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PARALLEL TECHNICAL SESSIONS

Dans le document Nuclear Power Plant Life Management | IAEA (Page 34-40)

Os resultados da pesquisa mostraram o comportamento heterogêneo da precipitação para todas as regiões do globo terrestre, quando se tratou da anomalia existente entre o IH com fluxo de água doce extra e o IH sem fluxo de água extra (Figura 3.4 A,B). Os resultados mostraram um aumento da precipitação no IH com fluxo de água doce extra no Atlântico Norte, com 5% de significância junto a costa das Américas do Sul, Central e do Norte, além da costa norte da África, Portugal e Espanha, coerente com dados de Morrill et al. (2013). Diverge, porém, quanto ao aumento da precipitação na região do Atlântico Sul, observado na presente pesquisa.

Os resultados observados podem ter relação com o aumento da convectividade entre oceano/atmosfera e entre as células convectivas atmosféricas em função do aumento do gradiente de temperatura entre as regiões tropicais, sub tropicais e sub polares, impulsionados pelo fluxo de água extra. Segundo Renssen et al. (2002), um aporte de água doce nos oceanos, modifica a conexão oceano/atmosfera e pode alterar o processo de circulação atmosférica e por sua vez, influencia no padrão de precipitação em diversas regiões, como a redução de até 10 cm/ano observada por eles no norte da África e Oriente médio quando do aporte de água doce e alteração da temperatura do ar. Porém, quando a análise é feita entre o IH sem o aporte de água extra e o PI houve redução de até 1,3 mm/dia para latitudes superiores a 45º N e de até 0,9 mm/dia para latitudes superiores a 45º S que, segundo Zhang et al. (2016), pode estar ligado a redução da T2m e do processo evaporativo para as referidas latitudes (Figura 3.4 C,D).

Os resultados apontados anteriormente são condizentes com os apontados por Morrill et al. (2013) que verificaram um índice maior de precipitação no Hemisfério Norte durante o PI em relação ao IH, invertendo-se na faixa equatorial do Atlântico, onde os modelos apontaram mais precipitação durante o IH. Os autores enfatizaram que há uma grande variabilidade espacial em relação à chuva, o que pode estar associado a um padrão mais caótico do clima de transição entre a última era glacial e o IH.

Figura 3.4 - Diferença de precipitação sazonal (mm/dia): A,B). No Início do Holoceno com e sem fluxo de água doce extra e C,D) Entre o IH e o PI sem fluxo de água doce extra. Os círculos indicam a significância estatista a 5% para temperaturas positiva e ou negativa, respectivamente.

A Figura 3.5 ilustra a diferença entre a evaporação e a precipitação para as simulações do IH com fluxo de água doce extra (Figura 3.5 A,B), IH sem o aporte de água doce extra (Figura 3.5 C,D) e o PI (Figura 3.5 E,F). É possível notar um padrão semelhante entre as simulações para as diferentes situações no período de inverno austral e semelhança de padrão também ocorre no verão austral. Logo, pode se dizer que o aporte de água doce não alterou significativamente o padrão de evaporação e de precipitação entre os cenários apresentados na Figura 3.5, mas houve alteração quando considerado os cenários entre o verão e o inverno austral, devido as próprias características inerentes das próprias estações. Apenas aumentou o processo evaporativo em uma determinada região em detrimento da redução da precipitação. Em todas as simulações, a precipitação de DJF foi superior a evaporação para regiões de latitude superiores a 45º tanto Sul quanto Norte. Já a evaporação foi predominante para latitudes entre 45º S e 45º N no Atlântico, parte do Pacífico e parte do Índico, exceto nos continentes da América do Sul, da África e sul da Europa (Figura 3.5 A,C,E).

Para os meses de JJA, além do predomínio da evaporação dos oceanos, entre 45º S e 45º N, esta foi mais intensa no Oceano Índico. Houve também predomínio da evaporação nos continentes da América do Sul, região central da América do Norte e Europa, onde se estendeu até 60º N. O aporte de água doce extra levou a uma redução de até 1.2 mm/dia da evaporação para regiões superiores a 45º N em função da redução da temperatura, ocasionada pelo aporte de água doce que reduziu a TSM do Atlântico Norte e levou a um aumento da evaporação na região equatorial e subequatorial, em função da influência no padrão de circulação atmosférica da região pelo contraste térmico. O aporte de água doce acentuou o gradiente de temperatura entre a região subpolar e a região tropical, que levou a uma intensificação dos ventos nas regiões de Altas Subtropicais oriundas da célula de circulação geral de Hadley. Os ventos mais intensos, ascendentes da região tropical, levou a um aumento do processo evaporativo e da diferença entre evaporação e precipitação para o IH.

Nas regiões continentais, a precipitação predominou sobre a evaporação, em todos os cenários, o que já era esperado em função de a região continental dispor de menor massa de água que a região oceânica, onde o processo evaporativo foi maior. Porém, o transporte de vapor de água das regiões oceânicas em direção aos continentes ganhou um incremento em função da intensificação da circulação atmosférica em baixos níveis, pelo aumento do gradiente de temperatura Terra/Mar, o que acentuou o transporte umidade do

oceano para o continente (principalmente na América do Sul). Por sua vez, nas regiões extratropicais a evaporação foi inferior a precipitação devido a menor disponibilidade de radiação solar, se comparados ao aporte energético das regiões tropicais.

Figura 3.5 - Diferença entre precipitação e evaporação (mm/dia): A,B) Início do Holoceno com fluxo de água doce extra; C,D). Início do Holoceno sem fluxo de água doce extra e E, F) Período Pré-Industrial. Os círculos indicam a significância estatista a 5% para temperaturas positiva e ou negativa, respectivamente.

Fonte: O autor.

A Figura 3.6 mostra um maior processo evaporativo entre 60 e 70N e a precipitação mais intensa ao norte desta região (entre 70e 90N). Esse processo evaporativo mais ao sul da maior concentração de precipitação contribuiu com uma maior advecção para norte, intensificando, principalmente, no Atlântico Norte, uma região mais propícia a precipitação.

Figura 3.6 - Perfil latitudinal global da precipitação e evaporação (mm/day-1) da diferença entre Início do Holoceno e o período Pré-industrial.

Fonte: O autor.

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