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12 Urbain Urbain Intermédiaire

4.3 Discussion des résultats

4.3.4 Perceptions des médecins et définitions de l’INSEE

A PcD precisa estar em convívio com outras pessoas, com e sem deficiência, interagindo, compartilhando ideias e emoções. Os contatos estabelecidos por meio das relações interpessoais podem ser os mais variados possíveis e resultar em processos de inclusão ou exclusão. A exclusão em ambientes sociais e de trabalho muitas vezes ocorre em virtude da falta de informações sobre a deficiência, falta de confiança nas capacidades da PcD e crença de que a pessoa não irá realizar as tarefas de maneira produtiva (TANAKA; MANZINI, 2005). Tais conclusões equivocadas são impulsionadas por visões preconceituosas, repletas de estereótipos e estigmas, conceitos que serão analisados a seguir.

Os indivíduos se diferenciam na maneira em que internalizam o sentimento de pertencimento e de rejeição dentro dos grupos (HOGG; TERRY, 2000). Aqueles que não são portadores de nenhum tipo de deficiência normalmente veem as PcDs como pertencentes a grupos genéricos mas diferentes dos seus, como “os cegos”, “os surdos”, “os paraplégicos”, “os loucos”, entre outros. Classificar as PcDs como pertencentes a grupos externos é funcional para os não deficientes e permite que a diferença entre os dois grupos seja acentuada (ROMERO et al, 2006). Ribas (2007), por outro lado, alerta para o fato de que se hoje os deficientes, com individualidades e idiossincrasias próprias, são colocados em uma mesma categoria, talvez eles próprios tenham colaborado para isso, ao não estabelecer uma imagem verdadeira de si mesmos.

O preconceito pode ser compreendido como um conceito anterior a qualquer conhecimento, formado por predisposições afetivas favoráveis – positivas – ou desfavoráveis – negativas (AMARAL, 1995), direcionadas pontual ou generalizadamente para um alvo, podendo ser demonstrado por uma conduta rígida frente a diversos objetos ou ao atendimento de uma necessidade do preconceituoso, o que demonstra mais a respeito do preconceituoso do que sobre os seus alvos (CROCHÍK, 1997).

Segundo Crochík (1997), a manifestação destes fenômenos é individual e surge no processo de socialização como resposta aos conflitos gerados. O processo de socialização, por sua vez, decorre da cultura e história e, portanto, modifica-se historicamente dentro de uma mesma cultura e de culturas diferentes. A socialização é resultado da mediação entre as experiências do indivíduo na cultura de que ele faz parte. Deste modo: “como a experiência e a reflexão são as bases da constituição do indivíduo, em sua relação com a cultura, sua ausência caracteriza o preconceito” (ibidem, p. 13).

Podem existir preconceitos relacionados à capacidade física, capacidade mental, raça, sexo, condição econômica, preferências sexuais, entre outros. Neste sentido, Amaral (1995, p. 112) alerta que o preconceito contra os deficientes não passa desapercebido, pois “representa aquilo que foge ao esperado, ao simétrico, ao belo, ao eficiente, ao perfeito...”

Os estereótipos, por sua vez, são vistos como causa e consequência do preconceito. Crochík (1997) descreve o estereótipo como um elemento do preconceito, proporcionado pela cultura de maneira a fortalecer e justificar a existência do preconceito. Amaral (1995), por sua vez, define o estereótipo como um julgamento qualitativo, baseado no preconceito e anterior a uma experiência pessoal. Ou seja, o indivíduo não possui nenhuma experiência ou dado que confirme a percepção distorcida do alvo que está sendo julgado.

Na opinião de McLaughlin et al (2004), os estereótipos podem ser construídos a partir de visões favoráveis ou desfavoráveis. Quando eles são associados a elementos desfavoráveis e ocorrem no ambiente de trabalho, podem levar a julgamentos discriminatórios contra as pessoas com deficiência. Os autores resgatam alguns exemplos de estereótipos comuns normalmente associados às PcDs, como “dependentes”, “amargos” ou “inúteis”.

A falsa generalização assume que todos os membros de um grupo são semelhantes. Isso decorre do preconceito e da resistência a argumentos advindos da experiência real, que, a partir dos estereótipos, define como imutáveis algumas características negativas que desvalorizam um grupo-alvo (FERRARI, 2006). Amaral (1995) destaca que uma forma mais crítica seria a generalização indevida, situação em que são inferidas uma série de imperfeições – muitas inexistentes – a partir da imperfeição original.

A noção de imperfeição está relacionada à definição de estigma. Goffman (1982), um dos maiores pesquisadores sobre o tema, descreve o estigma como atributos que fogem da normalidade e são tidos como depreciativos em uma pessoa. Por se tratar de um atributo depreciativo, ocasiona a desvalorização daqueles que o possuem. O estigma ocorre no seio das relações sociais, pois é a sociedade que estabelece os meios de categorizar as pessoas e o total de atributos considerados como comuns e naturais para os membros de cada grupo.

O autor acredita, ainda, que o estigma se constrói a partir de um movimento duplo, constituído tanto pela identidade social, auferida pela sociedade, quanto pela identidade social real, constituída por características próprias do sujeito, como características físicas ou intelectuais. Como resultado, este duplo movimento influencia as percepções que as PcDs têm de si mesmas, podendo orientá-las e, frequentemente, constrangê-las. Depreendem-se disso as preocupações de Goffman (1982, p. 14) sobre as primeiras impressões em uma relação:

Um indivíduo que poderia ter sido facilmente recebido na relação social quotidiana possui um traço que se pode impor à atenção e afastar aqueles que ele encontra, destruindo a atenção para outros atributos seus.

Outras duras críticas são tecidas às atitudes das pessoas sem deficiência frente aqueles que são estigmatizados:

Por definição, é claro, acreditamos que alguém com um estigma não seja completamente humano. Com base nisso, fazemos vários tipos de discriminações, através das quais efetivamos, e muitas vezes sem pensar, reduzimos suas chances de vida (...) Utilizamos termos específicos de estigma como aleijado, bastardo, retardado, em nosso discurso diário como fonte de metáfora e representação, de maneira característica, sem pensar (Goffman, 1982, p. 15).

O estigma decorre, portanto, dos atos que as pessoas que não o possuem empreendem sobre a pessoa estigmatizada. Estas atitudes muitas vezes ocorrem a partir de caracterizações impostas pela sociedade, na maioria das vezes fruto de pouca ou nenhuma reflexão.

A observação da postura e aparência de uma pessoa pode levar a estereótipos que remetem a experiências anteriores, mas que, todavia, não são comprovados. Esta situação faz com que a pessoa com deficiência passe a acreditar que ela deve fazer o máximo possível para parecer com uma pessoa sem deficiência. Esta é uma das preocupações de Ribas (1994, p. 19), ao argumentar que este tipo de situação leva a uma segregação tênue das PcDs. “Por isso dizer que são iguais é esconder uma realidade diversa. No fundo, este mecanismo social é altamente discriminador”.

Preconceito, estereótipos e estigma seriam mecanismos de defesa do ser humano perante uma ameaça. Tais manifestações podem ser comparadas a uma reação do animal que ataca para se defender do predador (AMARAL, 1995; CROCHÍK, 1997). Estes mecanismos fazem parte do processo de inclusão e exclusão, por serem consideradas forças emocionais e agentes que mobilizam ou imobilizam as ações humanas.

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