A tecnologia dos Pareceres constitui um território de possibilidades de criação, um terreno fértil, um substrato para a cultura de determinados seres. Um substrato ficcional que traça um novo ser (CARDOSO, 2001, p. 14).
Os pareceres descritivos podem ser um bom instrumento de avaliação na Educação Infantil por apresentar um caráter mais qualitativo em relação ao desenvolvimento da aprendizagem da criança. Através desse tipo de avaliação é possível falar das características de cada criança, da construção de sua aprendizagem durante a trajetória escolar, registrar algumas falas significativas que demonstrem a sua curiosidade diante de uma situação de aprendizagem, demonstrar suas interações e expressões através de imagens, entre outras possibilidades.
Dessa maneira, o parecer descritivo pode dar maiores detalhes sobre o cotidiano da criança em sala de aula, pois dá ao professor uma liberdade de escrita embora seja necessário haver um planejamento e uma intenção do que narrar sobre cada criança, de modo a demonstrar as suas evoluções e conquistas na Educação Infantil.
No entanto, ainda existem algumas lacunas em relação à sua produção textual, valorizando mais a descrição de aspectos comportamentais da criança e sequência de atividades que executa do que propriamente os processos específicos da sua aprendizagem.
Dessa forma, através da análise de pequenos trechos de pareceres descritivos selecionados e recortados, pretendo demonstrar como o discurso sobre as crianças se materializam em narrativas que a inventam como um ser escolar, projetando no papel situações superficiais e fictícias que não condiz com a realidade observada em sala de aula.
É importante salientar que cada escola possui um período de entrega dos pareceres, mas em sua grande maioria, essas avaliações são feitas trimestralmente. Os estudantes são avaliados no início, durante e ao final do ano letivo, somando-se três pareceres que irão registrar a sua trajetória escolar.
Sendo assim, trago primeiramente dois pareceres do primeiro trimestre de diferentes alunos para visualizarmos as primeiras impressões que são relatadas sobre essas crianças, lembrando que seus nomes foram substituídos para preservar a sua identidade.
O estudante Arthur começou a freqüentar a turma em abril mesmo assim, apresentou boa adaptação escolar e interação com os demais colegas. Às vezes resiste um pouco às regras e combinados estabelecidos na turma, e nem sempre coopera com os colegas, na organização de diversos ambientes. Precisa seguidamente ser lembrado com relação ao cuidado com os materiais de uso coletivo e individual. Apresenta boa interação e convive harmoniosamente com os colegas, brincando com todos. Participa das rodas cantas e de dança realizando os comandos propostos em tais atividades. Participa das atividades com entusiasmo, porém distrai-se facilmente. Alimenta-se bem e sempre dorme no momento de descanso.
Modelo 9: Parecer Descritivos21
Nesse primeiro exemplo, podemos facilmente identificar que se trata de um parecer do primeiro trimestre, pois traz em, sua escrita, uma referência ao processo de adaptação escolar. Esse período é o momento em que a criança vai assimilando as novas condutas que deve assumir fora do ambiente familiar. Na escola, a criança não está sozinha e terá que dividir com os colegas a atenção, os espaços, os materiais, portanto deve cumprir regras para não haver conflitos, além disso, deve se preparar para executar uma série de atividades planejadas para todo o ano. Assim constituí-se o ser escolarizado que precisa assumir normas, valores,
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Os pareceres descritivos analisados neste capítulo estão disponíveis em: CARVALHO, Rodrigo Saballa de.
Educação Infantil: práticas escolares e o disciplinamento dos corpos. 2005. 193 f. Dissertação (Mestrado) –
habilidades e sentimentos para se tornar parte da instituição de ensino, mudando assim o seu modo de ver, pensar, agir e falar.
Ao ler e analisar o parecer do Arthur, penso se tratar de uma criança indisciplinada e desorganizada, pois segundo o relato da professora ele resiste às regras e não coopera na organização dos materiais. Embora a redação desse parecer seja pequena, nota-se que há uma descrição muito maior dos aspectos atitudinais da criança do que em relação às atividades realizadas. Além disso, as únicas atividades mencionadas foram as rodas de canta e dança em que Arthur executa os comandos revelando uma forma de controle sobre o menor, as demais não foram especificadas.
