Nome Escola idade ger. imig 02 00 97 94 89 88 87 est Origem 1. Tsuna Baikyoku Iwami Kinko 80 1 1956 ׀ ׀ ׀ ׀ ׀ ׀ ׀ 73 Tōkyō 2. Kuniji Baiō Natori Kinko + 1
3. Júlio Baiko KobayashiÓ Kinko 63 2 ׀ ׀ ׀ ׀ 35 S. Paulo
4. Dale Bai-ō Olsen Kinko 62 Minnesota
5. Antonio Mauro RodriguesRoque Kinko - ٭ 5
6. Carlos Raigorodsky Kinko 80 - ׀ ׀ >7
7. Danilo Baikyo Tomic Kinko - ׀* ׀ ׀ ׀ 12 São Paulo 8. José Vicente Ribeiro XemÓ Kinko 43 - ׀ ׀ >3
9. Máximo Akira Hanada Kinko 2 ׀ ׀ ׀ ׀ 10 Tupã
10. Hōzan Miyashita Tōzan + 1 ׀ ׀
11. Shigeo Shinzan Saito Tōzan 66 1 1960 ׀ ׀ 37 Fukushima 12. Itsurō Shinju Yazaki Tōzan 74 1 1955 ׀* ׀ Nagano
13. Hōgetsu Watanabe Tōzan + ׀
14. Hōritsu Nishitani Tōzan ׀*
15. Hōshin Tanaka Tōzan ׀
16. Mari Saito ♀ (SBK) Tōzan 27 3 ׀
17. Shōjiro Shuzan Saeki Tōzan 65 1 1973 ׀ ׀* ׀ ׀ ׀
18. Luis Yosei Furlaneti Tōzan - ׀* 11 Sto. André
19. Márcio Yosho Valério Tōzan - ׀* 12 Sto. André
20. Kizan Yohō Nagai Tōzan 1(¿) ׀ ׀
21. Toshio Yonen Fukuda Tōzan 2 ׀ ׀* ׀ ׀ Sto. André 22. Minoru Yoshō Michiyama Tōzan 1 ׀* ׀
23. Nenkyo Matsuba Tōzan 1 ׀ ׀ ׀
24. Takashi Yokō Harada Tōzan 1 ׀ ׀* ׀
25. Tatsuyuki Yotatsu Otsuka Tōzan 1 ׀ ׀ ׀*
26. Yoyū Yamaoka Tōzan 1 1955 ׀
156
156 Júlio Kobayashi, nascido em São Paulo, foi estudar com o professor Iwami, em 1959, quando estava com dezenove anos. Participou ativamente dos recitais e apresentações coletivas da ABMCJ até 1997, quando resolveu ir trabalhar no Japão como dekasegi.
Um fato curioso é que entre os oito alunos que figuram nos programas obtidos das apresentações (tab. 18), coordenadas por Baikyoku Iwami, apenas três são nikkei: Baiō Natori, já falecido; e os nisei Júlio Kobayashi e Máximo Hanada118. Predominam, portanto, intelectuais não nikkei, admiradores da cultura japonesa tais como: Carlos Raigorodsky119, Antonio Mauro Rodrigues Roque120, Dale Olsen, Danilo Tomic e José Vicente Ribeiro121. Segundo o professor Iwami, eles conhecem e valorizam a música artística japonesa mais que os próprios descendentes122. Entre os cinco descendentes de caucasianos, os três últi- mos são músicos profissionais, o que pode acenar para um efeito multiplicador.
Dale Olsen, doutor em etnomusicologia na área de música japonesa e latino- americana pela UCLA – Universidade da Califórnia, Los Angeles, em 1973, graduou-se an- teriormente em musicologia e flauta pela Universidade de Minnesota, onde nasceu em 1941. Iniciou-se em shakuhachi na UCLA e foi aluno do professor Iwami, enquanto realizava sua pesquisa no Peru e no Brasil, em 1981.
