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Os participantes incluídos no presente estudo foram submetidos a uma avaliação inicial que consistia de anamnese e exame físico, seguido da realização do eletrocardiograma (ECG) 12 derivações de repouso e durante o teste de exercício físico (protocolo de Ellestad), ambos realizados na presença de um médico cardiologista. Estes dois últimos itens da avaliação inicial foram realizados no período da manhã na Unidade Saúde Escola (USE) – UFSCar. Em outra

visita, os sujeitos realizavam a prova de função pulmonar e avaliação da força muscular respiratória para determinar se os sujeitos eram elegíveis a participar do estudo. Após a inclusão dos participantes, eles realizaram um protocolo de exercício inspiratório de alta intensidade até a falha. O protocolo experimental foi conduzido no período da tarde, em dias alternados com um intervalo mínimo de 48 horas, no Laboratório de Fisioterapia Cardiovascular – Núcleo de Pesquisa em Exercício Físico – Departamento de Fisioterapia da UFSCar. Durante os experimentos foram monitoradas e controladas a temperatura (22-24ºC) e a humidade relativa do ar (40-60%). Além disso, os sujeitos foram instruídos a não ingerir bebidas alcoólicas e/ou estimulantes por pelo menos 12 horas antes do teste, evitar exercícios extenuantes 24 horas antes e ter uma boa noite de sono na noite anterior ao teste.

5.3.2.1 Prova de função pulmonar

A prova de função pulmonar foi realizada de acordo com as diretrizes da American

Thoracic Society/European Repiratory Society (MILLER et al., 2002) usando um sistema

ventilatório-metabólico (ULTIMA/Breeze Suite 7.2, Medical Graphics, St. Paul, MN, EUA) cujo pneumotacógrafo foi calibrado previamente a cada teste, seguindo as orientações do fabricante. A primeira manobra realizada foi para avaliar a capacidade vital lenta (CVL), seguida da medida da capacidade vital forçada (CVF) e por último a medida da ventilação voluntária máxima (VVM). Essas manobras permitiram a avaliação dos seguintes índices: capacidade inspiratória (CI), volume de reserva expiratório (VRE); volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a razão entre o VEF1 e a CVF (VEF1/CVF). Os valores obtidos

por estes índices foram utilizados para identificar sinais de doenças pulmonares obstrutivas, restritivas e/ou mistas. Além disso, foram comparados com os valores de referência para a população brasileira, publicado por Pereira (2002).

5.3.2.2 Avaliação da força muscular respiratória

A avaliação da força muscular respiratória foi realizada na postura sentada utilizando a um manovacuômetro digital (MVD-300, Globalmed, Porto Alegre, RS, Brasil) (Figura 4). Os valores da pressão inspiratória máxima (PIMAX) e da pressão expiratória máxima (PEMAX) foram

obtidos a partir do volume residual e da capacidade pulmonar total, respectivamente. Essas medidas foram realizadas de acordo com a American Thoracic Society/European Repiratory

Society (ATS/ERS, 2002) e repetidas até que três valores reprodutíveis fossem observados (i.e.,

valores com uma variação menor que 10% entre eles). Os valores obtidos foram comparados com os preditos para a população brasileira (NEDER et al., 1999) a fim de identificar a presença

de fraqueza da musculatura respiratória (<60% dos valores preditos) (HAUTMANN et al., 2000).

5.3.2.3 Exercício de resistência inspiratória de alta intensidade

O exercício de resistência inspiratória de alta intensidade consistiu de um protocolo de carga constante realizado pelo máximo de tempo que o sujeito conseguisse utilizando um resistor inspiratório de carga linear (PowerBreathe® K5, HaB International Ltd, Southam,

Warwickshire, RU) (Figura 12). Este resistor estava conectado em série a um sistema de análise de trocas gasosas (ULTIMA/Breeze Suite 7.2, Medical Graphics, St. Paul, MN, EUA) permitindo a captação das variáveis ventilatórias e metabólicas respiração a respiração durante o exercício inspiratório (Figura 5). As respostas ventilatórias e metabólicas foram analisadas por meio da média do tempo até a exaustão de cada carga, após descartar os 30 segundos iniciais e finais de cada condição. Os parâmetros ventilatórios monitorados e avaliados durante o exercício foram: volume corrente (Vt), frequência respiratória (fR); volume minuto (VE); tempo inspiratório (Ti); tempo expiratório (Te) e a razão entre o Ti e o tempo total da respiração (Ti/Ttot).

