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Paysages urbains / périurbains : d’une classification experte à une classification standardisée

Dans le document Appel à projets PIRVE 2008 (Page 42-45)

PARTIE 2 : ANALYSE ET RESULTATS CROISES

1.1. Paysages urbains / périurbains : d’une classification experte à une classification standardisée

Para compor o corpus analítico da pesquisa foram utilizados materiais audiovisuais, documentos e dados coletados por meio dos seguintes métodos de acesso:

As técnicas observacionais são procedimentos empíricos de natureza sensorial, focadas na observação da rotina cotidiana. A observação constitui-se em uma técnica de coleta de dados

imprescindível para as pesquisas de campo orientadas por um Estudo de Caso (MARTINS, G., 2006).

Para Cooper e Schindler (2003, p.304) a observação:

Se qualifica como investigação científica quando é conduzida especificamente para responder a uma questão de pesquisa, é sistematicamente planejada e executada, usa controles apropriados e fornece informações válidas sobre o que aconteceu. A versatilidade da observação faz dela uma fonte primária indispensável e um complemento para outros métodos.

Para fins deste estudo, foram consideradas como observações as visitas sistematizadas realizadas pela pesquisadora à comunidade no intervalo de julho de 2015 a outubro de 2016, que totalizaram 05 (cinco) visitas às entidades comunitárias representativas da Baía do Sol. Conforme quadro 07 a seguir:

Quadro 7 – Visitas realizadas à Baia do Sol

DATA OBJETIVO

04/07/2015 Etapa exploratória, com visita às instalações do Instituto Banco Comunitário Tupinambá; 15/12/2015 Etapa exploratória, com visita aos empreendimentos

comerciais da comunidade;

04/08/2016 Visita às instalações do Instituto Banco Comunitário Tupinambá e da Colônia de Pescadores; 06/08/2016 Visita à sede do Clube de Mães;

11/10/2016 Visita às instalações provisórias da Associação das Mulheres da Pesca – Creche UEI Bacuri Fonte: Elaborado pela autora

Nesta fase das visitas, o foco da observação era perceber a estrutura física e organizativa das entidades, o perfil de sua diretoria, suas estratégias de intervenção na realidade social, a forma interação entre os seus atores, afim de caracterizar as práticas sociais comunitárias vivenciadas na comunidade da Baía do Sol e em seguida compara às categorias do pós- desenvolvimento.

O instrumento de coleta de dados empregado foi o diário de campo, que é um recurso utilizado pelos investigadores para registrar/anotar as experiências vivenciadas e permite sistematizar as experiências para posteriormente analisar os resultados. As principiais observações foram transcritas para um documento do Word e inseridas no programa NVivo para posterior análise.

A pesquisa documental advém dos materiais que são fontes de informação que ainda não receberam organização, tratamento analítico e publicação (SANTOS, A., 1999, p.30). Permite a investigação de determinada problemática não em sua interação imediata, mas de forma indireta, por meio do estudo dos documentos que são produzidos pelo homem e por isso revelam o seu modo de ser, viver e compreender um fato social. Estudar documentos implica

fazê-lo a partir do ponto de vista de quem os produziu, isso requer cuidado e perícia por parte do pesquisador para não comprometer a legitimidade do seu estudo (SILVA et al, 2009).

Face aos objetivos específicos da pesquisa de investigar como se processa a organização comunitária na Baía do Sol e caracterizar as práticas sociais empreendidas por essas entidades, associando-as aos valores compartilhados pelo campo de estudo do pós-desenvolvimento; o estudo elegeu como fonte de pesquisa documental (1) os Estatutos de constituição das entidades, (2) os Projetos em execução na data de realização da pesquisa de campo 20015-2016, (3) as atas da reuniões do mesmo período, (4) as páginas da web (blog) e os (5) vídeos, como os elementos capazes de produzir resposta à intencionalidade da tese. Os estatutos, projetos e atas foram selecionados em virtude de os mesmos apresentarem formalmente o propósito das entidades, suas estruturas organizacionais, suas linhas de atuação, as principais ações empreendidas e os assuntos debatidos entre os atores nas reuniões; já a página da web e os vídeos servem de registro das ações cotidianas das entidades e dos depoimentos dos moradores da comunidade sobre as ações destas.

