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Dans le document United Republic of Tanzania (Page 38-44)

Embora não tenha sido foco inicial desta pesquisa avaliar aspectos ergonômicos dentre outros que contribuem para o adoecimento dos trabalhadores, a ausência de uma análise sobre tal realidade constituí-se em uma inquietação, mesmo porque, é necessário que percebamos o nexo causal existente entre a qualidade de vida do trabalhador, ou deficiência dela e a ocorrência de acidentes e incidentes.

Tendo por parâmetro a fase exploratória desta pesquisa com a detecção de ausência de mecanismos de contabilização de adoecimento e agravamentos à integridade física dos trabalhadores, optou-se por realizar um diagnóstico de possíveis causas de adoecimentos relacionados à atividade laboral, a fim de demonstrar a relevância de uma postura proativa e preventiva no que concerne a esta temática. Desta forma, concomitante ao formulário de avaliação da cultura da segurança, foi aplicado com os colaboradores do empreendimento, uma ferramenta de análise de dor e desconforto denominada Ferramenta Corlett, a qual denominei durante a aplicação de mapa da dor.

Esta ferramenta foi utilizada por Corlett e Manenica em 1986 e consiste na ilustração de partes do corpo humano, dividido em 27 partes, compreendendo o lado direito e o esquerdo. A identificação das partes do corpo é feita não apenas por meio de seu nome, mas também através de números, facilitando assim a identificação e compreensão por parte dos respondentes do formulário. Para cada parte do corpo que o trabalhador apresentar dor durante a atividade laboral e/ou

após a sua execução, deverá atribuir uma nota que varia entre 01 e 05, sendo estas correspondentes ao nível de dor e desconforto apresentado36.

Através desta análise pode ser percebido que muitos trabalhadores apresentam algum tipo de dor relacionada à sua atividade laboral, pois, 61 dos 98 respondentes do formulário que avaliou a maturidade da cultura da segurança declararam sentir algum tipo de dor ou desconforto, conforme apresentado no quadro 03 a seguir.

Quadro 03: Analise da Ferramenta de Corllet na APAEB Setor Trabalhadores

com dor

Trabalhadores sem dor

Quantitativo de trabalhadores com dor por gênero Homem Mulher Tinturaria 0 2 xxx xxx Expedição 4 3 4 0 Preparação 1 1 1 0 Checagem 6 2 5 1 Cordoaria 2 0 2 0 Oficina 4 2 4 0 Produção de tapetes 13 5 4 9 Beneficiamento 14 2 8 6 Fiação 8 10 8 0 Tecelagem 9 2 9 0 Administrativo / outros 0 8 xxx xxx Total 61 37 45 16

Fonte: Elaboração a partir do formulário (2016).

Os trabalhadores da tinturaria e da administração, bem como o único respondente atuante com serviços gerais37, declararam não sentir qualquer tipo de dor. Dos 61 trabalhadores que declararam sentir algum tipo de desconforto ou dor 45 eram do sexo masculino e 16 do sexo feminino. Observou-se, através desta análise, que as dores são mais recorrentes em trabalhadores com maior tempo de serviço na APAEB, bem como com maior faixa etária.

No setor de beneficiamento do sisal, a incidência de dor ficou entre aqueles que apresentavam entre 01 e 19 anos de trabalho no empreendimento, prevalecendo à incidência de dor com intensidade leve a moderada.

O gênero mais afetado dos 14 respondentes que declararam dor foi o masculino, com total de 08, valendo destacar que destes 07 declararam sentir dor na

36 Nível 01 – sem dor; nível 02 – dor leve; nível 03 – dor moderada; nível 04 – dor forte; nível 05 – dor

insuportável.

bacia com intensidade leve ou moderada. As partes do corpo que apresentaram maior incidência de dor para os trabalhadores do beneficiamento foram respectivamente bacia, ombros e costa superior.

