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Le fait de participer implique la pleine acceptation du présent règle

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A parcela do diagnóstico referente à análise histórica apresenta a constituição, o desenvolvimento e a urbanização da área central de Vitória. O Centro, habitação primordial de Vitória desde 1537 com sua fundação, é referência para a preservação da memória de todo o Estado do Espírito Santo. Através do conhecimento histórico, essa parte do plano busca enaltecer os atributos positivos do lugar e concretizar a identificação com o Centro por parte dos capixabas. Para tanto, foi utilizada pesquisa

Figura 21: Fluxograma Metodológico do Planejamento Urbano Interativo do Centro de Vitória – Diagnóstico Preliminar

Fonte: adaptado de PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA, 2006

bibliográfica em fontes primárias, nos Arquivos Públicos Estadual e Geral da PMV, nas Bibliotecas Central da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Estadual, Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e com entrevistas a atores participantes de momentos históricos numa pesquisa oral. A pesquisa ainda contou com levantamento de iconografia objetivando a reconstituição da memória visual do Centro de Vitória e é finalizada com o aprofundamento da situação atual da região estudada e com o apontamento da necessidade de intervenções para a preservação da memória e do patrimônio cultural (ARAUJO, 2006, p.3).

A realização dos trabalhos desta etapa aconteceu nos meses de julho a outubro de 2005 e contou, assim como todo o programa “Planejamento Urbano Interativo do Centro de Vitória”, com subsídios do Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais do Ministério das Cidades. A metodologia aplicada contou com pesquisa histórica em corpos documentais como relatórios de presidentes de província e de prefeitos, ofícios, atas de Assembleia Legislativa Provincial e da Câmara de Vitória, Código de Posturas do município, entre outros, cujas fontes já foram citadas acima. A bibliografia consultada abarca diversas áreas do conhecimento como História, Sociologia, Geografia, Arquitetura e Urbanismo. Apenas 100 (cem) imagens do acervo fotográfico foram utilizadas na publicação do programa, mas este, juntamente com o uso de mapas, auxiliou no entendimento da evolução urbana da região central de Vitória (ARAUJO, 2006, p.8).

O Capítulo 10 deste trabalho é relevante para o que propõe esta dissertação, pois ele analisa a reorganização do espaço urbano nas novas demandas de Vitória (ARAUJO, 2006, p. 113). O Centro passa por modificações durante as décadas de 1960 e 1970 que resultaram na verticalização da cidade e em seu crescimento comercial da mesma gerando um processo de gentrificação e invasões de áreas públicas e privadas, principalmente em encostas de morros bem próximas ao Centro. Esse acontecimento colaborou no processo de desvalorização dos imóveis da região.

Até a segunda metade do século XIX, a economia de Vitória estava centrada no processamento do café, mas com a crise deste setor causada pelas técnicas de cultivo ultrapassadas, pela falta de investimentos em melhorias da qualidade das sementes e pelo preço desfavorável em relação aos preços internacionais, foi

implementada a política de erradicação dos cafezais e a economia deixou de estar pautada no café e passou para a pecuária, para o reflorestamento e depois para a cana-de-açúcar (ARAUJO, 2006, p. 113-115). Tais mudanças culminaram num processo de êxodo rural e num consequente aumento da densidade demográfica e da concentração urbana na Grande Vitória e da oferta de mão-de-obra desqualificada, além da redução drástica nos salários e da intensificação da ocupação dos morros e matas com o resultante agravamento do risco de desabamentos.

Segundo Araujo (2006, p. 116-122), as primeiras ações referentes a esses problemas do Centro e a outros apareceram na década de 1980 com a promulgação do Código Municipal de Vitória em 1985, que continha normas de prevenção contra incêndio, tornando-se referência posterior para normas de todo o país, e com ações na gestão do prefeito Vitor Buaiz, entre os anos de 1989 e 1992, quando foram formuladas as primeiras políticas voltadas para a revitalização do Centro com atenção especial para a ocupação desordenada. Em 1997, foi instituído o Projeto Terra, que também pode ser citado como importante ação em relação a região central de Vitória, visto que passou a ligar planos e obras urbanísticas com questões de promoção social.

A imagem urbana de Vitória foi sendo construída gradativamente nos moldes apresentados por Vaz e Pereira (2010, p. 32): consolidada com o tempo. Sua territorialidade se definiu e se define através das relações sociais históricas que ajudaram e ajudam a construir uma identidade dinâmica, como afirmaram Briskievics e Saquet (2009, p. 8), num constante renovo. Esta identidade se apresenta hoje através da paisagem (COTA, SILVA; 2013, p. 2) e por isso as propostas de intervenção no território devem levar em conta os seus processos de construção. Para isso, é preciso que a própria população e comunidade locais tenham acesso a essas informações e conhecimento, para que valorizem o lugar em que moram e passem a viver de fato ali (em todas as dimensões que esse termo representa).

Uma preservação efetiva da paisagem e do território deve se comprometer com o que Ricoeur (2007, p. 120-121) chama de “consciência íntima do tempo”, a temporalidade assim como a identidade como um processo que dura. Mais do que o conhecimento do objeto de preservação, importa aqui, num ideário citado pelo autor

da “fenomenologia pura”, mais a consciência do fluxo do objeto do que o objeto em si. No caso do patrimônio, isso se daria na exaltação mais da história do que na do próprio monumento a ser preservado. Essa etapa do programa da prefeitura tem esse comprometimento em buscar os processos históricos numa tentativa de construção dessa consciência do tempo e da identidade num fluxo.

3.1.2 Levantamento e Análise de Indicadores da Economia Urbana do Centro

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