Portanto, o relato do parecer de Arthur não nos deixa claro quais foram as atividades realizadas com ele durante o trimestre, quais foram as intervenções da professora diante de suas distrações, de que maneira ele brinca com os colegas, o que gosta de comer nas refeições, quais os conhecimentos que possuía ao chegar na escola, em que evoluiu, dentre outras tantas coisas que poderiam ser citadas.
Com isso, vemos, no parecer, muito mais um discurso que visa civilizar o Arthur instituindo ―comportamentos, regras, normas tidas como verdadeiras‖ (CARDOSO, 2001, p. 24) as quais ele deve se ajustar, corrigindo seus maus hábitos através do disciplinamento do professor.
No segundo parecer, também do primeiro trimestre, é possível observar uma escrita muito semelhante à primeira, embora se tratem de pareceres de alunos diferentes. Essa semelhança pode ser um reflexo da busca de modelos prontos de pareceres, disponíveis principalmente na internet. Existem inúmeros sites nos quais é possível obter diferentes modelos, de diferentes níveis e que facilitam, sobremaneira, a vida do professor que precisa elaborar pareceres de toda a turma. No entanto, ao enquadrar todas as crianças em uma mesma narrativa, deixa-se de evidenciar aspectos significativos na aprendizagem de cada uma, colocando-as todas numa posição de igualdade, como observamos a seguir:
O estudante Vinícius apresentou boa adaptação escolar e interação com os demais colegas, porém nem sempre aceita bem as regras e combinados estabelecidos na turma, precisando estes serem repetidos várias vezes. É cuidadoso com os materiais de uso coletivo e individual. Durante as brincadeiras interage bem com seus colegas, porem por correr bastante, acaba se envolvendo em pequenos acidentes, como esbarrões, batidas envolvendo ele e demais colegas. Ao realizar as atividades manuais distrai-se com muita facilidade e acaba fazendo de qualquer maneira, sem prestar atenção no comando orientado. Alimenta-se bem e geralmente dorme no momento de descanso.
Podemos observar que a narrativa do parecer descritivo apresentado segue a mesma ordem do anterior, pois de igual modo são avaliados questões de adaptação ao ambiente escolar, relacionamentos com colegas e condutas em sala de aula. Dessa maneira é possível identificar uma tentativa de enquadrar as crianças em padrões adotados pela instituição de ensino, na busca por definir assim um novo ser, criado a partir do discurso nos pareceres descritivos que nos revelam uma determinada realidade e consolida em nós uma maneira de ver e interpretar esse menor (SACRISTAN, 2005).
Seguindo na análise, notamos que o discurso presente no parecer de Vinícius, assim como no parecer do Arthur, estão majoritariamente voltados para questões de comportamento ao invés do desenvolvimento da aprendizagem. Ambos os alunos são vistos como seres que precisam de disciplina para se encaixar nas normas da escola.
A linguagem utilizada expressa o que as crianças ainda precisam aprender e não situações em que elas apresentaram conquistas. Sendo assim, os pareceres descritivos dessas crianças não nos apresentam o seu desenvolvimento de maneira integral, em suas múltiplas linguagens, descrevendo de maneira contínua suas aprendizagens através da linguagem, natureza e sociedade, matemática, movimento, música, artes visuais e formação pessoal e social, critérios presente nos RCNEIs (1998) como norteadores da avaliação na Educação Infantil, ao contrário, apenas nos apresenta de uma maneira abreviada as normas que o escolar deve seguir.
Assim, ao fazer a leitura do parecer descritivo de Vinícius, notamos que ele brinca, realiza trabalhos manuais, alimenta-se e dorme. Mas do que Vinícius brinca, quais são os trabalhos manuais que realiza e quais são as linguagens estimuladas nessas atividades, não são explicitadas. Dessa maneira, não é possível conhecer o trabalho do professor porque este se detém apenas em apresentar aos pais, através de sua escrita, a imagem de Vinícius como uma criança indisciplinada e que ainda não cumpre as regras da escola, ignorando os comportamentos típicos dessa faixa etaria. Sendo assim, ao demonstrar, através dos pareceres, as condutas de seus filhos na escola, também passa a responsabilidade para os pais, na tentativa de juntos, modelarem essa criança para se comportar e realizar os trabalhos com capricho.