Danilo Tomic (ft. 27), paulistano descendente de europeus, é músico especiali- zado em piano e composição, em Saint Paul, regência e musicologia, em Berlim. Estimula- do por filmes de Kurosawa, despertou para o shakuhachi na Alemanha, em 1990, e prosse- guiu os estudos com o professor Iwami, de quem recebeu o pseudônimo Baikyō, em 2001.
118 Médico natural de Tupã, SP. Estuda shakuhachi há dez anos com o professor Iwami.
119 Engenheiro civil, resolveu aprender shakuhachi para acompanhar a mulher Mary Celeste, aluna do Miyagi-kai. 120 Antonio Mauro Rodrigues, carioca intérprete também de shō, pode ser também músico profissional, mas não o conheci pessoalmente, para assegurar tal informação.
121 Flautista, aluno de Antonio Carrasqueira, estudou shakuhachi com o professor Iwami até 1987. Reiko Nagase e sua filha Yūka contam que Xem era um elemento bastante dinâmico da ABMCJ, no contato para apresentações e nas sugestões de interpretação. Desde 1987 está no Japão, onde sobrevive da música brasileira, tocando flauta transversal, logicamente.
122 E para um grão mestre, deve ser mais suportável conviver a horizontalização com não descendentes, do que com os próprios nikkei.
157 É executante também de okuralo. Nas aulas semanais, o professor Iwami ensina também o idioma japonês para Danilo.
Raramente, o grão mestre iniciou discípulos jovens, porém, assistindo a uma a- presentação do grupo na Semana de Cultura Japonesa (ft. 27 e 36), promovida pelo SESC Vila Mariana, em 2001, um jovem estudante de música, não nikkei, candidatou-se a seu alu- no. No ano seguinte, durante a Hikizome, “primeira reunião anual”, da ABMCJ, um eurasia- no, mais jovem ainda, surge tocando “Rokudan”. Trata-se de Maurício Mazzuco (ft. 28), ne- to do professor Iwami, quem sabe a sexta linhagem, iniciado na Kinko-ryū com a mesma i- dade que o avô iniciou no shakuhachi.
7.2.3 Academia de Shakuhachi Tozan-ryū
Dentre os 26 executantes de shakuhachi da ABMCJ (tab. 18), 8 são da Kinko- ryū e 18 estão subdivididos em três grupos da Tozan-ryū: Shinzan-kai, Shinsen-kai e Aca- demia Tozan. O primeiro, liderado por Shigeo Shinzan Saito, é sucessor do grupo fundado por Jūzan Miyoshi. Trata-se da ala masculina, do grupo Miwa, abordado no capítulo anteri- or. Os outros dois grupos da Tozan-ryū são conseqüência do grupo de Santo André, liderado por Yōzan Sagara. O grupo Shinsen-kai, liderado por Mare Kizan Nagai e Toshio Gizan Fukuda, de Santo André, está mais atrelado ao grupo Seiha Brasil de Koto.
A Academia Tozan está mais presente nos pequenos grupos organizados pela ABMCJ e tem uma configuração semelhante a Kinko-ryū. O professor Shōjiro Shuzan Sa- eki (ft. 29) se enquadra na era do “novo imigrante”, aterrizando com sua mulher e filho, em 1973, para instalarem-se na área urbana. Ele veio trabalhar em firma brasileira como enge- nheiro eletrônico. O professor Saeki faz questão de ressaltar que na Tozan-ryū o fundamen- tal é a relação de companheirismo entre os integrantes do grupo.
A maioria do repertório da corrente Tozan é polifonia a duas vozes e é preciso fazer música conversando. E a cada contato há o de- sejo natural de voltar de novo. Música é natureza... E ninguém pode forçar a natureza.
