Sobre os instrumentos e fontes de informação utilizados durante o processo da ADD, Afonso (2016) refere que:
A confluência de distintas dimensões a avaliar no desempenho docente dá azo à existência de múltiplos instrumentos e fontes de informação acerca do desempenho do professor, o que satisfaz a procura de rigor e justiça no processo de avaliação, tendo em atenção a complexidade daquilo que se considera ser o bom professor (p. 83).
Neste sentido, os instrumentos e fontes de informação são importantes durante a ADD, tendo em conta que a concorrência de diferentes medidas no processo da avaliação docente propicia o aparecimento de várias ferramentas e fontes de informação que concorrem para o bom desempenho do professor o que torna saciável a demanda e justiça no processo da avaliação com base nas dificuldades que o torna bom professor.
Segundo Almeida (2016):
A decisão sobre quais as fontes da avaliação a adotar deve ser muito ponderada e refletida, tendo em conta as vantagens e desvantagens associadas a cada uma delas. A recolha de dados para a avaliação dos docentes pode ser realizada recorrendo a diferentes técnicas e instrumentos. Pode ser efetuada por entidades hierarquicamente superiores ou por pares, originando dispositivos de avaliação distintos. Por outro lado, pode apoiar- se na observação de aulas, no portfólio, na autoavaliação, em questionários aos pais/encarregados de educação e alunos (p. 34).
Neste caso, a definição dos instrumentos são elementos necessários nesta discussão e deve ser prudente e refletida, levando em conta os benefícios e inaplicabilidade em qualquer deles. A recolha de informações para a ADD pode ser efetuada investigando de maneiras diferentes e com instrumentos diferentes. A mesma é realizada por responsáveis da escola ou por colegas, partindo dos mecanismos de avaliação identificados e definidos. Por outro lado, pode encontrar-se auxílio na observação das aulas, no portefólio, na avaliação do próprio professor, em questionários aos pais e encarregados de educação.
Vidal (2016) refere ainda que:
a observação das aulas deveria transformar-se em momento de diálogo, reflexão séria e sincera, a fim de reduzir os níveis de tensão dos professores. Deveria ser realizada, como prevê a supervisão pedagógica, na base da colegialidade, da amizade, da cooperação, ao invés de se tomar uma posição de julgamento (p. 27).
A fase da realização de observação, de acordo com Vidal (2016), é composta por três ciclos de observação de aulas que são: “Encontro pré-observação, observação e Pós-observação” (p. 27). Neste caso, antes do observador levar a efeito a observação, ele deve conhecer a função de cada uma delas. Por um lado, para melhorar o profissionalismo dos docentes, a
30 observação por si só não é suficiente, ou seja, o próprio professor também tem de avaliar a si mesmo. Por isso, Almeida (2016) refere que:
A autoavaliação permite que o professor autoanalise o seu desempenho profissional refletindo sobre as suas práticas. Tem como principal objetivo a melhoria da eficiência do docente, a partir de um maior conhecimento das suas vertentes positivas e negativas e tem por pressuposto que o principal motivo para os professores participarem na avaliação é compreender e aperfeiçoar as suas práticas (p. 35).
Se o professor se avalia a si mesmo, possibilita que o docente autocorrija a sua prática profissional e que se reflete sobre os resultados do seu trabalho. Esse exercício leva os professores a melhorarem as suas competências, pois entendemos que o principal motivo que os leva a se envolverem na avaliação é a melhoria da qualidade das suas aulas.
Ainda a respeito da autoavaliação, Vidal (2016) afirma que:
O avaliado deve proceder à sua autoavaliação e melhorar o seu desempenho profissional em função da informação recolhida durante o processo de avaliação. A autoavaliação permite precisamente ao professor refletir sobre a sua forma de organização do ensino, tomar consciência dos seus avanços e recuos, para assumir novas decisões devidamente fundamentadas e argumentadas (p. 29).
Para melhor acompanhamento e controlo dos resultados obtidos através da observação de aulas e da autoavaliação, recorre-se normalmente ao portefólio. É um instrumento essencial na ADD uma vez que permite tanto ao avaliador como ao avaliado seguir a trajetória de todo o processo de avaliação, pois nele ficam registados todos os aspetos que precisam de ser melhorados permitindo, assim, a adoção de estratégias que visam superar as falhas cometidas, como se pode depreender das palavras de Vidal (2016) para quem “os instrumentos de ADD incluem todos os meios de registo de dados usados pelo avaliador para refletir sobre o trabalho do professor e posterior orientação com vista à melhoria do processo docente educativo” (p.26).
Ainda a propósito do uso do portefólio Alarcão e Tavares (citado em Pires, 2014) referem que “o portefólio é um excelente instrumento que permite o acompanhamento do Desempenho Profissional, pois evidencia um conjunto coerente de documentação refletidamente selecionada, significativamente comentada e sistematicamente organizada e contextualizada no tempo, reveladora do percurso profissional do docente” (p. 29). Esta ideia é referida, também, por Almeida (2016) segundo o qual “progressivamente, os portfólios são cada vez mais adotados como estratégia avaliativa e podem ser considerados como um recurso que auxilia a avaliação de desempenho, uma vez que reúnem uma série de documentos/evidências, suscetíveis de avaliação” (p.45). O autor refere ainda que o
31 portefólio é “um conjunto de documentos específicos, selecionados para serem representativos da excecionalidade do percurso do seu construtor. Deve demonstrar sobretudo a análise, a reflexão, a ponderação e a decisão pertinentes do sujeito a avaliar” (p. 47).
Além dos instrumentos referidos, a avaliação pelos pares tem sido também uma estratégia utilizada no processo da ADD com vista a desenvolver o conhecimento do professor avaliado. O recurso a este instrumento é confirmado por Vidal (2016, p. 31) que ao se referir à avaliação interpares, admite que “a participação dos pares na ADD, proporciona mais abertura entre eles por via do diálogo, as reflexões tornam-se mais sérias e produtivas porque eleva-se a disposição para mudança e cria-se a cultura de observação e avaliação colegial”.