• Aucun résultat trouvé

Penser la formation à la recherche dans une perspective transactionnelle

Dans le document Numéro complet (Page 60-65)

As informações de demanda do semirreboque pelos clientes foram reunidas a partir de registros comerciais do setor de vendas e dos históricos de vendas registrados no sistema ERP referentes a todos os meses de 2011 e dos nove primeiros meses de 2012, totalizando um período de 21 meses. A figura 26 ilustra o histórico de demanda do produto no período analisado, sendo a partir desses dados calculada a média de encomendas mensais do produto em questão.

Figura 26 - Histórico da demanda do Semirreboque 2011/2012 Fonte: Empresa estudo de caso

Neste período analisado, a média de encomendas mensais é de 12,29 unidades por mês, ou seja, os clientes solicitam um produto em média a cada 2,44 dias.

Apesar de ser o produto que apresenta maior solicitação pelo cliente, a demanda do semirreboque se caracteriza por ser um produto de baixo giro, com uma significativa variação, tanto no tamanho da demanda quanto no tempo médio entre encomendas, caracterizando-se assim por uma demanda incerta e intermitente.

Além do semirreboque são produzidos na mesma linha de montagem o chassi para terceiros, reboques e bitrens, sendo nas tabelas 1 e 2 mostrado o resumo dos históricos de demanda dos produtos montados nesta linha de montagem da empresa nos anos de 2011 e 2012, respectivamente.

Tabela 1 - Resumo da demanda dos produtos em 2011

Produto Demanda média mensal (unidades/ mês)

Período médio entre pedidos (dias)

Chassi para terceiros 4,75 6,31

Semirreboque 13,08 2,29

Reboque 0,92 32,61

Bitrem 4 7,5

Fonte: Empresa estudo de caso

Tabela 2 - Resumo da demanda dos produtos em 2012

Produto Demanda média mensal (unidades/ mês)

Período médio entre pedidos (dias)

Chassi para terceiros 0,33 90,91

Semirreboque 11,22 2,67

Reboque 0,67 44,78

Bitrem 2,89 10,38

Fonte: Empresa estudo de caso

Observa-se variações acentuadas na demanda de alguns produtos, causada principalmente por perda de clientes e quedas na produção de produtos primários, gerando redução na demanda de transporte de cargas.

Mesmo sendo produtos diferentes do semirreboque, os demais produtos listados na tabela percorrem os mesmos processos e utilizam os mesmos gabaritos, equipamentos e recursos para sua montagem, sendo desta forma diretamente afetados pelas melhorias que serão implementadas pelo mapa do estado futuro.

3.7.5 Mapa do estado atual

Para iniciar o mapeamento na linha de montagem do semirreboque, foi realizado um levantamento da demanda do produto, possibilitando a determinação da demanda mensal de semirreboques pelos clientes.

O produto considerado neste estudo possui um baixo volume de encomendas, sendo igual a 12,29 unidades por mês, conforme visto no item 3.7.4. Como os produtos dependem do pedido do cliente para iniciar seu projeto e posteriormente a fabricação das suas peças e subconjuntos, os processos de montagem ficam aguardando o recebimento das especificações solicitadas por cada cliente. Quando não existem pedidos desse produto pelos clientes, os processos se voltam para atender as necessidades de outros produtos que são montados na mesma linha de montagem.

Com base nos levantamentos, verificou-se também o lead time médio de semirreboques, sendo igual a 32 dias para os produtos que apresentam características semelhantes em termos dimensões, materiais e opcionais. Este tempo de fabricação é determinado pelos tempos de ciclo dos processos sem considerar os tempos de estoques em processos. Como o tempo baseia-se em médias advindas do histórico de produção, e cada produto diferencia-se um dos outros, o tempo calculado fica diferente do real.

Esta dificuldade em determinar o tempo real dos processos se justifica pelo fato de que a quantidade de tarefas, principalmente na montagem, é grande e diferenciada, sendo diretamente proporcional à variedade de materiais e peças utilizadas na montagem. Esses fatores intensificam a importância de mapear-se o fluxo de valor para determinar o tempo de atravessamento e agregação de valor.

