*2.15 Codes for Detecting and Correcting Errors
2.16 Codes for Serial Data Transmission and Storage
2.16.1 Parallel and Serial Data
A avaliação da educação pode ser considerada como “um processo complexo, que começa com a formulação de objetivos e requer a elaboração de meios para obter evidências de resultados, interpretação de resultados para saber em que medida foram os objetivos alcançados e formulação de um juízo de valor” (SARABBI, 1971, apud SANT’ANNA, 2004,
p. 28). Por essa perspectiva, a avaliação da aprendizagem na escola possui dois objetivos: “auxiliar o educando no seu desenvolvimento pessoal, a partir do processo de ensino- -aprendizagem, e responder à sociedade pela qualidade do trabalho realizado” (LUCKESI, 2008, p. 174).
Há duas orientações contrastantes no que tange à qualidade da educação: a eficiência técnica e a eficiência pedagógica.
a primeira refere-se aos insumos (duração da jornada, salário pago aos professores, recuperação nas férias, materiais e instalações disponíveis, como livros didáticos, bolsa- -escola e laboratórios – línguas, informática, Física, Química e Biologia –, capacitação docente, transporte e merenda escolar, parcerias, parâmetros curriculares etc.). Já a segunda não dá tanta ênfase aos insumos externos ou aos seus efeitos, priorizando aspectos mais afetos às qualidades da equipe pedagógica (habilidade e motivação para ensinar, padrão de organização escolar, métodos de ensino, clima da escola, reforço escolar, propostas pedagógicas diversificadas etc.) (INEP, 2010, p. 31).
Os insumos acima apontados permitem evidenciar que a “efetividade da escola não depende apenas dos resultados finais dos alunos durante sua escolarização, mas também de quais melhorias foram observadas no desempenho dos estudantes à luz dos contextos sociopolíticos e econômicos da escola” (INEP, 2010, p. 32).
Pesquisas internacionais na área da educação apontam que são dois os fatores que mais impactam nos resultados de avaliações das escolas: a qualidade do corpo docente e da gestão da escola (LEITHWOOD et al, 2004; DAY et al, 2011; WALLACE FOUNDATION, 2013). O que torna possível declarar que a gestão das unidades escolares é fator crítico para a oferta de uma educação de qualidade.
São muitos os efeitos diretos e indiretos da gestão escolar na aprendizagem dos estudantes (LEITHWOOD et al., 2004). Isso porque, a gestão, formal ou informalmente, ajuda a moldar a natureza das condições da escola (como objetivos, cultura, estrutura, condições físicas), o conteúdo das instruções, a linha pedagógica adotada, as condições das salas de aula etc. Pelo menos, teoricamente, esses fatores contribuem para dar forma às relações entre professores, estudantes e família, que, por sua vez, influenciam diretamente na aprendizagem dos alunos.
Há de se atentar, ainda, que a gestão escolar é fator chave para a implementação das políticas públicas educacionais. Isso porque, em primeira instância, é o diretor da escola o responsável por apreciá-las e colocá-las em prática, ajudando seus colegas a entendê- -las, providenciando os recursos necessários para implementá-las e sensibilizando a comunidade, a fim de obter a cooperação necessária para as mudanças pretendidas (DAY
Garcia (2011, p. 139) é esclarecedor ao declarar que, é pelo empenho em fazer o pedagógico e o administrativo caminharem juntos que há uma afinação “entre diretor e assistente de direção, coordenadoras pedagógicas e funcionários da escola, o que facilita a colaboração de todos para o bom funcionamento tanto nos aspectos de ordem pedagógica e burocrática, como nos da ordem de serviços”. Por essa óptica, o “diretor de escola é um gestor da dinâmica social, um mobilizador e orquestrador de atores, um articulador da diversidade para dar-lhe unidade e consistência, na construção do ambiente educacional e promoção segura da formação de seus alunos” (LÜCK, 2000, p. 16).
Por isso que a formação dos gestores escolares transcende a perspectiva individual, impactando o corpo docente, os discentes, o pessoal de apoio, a comunidade escolar, a escola em si. Leithwood et al. (2004) afirmam que, devido a essa abrangência da gestão escolar, o interesse e o investimento na formação de diretores de escola têm aumentado nos últimos anos.
