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A produção de ovos tem extrema relação com as mudanças na duração do dia a que as frangas e galinhas são expostas. O ganho de peso no período de crescimento, o número de ovos, tamanho dos ovos, bem-estar e uma total rentabilidade podem ser diretamente influenciados por programas de luz apropriados (Hy-Line, 2009; Lewis and Morris, 2006 citados por Glatz, s.d.; Pereira, 2011). Para ser possível obter a maior regularidade na produção de ovos, é essencial que existam sistemas de iluminação artificial na exploração (Figura 12) que permitam criar programas de luz (Mourão, 2005).

O controlo dos períodos de luz e obscuridade torna possível modelar a maturidade sexual das aves e consequente entrada em postura. Para além deste facto, as aves só consomem o seu alimento e água na presença da luz, o que também é importante para o controlo do seu crescimento na fase de recria. Existem várias estratégias em relação à gestão da luz, nomeadamente quanto à intensidade, cor, continuidade ou intermitência, colocação dos pontos de luz, entre outros, que devem ser adaptadas ao pavilhão em causa, assim como ao tipo e resposta das aves (Pereira, 2011).

Figura 12 - Pavilhão de postura sem janelas com iluminação artificial (Foto própria)

A luz tem uma importante função na galinha, pois estimula a função sexual e provoca os ciclos de reprodução, e pela alternância entre o dia e noite sincroniza o dia subjetivo das aves. O fotoperíodo (período claro do dia) é a informação mais importante para controlar o ciclo sexual das aves. A variação do fotoperíodo provoca o desenvolvimento das gónadas, o aparecimento da muda pré-nupcial, entre outros. Quando as aves, nomeadamente as galinhas, são expostas a variações naturais do fotoperíodo durante o ano, mostram variações na produção de ovos (Mourão, 2005).

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25 A chave para a construção do programa de luz para um bando comercial de galinhas é conhecer a curva de resposta da LH (hormona luteinizante) à duração do fotoperíodo (Figura 13). Esta informação pode ser usada para estimular o início da postura, mais lentamente ou mais rapidamente, usando fotoperíodos que estão na porção ascendente da curva, entre a DCD (duração crítica do dia) e a DSD (duração saturada do dia). Iluminar as galinhas com fotoperíodos abaixo da DCD não tem valor fotoperiódico, enquanto estender o fotoperíodo muito para além da DSD acelera o desenvolvimento da fotorrefração (diminuição da fotossensibilidade). Depois de a galinha ter sido fotoestimulada e entrar em produção, o objetivo deve ser aumentar progressivamente a duração do dia para balancear o desenvolvimento progressivo da fotorrefração (Mourão, 2005).

Figura 13 - Variação da concentração de LH em relação à duração do fotoperíodo (Mourão, 2012b) Para se obter bons resultados no período de produção é importante que as aves tenham o peso corporal correto na idade do início da fotoestimulação e na maturidade sexual. Deve-se, deste modo, coordenar o momento em que se inicia a fotoestimulação com os estados de desenvolvimento fisiológico e crescimento das aves permitidos pelo programa de alimentação e por outras condições ambientais. Contudo, não se deve fotoestimular precocemente aves cuja alimentação permitiu atingir o peso objetivo a idade inferior à recomendada, dado que pode ter efeito negativo na futura produção de ovos (Mourão, 2005).

Programas de luz no período de crescimento

2.5.6.1

As pintas na primeira semana de vida devem começar com 20 a 22 horas de luz contínua (Figura 14) ou em alternativa um programa intermitente com 4 horas de luz seguidas de 2 horas de escuro. Posteriormente a duração do período de luz deve ser semanalmente reduzida até atingir as 9-10 horas às 10 semanas de idade (Hy-Line, 2014b).

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Tendo em conta que estas recomendações se destinam a pavilhão sem janelas em que é possível controlar na totalidade os períodos de iluminação.

A intensidade da luz nos pavilhões de recria e postura devem ser semelhantes, caso contrário as frangas podem iniciar a produção de ovos mesmo sem que a duração do dia se altere. Portanto a intensidade da luz nos pavilhões de recria deve ser aumentada gradualmente até atingir a intensidade utilizada nos pavilhões de postura (Hy-Line, 2014b).

