Chapitre 5 : LES LOGIQUES DES INGENIEURS- FORMATEURS
4. Le panel des neuf ingénieurs : rapport aux dilemmes, industriel et professionnel
No tópico anterior referimos alguns exemplos de artistas que se identificaram com a causa feminista. De facto, o movimento teve um impacto considerável na arte originando, inclusive, novas linguagens e estilos. De acordo com Martin Kemp e no que concerne o movimento feminista “o seu papel mais criativo foi demonstrar subtilmente de que modo as mulheres negociaram, na realidade, as suas posições dentro de determinadas atividades culturais, e adquiriram papéis particulares no processo de mudança e no modo de produzir e ver a arte” (Kemp, 2000: 04). Neste contexto, recupere- se o exemplo de Yoko Ono enquanto uma das percursoras do movimento de arte feminista através das suas performances que questionavam o papel da mulher na sociedade. Em 1964, a artista plástica criou a performance “Cut Piece”, durante a qual oferecia tesouras à audiência, convidando-a a cortar as suas roupas.87 De acordo com Jessica Dawson, a artista plástica foi alvo de críticas devido ao teor da performance, contudo acabou por tornar-se um símbolo da arte conceptual e feminista:
[“Cut Piece” is] one of her [Yoko Ono] most important feminist works, in which the artist presented herself onstage, handed audience members scissors and asked that they cut away at her
85 Veja-se, em anexo, a Figura 44 que apresenta um mural da autoria de Vanessa Teodoro. 86 Veja-se, em anexo, a Figura 45 que apresenta um mural da autoria de Kruella d’Enfer.
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clothing. Reprised several times since 1964, the work, with its exploration of power dynamics and gender issues, remains relevant now.
(Dawson, 2007)
Importa ainda mencionar um excerto de uma entrevista dada por Yoko Ono, na qual a artista plástica assume-se enquanto membro do movimento feminista na arte, segundo o qual pretendia discutir o posicionamento da mulher. A artista conclui o seguinte: “[Women] are a very important energy that the society can use. To denigrate us or to abuse us or to sweep us under the rug is not beneficial for the society itself” (Ono, Y., in Dawson, 2007).
Martin Kemp considera que o movimento feminista alterou, profundamente, o mercado da arte contribuindo para a emergência das mulheres nesta área: “A arte feminista submeteu a relação entre a arte, o género e a contemplação a um escrutínio ainda mais crítico” (Kemp, 2000: 502). A título de exemplo, veja-se a obra da artista plástica norte-americana Judy Chicago intitulada “The Dinner Party” (1975).88 Nesta instalação, a artista “apresenta um espaço preparado para um banquete de mulheres célebres que foram, em muitos aspetos, excluídas de um cânone de tradição definido pelo regime patriarcal” (Kemp, 2000: 502). No que concerne a arte feminista, Barbara Krueger destacou-se entre as demais, na medida em que procurou através da arte reprovar a violência contra a mulher e a sexualização do corpo feminino. Em 1991, a artista plástica expôs uma instalação na Mary Boone Gallery, em Nova Iorque, na qual “procura destacar o sofrimento das mulheres e das minorias raciais vítimas de abusos através de palavras violentas e imagens que incutem o terror feminino” (Kemp, 2000:502).89 De acordo com Maura Reilly, enquanto artistas, as mulheres têm adquirido cada vez mais projeção no mercado da arte devido à redefinição dos cânones e à multiplicidade de linguagens artísticas: “They are now featured broadly in important museum and private collections; are included in art history textbooks; and are highly visible in galleries, in the media, and on the art scene in general” (Reilly and Nochlin, 2007: 17). A autora acrescenta ainda que
88 Veja-se, em anexo, a Figura 47 que apresenta a performance artística de Judy Chicago intitulada “O
Jantar de Gala” (1975).
89 Veja-se, em anexo, a Figura 48 que apresenta uma instalação da autoria Barbara Krueger no âmbito da
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nas duas últimas décadas, o interesse pelo trabalho das artistas cresceu exponencialmente: “In the past two decades, there has been an increased interest on the part of curators in integrating women more fully into major group exhibitions” (Reilly and Nochlin, 2007: 18). Maura Reilly alerta ainda para o facto de que ainda existe alguma resistência face à integração das artistas em grandes exposições, possivelmente porque a curadoria é predominantemente feita por homens que, por identificação de género, promovem mais artistas do sexo masculino. Neste âmbito, importa citar a seguinte afirmação da autora:
(…) women are still far from equal when it comes to the art market, as well, where the monetary value of their work is far lower than men’s; and the male to female ratios at galleries and museums are greatly imbalanced, with few exceptions. Women are also often excluded from exhibitions within which one would think they would play major roles, and women curators are rarely invited to organize the more prestigious international exhibitions.
