3.4 Autres mod`eles de percolation
3.4.2 Percolation de premier passage
caminhadas, atividades sociais ou desportivas, feiras temporárias, peddypapers, art performances, teatros de rua, concertos ao ar livre, entre outros. Pontualmente, vão surgindo zonas de descanso com bancos que se soltam da estereotomia do pavimento (construído em lajetas pré-fabricadas de betão) e, também, pequenas zonas com terra onde a vegetação poderá crescer e dar um novo tom e cheiro a este passeio. A lavanda, planta aromática, é um dos exemplos de vegetação a utilizar que pode sugerir, pela cor e pelo cheiro, relaxamento, frescura e qualidade de vida.
Este Passeio pedestre eleva-se da cota do solo, parecendo estar suspenso num outro nível. É como se desse a hipótese às pessoas de se afastarem do seu mundo “habitual” e penetrarem num campo
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Imagem 56 e 57
O Passeio D’Ajuda e a sua pormenorização
Desenho de:
P.92
diferente de relaxamento e de descompressão. Os transeuntes podem, ainda, observar a cidade de Lisboa com o Cristo Rei e o rio Tejo ao fundo, neste “miradouro”.
A iluminação foi pensada para cumprir uma dupla função: por um lado, para se criar pontos de iluminação e envolvência e, por outro lado, para funcionar como um espaço seguro, principalmente à noite. (imagens 56 e 57)
Imagine-se que, por razões diversas, não seria possível a construção deste bloco habitacional. Pensámos, por isso, na possibilidade de manter este passeio como uma estrutura independente. Este caminho faria a ligação dos diferentes pontos do terreno. Na nossa opinião, fará todo o sentido porque, mesmo não havendo habitação, pode haver atividades de diversão e de lazer.
O Passeio D’Ajuda é verdadeiramente, neste contexto, um espaço público.
P.93
3. 4. 3 | O desenho dos blocos habitacionais
Relativamente à conceção da habitação foi planeado dois conjuntos de blocos habitacionais: um, no domínio no realojamento e, o outro, abordando a temática da habitação flexível.
O primeiro complexo de habitações (imagem 58), destinado ao
realojamento da população da gruta, é estruturado a partir da lógica de um quarteirão que é rasgado pelo Passeio D’Ajuda. Corresponde a um quarteirão que, quebrado, dá origem a dois blocos em forma de “L”.
A escolha da forma do quarteirão recaiu em dois aspetos importantes: em primeiro lugar, por estarmos a intervir junto do Bairro da Ajuda, onde as formas visualizadas são, precisamente, a de quarteirões; e, em segundo lugar, por parecerem formas geométricas que dão origem a vazios conformados que, quando trabalhados, podem dar resultados, em termos de vivências espaciais muito interessantes.
Relativamente ao realojamento, esta ideia não é certamente nem inovadora nem nova. A expansão dos territórios é algo que acontece com alguma frequência e obriga as pessoas a deslocarem-se, não só a nível dos hábitos da sua vida quotidiana, mas também, no sentido de mudança de residência, por diversos fatores.
Os processos de realojamento são sempre um desafio para o arquiteto, na medida em que este tem de por à prova a sua sensibilidade sociológica e antropológica para compreender o significado do espaço, das dinâmicas sociais em jogo, das transformações e das alterações individuais e coletivas que isso implica.
É importante referir que as opções tomadas partiram, numa primeira fase, de uma observação, no próprio local, onde se estabeleceu um primeiro contacto com a população a realojar. Pretendia-se compreender as potencialidades e os problemas da zona, as características do espaço mais valorizadas pelos indivíduos e os benefícios que pudessem ir ao
Imagem 58
Indicação do primeiro complexo de habitações (a cinza)
Desenho de:
P.94
encontro das expetativas e dos desejos dos moradores. Posteriormente, foram realizadas algumas entrevistas aos habitantes dos edifícios.
Da observação in loco e das entrevistas que mantivemos com os moradores da zona, foi possível retirar algumas ilações. As pessoas reconhecem a existência de uma zona verde na cota inferior da gruta, mas não a utilizam. Justificam essa situação, afirmando que, a acessibilidade é difícil. Não existe qualquer ligação, quer por escadas, quer por elevador, até ao local. Todavia, dizem que gostam de viver naquele espaço. Muitos indivíduos têm, com ele, uma ligação emocional bastante forte: nasceram e sempre aí viveram. Um outro aspeto referido, que nos pareceu interessante, relaciona-se com a circunstância das pessoas passarem o fim de semana em casa porque dizem não ter, nem sítios nem atividades, próximas do local de residência que os convidem a sair.
A cota inferior da gruta é um espaço escuro que não é ocupado de forma positiva e deixa transparecer insegurança.
Este é o exemplo de um espaço público que perdeu a sua vivência, que se tornou num local desconfortável, inseguro e sem vida.
Então, uma das primeiras prioridades para o projeto, passou a ser dar resposta ao problema do acesso (com escadas e elevadores) até à cota inferior da gruta. Após esta decisão, tornou-se particularmente interessante, poder acolher parte do novo Parque do Rio Seco na cota superior da gruta onde, atualmente, existem os blocos habitacionais que, na nossa opinião, não deveriam estar aí instalados.
Este quarteirão, rasgado pelo Passeio d’Ajuda, apresenta espaços, no seu interior, que estão abertos à cidade e à sua população, numa espécie de jogo entre o estar dentro e o estar fora.
Os pátios constituem-se em pequenas comunidades. Uma espécie de microcosmo dentro de um macrocosmo que é a cidade. Quem vier a viver nos edifícios deverá sentir-se atraído por este espaço que está pensado para transmitir uma dupla sensação: às vezes, parece que
Nota:
As entrevistas foram realizadas informalmente num café da zona. O objetivo não seria recolher dados estatísticos, mas antes estabelecer um contato com a população e perceber o seu estilo de vida e os problemas da zona.