Cabe ressaltar que em virtude de nenhuma das entidades utilizar-se da prática sistemática de registro de seus encontros em forma de ata, não foi possível analisar esse tipo de documento em nenhuma das entidades.

A entrevista adquire importância no estudo de caso, pois através dela o investigador percebe a forma como os sujeitos interpretam as suas vivências, já que ela “é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.34).

Foram realizadas durante a pesquisa dois tipos de entrevistas: a entrevista individual e a entrevista em grupo, também conhecida como grupo focal. Ambas possuem muitas semelhanças entre si, dentre as quais destaco o fato de não serem conduzidas por um conjunto de perguntas predeterminadas, embora se tenha utilizado de tópicos guia ou roteiro

semiestruturado, elaborados de acordo com os objetivos e a questão da pesquisa. Ao optar por

este procedimento, a ideia não é fazer um conjunto de perguntas padronizadas ou esperar que o entrevistado traduza seus pensamentos em categorias específicas de resposta, ao contrário, como afirma Gaskell (2008, p.73), “as perguntas são quase um convite ao entrevistado para falar longamente, com suas próprias palavras e com tempo para refletir”, e desta forma estabelece-se um diálogo entre entrevistado e entrevistador, onde este pode solicitar esclarecimentos e acréscimos em pontos importantes. A pesquisadora esforçou-se para que as entrevistas fossem além de uma via de mão única, “transplantando” a informação de um lado

(entrevistado) para o outro (entrevistadora), mas que em vez disso, esses momentos fossem constituídos de ampla interação entre as partes, sendo composta por trocas de ideias e de significados, em que várias realidades e percepções pudessem ser exploradas e desenvolvidas. As entrevistas individuais foram presenciais, realizadas com 6 (seis) líderes representantes das entidades comunitárias atuantes na Baía do Sol, totalizando 285 minutos de gravação (4h 45min) e teve como peculiaridade a contribuição de atores externos que acompanhavam o momento da entrevista e durante o seu curso sentiam-se a vontade com complementar ou exemplificar as falas dos atores principais que estavam sendo entrevistados. Estas falas “coadjuvantes” advinham de cônjuges, filhos e da própria auxiliar de pesquisa moradora da comunidade, e foram consideradas no corpus por apresentarem importantes contribuições à mesma.

A primeira entrevista foi realizada em 04 de junho de 2015 na comunidade da Baía do Sol, com o coordenador do Banco Comunitário Tupinambá – Marivaldo Vale e a coordenadora do Instituto Tupinambá – Ivoneide Vale, dois líderes comunitários de elevada notoriedade dentro da comunidade. Esta fase da pesquisa tem caráter exploratório e seu objetivo era proporcionar um entendimento preliminar das práticas sociais empreendidas pela ação comunitária da Baía do Sol, a fim de subsidiar a estruturação das etapas posteriores da pesquisa.

A segunda fase das entrevistas individuais ocorreu entre os dias 04 e 08 de agosto de 2016, também na comunidade, onde os atores foram entrevistados presencialmente. O critério de seleção para esta etapa foi um representante de cada instituição comunitária que compõe a Baía do Sol. O tópico guia utilizado nesta fase encontra-se no Apêndice D.

A entrevista em grupo, conhecida ainda como grupo focal ou focus group compreende: Uma técnica de pesquisa na qual o pesquisador reúne, num mesmo local e durante um certo período, uma determinada quantidade de pessoas que fazem parte do público- alvo de suas investigações, tendo como objetivo coletar, a partir do diálogo e do debate com e entre eles, informações acerca de um tema específico. (CRUZ NETO et al, 2002, p.5)

Cooper e Schindler (2003) o definem como um painel de pessoas, lideradas por um moderador ou facilitador, que se utilizando dos princípios da dinâmica de grupo irá guiar ou focar o grupo na troca de ideias, sentimentos e experiências em um tópico específico. O objetivo do grupo focal é promover uma entrevista em profundidade realizada em grupo, onde os participantes influenciam uns aos outros, por meio da exposição de suas ideias, experiências e eventos; e assim são registradas as opiniões-síntese das discussões estimuladas pelo mediador, que neste caso foi a própria autora da pesquisa (MARTINS, 2006).