Na produção de tapetes, a incidência de dor ficou entre os trabalhadores com 10 à 18 anos de trabalho38, prevalecendo as ocorrências entre o sexo feminino, correspondendo a 09 dos 13 casos relatados. As partes do corpo mais afetadas foram respectivamente ombros e bacia, seguida de costas inferior, superior, pescoço e costas média. A intensidade da dor predominante foi nível três, contudo foi registrado elevado quantitativo de dores nos níveis dois, quatro e cinco.

Na oficina, 04 trabalhadores relataram apresentar dores em partes diversas, costas média, bacia, coxa até o pé e punhos. O tempo de trabalho foi entre 15 à 20 anos e a faixa etária predominante está entre 35 à 45 anos. A intensidade das dores predominou no nível mais elevado, o cinco, caracterizado como dor insuportável.

Na cordoaria dos 02 trabalhadores que relataram dor, houve consenso com relação a dores na bacia, sendo indicado pelos dois respondentes, dores neste local além de dores no cotovelo, pernas, joelhos e pés. A variação do nível da dor ficou entre dois e três, ou seja, dores leves à moderadas.

Na fiação, assim como na oficina e cordoaria, todos os trabalhadores que relataram dor são do gênero masculino. Foram 08 relatos de dor ou desconforto com predominância maciça de dores na bacia seguida de dores nos ombros até as mãos e coxa até os pés. A variação etária está entre 26 à 51 anos, o tempo de trabalho da maioria dos respondentes esta entre 11 e 17 anos e a intensidade da dor predominante foi leve, correspondente ao nível dois.

Na tecelagem, a faixa etária de predominância de dor e desconforto foi entre 42 e 50 anos de idade, naqueles com 11 à 24 anos de trabalho. Os locais de maior predominância da dor foram respectivamente, bacia, coxas até os pés seguido de costa inferior, ombros, cotovelos, antebraço e mãos. O nível da dor predominante foram dores leves a moderadas, sendo registradas também dores de intensidade forte e insuportável, principalmente em partes como a bacia e ombros.

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Apenas um trabalhador com quatro anos de serviço declarou sentir dor, de intensidade leve nos ombros e na região da coxa e pernas.

Na expedição, as dores distribuíram-se de forma difusa, não havendo um consenso sobre uma parte específica, mas sim, uma região do corpo, centrada na parte superior, o que implica em dores iniciadas na bacia e que perpassam costas inferior e superior bem como ombros e braços até as mãos. A faixa etária dos respondentes está entre 32 e 47 anos e o tempo de serviço na APAEB entre 15 e 19 anos.

Na preparação houve apenas um relato de dor, sendo esta localizada nos ombros e nas coxas até os pés. Na checagem, por sua vez, dos seis relatos de dor, cinco corresponderam ao gênero masculino. As partes mais afetadas foram respectivamente bacia, ombros, mãos, da coxa aos pés, braço antebraço e mãos.

A fim de minimizar os efeitos deletérios das atividades repetitivas e monótonas, bem como das altamente desgastantes por demandarem elevado dispêndio de energia e força, sugere-se a prática e ampliação da ginástica laboral em todos os setores com frequência diária, extensão da prática da rotatividade dos postos de trabalho nos locais onde for possível, maior investimento em adaptação ergonômica, com realocação de trabalhadores que apresentarem sintomas de problemas relacionados a tarefa executada, a fim de evitar a sobrecarga, que gera como consequência o adoecimento profissional.

Reitera-se, por fim, que a adoção desta ferramenta não tinha por objetivo avaliar profundamente a situação ergonômica dos trabalhadores no empreendimento, mas sim, apresentar um diagnóstico que apresentasse a relevância da observância dos aspectos ergonômicos, na diminuição de adoecimento e acidentes. O levantamento realizado servirá como alicerce para que o empreendimento avalie as condições de trabalho e os impactos que estas geram ao trabalhador, devendo, portanto, os dados ser avaliados por especialistas da área da ergonomia e medicina.

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