158
158 Depois que foi interrompido em suas atividades profissionais, o professor Saeki dedica seu tempo integral à música. A sua sala de estudos é isolada acusticamente e diz que prefere estudar no silêncio da madrugada. Além do shakuhachi, estuda koto e desenvolve um estudo minucioso sobre os sistemas de afinação do shakuhachi, koto e ch’in, expondo uma instigante e inédita relação entre afinação e comportamento humano, na seguinte asser- tiva:
Em 1680, na fusão da música chinesa no Gagaku havia doze modos distintos. Cada escala tinha um temperamento diferente de a- cordo com o shō. O koto então era afinado na quinta natural da escala dos físicos, onde o coração fica mais puro. [...] Depois do tempera- mento do piano, a música ficou comercial, o homem perdeu a sua pro- fundidade, ficou mais ambicioso e propenso a guerrear.
Dos quatro alunos do professor Saeki – Ênio Possebom, Márcio Shūho Valério, Luís Yōsei Furlanetti e Paulo Ikehara – apenas um é nikkei. A motivação de todos passa por um viés intelectual ou uma opção consciente. Logo no primeiro encontro, o professor Saeki me forneceu uma gravação de um programa chamado “Timbres”, da Rádio Cultura, que exibia um especial sobre shakuhachi. O entrevistado do programa foi o seu aluno Ênio Possebom, arquiteto que se interessou pelo shakuhachi em uma feira popular na Índia. Em uma criteriosa seleção de repertório, entremeada de explicações sobre as possibilidades e es- trutura do instrumento, Ênio ressaltou a origem social da música para shakuhachi e seus u- sos contemporâneos, i.e., a música zen ou solo e a combinação com koto, orquestra ociden- tal, tabla e sintetizador.
Márcio (ft. 29), nascido em Santo André em 1968, mantém uma loja de CDs em Campinas e todo final de semana regressa para São Paulo, onde assiste às aulas de shakuha- chi com o professor Saeki. Sobre sua motivação pelo aprendizado, Márcio responde:
Eu tocava violão e guitarra e não conseguia alcançar a profun- didade que desejava. Quando ouvi pela primeira vez o shakuhachi numa apresentação, o som me tocou profundamente, era a “voz” que eu precisava para expressar o que pretendia e tinha um aspecto de pas- sado mítico.
159 Indagado sobre suas intenções, Márcio revela a sua enculturação nipônica, um misto de preceitos zen, taoísta e confucionista, através dos treze anos de aprendizado de
shakuhachi:
Gostaria de conseguir um bom relacionamento com o instru- mento. E se possível, numa conseqüência natural, através da música que brota em mim ou de mim, revelar mistérios, profunda beleza, cu- rar, criar, trazer/chamar serenidade, paz, reverência, harmonia, felici- dade e alegria, uma espiritualidade aliada à natureza.
Márcio me ofertou dois CDs contendo experimentações suas em solo de voz e shakuhachi. Melodias pentatônicas improvisadas com um número reduzido de fonemas que soam como se fosse uma generalização intuitiva ou um denominador comum entre a língua indígena, africana e japonesa. Algumas terminações e inflexões próprias do shakuhachi tam- bém são exploradas na voz. Nas gravações, transparecem a sua vivência, o seu gosto musical e as expectativas expressas acima.
7.3 As performances da ABMCJ
As performances da ABMCJ são mais escassas do que as dos grupos que dela participam, sobretudo das escolas de koto, mas certamente a associação funciona como ór- gão centralizador dos convites. Para as eventuais apresentações profissionais, há pelo menos um trio sankyoku disponível para aceitar convites externos e até internacionais. Os profes- sores Iwami, Ogura, Kitahara e Tomic chegaram a participar da comemoração do 60° Ani- versário da imigração no Paraguai e já foram convidados das embaixadas japonesas no Chi- le e na Argentina.
O Colônia Geinōsai ou Festival de Música e Dança Japonesa – que acontece, desde 1966 (v.cap. 6), todo o mês de junho em comemoração ao aniversário da imigração japonesa no Brasil – seria a continuidade e ampliação do Show de Variedades Engeitaikai do navio, com uma diferença: conta com participantes selecionados, sendo menos amadores. É a vitrine dos grupos musicais e de dança tradicional, popular e clássica da comunidade
160
160 nikkei, preenchendo vinte horas de programação, em torno de 130 números, no fim de se-
mana, realizada no auditório da sede da SBCJ – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (ft. 30).