Está técnica foi selecionada para a pesquisa em virtude da variedade de informações que podem advir do debate, envolvimento, concordância e discordância dos participantes do evento; além do que, a integração espontânea dos participantes, de acordo com Martins (2006), propicia riqueza e flexibilidade na coleta de dados, não comuns quando se aplica um instrumento individualmente.

O grupo focal foi realizado do dia 04 de agosto de 2016 na sede do Instituto Tupinambá das 15h30min às 18h00min, com a presença dos seguintes atores:

✓ A autora da pesquisa, na condição de moderadora, responsável por conduzir e controlar a discussão dos tópicos propostos;

✓ Uma assistente da moderadora, moradora da comunidade, responsável por acolher os participantes, entregando o crachá de identificação e auxiliando no preenchimento dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido, documento disponível no Apêndice B da presente pesquisa.

✓ 9 representantes da comunidade e 1 intercambista mexicana que na época desenvolvia um projeto social na comunidade.

Para a execução do grupo focal foi utilizado um Roteiro de Debate com a adoção de tópicos guia alinhados aos objetivos da pesquisa (vide apêndice C), sendo o evento gravado na forma de áudio e registrado por meio de fotografias. A seleção dos participantes deu-se por meio da técnica de amostragem não probabilística denominada bola de neve, onde os indivíduos selecionados para serem estudados convidam novos participantes da sua rede de amigos e conhecidos (OCHOA, 2015). Neste caso, foi solicitado aos líderes do Instituto Tupinambá e do Banco Comunitário convidar de 10 a 15 pessoas envolvidas direta ou indiretamente nas ações da comunidade para participar da pesquisa.

A bola de neve é usada com frequência para acessar indivíduos de difícil contato por parte do pesquisador, fato ocorrido nesta pesquisa, dado que a autora reside atualmente em outro Estado, diferente do lócus de investigação.

Cooper e Schindler (2003) destacam ainda como vantagens desta ferramenta, a capacidade de atingir as principais questões de um tópico de forma rápida e barata, proporcionando observar as reações à sua pesquisa em um ambiente aberto, no qual os participantes respondem com suas próprias palavras, sem serem forçados a se adaptar a um método formalizado e podem agir livremente, trazendo à tona coisas não previstas no roteiro.

Dada à multiplicidade de técnicas de coleta de dados utilizados nesta pesquisa, fez-se necessário a elaboração de um quadro que demonstre de forma sintética como os métodos e

instrumentos estão associados a cada um dos objetivos específicos da tese, conforme o quadro a seguir:

Quadro 8 - Objetivos Específicos X Instrumentos de Coleta de Dados

Objetivos Específicos Método Instrumento

a) Investigar como se processa a organização comunitária em pequenas localidades da Amazônia

Pesquisa Documental Estatuto das entidades comunitárias da Baía do Sol

Entrevista Individual Roteiro de Entrevista - Liderança

b) Caracterizar as práticas sociais comunitárias vivenciadas em pequenas localidades da Amazônia

Pesquisa Documental Páginas de web site, projetos e vídeos Pesquisa Documental Textos dos projetos desenvolvidos pela

comunidade Entrevista Individual Roteiro de Entrevista Entrevista em Grupo Roteiro de Debate com a adoção de

tópicos guia - Comunitários Técnicas

Observacionais Diário de Campo c) Comparar as práticas sociais

comunitárias vivenciadas em pequenas localidades na Amazônia com os valores compartilhados pelo campo de estudos do Pós- desenvolvimento.

Pesquisa Documental Páginas de web site, projetos e vídeos Pesquisa Documental Textos dos projetos desenvolvidos pela

comunidade

Entrevista Individual Roteiro de Entrevista - Liderança Entrevista em Grupo Roteiro de Debate com a adoção de

tópicos guia - Comunitários Técnicas

Observacionais Diário de Campo Fonte: Elaborado pela autora

Apresentado a forma como os dados foram acessados durante o desenvolvimento da pesquisa, serão expostos a seguir o conjunto de textos escritos e falados utilizados na análise do presente estudo.

Dans le document Appel à projets PIRVE 2008 (Page 42-45)