3. Descripteurs du milieu physique
3.2. Descripteurs d’habitat lac et cours d’eau
3.2.1. Paramètres morphométriques
As raças bovinas são classificadas basicamente em duas aptidões: produção lei- teira e produção de carne; e as raças existentes no Brasil podem ser divididas em eu- ropeias e indianas.
Dentre as raças europeias, temos as adaptadas às condições climáticas tropicais, como o Caracu, e as adaptadas às regiões de clima temperado, como as europeias de ori- gem britânica (por exemplo, Hereford e Angus) e as europeias de origem continental (por exemplo, Charolês, Limousin e Marchegiana). Além disso, dentre essas divisões existem os animais que se direcionam à produção de leite (FELICIO, 2000; SANTOS, 1999).
Para os animais de raça indiana, são de grande importância, por sua grande adaptação ao nosso clima e relevo, o Nelore, o Gir e o Guzerá, e seus compostos, como o Indubrasil e o Tabapuã, criados no Brasil, e o Brahman, criado nos Estados Unidos (FELICIO, 2000; SANTOS, 1999).
A escolha da raça mais adaptável às condições ambientais e de relevo do Brasil faz com que o produtor acerte na hora de realizar o cruzamento, e essa diferença entre as características morfológicas, fisiológicas e zootécnicas são atribuídas às diferentes intensidades de seleção às quais a raça foi submetida e, assim, qualquer perda a que o animal esteja sujeito, em decorrência desses fatores, serão minimizadas, levando o pro- duto desse cruzamento a manifestar todo o seu potencial (BARBOSA, 2016).
No Brasil, dentre as principais raças utilizadas em cruzamento, temos a raça Ne- lore que, segundo Restle e Vaz (1999), é responsável por um rebanho de grande valor genético, devido ao seu grande número de exemplares à disposição e sua complemen- taridade com animais da raça europeia.
Essa complementaridade se dá pela precocidade das raças europeias, compara- das a raças zebuínas, e essa precocidade pode ser medida pelo tamanho do animal ao chegar à idade adulta (Figura 1).
Figura 1 - Curva de crescimento de bovinos com diferentes tamanhos corporais
Animais de pequeno porte atingem a maturidade fisiológica com menor idade e, consequentemente, com menor peso, enquanto animais de grande porte atingem a maturidade fisiológica peso e idade mais elevados, sendo, portanto, considerados ani- mais tardios para a terminação, tornando o sistema mais lento, ao passo que os animais de médio porte atingem a maturidade em uma idade intermediária.
Entretanto, comparados com os primeiros, apresentam maior peso, em um mé- dio período de tempo, sendo estes animais de médio porte os mais eficientes quando destinados à produção de carne. Além da classificação pelo tamanho, os animais tam- bém podem ser diferenciados pelo grau de musculatura, como se vê no Quadro 1.
Tamanho Grau de Musculatura
Grossa Moderada Fina
Pequeno AngusGir
Red Angus
Gir Leiteiro Jersey Pitangueiras
Médio Belgian BlueLimousin Piemontês Brahman Brangus Canchim Hereford Nelore Caracu Shorthorn Leiteiro
Grande CharolêsChianina Pardo Suíço SimentalMarchigiana South DevonHolandês Quadro 1 - Grau de musculatura dos principais animais utilizados no Brasil
Fonte: Adaptado de Minish e Fox (1982).
Sabendo que animais de musculatura mais grossa são animais mais tardios e sua deposição de gordura é mais lenta, a utilização dessas raças em sistemas de terminação mais precoce não é recomendada, ao passo que animais de porte pequeno com um grau de musculatura moderada são interessantes para sistemas que buscam animais com um bom acabamento, resultando em animais de porte considerável em um curto período de tempo. POR QUE REALIZAR O CRUZAMENTO?
O cruzamento, em termos técnicos, é uma estratégia entre indivíduos cujo va- lor genético é muito distante do desejado; os animais provenientes do cruzamento apresentam grande distância da consanguinidade e da endogamia (LÉON, 2005).
O método de cruzamento vem sendo cada vez mais empregado em grandes sis- temas de criação, e esse processo é definido como o acasalamento entre reprodutores de uma raça (ou combinação delas) e fêmeas de outra raça (ou combinação delas). Os cruzamentos são uma forma alternativa para o aprimoramento genético, em que as ca-
racterísticas desejáveis são transmitidas aos descendentes, porém não são acumulativas de uma geração para outra (MOTA et al., 2010).