Já se tornou uma tradição, na programação de domingo, a abertura musical com uma ou duas peças interpretadas pelo grupo da ABMCJ (ft. 31), logo após a homenagem aos anciãos que completam cem anos de idade. No Geinōsai têm se apresentado os professores da Kinko, da Academia de Shakuhachi Tozan, Grupo Miyagi e Seiha e alguns alunos, tota- lizando entre quinze e dezenove integrantes no palco. O repertório tem sido os mais conhe- cidos do zokusō – “Chidori”, “Rokudan” – e shinsō – “Haru no Umi”, “Hiyaku” e “Yabe no
Sato”.
Desde a fundação, em 1989, a principal performance, promovida pela própria ABMCJ, ocorre a cada dois ou três anos (ft. 32) em prol da Kibō no Ie ou Sociedade Benefi- cente Casa da Esperança. Seria a retomada ou reminiscência do Grupo Futaba que desem- bocou na Sociedade Feminina Esperança (secção 6.1). Hoje, a Kibō no Ie é “um asilo para excepcionais, que recebe ajuda do governo japonês, entidades beneficentes do Japão e da comunidade nikkei” (Nakasumi 1992, 446-7). Na organização do evento, os líderes se reú- nem para selecionar o repertório e cada escola seleciona os executantes aptos e disponíveis. Freqüentemente, o concerto apresenta convidados das escolas de dança, cerimônia de chá e/ou coral.
7.4 As remanescentes da corrente Yamada
7.4.1 formação e atuação artística de Tomoi Inoki
A apresentação beneficente da ABMCJ oferece uma rara oportunidade de apreciar no Brasil a “autêntica” forma de cantar da Yamada-ryū, através da última remanescente da es- cola, Tomoi Isshiki Inoki. Pude observar que muitos issei ficam extasiados com sua interpre- tação e expressam admiração quando descobrem que ela é nisei. Logo deduzem: “Ah, mas a
161 senhora deve ter estudado e vivido no Japão um bom tempo”. Ao que Tomoi responde sem ti- tubear: “Não, foi no Brasil mesmo” aumentando, ainda mais, a surpresa dos issei.
Deu para notar que o issei acredita que o descendente possa até cantar sem ne- nhum sotaque, mas sempre fica faltando algo para expressar a verdadeira essência na maneira de entoar as canções clássicas. É a corriqueira cobrança do autêntico e genuíno equivalente ao brasileiro observando o japonês sambando ou tocando choro.
Tomoko Isshiki nasceu em Santo André, caçula entre quatro irmãos que tiveram formação erudita ocidental. O irmão aprendeu violino e as duas irmãs mais velhas são musi- cistas profissionais, uma violinista e outra pianista. Inicialmente, Tomoko aprendeu piano com a professora Satiko Fukuda e posteriormente, com o maestro Leonid Urbenin.
Numa entrevista concedida Tomoi declarou que foi motivada a estudar koto por- que se sentiu atraída pelo som e pelo visual elegante de suas cordas sobre os cavaletes, através de um filme japonês que assistiu quando tinha dezesseis anos. Procurou então a professora Kikue Hayashida. Olsen (1983a, 121), que chegou a conhecer pessoalmente as pioneiras do
koto, Miwa Miyoshi e Kikue Hayashida, comenta sobre a primeira professora da Tomoko:
A outra instrutora e performer de koto que atuou antes da guer- ra foi Kikue Hayashida, 79 anos, uma musicista Yamada-ryū e mãe da mais ativa professora de koto, Yūko Ogura. A sra. Hayashida foi a ú- nica performer da música da Yamada-ryū, embora ela tocasse com
tsume Ikuta-ryū. Ela não atuou muito tempo como professora.xxxvi
A informação do plectro diferente chega a ser intrigante. Tecnicamente, alguns ornamentos da corrente Yamada são impossíveis de obter com os plectros da Ikuta-ryū como, por exemplo, o recurso sārarin (v. cap. 3). Mas se o estudioso categorizou a professora Ha- yashida como Yamada-ryū deve ter sido pelas edições das tablaturas que ela utilizava. Porém, como no caso de Miwa Miyoshi, o repertório trazido pelas imigrantes pré-guerra era aquele retido na memória, segundo a filha de Hayashida. Quando as tablaturas começaram a chegar
162
162 no Brasil, depois da guerra, a preferência ou acesso de Hayashida deve ter sido pelas edições da escola Yamada.
