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C. Le collectif de travail en construction

2. Vers le partenariat

A breve história dos programas de pós-graduação decorre do depoimento do Pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa, que acompanhou a evolução dos grupos por aproximadamente oito anos. Os marcos relevantes ao desempenho dos programas serão complementados pelas entrevistas com os diretores, alguns que atuaram desde o início.

Em 1999, a UCB contava com menos da metade dos mestrados atuais, dois em funcionamento (Educação e, Informática, de natureza profissional), dois para iniciar (Educação Física, e, Economia), e dois em incubação (Psicologia e, um na área ambiental, sem proposta definida). Também se cogitava abrir um programa na área de Direito.

À época (1999), nenhum programa havia sido autorizado pela CAPES. Atualmente, há 9 programas e 12 cursos, 9 de mestrados e 3 doutorados, todos autorizados. Depois foram criados os programas de Psicologia, Planejamento e Gestão Ambiental, Direito, Biotecnologia, e mais recentemente Gerontologia. Os projetos pedagógicos desses programas resultaram de debates desenvolvidos no âmbito de audiências qualificadas, que reuniram diversos grupos de interesse, individuais e institucionais. Esta foi uma estratégia de criação dos programas, que nasceram da harmonização das atividades de pesquisa dos docentes fundadores, com as demandas identificadas no DF, na região e no País. Várias audiências foram realizadas envolvendo profissionais independentes, ministérios, secretarias estaduais órgãos dos governos local e nacional, bem como representantes da CAPES e do CNPq. Além disso, as propostas resultantes nasceram consistentes com a formação e produção acadêmica dos docentes e pesquisadores, e a partir de discussões com a sociedade local.

Os critérios adotados à constituição dos novos programas foram os seguintes:

• Verificação de demanda social a partir da percepção de futuros candidatos e dos representantes dos órgãos convidados;

• Temas centrais emergentes e com oferta escassa no País ou na região;

• Inexistência de programas similares na região;

• Maior aproveitamento possível da infra-estrutura disponível;

• Grupo de docentes e pesquisadores da UCB, formando massa crítica suficiente para iniciar o programa;

• Autorização da Reitoria para completar os quadros docentes iniciais de acordo com as suas propostas pedagógicas e vocações de pesquisa;

• Desenho resultante de audiências qualificadas, envolvendo conjuntos diversificados de instituições e ou outros grupos de interesse;

• Tendência apontada nos estudos prospectivos realizados no Brasil e no exterior;

• Existência ou potencial de cooperação internacional; e,

• Disposição de um docente “campeão” comprometido com a nucleação de pessoal e para trabalhar no desenho das propostas.

Claro que a totalidade desses critérios não foi observada desde o início por todos os programas. Como discutido a seguir, as escolhas das distintas situações possíveis foram relevantes nas trajetórias dos programas, estabelecendo condicionantes com influência até os dias de hoje.

Dos programas em andamento em 1999, o mestrado em Educação foi o pioneiro. Havia sido autorizado em 1995, mas foi desautorizado em 1998. Deste fato resultou um significativo contencioso em relação aos estudantes, que não teriam seus diplomas validados, após a data da desautorização. Este problema foi resolvido a posteriori mediante interação da PRPGP com a CAPES, quando o programa foi credenciado novamente em 2000. A não observação do critério de inexistência de programas similares no DF, com a criação de um programa concorrente com a UnB e com outros da região, se de um lado viabilizou seu início, com a contratação de um grupo consistente de docentes e pesquisadores aposentados, por outro, gerou problemas de natureza política, inclusive junto à comissão de avaliação da CAPES. Não obstante, há ainda grande demanda social, a julgar pela relação candidato/vaga que tem sido verificada ao longo de todos esses anos. Outra questão à época se referia à média de idade dos docentes pioneiros, que somente agora vem perdendo força, com a contratação de docentes mais novos de outras origens. Com relação à cooperação internacional há apenas um relacionamento tênue com a Universidade de Londres, remanescente das relações pessoais dos docentes fundadores. Recentemente houve incorporação de três novos doutores (30%) e tem havido renovação dos temas de pesquisa, segundo as tendências internacionais e aumento da produção científica. O programa logrou nota quatro (4) na avaliação de 2003 e se prepara para submeter um projeto de doutorado, em 2007. Ressalte-se o intenso grau de participação da campeã do mestrado nos encontros dos programas de pós-graduação da área. Como será discutido no estudo comparativo de desempenho apresentado no quarto capítulo, o desempenho do programa se situa entre os melhores da UCB.

