Como foi referido anteriormente, a prática profissional supervisionada decorreu com maior incidência no 7.º ano do 3.º CEB, pelo que, para o presente estudo de caso, a amostra é extraída desse ano letivo, mais concretamente das turmas D e E. O quadro abaixo traduz a amostra utilizada.
Turma Total de alunos Masculino Feminino
Absoluto % Absoluto %
6. D 30 13 43 17 57
7.º E 30 10 33 20 67
Total 60 23 38 37 62
Tabela I – Caracterização da amostra Analisando o quadro, podemos verificar que amostra é constituída por 60 alunos, sendo 23 do sexo masculino e 37 do feminino. Em termos percentuais, o sexo feminino representa 62% da amostra e o masculino os restantes 38%.
Relativamente às idades, elas variam entre os 12 e os 15 anos e não há diferenças significativas entre as duas turmas, pelo que se pode depreender que a totalidade da amostra (independentemente da turma) se encontra em estádios de desenvolvimento cognitivo e sociocultural semelhantes.
Como indicado, é propósito deste estudo aferir se há (ou não) um modelo de ensino mais eficaz no ensino de Geografia no 3.º CEB, e havendo, verificar se um submodelo do ensino centrado no professor – “a instrução direta”, contribui para o sucesso escolar, i.e., se torna as aprendizagens mais significativas.
Para o efeito, e porque dispunha de duas turmas de 7.º ano, foi possível selecionar dois subtemas do programa de Geografia do 7.º ano (a localização relativa e a dinâmica de uma bacia hidrográfica) e aplicar no primeiro subtema o mesmo método de ensino para as duas turmas, e para o outro subtema utilizar métodos de ensino diferentes nessas duas turmas. Para proteção e privacidade, as turmas serão identificadas como A e B, respetivamente.
Para aferir das aprendizagens nos subtemas indicados, foram recolhidos 3 indicadores estatísticos: dois quantitativos e um qualitativo.
Os indicadores quantitativos referem-se à classificação obtida no teste de etapa realizado pelas duas turmas, no grupo de perguntas relativas ao tema em questão, e que foram rigorosamente iguais sem que os alunos o soubessem, e ainda de um mini teste surpresa realizado nos últimos dias de aulas. Se o objetivo do primeiro era testar a memória de curto prazo, o objetivo do último era avaliar a memória de longo prazo. A
alunos e se coincidiam, ou não, com aqueles onde foi utilizado o método de ensino “instrução direta”.
Aproveitou-se ainda para questionar quais os recursos utilizados nas aulas que foram mais do seu agrado e que sugestões de melhoria para futuro.
Do cruzamento dos dados, procurar-se-á inferir se existe alguma correlação que sustente a pergunta de partida (ou não) e verificar, ainda, se há outros aspetos negligenciados a princípio e que agora se apresentam como pertinentes.
Foram recolhidos então 3 conjuntos de elementos estatísticos com as seguintes características:
Avaliação qualitativa – Inquérito através de questionário (ver anexo I) em que os alunos, com base numa escala de Likert, classificam os temas da disciplina de Geografia do 7.º ano numa escala de 1 a 5, em que 1 significa “Não gostei”, 2 “Gostei pouco”; 3 “Gostei”; 4 “Gostei muito”; 5 “Gostei bastante”. Para a elaboração do inquérito, e porque era inviável a utilização de todos os temas do programa, foi utilizada uma amostra com 10 dos 33 temas da Geografia que fazem parte do programa do 7.º ano. Para o efeito, foi utilizada uma ferramenta estatística que efetuava uma randomização de todos os temas e retirava uma amostra de 10, sendo que dois deles estavam pré-determinados à partida e que são os que fazem parte do presente estudo. A ferramenta informática e a amostra selecionada está disponível no anexo II.
Atendendo à dificuldade que os alunos poderiam ter em identificar os grandes temas, a amostra foi reduzida, intencionalmente, a 4 temas, sendo que em dois deles tinha sido utilizado o método “instrução direta” e nos outros 2 métodos alternativos. O objetivo era o de verificar se dentro destes temas existiam subtemas que indicassem as preferências dos alunos. Como o objetivo é determinar quais os temas que os alunos mais gostaram, metodologicamente, efetuou-se a soma das respostas que avaliaram o tema com “Gostei muito” e “Gostei bastante “e dividiu-se pela amostra. Para chegar ao valor de percentagem, efetuou-se a multiplicação
por cem. O processo foi repetido nas questões seguintes. Findo este processo de recolha e tratamento estatístico, os dados são apresentados em capítulo para o efeito recorrendo às tabelas daí resultantes e a gráficos que demonstrem a realidade obtida. Por uma questão de organização, as tabelas completas são apresentadas em anexo, sendo apenas vertido no corpo do texto as tabelas e os gráficos que traduzem as respostas “Gostei muito + Gostei bastante”
Foi ainda dada oportunidade aos alunos de identificarem a sua escolha sem qualquer “limitação”, através de resposta livre, sobre qual/is o(s) conteúdo(s) mais interessante(s) (pergunta 2 do questionário). Aproveitou-se ainda para questionar quais as atividades e os recursos utilizados ao longo do ano que mais foram do agrado dos alunos e a partir daí poder (também) verificar se esses recursos / atividades foram os utilizados nas aulas em que o método de ensino foi o da instrução direta (perguntas 3, 4 e 5). Os resultados serão apresentados em capítulo posterior.
Avaliação quantitativa:
A avaliação quantitativa processou-se através de dois instrumentos. Primeiro através do teste de etapa que os alunos realizaram ao longo do ano. Através deste instrumento, e por comparação, procura-se verificar se os temas em que foi utilizado o método de ensino de instrução direta apresentam, em termos estatísticos, diferenças substanciais em relação aos outros temas. Com este instrumento, procurou-se testar a memória de curto prazo. As tabelas com os dados estão disponíveis no anexo 3 (o nome dos alunos não é apresentado). Em relação à memória de longo prazo, foi realizado nos últimos dias de aulas (sem os alunos terem conhecimento) um teste sumativo (que não era tido em conta para a classificação interna) a ambas as turmas. Com este instrumento, pretendeu-se verificar se existiam diferenças significativas entre as duas turmas e, a existir, se estas diferenças se verificaram nos temas em que o método de ensino foi
diferente nas duas turmas ou se não existia qualquer diferença significativa. O teste realizado está disponível no anexo 4.