Entretanto, mais do que comportamentos, temos a responsabilidade de narrar sobre o processo de aprendizagem da criança no contexto escolar. Através das palavras escolhidas, os
professores tem o poder de criar diferentes histórias, que ao serem registradas através da escrita, tornam-se verdades para quem lê.
No entanto, as verdades narradas têm nos apontado a descrição de um novo ser, criando realidades fictícias que não condizem com os aspectos que emergem das crianças, mas que são produzidos com base na sequência de comandos que estas precisam cumprir, projetando nelas os ideais dos adultos o qual institui ―procedimentos e mecanismos que produz formas de dominação, modos de sujeição e constitui saberes‖ (CARDOSO, 2001, p. 30). Dessa maneira, ao observar a escrita dos pareceres de Arthur e Vinícius podemos afirmar que há um discurso dominador que tenta sujeitar a criança a cumprir determinadas normas e executar as atividades estipuladas no currículo, não dando abertura às necessidades e curiosidades da infância.
Temos, nessas narrativas, a percepção do professor sobre a criança que pode atribuir a cada uma diferentes significados. Nessa perspectiva, a linguagem utilizada nos pareceres descritivos se caracteriza como uma forma de domínio, pois é através dela que a criança será representada, refletindo a visão do professor que não é neutra e pode moldar o seu discurso de acordo com aquilo que ele compreende como realidade (SACRISTÁN, 2005). Nessa perspectiva, a criança vai sendo marcada pela história elaborada nos pareceres descritivos e lentamente perde a sua identidade infantil para dar origem a criança escolar.
Ao analisar os pareceres do segundo trimestre de Arthur e Vinícius, já foi possível observar algumas considerações às atividades aplicadas em sala de aula, como segue abaixo:
O segundo trimestre de 2012 foi um período de muito trabalho e aprendizado. O Arthur esteve bastante envolvido, participando com entusiasmo destes momentos.
Ainda não seleciona completamente os objetos, segundo critérios solicitados: cor, forma e tamanho. Seus desenhos tomam cada vez mais forma, mas ainda utiliza ―palitos‖ na representação do corpo humano.
No aspecto psicomotor, noto que o Arthur vem se desenvolvendo significativamente. Canta e dança com ritmo, reproduzindo os gestos das canções. Executa exercícios que exijam atenção e memória, com certa dificuldade.
Modelo 10: Parecer Descritivo
Na narrativa acima, ainda encontramos algumas palavras referente às atitudes como envolvido e entusiasmo, porém já é possível visualizar quais atividades que estão sendo trabalhadas em sala de aula, mesmo que de modo superficial. Notamos a descrição de uma sequência de atividades a que a criança foi submetida e uma ênfase em relatar situações em que a mesma ainda não demonstra certas habilidades. Outro fator que merece atenção é a
utilização de termos como critérios solicitados, reproduzindo os gestos e executa exercícios, demonstrando uma ideia de controle sobre o educando.
Vemos, através do relato da professora, que Arthur esteve bastante entusiasmado e envolvido com os momentos de aprendizagem, mas não deixa claro quais foram esses momentos. Adiante, apresenta algumas atividades que deveriam ter sido realizadas segundo critérios pré-estabelecidos como seleção de objetos por cor, forma e tamanho e a representação do corpo humano através do desenho, deixando evidente que já se espera um determinado resultado das ações da criança.
Se Arthur não seleciona os objetos da maneira esperada ou ainda não desenha o corpo humano segundo os critérios de perfeição exigidos pela escola, o que ele tem sido capaz de fazer quando está diante de tais propostas? Com isso, vemos o poder do discurso do professor representando a criança conforme suas percepções e estabelecendo um modelo de conduta a ser seguido na realização das atividades e no convívio em sala de aula. Assim, a avaliação dessas crianças é baseada na capacidade que demonstraram em executar e reproduzir as atividades requisitadas no currículo escolar, feitas apenas no fim do trimestre e que as classifica segundo um ideal que deve ser cumprido.
