Foram seleccionados os internamentos (de 2000 a 2008) do Registo Nacional de Altas Hospitalares, com diagn´ostico de FFP (c´odigo 820.xx de ICD9.CM), causadas por impacto de baixa energia, em indiv´ıduos com idade superior a 49 anos. Foram exclu´ıdos os casos de cancro do osso e readmiss˜oes para p´os-tratamento. As taxas ajustadas para a idade e as especificas por idades das FFP foram calculadas com base nos Censos da popula¸c˜ao e estimativas populacionais para os anos intercensi- t´arios, para os 278 munic´ıpios de Portugal Continental. A padroniza¸c˜ao foi pelo m´etodo direto e a popula¸c˜ao europeia foi utilizada como popula¸c˜ao padr˜ao. Os concelhos foram classificados em seis n´ıveis SES sendo os desfavorecidos - n´ıvel 1 e os mais favorecidos - n´ıvel 6. Para estimar o risco relativo (RR) de FFP, e o correspondente intervalo de confian¸ca de 95% (IC 95%), de acordo com categorias de SES utilizou-se o modelo aditivo generalizado de regress˜ao de Poisson, tendo como vari´avel dependente o n´umero de FFP e estratificando por sexo. Os resultados foram ajustados
FFP ´e significativamente (p < 0,05) mais elevada para as mulheres (81,1± 8,52 anos) do que para os homens (78,1 ± 10,09 anos). Ajustando para grupo et´ario, ruralidade e ano civil, o risco de fratura tende a diminuir `a medida que aumenta o SES (Mulheres: RR1vs20,97 (IC95%: 0,92–1,03);
RR1vs3 0,95 (0,91–1,00); RR1vs4 0,94 (0,91–0,97); RR1vs5 0,87 (0,83–0,91) e Homens: RR1vs2 1,00
(0,91–1,1); RR1vs3 1,00 (0,92–1,07); RR1vs4 0,97 (0,91–1,02); RR1vs5 0,88 (0,82–0,94)), exceto no
SES mais alto (Mulheres: RR1vs6 1,07 (1,04–1,11)) e Homens: RR1vs6 1,02 (0,97–1,08)). O padr˜ao
descrito acima n˜ao ´e t˜ao claro quando analisado a taxa espec´ıfica para a idade. Foi encontrada uma intera¸c˜ao significativa entre a idade e n´ıvel SES para ambos os sexos. A associa¸c˜ao entre a incidˆencia de FFP e o SES (re-agregadas em trˆes grupos) foi inversa em idades mais jovens (Mulheres com idade <60: RR1vs2 0,92 (0,73–1,17); RR1vs30,92 (0,72–1,18); Homens com idade <60: RR1vs20,84
(0,74–0,96); RR1vs3 0,78 (0,68–0,9)) e direta em idades mais avan¸cadas (Mulheres com idade ≥60:
RR1vs2 0,95 (0,89–1,01); RR1vs3 1,08 (1,01–1,15); Homens ≥70: RR1vs2 1,01 (0,94–1,1); RR1vs3
1,09 (1–1,18)), sendo este facto mais evidente nos homens.
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Conclus˜ao
Existe alguma evidˆencia de que a incidˆencia de FFP pode estar relacionada com o contexto socioe- con´omico da regi˜ao. A raz˜ao para o risco de FFP ser menor para as classes 2-5 quando comparadas com a classe 1 pode dever-se a um estilo de vida menos saud´avel, consequentemente, maior expo- si¸c˜ao a fatores de risco para a osteoporose. No entanto esta rela¸c˜ao n˜ao se observa no SES mais alto, a raz˜ao pode prender-se por quest˜oes de sedentarismo nos indiv´ıduos que vivem nas categorias extremas do SES e pelo tipo de atividade profissional. O trabalho manual ´e um fator protetor por promover uma maior atividade f´ısica. Assim, as ´areas com SES mais alto podem ter maior propor¸c˜ao de indiv´ıduos com ocupa¸c˜oes ”colarinho branco”, que exigem menos esfor¸co f´ısico. A interac¸c˜ao encontrada, entre o SES e a idade, pode dever-se a desigualdades nas a¸c˜oes de sa´ude para preven¸c˜ao da osteoporose e das fraturas, no entanto mais estudos precisam ser desenvolvidos para esclarecer os padr˜oes encontrados.
Agradecimentos
Este trabalho foi financiado pelo projeto PTDC/SAU-EPI/115254/2009.
