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Com base nos dados das quatro atividades, elaborou-se um gráfico comparativo apresentando os resultados de cada grupo (1 e 2) e sua média global (Gráfico 7). Para tanto, indicou-se cada atividade com seu respectivo número (1, 2, 3 e 4), conforme apresentado na subseção anterior.

Gráfico 7 - Comparativo quantitativo do desempenho da compreensão da história nos dois tipos de contação

Fonte: Arquivo Pessoal.

8.33 10 10 6,0 8,58 8,66 10 8,33 10 9,24

ATIVIDADE 1 ATIVIDADE 2 ATIVIDADE 3 ATIVIDADE 4 MÉDIA GLOBAL

Acerca dos resultados finais alcançados em cada atividade, evidencia-se que o Grupo 2, apesar de ser constituído por alunos com médias inferiores em termos de conhecimento linguístico, conforme o desempenho revelado pelos alunos nos testes linguísticos do IDEIA aplicados (Teste de Leitura de Palavras e Frase, Teste de Escrita de Palavras e Frase, e Teste de Metáfora e Inferência), obteve um resultado mais elevado no desempenho global, uma vez que a média global revelou pontuação superior do Grupo 2 (9,24) em relação à do Grupo 1 (8,58). Em síntese, constatou-se que:

✓ Na Atividade 2, os dois grupos tiveram desempenho semelhante (pontuação 10); ✓ Na Atividade 3, o Grupo 1 teve pontuação mais elevada (obteve 10, enquanto o outro

grupo alcançou 8,33).

✓ Em duas atividades, o Grupo 2 teve pontuação mais elevada. Na Atividade 1, obteve 8,66, e o outro grupo, 8,33, bem como na Atividade 4, sendo esta última materializada numa proposta de atividade grupal complexa, por exigir a integração dos conhecimentos individuais de cada criança na recontação da história considerando a sequência de acontecimentos e personagens. Nesta atividade o Grupo 2 obteve 10 e o Grupo 1 6,0.

A tabela e o quadro a seguir comparam em termos percentuais o desempenho dos dois grupos em relação aos testes linguísticos do IDEIA e às Atividades didático-pedagógicas 1, 2, 3 e 4, considerando comparativamente o aumento obtido pelo Grupo 1 (história contada com as figuras do livro) e pelo Grupo 2 (história contada com objetos de correspondência metafórica).

Quadro 8 - Comparação do desempenho nos testes linguísticos do IDEIA/Atividades didático-pedagógicas sobre a história contada

Comparação

Desempenho do Grupo 1 Desempenho do Grupo 2

Resultado % de aumento nas atividades sobre

a história em relação ao IDEIA Resultado

% de aumento nas atividades sobre a história em relação ao IDEIA

IDEIA 7,46 15,01% 6,58 40,42% Atividades da história 8,58 9,24

Gráfico 8 - Comparação do percentual do desempenho dos grupos conforme tipo de contação

Fonte: Arquivo pessoal.

Na comparação entre os resultados linguísticos do IDEIA e as Atividades didático- pedagógicas 1, 2, 3 e 4 quanto à compreensão da história contada, de acordo com a tabela e o gráfico acima:

✓ O Grupo 1 (história contada com figuras) obteve uma média geral de 7,46 nos testes IDEIA e, nas atividades didático-pedagógicas, 8,58 de média global, indicando um aumento percentual de 15,01% no desempenho nas atividades em relação ao IDEIA. ✓ O Grupo 2 (história contada com objetos metafóricos) obteve 6,58 de média geral nos

testes IDEIA e, nas atividades didático-pedagógicas, 9,24 de média global, indicando um aumento percentual de 40,42% no desempenho nas atividades em relação ao IDEIA.

Da análise dos dados, evidencia-se que o Grupo 2, que participou da contação com objetos metafóricos, ampliou seus resultados de forma superior ao Grupo 1 na realização das Atividades relativas à compreensão da história contada. Além disso, deve-se ressaltar que esse desempenho do Grupo 2 foi alcançado apesar de ele ser constituído por alunos com médias menos elevadas, comprovando que no caso do presente estudo a compreensão do sentido da história contada caminhou de modo independente dos itens linguísticos avaliados por intermédio dos testes linguísticos do IDEIA aplicados: Teste de Leitura de Palavras e Frase, Teste de Escrita de Palavras e Frase, e Teste de Metáfora e Inferência.

Tais resultados mostram algo importante acerca da compreensão, já referidos por estudos anteriores (MORAIS, 2013; NASCHOLD et al., 2015b): a compreensão do sentido precede a leitura e a escrita, estando fortemente associada à oralidade. Isto torna-se evidente ao considerarem-se os dados apresentados no presente trabalho na Tabela 1 e suas análises (p. 56

15.01

Grupo 1

40.42

e 57), bem como no Gráfico 2 (p. 58) e suas análises, realizadas por intermédio do Teste de Tukey (Tabela 3, p. 58), que indicou diferença significante para um nível de significância (ANOVA) de 10% no que se refere ao Teste de Metáfora e Inferência, que, para a maior parte dos alunos investigados, independentemente dos grupos, teve um resultado menor se comparado aos do Teste de Leitura e do Teste de Escrita.

Em relação à superioridade do Grupo 2, como já relatado no subtópico anterior, cabe ressaltar que no momento da recontação da história, os alunos do Grupo 2 demonstraram lembrar a ordem cronológica dos fatos ocorridos na história a partir da manipulação dos objetos metafóricos. Isso ocorreu porque as metáforas são consideradas elementos essenciais para a compreensão leitora, não se constituindo em meros elementos para enriquecer ou tornar complexa a linguagem (NASCHOLD et al., 2015b). As metáforas estão infiltradas na vida cotidiana do indivíduo, fazendo parte de seus pensamentos e ações (LAKOFF & JOHNSON, 2002), e relacionam-se com o paradigma da complexidade (BEHRENS & OLIARI, 2007), segundo o qual há integração de mente e corpo para a construção de conhecimentos por meio de diferentes fontes e áreas, integrando razão, ações, emoções, sentimentos e intuições. Dessa forma, a contação e recontação com objetos metafóricos foi mais efetiva para a aprendizagem dos alunos, propiciando a aquisição, consolidação e evocação de novas informações/memórias a partir das narrativas (CONSENZA & GUERRA, 2011).

Por fim, destaca-se que, neste estudo verificou-se que além de ampliar o vocabulário dos alunos e desenvolver a capacidade de compreensão e de recontação com sucesso, a contação de histórias ficcionais por meio de objetos metafóricos proporcionou às crianças uma inserção mais interativa no mundo da literatura. Isso ficou evidente por meio da atenção e do interesse que os alunos mantiveram durante a contação realizada e no momento em que souberam que recontariam a história, o que os introduziu/motivou na compreensão do sentido da narrativa contada (NASCHOLD et al., 2015b). Sendo assim, o estudo realizado indicou que o tratamento da contação com objetos metafóricos foi a causa real do efeito contatado. No entanto, cumpre ressaltar que ao extrair conclusões sobre os efeitos de variáveis internas, o presente experimento tem validade interna. Para que este achado possa ser generalizado há a necessidade da realização de pesquisas envolvendo um número maior de sujeitos e de controle de variáveis (MALHOTRA, 2001).

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