Programas de luz no período de postura

2.5.6.2

O início da maturidade sexual ou a produção de ovos geralmente depende de quatro requisitos (Hy-Line, 2014b):

1 - Idade mínima que é geneticamente determinada (17 semanas). 2 - Peso corporal mínimo.

3 - Consumo de energia e nutrientes adequados para suportar a produção de ovos. 4 - Uma duração constante ou crescente do dia até atingir no mínimo as 12 horas de luz.

A estimulação luminosa deve ser iniciada quando é atingido o peso corporal ideal, que geralmente é conseguido entre as 17 e 19 semanas de idade. Não deve ser feita em bandos que não tenham atingido o peso corporal ideal definido pelo padrão do híbrido, uma vez que bandos que sejam estimulados com peso inferior ao padrão irão produzir ovos com menor peso e a produção no pico será menor bem como haverá um decréscimo de produção pós-pico mais acentuado (Hy-Line, 2014b). Se as aves atingem a idade para o início da fotoestimulação com pesos corporais muito baixos pode ser recomendável atrasar o início da fotoestimulação até as aves atingirem o peso correto (Mourão, 2005).

Quando se inicia a estimulação, o aumento inicial do período de luz não deve ser inferior a 1 hora por semana. Posteriormente a duração do dia deve aumentar entre 15 a 30 minutos por semana até que se atinjam as 16 horas de luz. De preferência as 16 horas de luz devem ser atingidas antes do pico de produção do bando. Durante o período de produção a duração do dia e a intensidade da luz nunca deveram diminuir, caso tal aconteça irá afetar negativamente a produção de ovos (Hy-Line, 2014b).

Em geral, de uma estimulação precoce resultará num maior número de ovos por galinha, mas em contrapartida numa ligeira redução do tamanho do ovo. Uma estimulação luminosa mais tardia resultará em menos ovos totais (Hy-Line, 2014b), mas com um peso médio mais elevado (Hy-Line, 2014; Mourão, 2005). Desta forma, os programas de luz

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27 podem ser personalizados para irem ao encontro ao tamanho do ovo e à procura do mercado (Hy-Line, 2014b).

Figura 14 - Programa de luz para galinhas na fase de recria e produção (Hy-Line, 2014b)

2.5.7 Medidas gerais de profilaxia

As instalações e pavilhões de postura devem respeitar algumas normas básicas de implementação como (Zêzerovo, s.d.):

- Obedecer a princípios de proteção da saúde animal e da saúde pública, bem como da natureza e ambiente.

- Estar preparados para evitar a introdução de doenças e seu controlo em caso de aparecimento.

- Estar distanciados pelo menos 200 metros de outros estabelecimentos que possam colocar em causa a saúde animal e/ou pública

- Dispor de água potável em quantidades suficientes para o seu abastecimento

- Dispor de vestiários e instalações sanitárias para o pessoal, com localização adequada. - Dispor de local e meios adequados para armazenagem de estrumes.

- Possuir vedação de segurança e portão que permita controlar a circulação de pessoas, viaturas e animais.

Para que seja possível atingir os melhores índices produtivos é ainda imprescindível um adequado e rigoroso programa profilático, em conjunto com medidas adequadas de

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biossegurança. Para além disso é sempre importante ter procedimentos de higiene e desinfeção intensos, assim como um correto isolamento das instalações à entrada de elementos estranhos (objetos, pessoas e outros animais) (Hy-Line, 2009).

No que diz respeito à profilaxia médica, deve existir um programa elaborado pelo médico veterinário assistente da exploração, igualmente adaptado à realidade sanitária da região e de acordo com as imposições legais vigentes (Hy-Line, 2009).

Desta forma, antes da entrada em postura, um “programa-tipo” deve incluir vacinas contra os agentes de (Hy-Line, 2009):

- Bronquite Infecciosa

- Bronquite infecciosa (variantes) - Doença de Newcastle

- Doença de Gumboro (Bursite Infecciosa) - Doença de Marek - Encefalomielite - Rinotraqueíte - Varíola Aviária - Laringotraqueíte - Salmonelose

- Síndrome da Queda de Postura (EDS)

O método mais comum e mais fácil para a administração de vacinas é através da água de bebida. No entanto, algumas vacinas exigem aplicação por gota ocular, punção da membrana da asa e até injeção intramuscular (Pereira, 2011).

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