(Reilly and Nochlin, 2007:19).
De facto, as artistas ocupam uma posição de fragilidade no mercado da arte, especialmente se provierem de uma etnia e/ou de um contexto sociocultural específico. Neste âmbito, Maura Reilly refere o seguinte: “(…) of the advances made by women in the arts over the past three decades, the vast majority were, and generally continue to be, made by white Euro-Americans from or in the privileged centers” (Reilly and Nochlin, 2007: 19). O racismo90 e o sexismo91 são fenómenos presentes na sociedade atual contribuindo para a prevalência de estereótipos associados às questões de género. Por outro lado, estas problemáticas desencadeiam movimentos de resistência. A influência da religião e dos estereótipos na representação do corpo feminino são as condicionantes que mais reprimem as mulheres nas esferas pública e privada. O grupo de arte feminista “Guerrilla Girls” exemplifica esta questão. Afirmando-se na luta contra o sexismo e a discriminação, o movimento iniciou-se na década de 1980 e reúne um conjunto de
90 De acordo com Manuela Malheiro Ferreira o conceito de racismo poderá ser definido da seguinte forma:
“Trata-se de uma forma agravada de preconceito que incide sobre as diferenças de fenótipo entre as pessoas. O grupo que partilha determinadas características físicas torna-se alvo de um tratamento desigual de discriminação” (Ferreira, 2003: 40).
91 Segundo Manuela Malheiro Ferreira, o conceito de sexismo “Designa preconceito e descriminação com
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mulheres que cobrem a sua face com máscaras de gorila. Até ao momento, as verdadeiras identidades de cada membro não foram reveladas, uma vez que integra o seu manifesto a luta contra a ditadura da imagem e o sexismo. De acordo com o jornal New York Times e a jornalista Melena Ryzik num artigo redigido recentemente e passadas três décadas o grupo conseguiu uma exposição que reúne todo o seu portefólio artístico:
After three decades as masked crusaders for gender and racial equality in the art world (…) the Guerrilla Girls have lately been enjoying a victory lap. Last year, the Whitney Museum of American Art acquired the group’s portfolio of 88 posters and ephemera from 1985 to 2012, documenting the number of women and minorities represented in galleries and institutions, including the Whitney itself.
(Ryzik, 2015)
À semelhança de Melena Ryzik, Maura Reilly exalta o papel do movimento na luta contra a desigualdade de género no mercado da arte. A autora recupera um poster do movimento relançado em 200592:
In their 2005 update of their 1989 poster Do Women Have to Be Naked to Get into the Met.
Museum?, the feminist art activist group the Guerrilla Girls reported that less than 3 percent of the
artists in the Metropolitan Museum of Art’s modern art sections were women, whereas sixteen years earlier it had been 5 percent.
(Reilly and Nochlin, 2007: 20).
Este grupo de artistas viu no espaço público uma oportunidade de chamar a atenção para a desigualdade de género, uma vez que, frequentemente, as mulheres foram excluídas de apresentarem as suas obras no meio urbano. Mary Kosut confirma esta asserção:
92 Veja-se, em anexo, a Figura 49 que apresenta o outdoor da autoria do coletivo Guerrilla Girls intitulado
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(…) the Guerrilla Girls seek to reclaim public space for women. Because women have been historically excluded from full participation in public spaces, it is particularly significant that the Guerrilla Girls conduct most of their awareness campaigns in the city streets and other public sites. (Kosut, M. 2012 in Lin & Mele: 153).
De facto, ao longo da história da arte, as artistas estavam circunscritas ao papel de objeto representado e, como tal, qualquer apropriação de um espaço expositivo por uma mulher era entendido como uma provocação à moral instituída. Deste modo, a inclusão das mulheres na arte figurou-se um processo longo e complexo, que exigiu a quebra com os cânones e a progressiva adaptação da indústria cultural à emergência de novos discursos no meio artístico. Esta questão é particularmente visível na prática do graffiti que apesar do seu carácter vanguardista e disruptivo encarou a presença feminina como uma ameaça à génese desta comunidade artística.