Referˆencias
[1] Moreira, J., Pina, M.F. (2008). Fracturas Osteopor´oticas do Colo do F´emur em Portugal e seus Deter- minantes Socioecon´omicos. Porto: Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
I Encontro Portuguˆes de Biometria & I Encontro Luso-Galaico de Biometria Comunica¸c˜ao Oral
Aplica¸c˜ao de modelos de equa¸c˜oes estruturais na avalia¸c˜ao da qualidade de vida em pessoas com doen¸cas metab´olicas
Estela Vilhena
Instituto Polit´ecnico do C´avado e do Ave, Barcelos, e ICBAS e ISPUP, Universidade do Porto, [email protected]
Jos´e Lu´ıs Pais Ribeiro
Faculdade de Psicologia e Ciˆencias da Educa¸c˜ao da Universidade do Porto e UIPES, Lisboa, [email protected]
Lu´ısa Pedro
Unidade de Investiga¸c˜ao em Psicologia e Sa´ude (UIPES) e Escola Superior de Tecnologia da Sa´ude de Lisboa (ESTeSL), IPL, [email protected]
Isabel Silva
Universidade Fernando Pessoa, Porto, [email protected] Rute F. Meneses
Universidade Fernando Pessoa, Porto, [email protected] Helena Cardoso
UMIB/ICBAS, Universidade do Porto, e Hospital Santo Ant´onio/CHP, [email protected] Ant´onio Martins da Silva
UMIB/ICBAS, Universidade do Porto, e Hospital Santo Ant´onio/CHP, [email protected] Denisa Mendon¸ca
Instituto de Ciˆencias Biom´edicas Abel Salazar (ICBAS) e Instituto de Sa´ude P´ublica da Universi- dade do Porto (ISPUP), Universidade do Porto, [email protected]
Palavras–chave: Doen¸cas metab´olicas, Modelos de equa¸c˜oes estruturais, Qualidade de vida. Resumo: Com o objetivo de avaliar a Qualidade de Vida em pessoas com doen¸cas metab´olicas, foram aplicados Modelos de Equa¸c˜oes Estruturais. O modelo te´orico a testar pressupˆos: 1) a perce¸c˜ao do estigma, o otimismo e o afeto positivo s˜ao preditores da qualidade de vida; 2) o otimismo exerce um efeito medidor entre a perce¸c˜ao do estigma/afeto positivo e a qualidade de vida. Controlando para vari´aveis s´ocio-demogr´aficas e cl´ınicas, verificou-se um impacto positivo de uma menor perce¸c˜ao do estigma, do otimismo e do afeto positivo na qualidade de vida destes doentes. Os resultados mostraram ainda que o otimismo exerce um efeito mediador entre o afeto positivo/perce¸c˜ao do estigma e o bem-estar geral e entre a perce¸c˜ao de estigma e a sa´ude mental.
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Introdu¸c˜ao
Os Modelos de Equa¸c˜oes Estruturais - SEM (Structural Equation Modeling) [1] s˜ao considerados uma metodologia de an´alise estat´ıstica multivariada que permitem representar, estimar e testar modelos te´oricos, que envolvem diversas rela¸c˜oes entre vari´aveis (observadas e latentes), de forma a compreender os padr˜oes de correla¸c˜ao/covariˆancia entre estas. A Qualidade de Vida (QV) ´e um constructo composto por um n´umero de fatores que contribuem para o bem-estar de um indiv´ıduo e para o ajustamento a uma determinada doen¸ca. As doen¸cas metab´olicas, entre outras, s˜ao conside-
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M´etodos
O estudo, transversal, incluiu uma amostra de 365 doentes, recrutados nos principais hospitais de Portugal. Os crit´erios de inclus˜ao foram: idade superior ou igual a 18 anos, n´ıvel de escolaridade superior ou igual a 6 anos, diagn´ostico de pelo menos 3 anos, vida estabilizada e n˜ao apresentar dist´urbios psiqui´atricos. Foi aplicado um question´ario que inclu´ıa um conjunto de vari´aveis s´ocio- demgr´aficas, perce¸c˜ao de estigma, otimismo, afeto positivo e as componentes da QV. Os SEM foram aplicados para testar a qualidade do modelo te´orico hipot´etico. As rela¸c˜oes entre as vari´aveis foram estimadas usando o m´etodo de M´axima Verosimilhan¸ca. Para testar a adequa¸c˜ao do modelo foram usados os ´ındices CFI - Comparative Fit Index e o RMSEA - Root Mean Error Approximation. A an´alise foi efetuada usando o softwae EQS 6.1.
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Resultados
Os resultados obtidos revelaram um ajustamento razo´avel do modelo, CFI=0.9 e RMSEA=0.053. Controlando para vari´aveis s´ocio-demogr´aficas e cl´ınicas, verificou-se que uma menor perce¸c˜ao do estigma, o otimismo e o afeto positivo exercem um impacto simultˆaneo, estatisticamente significa- tivo, positivo, na qualidade de vida destes doentes. Os resultados evidenciaram tamb´em um efeito mediador do otimismo entre o afeto positivo/perce¸c˜ao de estigma e o bem-estar geral e entre a perce¸c˜ao de estigma e a sa´ude mental.