Segundo Yūko Ogura, sua mãe Kikue Hayashida nasceu em 1904, na cidade de Bihoro, Hokkaidō, em meio a nove irmãos da família Sugino. Imigrou para o Brasil na década de vinte, instalando-se em uma fazenda de café, em Promissão. Depois que se casou com fo- tógrafo, de Kumamoto, viveu em Penápolis, Marília e São Paulo. Tiveram oito filhos e todos tiveram a oportunidade de estudar um instrumento musical: os meninos violino, clarinete, vio- lão e bandolim e as meninas, koto e piano, além de dança. Ela mesma se incumbia de dar au- las de koto para suas filhas. Atuou como professora e performer de koto em São Paulo e che- gou a ter alunas no Paraná.
Como fruto do ensino de Hayashida, Tomoko Isshiki apresentou no Teatro Muni- cipal, em 1963, a versão de “Haru no Umi”, que o próprio compositor Michio Miyagi e o vio- linista Isaac Stern estrearam dez anos antes no Japão. A provável estréia brasileira deu-se com Tomoko, ao koto, e sua irmã Clara Akiko Inoguchi, ao violino.
Em 1964, Tomoko Isshiki passou a estudar com a professora Tomii Iwami. O i- deograma # i do pseudônimo artístico Tomii é emprestado de Imai Keisho, de quem ela foi aluna direta. Tomii parece ter sido a primeira e única primeira professora titulada de koto que veio para o Brasil com o propósito de permanecer em caráter mais definitivo. Isso porque o filho mais velho imigrou anteriormente e já estava bem estabilizado como diretor de indústria de produtos eletrônicos. Assim, ela resolveu vir em 1956 com o seu filho mais novo, o grão mestre Baikyoku Iwami.
L. C. Vinholes escreveu outra matéria jornalística comentando a apresentação, talvez o primeiro registro em jornal de língua portuguesa, desses ilustres professores da Esco- la Kinko e Yamada no Brasil. Segundo Vinholes (1956b), o recital ‘Música Antiga Japonesa’ aconteceu no encerramento do Festival de 1956, promovido pelo Grêmio Bartók, no salão dos
163 Seminários de Música Pró-Arte, em São Paulo. No artigo, Vinholes elogia, com conhecimen- to de causa, a competência dos Iwami que interpretaram “Rokudan”, “Chidori no Kyoku”, “Shiki no Kyoku”, “Haru no Kyoku” e “Midare”:
A professora Tomii Iwami pertencente a Yamada Ryū, uma das mais importantes correntes dos kotoistas japoneses, e o professor
Baikyoku, exímio executante de shakuhachi, de Kinko Ryū, deram
provas de um conhecimento total de sua arte e da grandiosidade e no- breza da mesma.
Vinte e cinco anos depois, Olsen (1983a, 121-2) atesta a importância da professora Iwami: “A atividade de koto no pós-guerra tem sido muito mais extensiva, devido à imigração de uma importante professora e performer Yamada-ryū, Tomii Iwami, já falecida”xxxvii.
Tomoko Inoki se formou em 1970, pela Escola Yamada, recebendo o nome artís- tico Tomoi (ft. 38) de sua professora Tomii Iwami. Tomoi relata que a professora Iwami em- penhou-se sobremaneira na sua formatura, um pouco antes de ser consumada pelo câncer:
Como eu estava grávida a sensei, mesmo doente, vinha até a minha casa me preparar para a prova de formatura com peças repre- sentativas da Yamada-ryū. E convenceu meu pai a investir muito di- nheiro tanto para a formatura como para comprar um koto. E ela mesma fez questão de acompanhar a construção do meu koto lá no Ja- pão.
