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Como uma das nossas indagações neste trabalho é especificamente sobre as técnicas aplicadas pelo tradutor, obviamente essa parte teórica não poderia faltar. Apresentamos as diversas técnicas tradutórias abordadas também por Molina (2001) em sua tese doutoral, ou seja, a pesquisa e a análise do presente trabalho tiveram como foco principal as técnicas tradutórias e conceitos trazidos pela autora espanhola.

Em outras palavras, estamos de acordo com Molina (2001) quando ela defende que a técnica de tradução é um resultado que está diretamente ligado à opção do tradutor e que, partindo dessa opção, a validade da tradução estará diretamente ligada às diversas questões, derivadas do contexto, da finalidade tradutória, das expectativas dos leitores, entre outras tantas (MOLINA, 2001, p. 112).

Na verdade, a qualidade de uma técnica só terá sentido e terá validade se for avaliada dentro de um contexto real, autêntico. Quer dizer, não podemos avaliar se tais técnicas aplicadas são de boa ou má qualidade estando em um contexto abstrato, tendo somente o caráter funcional e dinâmico para avaliar.

Existem diversos autores, como Nida (1964) e Valdés Rodriguez (2004), que usam a nomenclatura de “estratégias de tradução”, para o que Molina (2001) denomina técnicas de tradução. Como o nosso trabalho segue mais a linha de pesquisa de Molina, nós também optamos em manter a denominação “técnica de tradução e/ou tradutória”.

É importante recordar que as técnicas de tradução não são o único meio para analisar um texto traduzido, já que para ser avaliada a qualidade de uma tradução, outros elementos devem estar presentes, como coerência, coesão e qualidade do material apresentado.

Apresentaremos aqui todas as técnicas que estão expostas na proposta de Molina (2001), visto que muitas delas não estão contempladas na análise do nosso material, mas mesmo assim é importante saber que, dependendo do material e do gênero textual, algumas técnicas estarão mais presentes que outras.

Para apresentar a proposta de Molina (2001), percebemos a necessidade de fazer uma tradução dos elementos apresentados, pois a autora trabalhou com os idiomas: espanhol, árabe, francês e inglês. Como nosso intuito é divulgar a proposta da autora, entre os pesquisadores da área da tradução, principalmente o público brasileiro,

buscamos usar ao máximo o par de línguas português-espanhol. Mas em alguns momentos, tivemos de usar o par de línguas português-inglês, por encontrarmos dificuldades para contextualizar os exemplos culturalmente entre o português e o espanhol.

Seguem abaixo as técnicas tradutórias propostas por Molina (2001):

Adaptação: substituir um elemento cultural por outro próprio da cultura-meta. Ex.: o rugby pelo futebol. Quer dizer, em um texto que apareça a palavra rugby, um tradutor brasileiro resolve adaptar e trocar a palavra rugby por futebol.

Ampliação Linguística: agregar elementos linguísticos. Essa técnica normalmente é utilizada em interpretação consecutiva e dublagens. Ex.: Te quiero, por Eu amo você. Amplificação: introduzir informações, paráfrases que não estavam presentes no texto de origem. Ex.: torada por espetáculo tradicional espanhol em que se provoca touros bravos.

Cópia: tradução literal de uma palavra ou sintagma estrangeiro. Ex.: leche descremada por leite desnatado. Compensação: introduzir em outro lugar do texto-meta

um elemento de informação ou efeito estilístico que não pode ser mantido no mesmo lugar que aparece no texto original. Ex.: vestia nuevos zapatos por calçava sapatos novos.

Compreensão Linguística: sintetizar elementos linguísticos. Recurso utilizado em tradução simultânea e subtitulagem. Ex.: ¿Hola, cómo lo has pasado? por Como vai?

Criação discursiva: estabelecer uma equivalência passageira, totalmente fora do contexto. Ex.: Hansel e Gretel por João e Maria.

Descrição: substituir um termo ou expressão pela descrição da sua forma e/ou função. Ex.: nachos por chips crocantes feitos de farinha de milho, saboreados normalmente com guacamole.

