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Param`etres de mesure

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5.2 Mesures VLD en r´esonateur acoustique pour l’´etude de la transition ` a la turbulence 88

5.2.1.2 Param`etres de mesure

Para explorar de forma mais ampla a importância dos recursos para a implementação de práticas que mitiguem o desperdício de alimentos, o ambiente externo será explorado como uma variável que age de forma direta sobre o desemprenho da organização, sendo demonstrada pela Teoria da Dependência de Recursos (Resource Dependence Theory – RDT). Essa teoria preocupa-se em considerar o ambiente externo e as interações que ocorrem entre os agentes do mercado, no qual o ambiente é uma variável importante, além de ser fonte de recursos para as organizações, por não serem autossuficientes (BARNEY; HERSTELEY, 2004; PFEFFER; SALANCIK, 2003).

A RDT tem como objetivo compreender a interdependência organizacional derivada da busca por recursos para sobrevivência da organização, bem como a análise de tomada de decisão, observando qual a intensidade da influência do ambiente (PFEFFER; SALANCIK, 2003; KLEIN; PEREIRA, 2016). Dessa forma, fornece uma explicação para os comportamentos organizacionais e interorganizacionais em termos de recursos críticos para sobreviver e funcionar (PFEFFER; SALANCIK, 2003; KIM et al., 2020). Além disso, para reduzir a incerteza no ambiente, as organizações gerenciam essa dependência e seu relacionamento com outras organizações por meios formais e informais (HILLMAN et al., 2009, DARBY et al., 2020).

Para isso, considera as interações internas, como por exemplo, os interesses políticos internos e as respostas da organização frente às interferências ambientais sofridas. Essa teoria tem influências sociológicas e econômicas, a primeira relaciona-se com a interdependência

entre as organizações e o desencadeamento das relações de poder decorrentes disso. A econômica busca compreender a diferença de desempenho entre as firmas, ou seja, por que umas superam as outras (PFEFFER; SALANCIK, 2003; BARNEY; HERSTELEY, 2004).

Os recursos críticos são aqueles essenciais para sobrevivência da organização e não estão apenas no ambiente interno, mas também são ofertados pelo ambiente externo, e quando esses recursos são escassos ou quando a organização não consegue adquiri-los, afetam diretamente na continuidade da mesma (PFEFFER; SALANCIK, 2003). A RDT considera que há três maneiras de uma organização obter os recursos dos quais necessita: a) recorrer ao mercado, b) se valendo de suas capacidades e produzi-lo por contra própria ou c) consegui-lo através de interação com outras organizações e/ou parceiros que detém esses recursos (DAS; TENG, 2000).

Dentro dessa teoria, o ambiente é algo flexível, capaz de ser moldado de acordo com os interesses da organização, dessa forma, pode-se considerar que o ambiente passa a ser conduzido pela organização com a finalidade de suprir suas necessidades e garantir sua sobrevivência (CÁRDENAS; LOPES, 2006). O ambiente é a fonte central de incertezas, sendo que o grau de incerteza varia de acordo com a distribuição dos recursos críticos no ambiente. A RDT busca compreender quais são as estratégias adotadas pelas organizações com a finalidade de diminuir a dependência do ambiente e consequentemente aumentar seu poder (HILLMAN et al., 2009; TEHSEEN; SAJILAN, 2016).

Alguns estudos destacam que há dois objetivos principais para as organizações sob o ponto de vista da RDT: primeiro para "minimizar sua dependência de outras organizações" e depois para "maximizar a dependência de outras organizações em relação a si mesmos" (SCHNITTFELD; BUSCH, 2015). No entanto, outros aspectos importantes quando se analisa a interdependência nas cadeias de suprimentos são compensações entre poder e confiança, a redução das incertezas ambientais, as demandas conflitantes dos stakeholders e o aumento do desempenho da cadeia (KETCHEN; HULT, 2007; SCHNITTFELD; BUSCH, 2015).

As organizações são vistas como um sistema aberto que realizam trocas com o ambiente com o objetivo de captar os recursos necessários para sua sobrevivência, gerando assim uma relação de interdependência (PFEFFER; SALANCIK, 2003; DARBY et al., 2020). Para que uma organização sobreviva ela depende de diversos tipos de recursos que, em sua maioria, são ofertados pelo ambiente externo, resultando assim numa relação de dependência da organização com o ambiente onde estão inseridas (SACOMANO NETO; TRUZZI, 2002). Os recursos e as capacidades controladas pela firma ocupam papel central nessa teoria, sendo que tais recursos, podendo ser: recursos físicos; recursos financeiros; recursos tecnológicos; recursos

organizacionais; recursos políticos; recursos jurídicos e recursos constitucionais englobam todos os atributos que habilitam a organização a planejar e executar estratégias (BARNEY; HERSTELEY, 2004).