Em seu currículo artístico exibido em um dos seus programas, Tomoi elucida as performances com instrumentos ocidentais ou o teatro do meio artístico erudito:
Em 1963, apresentou “Haru no Umi” com a irmã no Teatro Municipal. Em 1967, tocou “Seoto”, de Michio Miyagi com o violon- celista Cristian Benda. Desde1964, apresentou-se diversas vezes com o grupo instrumental do maestro Iwami no Teatro Municipal e no au- ditório do MASP. Em 1972, apresentou, em primeira audição no Bra- sil o “Concerto para Koto e Shakuhachi”, de Shinichi Yuize, com a Orquestra de Câmara da SFSP, regida pelo maestro Kenichi Yamaka- wa, e diversas vezes em outras apresentações dessa orquestra. Por o- casião do 70° Aniversário da Imigração Japonesa no Brasil, atuou com a Orquestra Sinfônica Municipal na presença de Ss. Aa. II., o príncipe Akihito e a princesa Michiko. Participou do concerto ‘Segundas Mu- sicais’, em 1980, no Teatro Municipal. Nos 80 anos da imigração, a- presentou com a irmã um programa com a música do maestro Ken- Ichi Yamakawa.
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164 Maestro Ken-Ichi Yamakawa, fundador da Orquestra de Câmara da SFSP – Soci- edade Filarmônica de São Paulo – é cunhado de Tomoi, ou seja, é casado com a outra irmã chamada Sonia Junko. O casal já foi apontado pela APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte – como melhor compositor e melhor pianista. Em 1972, o maestro Yamakawa com- pôs especialmente para sua cunhada a peça “Koto no tame ni [Para koto]” (v.app. 4).
A intensidade da atuação de Tomoi Inoki é proporcional ao seu talento, mas tam- bém ao conhecimento e atividade do seu meio familiar junto ao meio artístico.
7.4.2 breve período de ensino da Tomoi-kai
Como sucessora da professora Tomii Iwami, a performer Tomoi Inoki assume o título de professora de koto, em fins da década de setenta. Entre 1979 e 1985,acontecem três Tomoi-kai, com intervalo de dois anos. Em 1981, a professora Tomoi esteve no auge do en- sino, quando Olsen (1983a, 122) teceu o seguinte comentário:
A maioria do ensino e performance de koto na atualidade está a cargo de Yūko Ogura e Tomoi Inoki, uma nisei e última natori Ya-
mada-ryū, sob Tomii Iwami. Cada uma dessas professoras de koto
tem entre dez e vinte alunos e, normalmente, dois ou três recitais de alunos e professores são promovidos por ano. As alunas são, em maio- ria, mulheres de meia idade issei, embora algumas sejam nisei, estas também tocam muito bem.
Hoje, o único conjunto profissional de instrumentos musicais de Naichi é o grupo de koto conhecido como Tomoi-kai. Fundada pela performer e professora Tomoko Inoki em 1979, todo o conjunto de koto inclui aproximadamente oito membros (alunas de Inoki) que dão um concerto por ano e também performances com outras organizações musicais tais como a Sociedade Filarmônica de São Paulo [SFSP], uma orquestra sinfônica toda japonesa.xxxviii
O quadro seguinte foi elaborado a partir dos dois programas obtidos: o II Tomoi- kai, em 1981, e o terceiro, em 1983. Nestes programas constam os nomes das duas filhas da professora Inoki: Erica e Misa. Segundo a professora Tomoi, muitas issei voltaram para o Ja- pão, e as que constam uma sigla entre parêntesis, notei que estão atualmente nas escolas cor- respondentes: Miyagi-kai (MK) e Seiha Brasil de Koto (SBK).
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