a) Educação Pré-escolar
A caracterização do grupo surgiu da necessidade de estimular o desenvolvimento global das crianças, para isso é fundamental conhecer o grupo nos diferentes níveis, nomeadamente ao nível do desenvolvimento da comunicação e da linguagem, ao nível do desenvolvimento motor e da autonomia pessoal e ao nível do desenvolvimento pessoal e social.
Para que o trabalho de educador seja bem conseguido deverá recorrer à observação. Esta constitui-se como fator crucial na ação pedagógica de um professor. De facto, a “observação implica e pressupõe um trabalho de relação e/ou integração desses mesmos componentes” (Formosinho, 2002, p.170).
Assim sendo é necessário,
“observar cada criança e o grupo para conhecer as suas capacidades, interesses e dificuldades, recolher informações sobre o contexto familiar e o meio em que cada criança vive, são práticas necessárias para compreender melhor as características das crianças e adequar o processo educativo às necessidades” (Silva, 1997, p.25).
A primeira parte do estágio profissionalizante foi desenvolvida numa sala dos 3 anos de idade, num grupo constituído por 22 crianças, maioritariamente crianças do sexo masculino.
Nota-se um maior desenvolvimento das crianças mais velhas, que contemplam os 4 anos no início de 2013. Neste sentido, é essencial ter em conta os conhecimentos das crianças, bem como as experiências de vida, de forma a adequar as planificações. Segundo Piaget (citado por Boyd & Bee, 2011) as crianças aos 3 anos de idade encontram-se no estádio Pré-operatório – as crianças desenvolvem um sistema de representações usando símbolos para representarem lugares, pessoas e acontecimentos. O jogo simbólico e a linguagem representam manifestações importantíssimas deste estádio.
Ao nível do desenvolvimento de comunicação e de linguagem, o grupo era predominantemente egocêntrico e pouco socializador, isto é, pelo facto de as crianças estarem centradas nelas próprias, não conseguiam distinguir o ponto de vista próprio, do ponto de vista de outro, confundindo o subjetivo e o objectivo, o pessoal e o social, sendo natural a observação de monólogos.
40 De modo geral, as crianças eram sempre bastante comunicativas, mostrando vontade em participar, expressando as suas opiniões, quer na relação criança-criança, adulto-criança ou mesmo criança-adulto.
Aqui observamos que a linguagem estava numa fase de grande desenvolvimento. As crianças aprendiam muitas palavras novas e faziam grandes melhorias na pronúncia. Comunicavam com frases simples e estavam a aperfeiçoar o uso da gramática. Desenvolviam o pensamento lógico enquanto brincavam. Construíam puzzles simples e percebiam que um objeto pode ser separado em partes. A maioria do grupo já contava acima de 10.
No que se refere ao nível do desenvolvimento motor e de autonomia pessoal, segundo as Orientações Curriculares, “[…] o corpo da criança vai progressivamente dominado desde o nascimento e de cujas potencialidades vai tomando consciência, constitui o instrumento de relação com o mundo e o fundamento de todo o processo de desenvolvimento e aprendizagem” (ME, 1997:58).
Nesta faixa etária e até aos 6 anos de idade, as crianças “fazem grandes progressos nas competências motoras – tanto as competências motoras grossas, como correr ou saltar, como as competências finas, como abotoar e desenhar”. (Papalia, Olds, Feldman, 2001, pág. 286).
Sendo assim, ao nível do desenvolvimento pessoal e social, nesta idade as crianças identificam-se com outras pessoas, seja por laços de amizade, semelhanças físicas e/ou psicológicas. Encontram-se numa fase em que estão a aprender a perceber os sentimentos e as suas causas e lentamente a controlar as emoções, sendo normal e frequente entrarem em estados de irritabilidade.