Sendo bastante flexível, o processo de cruzamento pode, portanto, acompanhar o cenário da produção e se adequar às características almejadas pelo mercado, já que são geralmente de baixa herdabilidade e, portanto, de manifestação máxima na primei- ra geração e pouco transmitidas aos próximos descendentes.
A opção pelo cruzamento traz algumas vantagens ante os demais métodos, entre as quais o aproveitamento do mérito genético aditivo (efeito médio) das raças, a exploração da heterose ou vigor híbrido, a exploração da complementaridade de raças, a introdução de novos genes ou substituição de uma população e a formação de novos grupos genéti- cos (raças puras e compostas) – essas vantagens tornam o método de cruzamento mais eficiente que apenas o método de seleção de indivíduos superiores dentro do sistema.
APROVEITAR O MÉRITO GENÉTICO ADITIVO (EFEITO MÉDIO) DAS RAÇAS
Quando falamos em aproveitar o mérito genético, referimo-nos ao aproveita- mento do que cada raça tem de melhor, visando combinar essas características dese- jáveis, de modo a produzir um animal superior ao puro de ambas às raças utilizadas.
Relacionando esse aproveitamento com animais para terminação, temos que animais mais tardios são os que detêm uma deposição de gordura mais lenta, acarre- tando no acabamento de carcaça mais demorado, tornando mais oneroso o sistema. O cruzamento destes animais tardios com animais mais precoces que têm a sua deposição de gordura mais cedo e, consequentemente, um acabamento de carcaça em menor período de tempo, proporcionará ao sistema uma precocidade dos animais terminados com uma qualidade desejável em um menor período útil.
No tocante à ação do mérito genético, a Tabela 1 relaciona a boa espessura de gordura do Nelore, 6,5 mm, um animal de tamanho médio e carcaça moderada, com o canchim animal de mesma classificação de musculatura e tamanho, porém com uma precocidade muito superior à do Nelore, mas com uma espessura de gordura menor, em torno de 3,5 mm. Aliando esses dois animais, os seus cruzados apresentarão uma espessura de gordura moderada proveniente da herança genética do Nelore com um menor tempo, graças à precocidade herdada do canchim.
Tabela 1 - Médias de espessura de gordura de animais da raça Nelore, Canchim e cruza N x C
Fonte: Adaptado de Pires (2010).
Nota: *Valores médios obtidos no sistema superprecoce.
Raça Espessura de gordura na carcaça (mm)
Nelore (N)* 6,5
Canchim (C)* 3,5
EXPLORAR A HETEROSE OU VIGOR HÍBRIDO
A heterose está diretamente relacionada ao aumento da eficiência dos animais cruzados, quando comparados às médias das raças puras. A heterose é, portanto, qual- quer adição nas populações cruzadas em comparação às raças paternas (MENEZES; MONTAGNER, 2008). Desse modo, equivale a dizer que os animais cruzados vão ser superiores a seus ascendentes puros, para determinada característica selecionada pelo processo de cruzamento (MENEZES; MONTAGNER, 2008).
Para que a análise de superioridade seja legítima, é fundamental observar se a característica desejada não sofreu interferência do ambiente em que a progênie foi criada, sendo importante que progênie e pais sofram a mesma influência do ambiente, de modo que a superioridade possa ser calculada pela fórmula (1).
média dos cruzados – média dos puros X 100 média dos puros
Heterose, % = (1)
Em relação a sua magnitude, características como medidas de carcaça, mensura- ções esqueléticas e peso na maturidade apresentam uma heterose baixa, variando de 0 a 5 %. Para as características como a taxa de crescimento, pesos anteriores à maturidade, produção de leite, apresentam heterose média de 5 a 10 %, uma vez que são classifica- das como características produtivas. Para variáveis como a habilidade materna, repro- dução, longevidade da fêmea e adaptabilidade, como são consideradas características reprodutivas, apresentam uma amplitude de 10 a 30 % (MOTA et al., 2010).
Essa heterose resultante pode ter efeito direto ou individual, que é quando o desempenho do animal melhora apenas pelo fato de ser cruzado, descartando a interfe- rência das características maternas, paternas e referentes ao sexo do animal. A influên- cia pela heterose materna se refere à superioridade que fêmeas cruzadas proporcionam ao desempenho da progênie em relação ao desempenho proveniente de fêmeas puras, e a heterose paterna diz respeito a reprodutores cruzados que são capazes de propor- cionar melhor desempenho à progênie que reprodutores puros.