A necessidade de obtenção de recursos cria a dependência entre as organizações e o ambiente externo, refletindo no comportamento organizacional. Nenhuma organização por si só é autossuficiente, pois elas estão imersas num ambiente de disputa entre as diversas organizações existentes pelo controle dos recursos. Ainda existe uma interação com diversos tipos de atores e ambientes que vão desde associações, consumidores, fornecedores e até seus concorrentes, e é nessa interação que ocorre a importação de recursos necessários para a sobrevivência da organização e tal interação está aparada por um conjunto de normas sociais e legais (PFEFFER; SALANCIK, 2003). Dessa forma, a RDT considera as organizações como coalizões que dependem de seus contextos e, portanto, ajustam suas estruturas e padrões de comportamento para adquirir e manter recursos externos. As organizações não são, portanto, autossuficientes nem independentes dos recursos de outras organizações (PFEFFER; SALANCIK, 2003; SCHNITTFELD; BUSCH, 2015).

Visto que há uma interação entre diversos tipos de organizações, Eiriz e Wilson (2006) destacam a importância das relações que se estabelecem entre os agentes através das diversas ligações formais e informais entre as organizações, como forma de combater as incertezas do mercado e diminuir a dependência dos recursos do ambiente. Consequentemente, as relações são valorizadas de acordo com a importância dos recursos disponíveis para troca e as alternativas fontes de recurso, sendo que a variedade, a importância e a facilidade de acesso para cada organização podem ser diferentes (YILMAZ; BEDUK, 2014).

É possível notar nesse ambiente de disputa por recursos a diferença de poder entre as organizações, quanto mais uma empresa controla um recurso em comum às suas concorrentes, maior será seu poder perante elas e menor sua dependência de tal recurso (NOHRIA; GULATI, 1994). Nesse contexto, pode-se considerar a existência de conflitos a respeito do controle dos recursos entre as organizações e que o poder exerce influência de uma organização sobre as outras (EIRIZ; WILSON, 2006), como é caso do varejo e o acesso a ferramentas, pesquisas e inovações que podem influenciar na redução do desperdício de alimentos, quando comparado com outros agentes da cadeia de suprimentos. Portanto, o controle sobre os recursos fornece poder às organizações e grupos de interesse, dessa forma pode-se observar que o poder está organizado ao redor de recursos tidos como críticos e escassos (CARVALHO, 2010).

Nesse sentido, como forma de analisar os recursos relacionados a díade fornecedor- supermercado para redução do desperdício de alimentos para além do seu ambiente interno, a

teoria da Dependência de Recursos auxilia na expansão da análise trazendo a importância do ambiente externo, bem como o posicionamento privilegiado de alguns atores e organizações dentro da cadeia de suprimentos, com relação à dependência de recursos com outras firmas, e como consequência, são estabelecidas relações de poder entre essas organizações e as firmas. Dessa forma, será possível observar qual a influência dos recursos externos para as redes de supermercado e como esses são moldados, bem como se há uma relação de dependência entre as diversas organizações que compõem essa cadeia pautada nos recursos que transitam entre elas e o ambiente.

Com base nos tipos e definições de recursos da RDT encontrados na literatura, o Quadro 3 apresenta os recursos que são utilizados nessa pesquisa, bem como os respectivos autores que auxiliaram na definição dos recursos.

Quadro 3 - Principais recursos externos (RDT)

Categoria Tipo de recurso Autores

Recursos físicos Engloba a infraestrutura física da empresa. Localização das lojas e do centro de

distribuição. Dependência de fornecedores para realizar entregas e abastecimento, utilização terceirizada. Acesso a equipamentos de transporte, manuseio e armazenagem.

Pfeffer e Salancik (2003).

Recursos financeiros Inclui acesso a recursos financeiros e capitalização, apoio financeiro e consultoria.

Pfeffer e Salancik (2003); Barney; Hersteley (2004).

Recursos tecnológicos Engloba o acesso à tecnologia e possibilita transferência de tecnologia, assim como à pesquisa e inovações na díade.

Pfeffer e Salancik (1982); Cárdenas e Lopes (2006).

Recursos organizacionais

Inclui informações atualizadas sobre o mercado; orientação para planejamento da demanda; estímulo a cooperação com outras instituições (ONGs, fornecedores, produtores, outras redes de supermercado e consumidores); incentivos não financeiros, acesso a gerência, troca de conselhos.

Pfeffer e Salancik (2003); Barney; Hersteley (2004); Cárdenas e Lopes (2006); Somsuk e Laosirihongthong (2015).

Recursos políticos Inclui incentivos governamentais, acesso a ONGs e instituições semelhantes.

Pfeffer e Salancik (2003); Mendonça e Araújo (2001); Casciaro e Piskorski (2005); Rossetto e Rossetto (2005). Recursos jurídicos Engloba a legislação e o acesso e conhecimento

as leis que afetam o negócio.

Pfeffer e Salancik (2003); Das; Teng (2000).

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