Previamente ao protocolo de carga constante, os sujeitos realizavam um protocolo de carga inspiratória incremental que se iniciava com 50%PIMAX, seguido de um incremento

10%PIMAX a cada três minutos, até se alcançar a carga máxima (100%PIMAX) ou até o sujeito

ser incapaz de sustentar o exercício inspiratório por pelo menos um minuto (PThMAX)

(EASTWOOD et al., 1998; NEVES et al., 2012; NEVES et al., 2014) (Figura 6). Este protocolo incremental foi realizado a fim de determinar as cargas inspiratórias aplicadas no exercício de resistência inspiratória de alta intensidade (80%, 95%, 100% e 105%PThMAX), as

quais foram calculadas a partir da medida da PThMAX (índice da resistência muscular

inspiratória) (EASTWOOD et al., 1998; HILL et al., 2007; DAL’LAGO et al., 2006; NEVES

et al., 2012; NEVES et al., 2014). As intensidades de 95%, 100% e 105%PThMAX foram

aplicadas em um dia diferente ao do exercício incremental, e a ordem das cargas dependiam dos resultados da randomização em blocos (aumento ou decréscimo progressivo das intensidades das cargas). Além disso, o tempo até a exaustão destas cargas foram utilizados para determinar a pressão inspiratória crítica (PThC) a partir do modelo de potência crítica descrito por Monod e Scherrer (1965).

A PThC representa o trabalho inspiratório máximo que, teoricamente, pode ser realizado por um longo período de tempo sem a presença de sinais de fadiga. Além disso, a PThC

representa a transição entre os domínios intenso e severo do exercício inspiratório. A obtenção dos valores da PThC foi feita a partir da plotagem do trabalho inspiratório realizado (valores de pressão inspiratória) no eixo correspondente a abcissa e o tempo até a exaustão de cada carga na ordenada. A partir disso, era realizada uma regressão linear através dos três pontos (95%, 100% e 105%PThMAX) utilizando o modelo pressão-1/t (JONES et al., 2010; POOLE et al.,

2016). A inclinação da linha paralela deslocada para baixo projetando-se a partir da origem deu-nos o valor da PThC em cmH2O (MONOD & SCHERRER, 2000; JONES et al., 2010;

POOLE et al., 2016) (Figura 7). Após isso, os sujeitos realizaram um exercício inspiratório de carga constante, em um dia diferente dos demais, utilizando a carga da PThC seguido pela carga inspiratória referente a 80%PThMAX. Esta última carga foi aplicada por ser a intensidade mais

comumente aplicada para avaliar a resistência muscular inspiratória em testes de carga constante até a falha (HILL et al., 2007; NEVES et al., 2012).

Todos os sujeitos foram orientados durante as diferentes intensidades de exercício inspiratório, a respirar continuamente contra uma carga inspiratória de alta intensidade pelo máximo de tempo que eles conseguissem, ou seja, até a falha. Este tempo máximo foi definido como o tempo de resistência muscular inspiratória (TLIM) de cada carga, sendo considerado o

exercício que tivesse uma duração entre 1-30 minutos. O intervalo adotado entre as cargas foi de pelo menos 15 minutos (HILL et al., 2007) e os valores de pressão inspiratória gerados a cada respiração foram monitorados e registrados no software Breathe-link (HaB International Ltd, Southam, Warwickshire, RU). Adicionalmente, todos os sujeitos foram orientados a manter a frequência respiratória entre 12-15 ipm por meio de um comando verbal (“puxa, puxa, solta, solta, solta”) realizado sempre pelo mesmo avaliador. Além de um encorajamento verbal vigoroso por parte dos pesquisadores para manter o exercício pelo máximo de tempo que eles conseguissem. Os critérios de interrupção dos exercícios inspiratórios de alta intensidade foram: falha em atingir a carga inspiratória alvo em três inspirações consecutivas observadas no software Breathe-link (HaB International Ltd, Southam, Warwickshire, RU); esforço respiratório percebido maior que 7 na escala CR10 de BORG (BORG, 1982); ter realizado o exercício respiratório durante o máximo de tempo disponível (30 minutos) ou quando solicitavam a interrupção do exercício (falha voluntária).

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