Mediante tais análises, concordo com Cardoso (2001, p. 16) quando afirma que o ―discurso dos Pareceres, põe em funcionamento a produção de um ser que ali está descrito e que é estruturado e delimitado em seu campo de ação‖, ou seja, a narrativa do parecer descritivo nos mostra a relação de habilidades que a criança deve dominar ao iniciar sua vida laborativa na escola e passa a ser avaliada de acordo com as atividades selecionadas e com os resultados que se espera dela, deixando restrita a possibilidade de avaliar aspectos mais amplos de sua aprendizagem, fabricando seres que devem aprender de uma mesma maneira. E, ao serem condicionados a aprenderem da mesma forma, também tem suas ações descritas de maneira igualitária, revelando um discurso homogêneo nos pareceres descritivos.
Assim, ao dar continuidade na apresentação da narrativa do parecer descritivo do estudante Vinícius, é possível notar a utilização da mesma redação em relação ao estudante Arthur.
O segundo trimestre de 2012 foi um período de muito trabalho e aprendizado. O estudante Vinícius esteve bastante envolvido, participando com entusiasmo destes momentos.
Ainda não seleciona completamente os objetos, segundo os critério solicitados: cor, forma e tamanho. Seus desenhos tomam cada vez mais forma, mas ainda utiliza ―palitos‖ na representação do corpo humano.
No aspecto psicomotor, noto que o Vinícius vem se desenvolvendo significativamente. Canta e dança com ritmo, reproduzindo os gestos das canções. Executa alguns movimentos que exijam atenção e memória com certa dificuldade.
Modelo 11: Parecer Descritivo
Ao visualizar esses pareceres, até poderíamos dizer que se trata do relato de uma mesma criança, pois a escrita é realmente idêntica, salvo o nome do aluno. Não há nenhum aspecto curioso, que se diferencie na maneira de ser e de pensar dessas crianças. A linguagem é restrita e muito objetiva, não nos dando dados específicos que nos permita compreender como tem se dado o desenvolvimento singular da aprendizagem de cada uma.
Na leitura e análise dos oito pareceres que tinha em mãos, pude notar narrativas muito semelhantes para todas as crianças, por isso os dois pareceres selecionados, de Arthur e Vinícius, representam um modelo de escrita que se estendeu a todos os alunos da turma, diferenciando-se apenas alguns poucos aspectos.
Assim, um trecho divergente no parecer de Arthur, foi encontrado no seguinte relato sobre o comportamento nos momentos das brincadeiras: apresenta boa interação e convive harmoniosamente com os colegas, brincando com todos. E no parecer de Vinícius um pouco mais de detalhes: durante as brincadeiras interage bem com seus colegas, porém por correr bastante, acaba se envolvendo em pequenos acidentes como esbarrões, batidas envolvendo ele e demais colegas. Nota-se, nessa passagem, que as crianças foram avaliadas em um mesmo momento, porém já se observa características que as diferenciam.
Outras partes em que as narrativas se diferem é em relação aos conteúdos, onde são descritos se as crianças conseguiram reconhecer cores, diferenciar letras de números, escrever o nome. Nesse sentido, a criança também é avaliada através de determinados itens pré- estipulados para a sua aprendizagem, o que pode dar origem a um processo de classificação de uma criança em relação aos demais colegas da turma, resultando em ―posturas discriminatórias, comparativas e excludentes‖ (HOFFMANN, 2014ª, p. 12), fazendo com que a criança viva em um ambiente de tensão e cobranças que podem limitar o seu desenvolvimento.
