exemplo, já possui um sistema que possibilita o compartilhamento de

uma quantidade maior de arquivos (uma Web compartilhada) – Google Drive. Este é um

espaço para armazenar e partilhar informações com outras pessoas, podendo, também, criar

textos na nuvem e editá-los em parceria com outros participantes (Google Docs ou planilha),

assim como o Dropox e outros, como Mendeley, um software acadêmico gratuito para gerir,

partilhar, anotar, referenciar e citar artigos e textos científicos. Essa plataforma possibilita que

pesquisadores organizem suas referências, armazenem e compartilhem seus dados e

encontrem novas oportunidades de pesquisa, incentivando-os para que se conectem e inspirem

uns aos outros. Ou seja, além de ser um gerenciador de referências, funciona como uma rede

social acadêmica na qual se pode criar grupos de pesquisa para trabalhar colaborativamente,

conectando-os em rede.

Lista de discussões/Fóruns – são ferramentas que permitem discussões e

trocas de informações entre os integrantes de forma assíncrona, permitindo comunicação entre

os participantes mesmo quando não conectados à Internet ao mesmo tempo. Os comentários

são registrados no local e podem ser lidos posteriormente.

Audioboo – uma rede social que permite a qualquer pessoa gravar e

compartilhar áudios pela Internet. Essa ferramenta foi utilizada em um projeto da Biblioteca

Britânica em parceria com a Noise Futures Network, lançando o UK SoundMap – um mapa

(Google Maps) de sons do Reino Unido, o qual pode ser encontrado no seguinte website:

https://sounds.bl.uk/Sound-Maps/UK-Soundmap. Foi feito um chamado aberto para convidar

as pessoas a gravarem os sons do ambiente, seja em casa, no trabalho ou no lazer, podendo ser

músicas, narrações, gravações da vida selvagem, o ruído atmosférico ou outros sons do Reino

Unido. Um dos objetivos era poder mapear a evolução da paisagem nacional e registrar como

as pessoas estão percebendo-as por meio de sons e aquisição de material de pesquisa da

Biblioteca Britânica, com a contribuição da multidão (ELLIS, 2014).

Facebook – a rede social virtual mais utilizada em todo o mundo por usuários

conectados na Internet. Consiste em um espaço de produção de conteúdo, de partilha e

também de liberdade de expressão, no qual as pessoas são conectas por interesses em comum.

Esta ferramenta também pode ser usada para promover iniciativas de crowdsourcing, já que é

um local em que há maior interação entre as pessoas.

Flickr – uma plataforma para hospedar, organizar e partilhar os mais variados

tipos de imagens (fotografias, desenhos, ilustrações e até mesmo vídeos) com um sistema de

categorização de arquivos por meio de tags.

Existem ainda diversas outras ferramentas colaborativas, como Twitter, Youtube,

Instagram e outros que podem ser aproveitados para aplicar uma iniciativa de crowdsourcing,

tudo depende do objetivo de uma organização ou instituição, podendo ser aplicada com ou

sem uma plataforma específica.

Crowdsourcing pode ser um recurso estratégico para ser empregado nas bibliotecas

atuais que desejam criar laços e aproximar seus usuários, pois, o importante é oportunizar

espaços para que a comunidade crie e contribua. De acordo com Chhatwal e Mahajan (2015, p.

55, tradução nossa) as vantagens proporcionadas pelo crowdsourcing nas bibliotecas são:

1. Superar a crise financeira/pessoal para fornecer serviços eficientes aos seus usuários

2. Realizar os objetivos da biblioteca rapidamente dentro do tempo estipulado. 3. Construir comunidades virtuais e grupos de usuários.

4. Melhorar a qualidade dos serviços, coleções e recursos da biblioteca, envolvendo dinamicamente seus usuários.

5. Para aproveitar ao máximo a proficiência da comunidade de usuários.

6. Para agregar valor aos dados da biblioteca com a inclusão de comentários de usuários, tags, avaliações e resenhas.

7. Conhecer as necessidades dos usuários, encontrar respostas para perguntas difíceis, perguntando e ouvindo a multidão.

8. Desenvolver confiança e lealdade entre os usuários da biblioteca.

Diante disso, Conti e Pinto (2010, p. 18) argumentam que estamos “[...] vivendo no

mundo da colaboração, onde não há mais espaço para o ‘eu’, agora é a vez do ‘nós’. O ‘nós’

tem o poder de dizer como e quando deve ser feito, criado ou modificado tais produtos e

informações”. Por isso, deve-se criar canais para que os sujeitos da rede possam interagir com

as informações e contribuir com seus conhecimentos.

Esta seção teve como objetivo apresentar algumas ferramentas tradicionais que podem

ser aproveitadas para aplicar o crowdsourcing, entretanto, o ideal para as bibliotecas é possuir

uma plataforma própria para esse tipo de iniciativa, com a possibilidade de construir a própria

identidade, facilitando a organização, a coleta e a análise dos conteúdos contribuídos. Além

disso, torna-se uma forma de centralizar as suas atividades, criando um ambiente

personalizado para se comunicar com a comunidade.

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