A fim de representar o fluxo de valor do semirreboque em um mapa do estado atual, foi necessário seguir o caminho percorrido pelo produto, cronometrando-se todos os tempos, os colaboradores envolvidos e as distâncias percorridas conforme descrito no item 3.7.3. Esta cronometragem foi feita ao longo da cadeia os processos para o mesmo produto, mostrando o lead time e as esperas entre os processos, conforme ilustrado na figura 27.

Figura 27 - Modelo de linha de tempo de um produto Fonte: Elaborado pela autora

A figura 27 ilustra a linha de tempos de um mesmo produto, onde “T1” representa o tempo que o produto esteve em espera de processo e transporte, medido entre as operações. Este tempo de espera representa o produto “semiacabado”, aguardando iniciar as operações seguintes de montagem. Por outro lado, “T2” mostra o tempo em que as peças e subconjuntos estiveram aguardando por processamento e transporte, medido entre as operações.

Como o produto “semiacabado” fica armazenado ao mesmo tempo das peças e subconjuntos, o tempo de estocagem mais elevado é representado na linha de tempo do produto. No estoque do produto “semiacabado” o tempo de espera foi de 480 minutos, enquanto o tempo de espera das peças e subconjuntos foi de 6834 minutos. Sendo assim, o maior tempo de espera foi das peças e subconjuntos, devendo este valor ser transferido para a linha de tempo “T3”.

Caso não existam dois tipos de estoque que antecedem o processamento, apenas o tempo de espera do estoque existente é ilustrado na linha de tempo do produto.

“T4” corresponde ao lead time medido ao longo do processo, enquanto “T5” aponta o tempo de agregação de valor que ocorreu durante o processamento. No processo de montagem da suspensão o lead time foi de 706 minutos (T4), sendo que 276 minutos foi o

tempo em que realmente agregou-se valor ao produto (T5). Nos 706 minutos de operações de montagem da suspensão (T4), o produto estava sendo processado. Neste período, o processo subsequente (que é a montagem do chassi) não estava processando peças e subconjuntos do produto. Somente após uma espera de 2270 minutos que o produto semiacabado voltou a ser processado.

Desta forma, pode-se enxergar todo o lead time de manufatura, a partir do momento que a matéria-prima encomendada a um pedido de um cliente chega ao fluxo porta-a-porta, percorrendo o leiaute até ser transformado em produto acabado.

Estas particularidades, caracterizadas por adaptações aos modelos tradicionais, foram sugeridas neste trabalho por se tratar da análise de fluxo de um produto sob encomenda, com uma demanda do tipo ETO com baixos volumes de unidades produzidas, alta variedade de peças e processos e grande dificuldade de padronização, diferentemente dos modelos expostos por Rother e Shook (2003), nos quais existe uma continuidade de produção observada no fluxo de valor de todos os processos com o acúmulo de materiais pré-acabados em todas as etapas entre os processos.

Devido a uma simples análise pelo sistema ERP ou um cálculo estimado do lead time do produto desde a entrada do pedido do cliente até a entrega do produto acabado, pode-se gerar alguns pontos do mapeamento que podem ficar descobertos, possibilitando diversas interpretações das causas geradoras de esperas. Porém, com o mapeamento dos processos pode-se identificar essas fontes geradores de desperdícios, identificar as fontes de desperdícios mais relevantes dentro do lead time e eliminá-las no desenvolvimento do mapa do estado futuro.

Com a finalização do mapeamento do fluxo de valor no nível porta-a-porta e o levantamento da demanda do produto, foi possível elaborar o mapa do estado atual. A figura 28 ilustra o mapa macro do estado atual referente ao semirreboque, proporcionando uma visão ampla do fluxo de materiais e informações, desde o pedido do cliente até a finalização do produto.