Originalmente com o título de Mestrado em Informática, o MGCTI, de natureza profissional, foi iniciado em 1997 sem autorização da CAPES. A partir de 2000, no seu processo de planejamento estratégico, após realização de audiência qualificada,

inclusive decorrente de uma visita solicitada aos consultores da CAPES, o programa evoluiu – mudou de nome e de proposta, tendo sido avaliado e autorizado em 2001. Deste então criou novas linhas de pesquisa e se enquadrou na classe dos programas multidisciplinares. As mudanças resultaram da consideração da demanda dos estudantes, na maioria profissionais de sucesso no mercado de trabalho – consultores, proprietários e dirigentes de empresas, mais interessados em administração do que em TI propriamente dita. Por outro lado, se considerou a oportunidade da existência de docentes que estavam investindo em pesquisas relacionadas à área de gestão do conhecimento. Um dos principais ativos do programa, a qualidade e experiência profissional dos seus discentes – não somente estão interessados em ganhar autonomia via aprendizagem de pesquisa, mas também e, sobretudo, à solução dos problemas de suas empresas. Esta é a caracterização profissional e multidisciplinar do programa. Vários prêmios de artigos foram conquistados resultantes de dissertações, mostrando a qualidade da interação docente-discente. Alguns docentes antes envolvidos em suas formações originais atuaram por muitos anos na gestão de educação, ciência e tecnologia, e ainda prestam serviços de consultoria a órgãos de governos e empresas. É evidente a sinergia entre as competências originais dos docentes com os propósitos do Programa. As dificuldades com relação à interdisciplinaridade e natureza profissional por parte dos consultores da CAPES criou obstáculos ao desempenho do MGCTI, que não mudou de nota na avaliação trienal de 2003. O corpo docente foi muito estável, com baixa rotatividade, o que resultou em boa conectividade no que ser refere à convivência social entre protagonistas – docentes e estudantes.

O programa de Psicologia foi autorizado logo na sua primeira tentativa em 1999. Em seguida foi protagonista de problemas de natureza corporativa e política acadêmica, tanto interna, quanto externa. Mal entendidos foram disseminados entre os pares acerca do programa, que hoje se revela organizado e produtivo. Houve rotatividade de docentes no núcleo básico, o que produziu mudanças de proposta e oscilações no programa. Esta situação poderia ter prejudicado a conectividade entre os docentes, o que de certo modo ocorreu, mas isto foi superado ao longo do tempo, pois os novos docentes contratados já eram conhecidos (três pesquisadores experientes) dos que ficaram. Houve também problemas de absorção dos novos doutores formados para inclusão no núcleo básico, em função da ainda pequena produção científica. Dúvidas sobre o programa puderam ser esclarecidas em recente visita realizada por consultores da CAPES. Também na primeira avaliação trienal em 2004 não melhorou de nota, embora a produção

acadêmica tenha melhorado de forma significativa. Novamente seus resultados confirmam a hipótese da relevância da história no desempenho atual dos programas.

O mestrado em Planejamento e Gestão Ambiental estava em gestação em 1999. À época a proposta apresentava uma grande variedade de áreas de concentração em função dos interesses e histórias profissionais dos docentes e da demanda dos estudantes. A partir de duas audiências qualificadas foi reformulado antes de ser iniciado. Foi um dos poucos programas autorizados na sua primeira tentativa e com nota quatro. A agressividade do programa na realização de projetos de grande relevância social tem desviado a atenção de alguns docentes em relação à produção científica aferida por artigos de impacto. Isto não diminui o mérito do programa, mas o tem prejudicado nas avaliações.

Os programas de Biotecnologia, Educação Física e Economia foram os que evoluíram com melhor desempenho e oferecem atualmente doutorados com boas notas, acima das médias nacionais. Em todos esses casos observa-se alta conectividade entre os protagonistas, sobretudo no que se refere à convivência social e realização de trabalhos conjuntos.

O Programa de Direito, apesar de ter resultado de audiência qualificada, entre os mais novos, não foi criado segundo o critério de não concorrência com outras IES, pois já havia em funcionamento ou em preparação os cursos da UnB e do CEUB, nas mesmas áreas de concentração (internacional). Este condicionante criou uma dificuldade, tanto em relação à proposta, quanto na composição do corpo docente exclusivamente dedicado, pois os três programas atuais no DF concorrem parcialmente com docentes comuns.

O Programa de Gerontologia, o mais recente de todos, resultou de várias audiências qualificadas envolvendo o Ministério da Saúde e um bom número de profissionais atuantes no DF em todas as suas áreas de concentração. Este programa seguiu estritamente os critérios propostos pela PRPGP. A estreita convivência entre os docentes durante a preparação do programa sugere altas conectividade e relação positividade/negatividade.

A infra-estrutura física ocupada (916 Norte), onde funcionam os programas de pós-graduação (com exceção da Educação Física e parte da Gerontologia, no Campus I em espaços próprios) se limitava a um antigo prédio que antes servia a uma clínica, com poucas salas de aula e laboratórios. O espaço físico foi triplicado e vários laboratórios

foram instalados, sobretudo de Biotecnologia e Informática, com mais salas de aula e de professores.

Com relação às atividades de pesquisa, o crescimento e a consolidação se deram de forma significativa. Em 1999 havia somente 17 projetos em andamento com apenas 3 com financiamento externo. Em 2006 foram mais de 150 projetos, sendo mais de 50 com financiamento externo. A atividade está institucionalizada.

Tal evolução mostra claramente que houve uma dinâmica que combinou a atração de inteligência com a contratação de pessoal qualificado e comprometido, com ampliação da infra-estrutura, com processo mediado por uma gestão positiva, autorizando e investindo nos programas de pós-graduação e pesquisa.

Fica evidente que, a história dos programas da UCB tem influído fortemente nas avaliações de desempenho e nas suas dinâmicas de evolução, conforme hipótese desta investigação.

CAPÍTULO 4 – ESTUDO COMPARATIVO DOS