É importante salientar, que existia nesta sala um menino com epilepsia. Esta criança tinha constantemente crises de ausência, da qual ficava imóvel e alheada, com o olhar fixo, porém, após ter sido submetida a uma cirurgia as convulsões deixaram de existir. Apesar disso, ainda era necessário o acompanhamento de um adulto a toda a hora, pois precisava de toda a atenção uma vez que não falava e não conseguia movimentar-se sozinho.
Após analisar as fichas de anamnese das crianças, relativamente à caracterização ao nível sociocultural do grupo, pode-se afirmar que as habilitações académicas dos pais/encarregados de educação situavam-se, na maioria, ao nível da licenciatura e uma pequena minoria possuía o 2º ciclo. A situação profissional dos pais era estável, verificando-se apenas dois em situação de desemprego. Assim, o grupo provinha de um extracto maioritariamente médio e as crianças possuíam um ambiente
41 familiar estável. As idades dos mesmos variavam entre os 29 anos e os 49 anos de idade.
Neste grupo existem principalmente famílias nucleares e poucas famílias monoparentais. Quanto ao número de irmãos é muito similar ao número de filhos únicos.
Estas informações, podem ser encontradas nas fichas de caracterização dos alunos e, no caso do ensino pré-escolar, nas fichas de anamnese.
b) 1º Ciclo do Ensino Básico
De forma a realizar a caracterização da turma do 1º CEB envolvidas na segunda parte do estágio profissionalizante, foram analisadas diversos documentos que integravam dados relativamente a cada criança.
A turma do 1º ano do 1ºCEB, era composta por 25 alunos, com idades compreendidas entre os 5 e os 7 anos, do qual 13 eram do sexo feminino e 12 do sexo masculino. A maioria dos alunos reside na cidade do Porto, tendo frequentado, maioritariamente, a educação Pré-Escolar desde os 3 anos.
No que respeita ao contexto socioeconómico dos alunos, este varia entre baixo/médio ou médio/alto. Todos os alunos habitam com os pais e irmãos biológicos (nos casos existentes) e quase todos os Encarregados de Educação/Pais possuem habilitações académicas equivalentes ao Ensino Superior, desde licenciaturas, mestrados e doutoramentos (Ver nexo 4).
Segundo Piaget, (citado por Boyd & Bee, 2011) a turma de primeiro ano, encontra-se no estádio de desenvolvimento chamado de pré-operatório, tal como no grupo de crianças da Educação Pré-escolar, porém, a seguir iremos refletir sobre diferenças observadas entre um grupo e outro.
Um aspeto visivelmente observável, foi que, apesar de ser um grupo maioritariamente caracterizado por crianças com 6 anos de idade, os alunos já não apresentam comportamentos tão egocêntricos, já que partilham materiais quando algum colega não possuía. Por vezes, era notória a incapacidade de ouvirem os interesses e opiniões dos outros suscitando alguns conflitos com ideias controversas. No entanto, quando a professora ou estagiária os questionava acerca de algum erro cometido, estes eram bastante sinceros admitindo o erro cometido. A turma mostrava ter, um espírito de entreajuda muito grande, pois as crianças disponibilizavam-se para
42 se ajudarem mutuamente, quer em exercícios acerca de algum conteúdo, quer em situações do dia-a-dia, como por exemplo, abrir um pacote de bolachas na hora do lanche.
Tendo em conta de que se tratava de uma turma de 1º ano do 1ºCEB, em termos de comportamento, a turma era bastante conversadora e muito distraída. Assim, e devido à sua “infantilidade” visivelmente ainda presente, qualquer comentário ou situação diferente era razão para surgirem gargalhadas e barulho de fundo. Inicialmente, as mesas da sala formavam três filas na horizontal (Ver anexo 5.1). Devido às constantes conversas paralelas que os alunos mantinham com os colegas do lado, a professora cooperante e as estagiárias decidiram mudar a disposição das mesas para ficarem apenas duas crianças por mesa (Ver anexo 5.2) Mesmo assim, houve a necessidade de mudar uma última vez a disposição das mesas, em que as mesmas se encontravam em U (Ver anexo 5.3). Finalmente, esta mudança beneficiou para um melhor comportamento da turma.