Figura 28 - Mapa Macro Atual do Semirreboque Fonte: Elaborado pela autora

No mapa macro do estado atual foi possível representar todo o fluxo de valor do produto, iniciando o fluxo de materiais na fabricação das peças e subconjuntos produzidos na matriz e posteriormente enviados para a filial, onde são montados formando o produto acabado. Conforme definido pelo limite de contorno do mapeamento, somente os processos de montagem do semirreboque na filial serão mapeados.

Neste mapa macro são exibidas apenas as informações resumidas das operações realizadas na matriz e filial da empresa para facilitar o entendimento dos mapas atuais do produto.

Observa-se no mapa que o lead time ao longo de cada processo de montagem é maior que o tempo de agregação de valor. Isto ocorre devido às operações efetuadas, como: espera de processo, preparação do box de montagem, preparação dos gabaritos, posicionamento das peças, limpeza e inspeção, que apesar de estarem sendo incluídas no tempo de processamento, não agregam valor.

Desta forma, o lead time de processo foi separado do lead time ao longo do processo e do tempo de agregação de valor (figura 28). O lead time ao longo do processo equivale ao tempo de processamento ou tempo de ciclo do processo e o tempo de agregação de valor corresponde ao tempo em que o material está efetivamente sendo transformado.

As figuras 29 e 30 ilustram o mapa do estado atual de montagem do chassi do semirreboque e o Gráfico de Balanceamento do Operador (GBO), respectivamente. Esses dados foram obtidos através dos registros efetuados na folha de mapeamento, possibilitando resumir as condições atuais do fluxo de valor e informações do produto analisado.

Figura 29 - Mapa do Estado Atual do Chassi do Semirreboque Fonte: Elaborado pela autora

Figura 30 - GBP Atual da Montagem do Chassi do Semirreboque Fonte: Elaborado pela autora

O lead time de montagem do chassi do semirreboque é de 32.658 minutos, enquanto o tempo de agregação de valor é de 3.148 minutos. Assim, tem-se um tempo de 29.510 minutos em que não há agregação de valor ao produto.

Para esta sequência de processos são necessários 21 colaboradores qualificados para executarem as operações de montagem com suas respectivas variações, conforme a necessidade definida pelo cliente.

A figura 31 ilustra o mapa do estado atual de montagem do sobre chassi do semirreboque e a figura 32 demonstra o Gráfico de Balanceamento dos Processos (GBP), dados também obtidos durante a coleta de informações e registros realizados na folha de mapeamento.

Figura 31 - Mapa do Estado Atual do Sobre Chassi do Semirreboque Fonte: Elaborado pela autora

Figura 32 - GBP Atual da Montagem do Sobre Chassi do Semirreboque Fonte: Elaborado pela autora

Baseando-se nos dados obtidos pelas observações e coletas registradas na folha de mapeamento, foi possível resumir as condições atuais do fluxo de valor do sobre chassi do semirreboque. O lead time de montagem do sobre chassi do semirreboque é de 38.266,5 minutos, enquanto o tempo de agregação de valor é de 7.825,4 minutos. Portanto, tem-se um tempo de 30.441,1 minutos em que não há agregação de valor ao produto.

Para esta sequência de processos são necessários 29 colaboradores qualificados para executarem as operações de montagem com as variações solicitadas pelos clientes.

A tabela 3 ilustra o lead time de manufatura, o lead time de processamento, o tempo de agregação de valor, o tempo em que não há agregação de valor, a quantidade de colaboradores na montagem e a distância percorrida.

Tabela 3 - Resumo do Estado Atual do Semirreboque Processo Chassi do Semirreboque Sobre Chassi do Semirreboque Semirreboque (total) Lead time de manufatura (horas) 32.658 38.266,5 70.924,5 Lead time de processamento (horas) 7.738 16.063,5 23.801,5 Tempo de agregação de valor

(horas) 3.148 7.825,4 10.973,4

Tempo em que não há agregação de

valor (horas) 29.510 30.441,1 59.951,1

Quantidade de Colaboradores 21 29 50

Distância percorrida 7.797 24.898 32.695

Fonte: Elaborado pela autora

Dans le document Numéro complet (Page 60-65)