Equivalente inventado: utilizar um termo ou expressão reconhecida pelo dicionário como equivalente na língua meta. Ex.: La media naranja por A cara metade.

Generalização: utilizar um termo mais amplo, geral. Ex.: sandália de borracha por chinelo havaiana.

Modulação: mudar o ponto de vista, um foco ou categoria de pensamento em relação ao texto original. Pode ser de ordem léxica e/ou estrutural. Ex.: “Estou grávida” por “vas a ser madre” ou “vas a tener un hijo”, em vez de “estoy embarazada”.

Particularização: utilizar um termo mais preciso ou concreto. É o oposto da generalização. Ex.: havaiana por sandália de borracha, chinelo.

Empréstimo: integrar um termo ou palavra da língua exatamente como aparece. Ex.: e-mail para correo eletronico.

Redução: suprime no texto-meta elementos que estavam presentes no texto original. Pode ser em partes ou completo. Ex.: espetáculo tradicional espanhol em que se provoca touros bravos por toradas.

Substituição: muda elementos linguísticos por paralinguísticos, ou vice-versa. Ex.: “me puse colorada como un tomate” por “fiquei envergonhada”.

Tradução literal: traduzir, palavra por palavra, um sintagma ou expressão. Ex.: “Ela olha pela janela” por “Ella mira por la ventana”.

Transposição: mudar a categoria gramatical. Ex.: “No tardará en llegar” por volta logo.

Variação: mudar elementos linguísticos ou paralinguísticos que afetam os aspectos da variação linguística. Ex.: Introdução ou mudanças de dialetos, mudanças de entonação etc.

Para uma melhor visualização de todas as técnicas de tradução, apresentamos abaixo um quadro com o nome das técnicas e os exemplos expostos.

Quadro 3 – Nome das técnicas e os exemplos expostos

Adaptação rugby  futebol

Ampliação linguística Te quiero  eu amo você

Amplificação Torada  espetáculo tradicional

espanhol em que se provoca touros bravos

Cópia Leche descremada  leite desnatado

Compensação Vestia nuevos zapatos.  Calçava

sapatos novos.

Compreensão lingüística ¿Hola, cómo has pasado?  Como vai?

Criação discursiva Hansel e Gretel  João e Maria

Descrição Nachos  chips crocantes feitos

de farinha de milho, saboreado normalmente com guacamole Equivalente inventado La media naranja  cara metade

Generalização Sandália de borracha, chinelo 

havaianas

Modulação Estou grávida.  Vas a ser madre.

(ou Vas a tener un hijo), em vez de Estoy embarazada.

Particularização Havaianas  sandália de

borracha, chinelo

Empréstimo e-mail  correo eletronico

Redução Espetáculo tradicional espanhol

em que se provoca touros bravos  toradas

Substituição Me puse colorada como un

tomate.  Fiquei envergonhada. Tradução Literal Ela olha pela janela.  Ella mira

por la ventana.

Transposição No terdará en llegar.  Volta

logo.

Variação Introdução ou mudanças de

dialetos, mudanças de entonação etc.

Fonte: MOLINA (2001) [exemplos nossos].

Para finalizar este segundo Capítulo, recordamos os principais temas que foram discutidos até então. Começamos pela abordagem funcionalista para os Estudos da Tradução, logo trouxemos a aplicação da tradução em fatores extra e intra textuais, apresentados pela autora alemã Nord (1991). Nesse trecho da teoria também foi citada a cultura no texto e no contexto. Ainda dando sequência na parte teórica, citamos

o que entendemos por gêneros textuais, trazendo o suporte de Bakhtin (2004) e outros autores. Logo em seguida, citamos a abordagem cultural nos folhetos turísticos, e trouxemos a definição sobre os culturemas. E para finalizar o Capítulo, apresentamos as possíveis técnicas de tradução, técnicas essas abordadas pela espanhola Molina (2001), e que nos serviram de apoio para a análise do nosso corpus.

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