Nesta ceara, é importante destacar o estudo realizado por Day et al (2011), a fim de investigar o impacto da liderança escolar, em especial do diretor, na melhoria de escolas inglesas. Os autores realizaram vinte (20) estudos de casos e surveys com mais de setecentas (700) escolas primárias e secundárias. A pesquisa apontou estratégias e ações que gestores e pessoal de apoio podem realizar a fim de aumentar o desempenho dos alunos. O estudo também apresentou um modelo de equações estruturais que revela os efeitos diretos e indiretos da liderança escolar em uma série de processos escolares, que implicaram mudanças na performance acadêmica das escolas. Por fim, os autores elencaram quatro (4) categorias de estratégias, atribuindo comportamentos ou práticas a cada uma delas:
• definir direção: associada à motivação do pessoal, ao estabelecimento de propósito moral e a altas expectativas de resultado;
• desenvolver pessoas: associada a enriquecer a qualidade e fomentar a liderança nos corpos docente e administrativo;
• refinar e alinhar a organização: associada a repensar estruturas, papéis e responsabilidades, envolvendo alunos e construindo relações com a comunidade escolar, e;
• melhorar o programa de ensino e aprendizagem: associada ao enriquecimento do currículo com foco na aprendizagem e nos resultados dos alunos.
Vale ressaltar, ainda, a observação que Day et al (2011) fizeram sobre as escolas que tinham bons resultados nas avaliações externas: todas elas possuíam fortes sistemas internos de
accountabilty, em que traçavam seus padrões e julgamentos profissionais. Além disso, as
dados que eram utilizados para melhorar a performance.
É possível inferir, portanto, a partir do estudo realizado por Day et al (2011) que, o estabelecimento de objetivos claros e relativos à expectativa de desempenho acadêmico, assim como a implementação de processos de acompanhamento e controle desses objetivos, são primordiais para a boa gestão da escola. Em outras palavras, a avaliação da educação, na concepção adotada neste artigo, é fator chave para a boa gestão escolar e para a oferta de uma educação de qualidade. Isso porque, os resultados dos alunos nas avaliações externas e internas, refletem a constante avaliação dos processos de trabalho realizados na escola. Ou seja, o processo de avaliação deve ser sistemático.
No Brasil, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2010) realizou estudo em 35 escolas de ensino médio, a fim de identificar fatores responsáveis pela efetividade escolar e relacionados às práticas que mais se associavam ao sucesso escolar dos alunos. A análise dos dados permitiu identificar “características recorrentes que se manifestam de forma sistêmica e em diferentes níveis de intensidade”, que estão presentes nas boas práticas das escolas estudadas e que são consideradas como responsáveis pelos resultados de aprendizagem dos alunos (INEP, 2010, p. 56). São elas:
• aprendizagem como foco central da escola: a aprendizagem norteia as decisões e os objetivos de aprendizagem são expressos em planos de ensino e compartilhados com pais e alunos;
• expectativas elevadas sobre o desempenho dos alunos: confiança na capacidade de aprender dos educandos;
• elevado senso de responsabilidade profissional dos docentes em relação ao sucesso dos alunos: docentes buscam dominar teorias e instrumentos relacionados ao seu trabalho, assim como serem presentes e atuantes na escola, buscando formação contínua;
• trabalho em equipe e lideranças reconhecidas: gestores capazes de unir o grupo e de estabelecer e compartilhar visão e metas;
• preservação e otimização do tempo escolar: procedimentos rigorosos em relação ao cumprimento dos horários, às faltas de alunos e professores e à evasão escolar; • normas de convivência claras, aceitas e incorporadas à dinâmica da escola: sua ênfase
é provocar o diálogo e incentivar a reflexão com base em um código de conduta que expressa seus valores e seja reconhecido como legítimo por todos;
• clima harmonioso: buscar tornar a escola um lugar agradável para ensinar e aprender; e,
• autonomia e criatividade por parte da equipe escolar: que deve estar apta a desenvolver projetos pedagógicos próprios e articulados com seus objetivos centrais (INEP, 2010). Percebe-se, a partir do estudo realizado pelo INEP (2010), que os bons resultados das escolas estudadas estão vinculados à capacidade de traçar objetivos claros e focados no processo de ensino-aprendizagem e à capacidade de alcançar os objetivos propostos. O que ocorre através da sensibilização dos esforços da gestão e dos corpos docente e discente, indo ao encontro e corroborando com as quatro categorias de estratégias apontadas na pesquisa realizada por Day et al (2011).
Dados os diferentes contextos das escolas brasileiras e das escolas inglesas, a avaliação da educação exerce papel fundamental para a qualificação da educação oferecida pelas unidades escolares. Ademais, a avaliação da educação, além de atuar, concomitantemente, como eixo norteador e como resultado das políticas e práticas aplicadas no contexto escolar, também serve como ferramenta de gestão. Por essa perspectiva, a avaliação da educação é instrumento da gestão, porque a partir de seus resultados, é possível identificar deficiências e/ou potencialidades das instituições, auxiliando-as a traçar planos de atuação, seja em nível de gestão da unidade escolar ou do sistema educativo. Portanto, para o bom desempenho dos alunos e da rede escolar, independentemente do nível de governo e, conforme o referencial aqui adotado, é imprescindível conceder à avaliação da educação caráter processual, sistêmico e contínuo.