Résumé étendu
Chapitre 3 paralléliser eCP
Com vista à avaliação do síndrome de burnout, o instrumento mais utilizado para esse fim é o MBI-Maslach Burnout Inventory (Maslach & Jackson, 1981). Nesta edição constavam 25 itens que abrangiam as três subescalas de Esgotamento Emocional, Despersonalização e Falta de Realização e, ainda, um quarto fator denominado Envolvimento que continha 3 itens opcionais. Em 1986, os mesmos autores criaram uma segunda versão deste instrumento, reduzindo o número de itens de 25 para 22. Trata-se de um questionário cujas afirmações devem ser respondidas de acordo com uma escala do tipo Likert. Conhecem-se duas versões semelhantes: uma dirigida para os profissionais de saúde (MBI-HSS, Human Services Survey) e outra dirigida aos docentes (MBI-ES, Educators Survey). A única diferença entre o Educator Survey (ES) e o MBI-HSS consiste na substituição da palavra “recipient” por “student” em todos os itens onde esse termo aparece. (Maslach, Schaufeli & Leiter, 2001).
Em 1996 Maslach, Jackson e Leiter publicaram uma terceira versão denominada GS- General Survey. Este instrumento é constituído por 16 itens e pode ser aplicado a qualquer profissão. Salienta-se, nesta versão, uma evolução no conceito de burnout, na medida em que o termo Despersonalização foi substituído por Cinismo e o termo Realização Pessoal passou a designar-se de Eficiência Profissional.
3. BURNOUT EM PROFESSORES
As novas funções do professor, no atual contexto social e profissional, exigem muitas capacidades pessoais, que não se podem reduzir somente à acumulação de saberes. No exercício da sua atividade, o professor encontra-se sob pressão de vários fatores psicossociais, causadores de stress.
O stress produzido por atividades profissionais, ou seja o stress ocupacional, tem motivado alguns estudos, consequência do intenso ritmo de trabalho e alta exigência de concentração nas tarefas diárias. Podemos, assim, afirmar que o stress ocupacional traduz o desajustamento entre as pessoas e o ambiente.
No caso dos professores, o ambiente ocupacional e as exigências de competências resultantes do trabalho, sendo mediadas pela perceção de que, essas exigências, constituem uma ameaça à sua autoestima e ao seu bem-estar, provocam respostas de sentimentos negativos, geralmente acompanhados de mudanças fisiológicas e até bioquímicas ou patogênicas. “O ensino é considerado como uma profissão de alta pressão, exigente em que o burnout é comum.” (Kuçuksuleymanoglu, 2011, pp. 54).
Os professores são um grupo de alto risco profissional, uma vez que estão mais propensos à baixa satisfação no trabalho, á baixa autoeficácia e consequentemente ao aumento do stress e esgotamento. “ Na Finlândia, os professores têm os maiores níveis de burnout, em comparação com os trabalhadores de todos os outros serviços humanos e empregos de colarinho branco.” (Kalimo & Hakanen, 2000 in Pyalto, Pietarinen, Salmela-Acro, 2011, pp. 1101)
De acordo com Pyalto, Pietarinen, Salmela-Acro (2011, pp.1101, citando Loonstra, Browers et Tocmic, 2009), embora a maioria dos professores considere o seu trabalho gratificante, estes professores têm sido reconhecidos como um grupo de sério risco de burnout, quando comparados com outros profissionais do meio académico.
Devido às constantes mudanças, o professor possui cada vez menos tempo para executar o trabalho de ensinar, reduzindo assim oportunidades de trabalhos criativos. Como refere Sampaio (2009, pp.36) há, cada vez mais, um distanciamento entre a execução (atividades realizadas pelos professores) e o planeamento das políticas que norteiam seus trabalhos, bem como o universo de complexidade que envolve os resultados dessas tarefas.
Dentre as várias funções e atribuições e realidades, como: tipos de instituições (pública ou privada), regime de trabalho (integral ou por turno), tipos de formação (pedagógica ou técnico), nível de formação (graduado, pós-graduado), contexto do aluno
(faixa etária, classe social, nível do ensino, poder econômico etc..), acima de tudo o professor deve ser afetuoso. Segundo Vasques-Menezes & Gazzotti (2006, in Sampaio, 2009, pp. 36) “Todo trabalho envolve algum tipo de investimento afetivo por parte do trabalhador, quer seja na relação estabelecida com outros, quer mesmo na relação estabelecida com o produto do trabalho. Mas, o caso do professor é diferente, a relação afetiva é obrigatória para o próprio exercício do trabalho, é um pré-requisito. Para que o trabalhador seja efetivo, ou seja, que atinja seus objetivos, a relação afetiva necessariamente tem que ser estabelecida.”
Apesar das diferentes pesquisas sobre burnout em professores, que permitiram compreender melhor os níveis, dimensões e os fatores que contribuem para este síndrome, ainda pouco se sabe acerca da forma como o burnout se desenvolve entre os professores. Compreender o desgaste entre professores é importante, porque o burnout dos professores tem um impacto significativo, não apenas na motivação, saúde, trabalho e satisfação, mas também no comportamento e aprendizagem dos alunos. Os autores (Pyalto, Pietarinen, Salmela-Acro, 2011, pp.1102), exemplificam estas afirmações com as pesquisas de Hakanen et al (2006), que observaram a exaustão emocional e cinismo correlacionadas negativamente com a autoavaliação da capacidade para o trabalho e a saúde, entre os professores finlandeses.
Verifica-se que na profissão docente, burnout tem sido associado à insatisfação com o trabalho com consequências afetivas e profissionais negativas, (como depressão, insuficiência no funcionamento ocupacional), não só para professores, mas também, para suas famílias, estudantes e escolas.
A intensidade do stress dos professores, relacionado com o trabalho varia de cultura para cultura e de país para país. No entanto, a maioria das pesquisas realizadas, na Europa e na América do Norte, têm mostrado altos níveis de stress ocupacional e/ ou desgaste entre os professores. Há uma ampla evidência de que os professores, durante as suas carreiras, sofrem grande quantidade de stress que pode resultar em depressão, mau desempenho, atitude e alterações de humor e de personalidade, que por sua vez pode levar à doença e até aposentação prematura.
Como salienta Sampaio (2009, pp.34), o burnout, nos tempos modernos, aparece em profissões cuja exigência cresce mais e na mesma proporção em que as necessidades e exigências vão impossibilitando a realização das tarefas. A diferença entre o que o trabalhador oferece no trabalho, de empenho, dedicação e aquilo que ele recebe (reconhecimento de superiores e colegas, bons resultados nos desempenho dos alunos, etc..) cria tensão, conflitos de incompatibilidade, geradores de burnout.
Estando, os professores de alunos NEE, sujeitos a um maior grau de conflito e tensão, iremos abordar o estudo do síndrome de burnout neste grupo específico de professores, considerando todos os professores que lidam com alunos com NEE e os que lidam só com estes alunos, ou seja os professores de Educação Especial.