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Conclus˜ao
Os Modelos de Equa¸c˜oes Estruturais s˜ao hoje considerados uma componente importante na an´a- lise multivariada, aplicados para abordar quest˜oes cient´ıficas complexas, que exigem a an´alise de m´ultiplas rela¸c˜oes simultˆaneas, com m´ultiplas vari´aveis, incluindo latentes. Testa um conjunto de relacionamentos lineares atrav´es de um modelo que operacionaliza a teoria. Os resultados encontra- dos sugerem que uma menor perce¸c˜ao do estigma, uma atitude otimista, mais ativa e entusi´astica podem facilitar o doente `a sua nova condi¸c˜ao de vida, atitudes, que por sua vez contribuir˜ao para uma menor qualidade de vida.
Referˆencias
[1] Tabachnick, B., Fidell, L. (1996). Using Multivariate Statistics. Third edition. New York: HarperCollins College Publishers.
[2] Baron, R.M., Kenny, D.A. (1986). The Moderator Mediator Variable Distinction in Social Psychological- Research - Conceptual, Strategic, and Statistical Considerations. Journal of Personality and Social Psychology 51(6), 1173–1182.
I Encuentro Portugu´es de Biometr´ıa & I Encuentro Luso-Galaico de Biometr´ıa Comunicaci´on Oral
Las tablas de mortalidad de Galicia y la Regi´on Norte de Portugal empleando el
software R Mar´ıa Mart´ın Vila
Instituto Galego de Estat´ıstica, [email protected] M. Esther Calvo Ocampo
Instituto Galego de Estat´ıstica, [email protected] Solmary Silveira Calvi˜no
Instituto Galego de Estat´ıstica, [email protected] Gael Naveira Barbeito
Direcci´on Xeral de Innovaci´on e Xesti´on da Sa´ude P´ublica, Conseller´ıa de Sanidade, [email protected]
M. Isolina Santiago P´erez
Direcci´on Xeral de Innovaci´on e Xesti´on da Sa´ude P´ublica, Conseller´ıa de Sanidade, [email protected]
Carlos Iglesias Pati˜no
Instituto Galego de Estat´ıstica, [email protected] M. Esther L´opez Vizca´ıno
Instituto Galego de Estat´ıstica, [email protected]
Palavras clave: Tablas de mortalidad, Demograf´ıa, Esperanza de vida, R.
Resumen: En este trabajo se utiliza el software R para el c´alculo de las tablas de mortalidad de Galicia y la Regi´on Norte de Portugal.
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Introducci´on
La mortalidad es un fen´omeno demogr´afico inevitable, porque todo individuo tendr´a que experi- mentarlo; irrepetible, porque cada persona s´olo lo experimentar´a una vez; e irreversible, porque supone un cambio de estado, de vivo a muerto, sin posibilidad de retorno al anterior. Estas tres caracter´ısticas distinguen a la mortalidad con respecto a los otros fen´omenos demogr´aficos (nata- lidad y movimientos migratorios) y permiten an´alisis espec´ıficos, como por ejemplo la elaboraci´on de tablas de mortalidad a partir de las probabilidades de ocurrencia del fen´omeno. Estas tablas evitan la influencia de la estructura por edades de la poblaci´on estudiada, lo que permite establecer comparaciones entre distintos grupos; otra de sus utilidades es que a partir de ellas se obtiene un in- dicador muy utilizado, la esperanza de vida (EV), tanto como indicador del nivel de envejecimiento de una poblaci´on como indicador general de desarrollo de un colectivo.
Las tablas de mortalidad de per´ıodo representan el fen´omeno de la mortalidad de una cohorte ficticia como resultado de aplicar las condiciones de mortalidad vigentes en el momento de su elaboraci´on a un colectivo hipot´etico a lo largo de su vida.
Hoy en d´ıa existen herramientas inform´aticas que permiten el c´alculo de las tablas de mortalidad de manera sencilla. Entre ellas se encuentra EPIDAT, programa de libre distribuci´on desarrollado por la Direcci´on Xeral de Innovaci´on e Xesti´on da Sa´ude P´ublica de la Conseller´ıa de Sanidade (Xunta
replicar la ejecuci´on para cada per´ıodo y espacio. La utilizaci´on del software estad´ıstico R permite superar esta desventaja y flexibilizar datos que en Epidat no son opcionales.
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Objetivo
El objetivo de este trabajo es, por un lado, el desarrollo de un programa inform´atico que permita la construcci´on simult´anea de tablas de mortalidad completas o abreviadas para distintos per´ıodos, espacios geogr´aficos y condiciones iniciales; y por otro, el an´alisis y comparaci´on de las condiciones de mortalidad de Galicia y del Norte de Portugal.