Sabendo que quanto maior for a heterose resultante, maior será a superioridade do animal perante os puros, a distância genética existente entre as raças utilizadas no cruzamento vai influenciar diretamente neste grau de heterose, quanto mais distantes geneticamente a origem da raça animal, maior vai ser este valor de heterose. Com isso, sabe-se que a heterose ocasionada pelo acasalamento entre raças zebuínas e tau- rinas é cerca de duas vezes aquela proporcionada pelo acasalamento entre raças tauri- nas diferentes e/ou entre raças zebuínas diferentes (LOPES et al., 2010).
EXPLORAR A COMPLEMENTARIDADE DE RAÇAS
Uma forma de explorar essa complementaridade e, assim, aumentar a heterozi- gose, é a utilização do cruzamento. Com isso, as características do rebanho bovino ze- buíno – o maior rebanho nacional – podem ser alcançadas, ao promover o cruzamento desses com animais de origem europeia, devido à grande distância entre suas origens (MENEZES et al., 2005b).
Desse modo, a combinação dos pontos fortes de uma raça pode suprir as fraque- zas de outra, ou apenas acrescentar características desejáveis a uma população (TORAL et al., 2011). Exemplos disso são o aproveitamento da resistência ao calor e aos ecto- parasitas, a adaptação aos pastos dos animais zebuínos, além do melhor acabamento de carcaça e melhor qualidade da carne, como apresentados por animais europeus como o Angus e o Hereford.
Animais considerados completos, ou que atinjam a maior gama de característi- cas desejadas, é o que todo produtor almeja, e essa complementaridade refere-se, por- tanto, à utilização de características desejáveis de duas ou mais raças (ou combinação delas), visando a resultados superiores ao encontrado dentro de uma única raça ou da combinação delas.
INTRODUÇÃO DE NOVOS GENES OU SUBSTITUIÇÃO DE UMA POPULAÇÃO
A introdução de novos genes pode ser feita por técnicas biomoleculares, mas a utilização de cruzamentos é uma alternativa muito eficiente, em populações compatí- veis em termos reprodutivos, para busca de características desejáveis a uma população. A introdução de novos genes faz com esses novos animais possuam característi- cas desejadas a sua raça, após vários processos de retrocruzamento, até que esta carac- terística seja dominante no animal, esses animais podem ser considerados puros, por cruza após a 4ª ou 5ª geração.
A introdução de novos genes no cruzamento de Nelore x Hereford acarretou na diminuição de comprimento da carcaça e dos membros (MENEZES et al., 2005a). Já Perotto et al. (2000) perceberam que a introdução de novos genes no cruzamento de Charolês x Caracu resultou em animais com menor percentagem de músculo na carcaça, evidenciando, portanto, que o estudo prévio da combinação das características desejáveis é muito importante para que o produto final do cruzamento seja o esperado pelo produtor, além de estar adaptado ao clima e relevo do local, pois, obviamente, não são interessantes, em termos econômicos, cruzamentos que tragam prejuízo ou queda no desempenho animal.
FORMAÇÃO DE NOVOS GRUPOS GENÉTICOS (RAÇAS PURAS E COMPOSTAS)
Na formação de uma nova raça composta, existe uma grande preocupação em melhorar o valor genético aditivo dos animais e manter altos os níveis de heterose. Essa alternativa é justificada quando as raças existentes no local não são adaptadas às condições ambientais e econômicas do local onde são criadas.
A formação de novas raças busca o melhor de cada raça pura utilizada no pro- cesso, mesclando a rusticidade de animais zebuínos com a terminação e qualidade de animais de origem britânica e europeia. A primeira experiência na formação de novas raças foi a criação da raça Santa Gertrudis, que é formada por animais Shorthorn (Bos taurus) e Brahman (Bos indicus), na proporção 5/8 europeu – 3/8 zebu, como é o caso da maioria dos novos grupos raciais formados.
A formação de novas raças possibilita manter altos níveis de heterose, possibi- litando, ao mesmo tempo, incorporar na nova raça os progressos genéticos obtidos com o seu programa de seleção, bem como os alcançados nas raças formadoras desse composto (KEPLER FILHO, 2002).