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De la part d’un autre plaignant

6 Politique des plaintes

6.1.2 De la part d’un autre plaignant

A expansão das técnicas construtivas e os conceitos da arquitetura moderna trouxeram uma série de transformações arquitetônicas que influenciaram os hábitos sociais. As novas tecnologias e materiais usados nas estruturas e composição das edificações contribuíram para a criação de edifícios conceitualmente modernos com a passagem nem sempre desejável de luz e calor. A denominada pele de vidro passou a incorporar as fachadas dos edifícios no início do século XX e, elementos de proteção solar passam a serem vistos como possíveis solucionadores para controlar os efeitos da incidência solar direta nas edificações. Dentre os protetores solares estão os brises.

O brise-soleil, ou simplesmente Brise, corresponde a uma tipologia de dispositivo de proteção solar concebido por Le Corbusier em meados do Séc. XX. Maragno (2000, p.8) define como “elemento arquitetônico formado por placas externas com a finalidade de impedir que os raios solares atinjam diretamente as superfícies, principalmente as transparentes, das edificações”. Estes elementos, em sua concepção inicial, sofreram a influência de atuação das culturas construtivas árabes e asiáticas, que já utilizavam elementos arquitetônicos para bloquear a passagem dos raios solares (GUTIERREZ & LABAKI, 2005), porém se diferenciam dos mesmos pela forma e materiais empregados.

Le Courbusier apresentou o brise durante o desenvolvimento de projetos habitacionais para Argel e Barcelona em 1933. No Brasil, a primeira aparição só ocorreu de fato no Rio de Janeiro em 1942, na obra do edifício do Ministério da Educação e Saúde Pública- MES (figura 10 e 11), nomeado Edifício Gustavo Capanema em homenagem ao ministro da Educação e Saúde Pública do governo de Getúlio Vargas. Nesta obra Le Corbusier foi convidado por Lucio Costa para assessorar a equipe responsável composta pelos arquitetos

Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira e Affonso Eduardo Reidy (FERRAZ, 2013). Seu projeto foi considerado um marco da moderna arquitetura no Brasil devido à sua importância cultural (COLIN, 2004). A edificação foi idealizada para ser resfriada através de ventilação natural, e controla a radiação solar através dos brises horizontais móveis, entre planos verticais fixos na fachada Norte. Representou um dos primeiros prédios modernistas construídos (KIST & ALVES, 2010) e “um dos mais importantes exemplos de arquitetura moderna no mundo” (IPHAN, 2013), buscando a proteção solar e interação com o clima.

Apesar de um maior destaque ter sido dado ao Ministério, “por critérios exclusivamente cronológicos, outros edifícios o precederam” (COLIN, 2004, p.138). A nova sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) (figura 12 e 13) é um deles. Antes mesmo da chegada de Le Courbusier em 1936, o projeto já se apresentava em um concurso no Rio de Janeiro. Idealizado pelos arquitetos Milton e Marcelo Roberto, este edifício foi um dos pioneiros no uso de proteção solar. Os brises fixos apesar de terem sido idealizados em lâminas verticais oblíquas em alumínio, foram executados em concreto (UFSC, 2005). O

Fonte: Silva, 2011. Fonte: Ferraz, 2013.

Figura 11 - Edifício Gustavo Capanema, Rio de Janeiro.

Figura 10- Fachada Norte do Edifício Gustavo Capanema, Rio de Janeiro.

edifício foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Estadual em 1965 (ABI, 2014) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) em 19844 (IPHAN, 2013).

Os elementos da tradição colonial e os preceitos do estilo internacional, influenciados por arquitetos estrangeiros, passam a fazer parte do surgimento de uma nova arquitetura. Para Mascaró (2005), a passagem da fachada totalmente envidraçada, característico do período moderno, para a criação e uso do quebra-sol, refere-se a uma das inovações tecnológicas mais importantes, talvez a única inovação técnico-estrutural que tenha acontecido no século XX no campo do controle do ambiente. Neste momento, o brise passou a ser um reconhecido elemento da arquitetura moderna brasileira, despertando o interesse dos grupos de arquitetos. Adquiriu ao longo do tempo a função principal de controle da radiação solar, com acesso seletivo da luz do sol aos ambientes interiores, passando a ser aplicado em diversos projetos (CUNHA, 2011). Quando aplicados afastados das vedações (esquadrias e paredes, por exemplo), esses elementos possibilitam dissipar a radiação absorvida antes de alcançar o ambiente, resultando assim em menor quantidade de calor a ser transmitido para o recinto (OLGYAY, 1998). Dessa forma, logo surgiu o desejo de uma adequação da arquitetura

4 Livro Belas artes. Processo 1100-T-8. N.inscrição 559. Vol.2. F.006. 29/05/1984. Disponível em: www.iphan.

gov.br. Acessado em: 15 abr.2015.

Fonte: ABI, 2014. Disponível em:< http://www.abi.org.br/institucional/o- predio-da-abi/>. Acessado em: jul.2014.

Fonte: ABI, 2014. Disponível em:<http://www.abi.org.br/institucional/

historia/.Acessado em: jul.2014. Figura 13 -Edifício sede da Associação

Brasileira de Imprensa (ABI). Figura 12 - Corredor do edifício-sede da ABI.

brasileira às condições climáticas do local, com busca a novos materiais, técnicas e à estética de Le Corbusier, o que contribuiu ainda mais para a expansão no uso desses elementos

Lúcio Costa, mais do que arquiteto, foi um dos principais colaboradores a contribuir para essa propagação. Para Alcântara (2002, p.42):

A valorização das fachadas e a rejeição do dogmatismo do estilo internacional representam também o estilo único do arquiteto, onde é característica a vinculação consciente da tradição local sem prejuízo do caráter contemporâneo.

Dentre suas obras mais conhecidas, está o Conjunto Residencial do Parque Eduardo Guinle, um complexo residencial de edifícios modernistas, localizado na cidade do Rio de Janeiro e projetado no final dos anos 40. Neste conjunto, tombado5 pelo IPHAN em 1986, o arquiteto ficou responsável pela concepção de três edifícios, dentre eles o Edifício Caledônia, último dos edifícios projetados por Lúcio Costa. Nos edifícios, incluindo a Caledônia (figura 14), os elementos de proteção solar tiveram por função básica proteger as fachadas principais voltadas para o poente, sem prejuízo para a visão do Parque Guinle (ALCANTARA, 2002). Além disso, os elementos vazados (combogós) de cerâmica e sua variedade de desenhos resultam em um “interessante resultado plástico” (FROTA, 2004, P.173).

5

Tombamento registrado no livro Belas Artes: inscrição 577. N. processo 1110-T-84. 16/04/1986. Disponível em: www.iphan.gov.br. Acessado em : 20/04/2015.

Fonte: ALCANTARA, 2002, p.46.

Apesar de buscar a proteção solar, a preocupação dos profissionais, em adequar os protetores solares à composição plástica das fachadas, permaneceu. Olgyay (1998) ressalta que interceptores solares podem criar um forte caráter espacial à edificação, adicio nando novos elementos à linguagem arquitetônica e expressando uma autentica consciência regional. Colocados entre o homem e o ambiente natural, oferecem possibilidades muito enriquecedoras para sua expressão visual (OLGYAY, 1998).

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