No terceiro trimestre, no qual se elabora o último parecer do ano, é apresentada uma conclusão do que foi trabalhado com as crianças, e algumas observações de seus aprendizados em relação ao projeto escolar. Discurso padrão, que mais uma vez se repete, narrando as ações das crianças sobre os mesmos itens selecionados para a avaliação e que novamente se voltam para aspectos atitudinais, expressando uma tentativa de determinar condutas a serem
seguidas, imposições de verdades a serem internalizadas pelos corpos, construção de novas identidades, fabricando um novo ser, o ser aluno, a criança escolar, que muito se distancia daquela que vivia no ambiente familiar. Segue o relato:
Ao encerrar o ano letivo de 2012 temos plena satisfação em poder avaliar aspectos de desenvolvimento infantil em nossos estudantes. A vivência escolar propicia a construção de diferentes conhecimentos e é possível dizer que Arthur, através da interação com este meio, com colegas, professores e funcionários da nossa escola tem demonstrado algumas evoluções.
Através do projeto que estudou os Animais, percebo que Arthur reconhece os aspectos da vida animal que representam importantes hábitos e atitudes da vida humana, como: organização, trabalho em equipe, alimentação e respeito as diversidades. Ainda assim, tenho notado no Arthur bastante agitação, agressividade e resistência em respeitar limites e combinados. Neste trimestre a escola esteve em contato com a família, na tentativa de juntos superarmos estas dificuldades.
Modelo 12: Parecer Descritivo
Mais uma vez, temos descrições muito superficiais do desenvolvimento infantil, ocultando aspectos que podem ser essenciais para que os pais possam entender como se dá o desenvolvimento do seu filho na escola. Ao concluir a trajetória de Arthur na escola, a professora relata que ele foi capaz de construir diferentes conhecimentos, mas não menciona em que sentido foram as suas evoluções.
Desse modo, explicitar de maneira mais específica quais são os diferentes conhecimentos que a escola propicia e quais são as evoluções que a criança apresenta nesse contexto pode colaborar para deixar os pareceres descritivos mais claros. Para isso, Cardoso (2001) aponta a observação e o acompanhamento contínuo do professor como fatores importantes para fazer descrições detalhadas das produções das crianças.
Ao apresentar o projeto de trabalho sobre os animais, fica evidente que os objetivos de ensino-aprendizagem de hábitos e atitudes da vida humana foram alcançados. Porém, não é possível ter conhecimento de como esse projeto se desenvolveu, quais foram as atividades propostas e como se deu o desenvolvimento de Arthur durante esse percurso. No fim do parecer, ainda são pontuadas questões de indisciplina que a escola não conseguiu resolver e, por isso, solicita a ajuda dos pais.
Com isso, percebe-se pouca ênfase ao relato do desenvolvimento cognitivo do aprendiz, ficando evidente um discurso direcionado ao comportamento e a resistência em assimilar as regras, sendo a família requisitada para colaborar nesse momento de controle do menor.
Nesse sentido, ao analisar o parecer do terceiro trimestre de Vinícius, observo o mesmo discurso utilizado com Arthur, como demonstro abaixo:
Ao encerrar o ano letivo de 2012 temos plena satisfação em poder avaliar aspectos de desenvolvimento infantil em nossos estudantes. A vivência escolar propicia a construção de diferentes conhecimentos e é possível dizer que Vinícius, através da interação com este meio, com colegas, professores e funcionários da nossa escola tem demonstrado algumas evoluções.
Através do projeto que estudou os Animais, percebo que Vinícius reconhece os aspectos da vida animal que representam importantes hábitos e atitudes da vida humana, como: organização, trabalho em equipe, alimentação e respeito as diversidades. Ainda assim, tenho notado no Vinícius bastante agitação, agressividade e resistência em respeitar limites e combinados. Neste trimestre a escola esteve em contato com a família, na tentativa de juntos superarmos estas dificuldades.
Modelo 13: Parecer Descritivo
A escrita idêntica dos pareceres nos faz crer que a professora simplesmente copiou e colou um mesmo modelo no qual o Vinícius também se enquadra, facilitando assim, o seu trabalho. Dessa forma, vemos nos pareceres descritivos, um modo de fabricar ―uma homogeneização e normalização acerca dos saberes produzidos‖ (CARDOSO, 2001, p. 39), delineando um mesmo perfil de criança.
Assim, partir da análise dos pareceres descritivos, verifiquei que não há um acompanhamento individualizado da criança, pois todas são posicionadas e avaliadas sobre