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O projeto teve como princípio e linha orientadora os diversos elementos que compõem o modelo de relação pedagógica de Renald Legendre (1993, 2005), mencionado por Martins (2002), na sua obra Didática das Expressões: “a relação Pedagógica (RP) tem lugar em

situações e atos pedagógicos que emergem de um contexto específico em que se desenrolam os processos de ensino-aprendizagem.” (Martins. 2002: 38).

Legendre apresenta um Modelo de Relação Pedagógica composto por quatro elementos fundamentais (o Agente, o Sujeito, o Objeto e o Meio) que estabelecem relações entre si, quer relações biunívocas, quer relações de interdependência. Para que seja possível um resultado eficaz é necessário a existência de uma Relação de Aprendizagem (RA = Sujeito – Objeto); uma Relação de Ensino (RE = Agente – Sujeito); uma Relação Didática (RD = Agente – Objeto).O meio possui um papel fundamental nestas relações.

Na medida em que o ambiente escolar está em permanente mutação, este modelo pedagógico terá que se adaptar constantemente à realidade atual, nomeadamente em relação à diversidade cultural e étnica dos alunos. Assim, o Agente (A) deverá ter em conta na sua relação de ensino (RE), uma sensibilidade e visão mais global do meio onde estão inseridos os seus alunos e as origens dos sujeitos (S), aplicando estratégias que permitam motivar, interessar os mesmos. Quanto à Arte e Educação, é necessário ter em conta a natureza do próprio objeto, ou seja, a arte nas suas múltiplas formas para que essa aprendizagem se manifeste de forma plena e total.

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Figura 1-Modelo de Relação Pedagógica de Renald Legendre, 2005, cf. Amílcar Martins, 2002, 20092

1.2.1 – O Sujeito de aprendizagem

“O Sujeito (S) que corresponde ao ser humano numa situação de aprendizagem.” (Martins,

2002: 39). Este projeto envolveu os alunos de quatro e cinco anos do ensino pré-escolar da sala B do Jardim de Infância Popular (J.I.P.) situado na freguesia de Agualva, concelho de Sintra. Há a salientar ainda que os alunos provém de lares de situação socioeconómica diferenciada (predominantemente da classe média baixa). A nível cultural existe uma diversidade significativa, visto que existem crianças de várias nacionalidades e credos religiosos. No entanto, também há a evidenciar que algumas crianças sendo cidadãs portuguesas, os seus progenitores são estrangeiros, nomeadamente de países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP).

1.2.2 – O Agente de ensino

“O Agente (A) que é responsável pelo planeamento, animação e avaliação do processo de ensino e da progressão e qualidade das aprendizagens.” (Martins, 2002: 39). A

dinamizadora do projeto de Filosofia para Crianças no jardim de infância e a educadora da sala dos quatro e cinco anos foram os principais agentes. Neste contexto, a dinamizadora do

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projeto fui eu com o auxílio da educadora Ana Margarida Borges e das ajudantes de ação educativa, Ana Jesus Almeida e Ana Patrícia Almeida.

1.2.3 – O Objeto de estudo

“O Objeto (O) que corresponde à natureza, ao conteúdo e aos objetivos dessa

aprendizagem.” (Martins, 2002: 39). Neste sentido, tendo como base a metodologia que o

Programa de Filosofia para Crianças elaborado por Matthew Lipman contempla, apliquei um projeto delineado com base na Educação para a Arte, no período de 28 de novembro de 2014 a 04 de junho de 2015.

1.2.4 – O Meio

“O Meio (M), ou um contexto, que envolve o Sujeito (S), o Agente (A), e o próprio Objeto (O).” (Martins, 2002: 39). O principal meio foi a sala de aula, onde se desenvolveram a

maioria das atividades.

Este projeto foi implementado no Jardim de Infância Popular (J.I.P.), Instituição Particular de Solidariedade Social, sediado na freguesia de Agualva. Agualva-Cacém é um dos maiores centros populacionais do país, situação a que chegou devido ao acelerado desenvolvimento urbano e demográfico das últimas décadas.

A população residente em Agualva-Cacém trabalha principalmente no concelho de Lisboa, mas existem na localidade várias atividades significativas dos setores secundário e terciário que empregam população ativa de outros concelhos. Quem vive nesta cidade é indiferente à mesma enquanto comunidade, sendo que a vida social e comunitária é quase inexistente.

Esta instituição recebeu várias gerações de crianças das freguesias de Agualva e do Cacém (Sintra), tendo sofrido algumas mudanças nos últimos anos, devido à intervenção do Programa Pólis. O edifício antigo e os seus característicos desenhos na fachada foram demolidos e substituídos por um funcional edifício do Arquiteto Nadir Bonaccorso. O atual edifício foi construído mediante processos de arquitetura sustentável, sendo bioclimático, onde a água das chuvas é aproveitadas e o aproveitamento da luz solar é a correta, mediante 20 painéis solares, entre outras características de aproveitamento de recursos naturais.

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O Jardim de Infância Popular possui valências de Creche, Jardim de Infância e Atividades de Tempos Livres. O Jardim de Infância Popular dispõe de capacidade para 154 crianças com idades compreendidas entre os 3 meses e os 10 anos. A creche é composta por três salas (3 meses-aquisição da marcha; da aquisição da marcha – 24 meses; dos 24 meses – 36 meses), num total de 42 crianças; o jardim de infância é composto por quatro salas (dos 3 aos 5 anos), cada sala é composta por 23 elementos. Estas salas apresentam uma estrutura vertical, designadas Salas Heterogéneas. As atividades de tempos livres (dos 6 aos 10 anos) têm capacidade para 20 crianças.

Cada equipa de sala é composta por três elementos, a Educadora e as Ajudantes de Ação Educativa (duas).

O Jardim de Infância Popular, enquanto instituição pedagógica, centra-se numa

[…] pedagogia ativa, em que a criança é um centro de toda a atividade educacional; uma pedagogia flexível, em que a voz da criança é essencial para conduzir o processo educativo; uma pedagogia diferenciada, que tem em conta a diversidade da criança em cada contexto educativo. […] Esta perspetiva educacional integrada, de comunicação de respeito e aceitação da especificidade individual, está no centro de uma educação transversal, multicultural e heterogénea, enquanto conceito compreensivo e abrangente face à diferença.3

Como já foi referido, esta instituição é um espaço heterogéneo e plural, neste sentido o seu Projeto Educativo (2013: 16) tem como principais valores a ligação à vida, à família e ao meio e como princípios educativos a cooperação, a entreajuda, a livre escolha, a igualdade de oportunidades, o respeito pelo outro (o desenvolvimento do Ser social na sua plenitude), acreditando que um bom começo vale para toda a vida (2013:21).

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Imagem 1 - Edifício do Jardim de Infância, situado na freguesia de Agualva (Sintra)4

Imagem 2 - Pintura emblemática do Jardim de Infância Popular 5

4 http://www.nbaa.pt/nbaa.pt/publico/Entries/2005/1/1_JIP_-_jardim_de_infancia_Popular.html [acesso a

07/11/2016]

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1.3 Modelo mentor de pesquisa - Relações do Modelo de Relação Pedagógica de