Table des planches :
B- partie des mutations du tissu depuis 1830
Fonte: Elaboração própria, a partir da Junta de Freguesia da Estrela e das entrevistas a alguns stakeholders locais.
5.2.4. Campo de Ourique
a) História, cultura e património
Antes de ser o que é hoje, Campo de Ourique correspondia a uma área de campo agrícola, que só se transformou num bairro residencial em 1879. Atualmente este bairro pertence ao centro histórico de Lisboa. Este tem uma excelente localização e trata-se sobretudo de um bairro mais pacato, conhecido como um dos mais agradáveis e com melhor qualidade de vida. É um bairro que está na moda, é desejado por muitos mas possível apenas para alguns devido aos preços elevados, que agora se veem um pouco por toda a Lisboa devido ao turismo acentuado.
O bairro ainda tem algumas atrações turísticas, como é o caso da Igreja do Santo Condestável, da Casa Fernando Pessoa, da Basílica Monumental e do Jardim da Parada. À semelhança da Estrela é um bairro nobre onde viveram algumas ilustres personalidades da cultura portuguesa, como é o caso do poeta Fernando Pessoa. O Mercado de Campo de Ourique, com escolhas gastronómicas variadas, é não só um local histórico (mais de 80 anos de história), como possui ainda um ambiente confortável e descontraído.
b) Identidade cultural
O bairro de Campo de Ourique tem uma vertente mais habitacional, tal como o bairro da Estrela, mas no que toca à sua identidade cultural não deixa de ser um bairro com características culturais
C a ra ct er iz a çã o d a Id en ti d a d e C u lt u ra l d o b a ir ro d a E st re la Moradores locais (portugueses) Cultura portuguesa Costumes locais Gastronomia típica Comércio tradicional Festas e Eventos locais Património arquitetónico Museus e Munumentos Tradição do Azulejo
Este conjunto de indicadores permitem, assim, formar os principais traços culturais deste bairro e compreender, consequentemente, a sua identidade.
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únicas devido aos seguintes fatores (de acordo com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique e alguns stakeholders locais):
➢ Riqueza do seu comércio tradicional - um comércio de rua extremamente rico e variado (mercearias, sapatarias, retrosarias, drogarias, talho, entre outros);
➢ Herança histórico-cultural (monumentos, museus, igrejas); ➢ Património arquitetónico;
➢ Festas populares (Festa de Santa Isabel – música, teatro e outros programas de animação); ➢ Costumes e tradições locais (convívios sociais; tradição do mercado de Campo de
Ourique);
➢ Gastronomia local;
➢ Habitantes locais (portugueses); ➢ Cultura portuguesa;
5.3. O Turismo nos bairros históricos
5.3.1. Tendências sociais, económicas e culturais nos bairros históricos
Os centros históricos representam um elemento fulcral na dinâmica das cidades e, em Lisboa, como em outras cidades europeias, estes sempre foram valorizados. O turismo, ainda que com muito menor ênfase, sempre esteve presente nos bairros históricos. Desde o século XVIII e XIX já existiam vários hotéis, sobretudo na freguesia de Santa Maria Maior, o que fazia com que fosse habitual a passagem de vários turistas e visitantes por estas zonas históricas. Ainda mais porque era aqui que se concentravam os principais pontos de comércio e serviços, assim como os principais polos culturais e patrimoniais (museus, teatros, monumentos) (Quaternaire Portugal, 2017).
No entanto, atualmente com a enorme pressão turística isso tornou-se muito mais evidente. Segundo Esteves (2018) a freguesia de Santa Maria Maior, da qual fazem parte os bairros de Alfama e Mouraria, é a mais afetada pela transformação turística – 34% das casas nestes bairros têm fins de alojamento local (percentagem relativa ao arrendamento de curta duração). Acrescenta-se, ainda, que nesta freguesia o número de turistas é superior ao número de moradores residentes. Mas até as freguesias menos turísticas têm visto o número de turistas crescer bastante, como é o caso da freguesia da Estrela e de Campo de Ourique.
Já há alguns anos que os bairros históricos têm se caracterizado pelo envelhecimento demográfico, pela degradação e abandono de alguns dos seus edifícios. No entanto, desde que o turismo se intensificou na cidade de Lisboa os bairros históricos foram sendo alvo de profundas
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modificações. Sobretudo nos bairros mais turísticos, como Alfama e Mouraria, as atuais tendências sociais, económicas e culturais já não passam despercebidas (Quaternaire Portugal, 2017):
• Novos “city users”: a facilidade das tecnologias e plataformas de alojamento local levaram a que estas zonas históricas rapidamente ganhassem popularidade entre os turistas e não só. Também passamos a encontrar nestes espaços algumas comunidades imigrantes e outros residentes temporários de diferentes nacionalidades;
• Aumento da reabilitação urbana: para combater um contexto de grande degradação de alguns edifícios e de modo a corresponder aos grandes fluxos turísticos, deu-se prioridade à recuperação de edifícios nos bairros. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) foi a grande mobilizadora destas ações, avaliando o património e respetivas medidas de intervenção. Na sequência disso foi necessário o contacto com proprietários, por métodos de intimação ou incentivo, não se descurando a preocupação em organizar programas de recolocação para a comunidade desalojada;
• Crescimento do alojamento turístico de curta duração: muitos dos edifícios dos bairros estão a ser comprados e reabilitados para fins de alojamento local, fazendo com que a presença de turistas seja constante;
• Subida dos preços: Lisboa coloca-se num patamar de outras cidades europeias, contando com preços de alojamento e comércio que não são acessíveis à maioria da população, como se verifica “o crescimento dos preços têm mantido um ritmo elevado: o preço das casas nas freguesias da Misericórdia, Santa Maria Maior e São Vicente subiu, em média, 46% nos últimos dois anos – só em 2016 o aumento foi de 19%.” (Quaternaire Portugal, 2017: 18-19);
• Desaparecimento do comércio tradicional: a chegada do turismo fez com que os negócios nos bairros fossem muito mais direcionados para a procura turística. Isto tem levado ao crescente encerramento de vários estabelecimentos tradicionais e, consequentemente, ao aumento de negócios ligados à hotelaria e à restauração;
• Afastamento dos residentes: este fenómeno tem vindo a acentuar-se muito desde a “explosão” do turismo nos bairros. Os habitantes locais veem-se obrigados a sair da sua casa, do seu bairro, da sua zona de conforto para as periferias para que estes novos city
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users beneficiem destes locais. Isto acaba por gerar um sentimento de revolta e descontentamento;
Segue-se um esquema de interligação destas tendências que ajuda a explicar estes fenómenos. Aqui verifica-se que é o acentuado crescimento do turismo que faz surgir estes novos city users, que passam a frequentar os bairros históricos. É para corresponder aos desejos e expetativas desta nova procura turística que se prosseguem fenómenos como o da reabilitação urbana para fins de alojamento local, ou seja, os espaços de residência habitual dão lugar a espaços de residência temporária para turistas. A par disto, e para retirar lucros do turismo, assiste-se ao aumento exponencial dos preços praticados no bairro, sobretudo no que diz respeito a aluguer/venda de imóveis ou espaços, tornando assim inevitável tanto o afastamento dos residentes, como o desaparecimento de certos espaços de comércio tradicional.
Esquema 10 - Interligação das tendências sociais e económicas dos bairros históricos.