Outra estratégia encontrada pelas estagiárias e professora cooperante, a fim de “combater” o mau comportamento da turma, foi o “semáforo do comportamento” (Ver anexo 5.4) para que este fosse regulando os comportamentos e as regras de sala de aula a interiorizar. Assim, este dispositivo regulador e pedagógico servia para atribuir uma bola verde (a quem tivessem muito bom comportamento e cumprisse com as regras estabelecidas); amarelo (para quem nem sempre tivesse bom comportamento e que por vezes não cumprisse as regras de sala de aula) e a bola vermelha (para aqueles que apresentavam mau comportamento e que não respeitam as regras de sala de aula). Apesar destas estratégias, muitas eram as vezes em que a professora ameaçava escrever um recado na caderneta para o encarregado de educação de um ou outro aluno.
Relativamente à autonomia, observamos uma turma que não mostrava ser muito autónoma, pois ainda necessitava bastante da orientação da professora na realização das atividades. Por exemplo, quando era solicitado a pintura de alguma imagem, era necessário esclarecer que material usar para a pintura (lápis de cor, lápis de cera ou marcadores).
No que se refere à área onde existiam maiores dificuldades de aquisição dos conteúdos, era na área de português. Apesar de ser um 1º ano de escolaridade, ao nível do domínio de decifrar e escrever palavras, os alunos tinham algumas dificuldades em identificar as letras maiúsculas e minúsculas dadas, confundindo algumas vezes, certas letras com o fonema errado. No entanto, existia um aluno que
43 desde o início já conseguia ler algumas palavras com facilidade. Naturalmente não podemos ignorar que se trata de uma turma de 1º ano e que necessitam, obrigatoriamente de tempo para adquirirem novos conhecimentos.
Porém na compreensão oral, a turma encontra-se num nível satisfatório, pois quando realizadas as atividades da hora do conto, estes conseguiam reter o essencial de uma história e respondiam corretamente a perguntas relativamente ao texto ouvido. Em relação à expressão oral, a turma apresentava um discurso claro e bastante diversificado. A maior parte dos alunos conseguia narrar histórias/situações reais, com alguma desenvoltura perante as outras crianças. Para desenvolver este aspeto, a professora e a estagiária, aproveitam momentos “mortos” (lanche da manhã/tarde) para pedir a algumas crianças que contassem alguma história aos colegas.
Na área de matemática, não foram observadas grandes dificuldades no desenvolvimento e implementação dos conteúdos de ensino-aprendizagem. No domínio Números e Operações, era possível observar que a turma realizava com facilidade contagens progressivas mesmo em relação a números que ainda não tivessem sido aprendidos. Também conseguiam facilmente ordenar números e trabalharem conceitos como maior, menor e igual. Muitas das crianças auxiliavam-se da imagem do tubarão de boca aberta (Ver anexo 5.5), afixada no placard da sala, utilizada pela estagiária como auxiliador, quando introduziu estes conteúdos, de forma a facilitar o raciocínio e identificação do sinal. Em relação à adição, a maior parte das crianças mostravam facilidade na realização do raciocínio. Estes compreendiam com clareza quando tinham de adicionar ou acrescentar algo.
Relativamente à área de Estudo do Meio, os conteúdos programáticos eram demasiado acessíveis para o grupo, uma vez que estes não demonstram qualquer tipo de dificuldades. Por fim, na área das expressões artísticas (que se divide em expressão plástica, expressão dramática e expressão musical) foi efetivamente a expressão plástica a mais trabalhada pela turma através de atividades que lhe permitiam pintar, o desenhar, fazer colagens e recortes. As estagiárias tiveram o cuidado de realizar atividades de expressão plástica que fizessem ligação com algum conteúdo ou programático ou algum tema abordados nessa semana. Neste sentido, reconhecemos a importância de planificar atividades também para as outras expressões, tão importantes como a expressão plástica.
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